quarta-feira, 20 de julho de 2016

O caos planejado

Ficou combinado assim: após a destituição de Dilma pelo Senado,  Temer e sua turma vão fazer o estrago, começando pela desfiguração do Pré Sal junto com o desmonte da Petrobrás (pleito de Serra) e  forçando a barra em duas "reformas" gêmeas, vendidas como a salvação da lavoura: o aniquilamento da previdência social pública e a amputação dos direitos trabalhistas.

Estamos falando de compromissos vorazes que vêm ganhando força desde Collor e FHC, passando pelas mãos trêmulas de Lula e de Dilma. No caso da Previdência, os grandes bancos, insaciáveis em suas carteiras de "produtos de alta rentabilidade", já estão fazendo o meio do campo.

O eixo dessa quarta "reforma" é a idade mínima de 65 anos para a aposentadoria, mas os leiloeiros do governo interino querem fulminar até quem já goza do benefício – e não apenas os noviços do mercado de trabalho. JÁ ESTUDAM NOITE À DENTRO A REDUÇÃO DAS PENSÕES AO MÍNIMO MINIMORUM. Esse vacilo pegou a Dilma em dezembro de 2014, mas ela teve a lucidez de voltar atrás, o que não se espera dos deslumbrados que estão decididos a chutar o pau da barraca, doa em quem doer.

Para variar vão repetir a mesma lengalenga que criminaliza quem viver mais. Os idosos teimosos serão expostos em vitrines eletrônicas como os grandes culpados – os idosos civis, os militares que podem dar baixa ainda maduros, não. Nem certas categorias de privilegiados. Lembre-se, para dormir com esse barulho, que a moçada do Judiciário faz movimento em sentido contrário, para ficar mais tempo com o saboroso poder decisório.

A coisa é tão ardilosa que a maioria do povo acredita piamente que o grosso do funcionalismo é de marajás, o velho e surrado discurso que pegou na primeira direta depois da ditadura. Segundo pesquisas recentes, encomendadas pela CNI,  o populacho acha que a "solução"  está em massacrar os servidores, reduzindo os parcos vencimentos.  Fazer o que?

Você não tem ideia do que vem por aí com a "reforma" trabalhista. Para ser breve, imagine a CLT rasgada e picotada.  Será o caos planejado. Já não é fácil chegar aos 65 anos trabalhando – o que se pagou antes vai sumir se você ficar fora do mercado. Haverá emprego para quem tem mais de 50 anos? Duvido d-o-do.

Por fim, por hoje, vale repetir: com essas ideias de jerico a turma da pesada vai inviabilizar a vida dos jovens, que já começam (quando começam) no prejuízo e ainda os destitui de qualquer segurança laboral. Já estou vendo o quadro patético que terá o domínio absoluto do patronato feudal.

Só quero ver a cara de quem foi para a rua servir o dorso para essa sacanagem.

Estaremos lá e esperamos você


domingo, 10 de julho de 2016

Não basta cassar Cunha: por tantas falcatruas, seu lugar é na cadeia

Espera aí: os crimes bilionários de Eduardo Cunha não se resolvem com a cassação do seu mandato: se a Justiça não vacilar, o seu destino será a cadeia.  Portanto, não está em jogo apenas se a Câmara vai poupar-lhe o mandato em troca da renúncia à sua presidência. Isso em si é um escárnio e poria o próprio Judiciário no banco dos réus.


Todo mundo sabe que sua renúncia espetaculosa está conectada com uma contra partida abençoada pelo o presidente interino, com quem conversou na calada da noite do último domingo no Palácio Jaburu. Como aconteceu com o senador Romero Jucá, ele sairia do trono, mas, ainda parlamentar, continuaria fazendo a interlocução com a numerosa quadrilha que comanda.

O entrelaçamento entre o governo do interno e a grande maioria de pilantras de carteirinha parlamentar está ferreamente condicionado. Sem Cunha como moderador na área, a turma da pesada vai ser desintegrar e recorrer ao FARINHA POUCA, MEU PIRÃO PRIMEIRO.

O acordo que produziu o golpe é de múltiplas facetas. De um lado, blinda os agraciados de sustos lacrimejantes.  De outro, engaveta a legislação anticorrupção que chegou à Câmara com as assinaturas do Ministério Público e adesão de mais de dois milhões de brasileiros. Temer já está cumprindo sua parte, retirando a rubrica de urgência para votação, por que ele também tem culpa no cartório.

Hoje há um clima de perplexidade geral que se abaterá torrencialmente sobre as próprias eleições municipais com chances de ser desprezadas por eleitores ainda estonteados pelos últimos acontecimentos.

Esse ambiente degenerado pode ter seu lado inesperado: o Senado, cada vez mais vazio de justificativas para a deposição de uma presidente eleita,  pode cair na real e negar os votos necessários ao impeachment.  E Dilma estaria de volta com uma visão mais ampla dessa desafiadora ciência de governar.

Vale aqui apenas um ponto de referência: enquanto o pai de chiqueiro estiver livre  com os bilhões roubados as instituições não passarão de caricaturas desprezíveis.


E aí a crise será do salve-se quem puder.

Quem sou eu

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Jornalista desde 1961, quando foi ser repórter da ÚLTIMA HORA, PEDRO PORFÍRIO acumulou experiências em todos os segmentos da comunicação. Trabalhou também nos jornais O DIA e CORREIO DA MANHÃ, TRIBUNA DA IMPRENSA, da qual foi seu chefe de Redação, nas revistas MANCHETE, FATOS & FOTOS, dirigiu a Central Bloch de Fotonovelas. Chefiou a Reportagem da Tv Tupi, foi redator da Radio Tupi teve programa diário na RÁDIO CARIOCA. Em propaganda, trabalhou nas agências Alton, Focus e foi gerente da Canto e Mello. Foi assessor de relações públicas da ACESITA e assessor de imprensa de várias companhias teatrais. Teatrólogo, escreveu e encenou 8 peças, no período de 1973 a 1982, tendo ganho o maior prêmio da crítica com sua comédia O BOM BURGUÊS. Escreveu e publicou 7 livros, entre os quais O PODER DA RUA, O ASSASSINO DAS SEXTAS-FEIRAS e CONFISSÕES DE UM INCONFORMISTA. Foi coordenador das regiões administrativas da Zona Norte, presidente do Conselho de Contribuintes e, por duas vezes, Secretário Municipal de Desenvolvimento Social. Exerceu também mandatos em 4 legislaturas na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, sendo autor de leis de grande repercussão social.