quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

O dia que Leonel Brizola derrotou a Globo e fez a passarela do samba

(Vale a pena conhecer como se construiu aquele monumento com mais 160 salas de aulas em 
apenas 4 meses)

Já que o batuque de um afoxé  enfeitiçado ainda rola noite a dentro e pelos vindouros dias, expondo o melhor da raça, achei por bem lembrar com todas as letras as figuras daqueles que deram maioridade ao carnaval carioca e, por extensão, ao brasileiro.

FALO DE LEONEL DE MOURA BRIZOLA, DARCY RIBEIRO E OSCAR NIEMEYER.

O carnaval não teria sido o que mostrou estes dias se não fosse a corajosa determinação de Brizola, em 1983, de mandar acabar com o mafuá do monta e desmonta, que existia como um pardieiro sob o controle da fina flor da contravenção, num ambiente de propinas a granel.

Determinação que tomou com o seu exército brancaleone, para o qual fui convocado com outros 9 "homens de confiança", enfrentando a sabotagem da Rede Globo e da maior parte da mídia, que chegou a divulgar "preocupações" de engenheiros sobre rachaduras que ameaçavam a segurança do público.     

A Globo, que já tinha o monopólio da audiência, se recusou a retransmitir o desfile.  Foi graças ao senso de oportunidade do velho Adolpho Bloch que a Rede Manchete habilitou-se a levar para o mundo as imagens da grande festa popular brasileira. E pontificou  na liderança daqueles dias.

Pela Globo, diga-se sem medo, continuaria aquele esquema corrupto em que cada montagem e desmontagem tinha praticamente o preço de um sambódromo de alvenaria.

Foi essa a primeira grande vitória de Brizola sobre Roberto Marinho, vencida em condições quixotescas.

Poucos sabem – por que muitos escondem – aquele cenário colossal numa área de 85 mil metros quadrados foi erguido em apenas 4 meses.  Brizola e Darcy fizeram as vezes de supervisores de obra junto ao engenheiro José Carlos Sussekind, que seria depois o grande construtor dos CIEPs.

POUCOS SABEM – POR QUE MUITOS ESCONDEM - SOB AS ARQUIBANCADAS DE CONCRETO ARMADO, FOI PROJETADO UM COMPLEXO ESCOLAR DE HORÁRIO INTEGRAL COM 160 SALAS DE AULA, PENSADO PARA A ROTINA DE 10 MIL CRIANÇAS.

E não ficou só nisso: rompendo com o domínio total dos banqueiros  de bicho mudou a estrutura da própria competição, que passou a ser em dois dias. Daí para cá, outros estados construíram suas passarelas permanentes para o carnaval das escolas de samba.


Só não sei se algum governante teve a mesma generosa determinação: as 160  salas de aula já levaram o conhecimento e garantiram a cidadania de mais de 100 mil estudantes, que passam o dia aprendendo mais do que samba no pé.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

O carnaval dos mortos vivos

Desculpe, mas não consegui curtir o barato desses dias orgásticos que a santa madre igreja agenda para a catarse ampla, geral e irrestrita.


Bem que tentei, atraído por cores e sons do fundo da alma brasileira. Tentei, mas foi pior. Ao deparar-me com as hordas apinhadas na ginástica olímpica das coxas, sorrisos e seios robustos, outras imagens me vinham à cabeça, permeadas por uma carga de culpa dilacerante.

Foi, sim. Naquele mesmo momento, do outro lado dos mares bravios,  blocos inteiros de seres humanos desesperados pediam pelo amor de Deus uma pousada, em passos cadentes pelas estepes e pelas e pelas selvas de pedra de uma Europa ingrata e covarde.

Esses milhares de seres humanos haviam sido escorraçados de seus lares aconchegantes pela criminosa exploração do ódio, com o que a potência incurável e sua cabeça de ponte dividiram o país mais antigo do mundo e semearam o caos da fome e da morte com o único e mesquinho objetivo de ampliar o controle do petróleo e do gás.

Eu estive lá em 2002 acompanhado por Rubens Andrade, o outro único vereador, dos 5 convidados, que mantiveram a disposição de ir ao Oriente Médio quando a Palestina estava em chamas e o grande  líder Yasser Arafat,  preso em seu próprio escritório pelas trapas criminosas de Israel.

A Síria, que conhecemos por uma semana, era de longe o país árabe de melhor convivência – que digam os 10% de católicos espalhados por suas cidades – inclusive a Damasco de 10 mil anos – e que tem em Malula, onde ainda se fala o aramaico dos tempos de Jesus Cristo, o santuário da Igreja Ortodoxa Síria.

O renascimento dos conflitos entre diferentes correntes do islamismo foi insuflado e  financiado pelos EUA e pela Arábia Saudita, que usaram os suspeitíssimos militantes da Al Qaeda e ainda patrocinaram o fraudulento Estado Islâmico, cuja gênese está em facções sunitas ultra-atrasadas a serviço dos reis sauditas. (Bin Laden também era de uma família muito rica de Riade, sua capital.

Hoje, a Síria inteira é o mais terrível cemitério a céu aberto. Suas milenárias construções estão em ruínas, expondo a miséria de uma brutalidade sem freio por impulsos mesquinhos e interesses espúrios.  Seu povo laborioso vive a mais trágica diáspora do Século XXI. Jogado de um lado para outro de uma Europa fascisticizada, racista, perversa não tem onde se recostar. O mais deprimente é que seus fugitivos de guerra são escorraçados por países como a Hungria, que já provou da ocupação nazista e se reergueu pela solidariedade da sofrida União Soviética. A Hungria hoje é chefiada pelo primeiro-ministro Viktor Orbán, de extrema-direita e nazista.

Se fossem meia dúzia de arrogantes sionistas encrencados,  com certeza a ONU daria uma resposta mais direta e o falastrão Barack Obama, que lambe botas em Walt Street, teria liderado um socorro verdadeiro aos quase 500 mil árabes errantes, que já ajudaram muitos países a construírem seus destinos, como este Brasil que, felizmente, está tendo uma posição mais razoável.

Embora isso seja muito pouco,  2.077 sírios receberam status de refugiados do governo brasileiro de 2011 até agosto deste ano.
O número é superior ao dos Estados Unidos (1.243) e ao de países no sul da Europa que recebem grandes quantidades de imigrantes ilegais ─ não apenas sírios, mas também de todo o Oriente Médio e da África ─ que atravessaram o Mediterrâneo em busca de refúgio, como Grécia (1.275), Espanha (1.335), Itália (1.005) e Portugal (15)

Por hoje, eu só quis dizer das náuseas que sinto ao lembrar que os sofrimentos de milhares de seres humanos inocentes desfilam num macabro bloco de rua – o dos abandonados mortos vivos, enquanto o mais belo espetáculo de criatividade, luzes e cores entremeia meu cérebro nervoso.


Não sei, sinceramente, não sei, mas há uma dor e um sentimento de culpa sangrando-me o coração. Posso estar misturando os acontecimentos no orvalho da minha madrugada insone. Mas haverá como não fazê-lo?

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

Quando vão enforcar o Lula?

Sem querer querendo, Lula e Dilma abalaram a pirâmide social. Quem vai carregar o lixo?

 Quando é que vão enforcar o Lula, mandar a Dilma de volta aos calabouços e tocar fogo em todas as sedes do PT, PC do B e conexos?
 Rompo  meu silêncio sepulcral diante do estoque de munição direcionado única e exclusivamente contra os próceres da estrela vermelha, num bombardeio de fazer inveja ao III Reich.

Já não precisa usar lupa. Lula caiu em desgraça diante de um garrote vil implacável. Dilma vai derramar lágrimas de sangue, muito mais por seu passado rebelde. E todos serão tragados na tormenta da vingança –  mais pelos seus desejos generosos do que pelos erros cometidos quando deram ouvidos a conselheiros viciados nos podres os poderes.

As notícias que não quero ver, nem ouvir e das quais fujo preferindo o convívio mais prazeroso com minhas carpas, alcançam a todos no vendaval conspiratório que raivosos revanchistas espargem com o ódio de classe que grassa como uma peste.

Tudo o que existe é mais, muito mais, do que a tomada do trono cobiçado. É a terra arrasada com todos os seus venenos pervertidos, inclusive crises maximizadas por quem precifica os produtos.  É como se um determinado grupo tivesse preferido a derrota nas urnas para atacar na mão grande, virar a mesa e fazer o Brasil voltar ao império da intolerância e da safadeza encoberta.

É coisa do satanás com seus olhos fulminantes espalhados por toda a América, onde até outro dia os trustes davam as cartas, alçavam os políticos e nomeavam seus magistrados. É obra de uma perversidade sem recato, como nos velhos tempos da elite café com leite. É o monstro com todas as suas garras voltadas para preservar a pirâmide social escravocrata, onde só filho de doutor pode aspirar ao doutorado.

Sem querer querendo, Lula e Dilma cometeram a blasfêmia de abrir as portas a milhões de escorraçados. Não podia haver ofensa maior  – quem vai carregar o lixo? Daqui a pouco, vai ter muito pés descalços ameaçando as cadeiras cativas dos filhinhos de papai. Uma sentença de morte para as elites.

É por causa dessa imprudência social que vão enforcar o Lula, aliás, o mais emblemático dos desafios. Quem mandou passarem aquele filme do miserável pau de arara que foi para São Paulo, viu e venceu, indo ser o primeiro operário a presidir a República do Brasil, uma República que, diga-se por oportuno, não é pouca coisa, não.

Esse juiz com cara de assexuado da fascista TFP não tinha prerrogativas para esticar uma investigação  sobre fato específico  até os cafundós do Judas.  Mas ele e sua turma, de jurisdição local,  pintam e bordam como se estivessem no topo  de toda a armação  judicial.

Isso por que cumprem uma tarefa na exacerbação da caça às bruxas, segundo os casuísmos que perpassam as frutas férteis da Constituição Cidadã, que, mais dia, menos dia, também será levada à fogueira pelos cruzados do ódio, da revanche e da nova escravidão social.

Essa é a sensação que me atormenta, logo eu, que também passei poucas e poucas nos cárceres da Marinha e na Ilha Grande, quando dizer não era pecado mortal.


Quem sou eu

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Jornalista desde 1961, quando foi ser repórter da ÚLTIMA HORA, PEDRO PORFÍRIO acumulou experiências em todos os segmentos da comunicação. Trabalhou também nos jornais O DIA e CORREIO DA MANHÃ, TRIBUNA DA IMPRENSA, da qual foi seu chefe de Redação, nas revistas MANCHETE, FATOS & FOTOS, dirigiu a Central Bloch de Fotonovelas. Chefiou a Reportagem da Tv Tupi, foi redator da Radio Tupi teve programa diário na RÁDIO CARIOCA. Em propaganda, trabalhou nas agências Alton, Focus e foi gerente da Canto e Mello. Foi assessor de relações públicas da ACESITA e assessor de imprensa de várias companhias teatrais. Teatrólogo, escreveu e encenou 8 peças, no período de 1973 a 1982, tendo ganho o maior prêmio da crítica com sua comédia O BOM BURGUÊS. Escreveu e publicou 7 livros, entre os quais O PODER DA RUA, O ASSASSINO DAS SEXTAS-FEIRAS e CONFISSÕES DE UM INCONFORMISTA. Foi coordenador das regiões administrativas da Zona Norte, presidente do Conselho de Contribuintes e, por duas vezes, Secretário Municipal de Desenvolvimento Social. Exerceu também mandatos em 4 legislaturas na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, sendo autor de leis de grande repercussão social.