sexta-feira, 7 de outubro de 2016

Uma escola para imbecilizar

Pode-se dizer sem medo: com essa "reforma" idiota, o ensino no Brasil será a maior balela de sua história, confinando a rapaziada a um campo de concentração do conhecimento zero. 


Nem na dita cuja o obscurantismo invadiu a sala de aula com tanta voracidade mórbida. Mas nesse ambiente da mais contundente impostura não surpreende que queiram formalizar a escola de imbecis já moldada em prosa e versos pela mídia imperatriz.

Desse governo de assaltantes nada me surpreende. Mas, sinceramente, a súcia que está na coxia incita à geração de estúpidos em escala nacional. Tal é o âmago desse coice despudorado de alto teor imbecilizante que reduz o ensino médio à cartilha do ABC e à tabuada.

Essa medida provisória açodada vai ser empurrada goela adentro de um congresso mercenário e traquinas, além do que, de cabeças ocas e analfabetismo funcional.

O escopo é enfiar as cabeças juvenis na ignorância tutelada. Nada do amplo saber, essencial para o aprendizado da cidadania e a compreensão das causas e do comportamento.

Todos ganharão uma carteira de imbecil com o carimbo da República. Já emasculados, os jovens chegarão à Universidade de  antolhos e uma
 Exigência elementar: sabe ler, escrever e fazer as 4 operações. Somando-se curiosamente  ainda o vírus colonial da língua da matriz, premissa de um país capacho.

Serão esses os doutores da ignorância de encomenda?  Doutores que saberão soletrar e fazer contas, numa distância solar do que precisariam saber para ser mais do que canastrões saídos  de uma escola que vai gastar mais de mil horas na mais cara conversa mole de um varejo farsesco e especializado na formação de subalternos  sem eira, nem beira.        


Essa, sim, será mais uma manobra golpista que vai comprometer a soberania nacional e espalhar o estado de ser imbecil como glória e mérito louváveis. 

segunda-feira, 3 de outubro de 2016

Não estou triste, porque lutar é viver


Digo-lhe do fundo do coração, com toda sinceridade: não estou triste por mim, não estou mesmo. Como sempre, não foi por mim que fui mais uma vez à luta, aos 73 anos, e uma saúde em pandarecos.

Decidi pela candidatura contra minha própria lógica. Tudo porque não suportei algumas indignidades em curso – da visível destruição da profissão de taxista por uma multinacional invasora à supressão escamoteada da previdência social.

Queria uma cidadela onde montar a trincheira em condições de ecoar o grito dos rapinados. Era tarde demais. Estou morando longe, onde o vento faz a curva – uma opção pessoal de exílio doméstico. Não tinha um tostão a mais para bancar os passos, que a disputa eleitoral, vendo por dentro, continua cara e sujeita a trapaças.

Imaginava-me um dom Quixote a devastar os moinhos do retrocesso, uma pretensão idílica dos tempos idos. Teimosia pura. Se não conseguia dar cem passos pelos jardins primaveris, como fazer-me presente na zona do agrião?

Tentei voltar atrás logo no começo. Mas não me deixaram. Prometeram-me e não entregaram. Tinha de acontecer isso mesmo.

Não havia nenhuma similitude entre eu e o prefeitável a que o PDT se atrelou por uns nacos do poder. Sabia que o alcaide vacilão operava com sua máquina  corruptora em favor dos seus escolhidos dentro da legenda satélite. Mas não havia tempo nem vontade de sair outra vez da criatura de Brizola que virou as costas ao seu criador.

Percebia também que certas categorias agem como se conformadas com o inferno em que se acham. Tentei alertar a alguns sobre a realidade adversa. Mas não foram muitos os que tiveram clareza para discernir. Alguns são cabeçudos, mesmo. Preferem a mentira que lhes alimente as ilusões.

Felizmente, na escolha dos prefeitos a máquina enguiçou. Haja o que houver no segundo turno, o trono dos piores hábitos já despencou. Foi a melhor compensação e a luz no fim do túnel de quem um dia conviveu com a cara e a coragem de um caudilho determinado, que não se vendia, não cedia e nem se rendia.

Vou ter que retomar os vários tratamentos – do câncer encurralado à obesidade danosa. Da diabete antiga à diverticulite recente. Da visão e da audição. E de mais um monte de coisas que compõem a antessala da tragédia fatal.

Mas enquanto vida eu tiver, estarei atento, mesmo nesta vargem longínqua. E continuarei esperneando, mesmo com as cãibras nas pernas.

Porque lutar é viver. É minha única forma de sobreviver a toda e qualquer tempestade. 

Quem sou eu

Minha foto
Jornalista desde 1961, quando foi ser repórter da ÚLTIMA HORA, PEDRO PORFÍRIO acumulou experiências em todos os segmentos da comunicação. Trabalhou também nos jornais O DIA e CORREIO DA MANHÃ, TRIBUNA DA IMPRENSA, da qual foi seu chefe de Redação, nas revistas MANCHETE, FATOS & FOTOS, dirigiu a Central Bloch de Fotonovelas. Chefiou a Reportagem da Tv Tupi, foi redator da Radio Tupi teve programa diário na RÁDIO CARIOCA. Em propaganda, trabalhou nas agências Alton, Focus e foi gerente da Canto e Mello. Foi assessor de relações públicas da ACESITA e assessor de imprensa de várias companhias teatrais. Teatrólogo, escreveu e encenou 8 peças, no período de 1973 a 1982, tendo ganho o maior prêmio da crítica com sua comédia O BOM BURGUÊS. Escreveu e publicou 7 livros, entre os quais O PODER DA RUA, O ASSASSINO DAS SEXTAS-FEIRAS e CONFISSÕES DE UM INCONFORMISTA. Foi coordenador das regiões administrativas da Zona Norte, presidente do Conselho de Contribuintes e, por duas vezes, Secretário Municipal de Desenvolvimento Social. Exerceu também mandatos em 4 legislaturas na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, sendo autor de leis de grande repercussão social.