segunda-feira, 3 de outubro de 2016

Não estou triste, porque lutar é viver


Digo-lhe do fundo do coração, com toda sinceridade: não estou triste por mim, não estou mesmo. Como sempre, não foi por mim que fui mais uma vez à luta, aos 73 anos, e uma saúde em pandarecos.

Decidi pela candidatura contra minha própria lógica. Tudo porque não suportei algumas indignidades em curso – da visível destruição da profissão de taxista por uma multinacional invasora à supressão escamoteada da previdência social.

Queria uma cidadela onde montar a trincheira em condições de ecoar o grito dos rapinados. Era tarde demais. Estou morando longe, onde o vento faz a curva – uma opção pessoal de exílio doméstico. Não tinha um tostão a mais para bancar os passos, que a disputa eleitoral, vendo por dentro, continua cara e sujeita a trapaças.

Imaginava-me um dom Quixote a devastar os moinhos do retrocesso, uma pretensão idílica dos tempos idos. Teimosia pura. Se não conseguia dar cem passos pelos jardins primaveris, como fazer-me presente na zona do agrião?

Tentei voltar atrás logo no começo. Mas não me deixaram. Prometeram-me e não entregaram. Tinha de acontecer isso mesmo.

Não havia nenhuma similitude entre eu e o prefeitável a que o PDT se atrelou por uns nacos do poder. Sabia que o alcaide vacilão operava com sua máquina  corruptora em favor dos seus escolhidos dentro da legenda satélite. Mas não havia tempo nem vontade de sair outra vez da criatura de Brizola que virou as costas ao seu criador.

Percebia também que certas categorias agem como se conformadas com o inferno em que se acham. Tentei alertar a alguns sobre a realidade adversa. Mas não foram muitos os que tiveram clareza para discernir. Alguns são cabeçudos, mesmo. Preferem a mentira que lhes alimente as ilusões.

Felizmente, na escolha dos prefeitos a máquina enguiçou. Haja o que houver no segundo turno, o trono dos piores hábitos já despencou. Foi a melhor compensação e a luz no fim do túnel de quem um dia conviveu com a cara e a coragem de um caudilho determinado, que não se vendia, não cedia e nem se rendia.

Vou ter que retomar os vários tratamentos – do câncer encurralado à obesidade danosa. Da diabete antiga à diverticulite recente. Da visão e da audição. E de mais um monte de coisas que compõem a antessala da tragédia fatal.

Mas enquanto vida eu tiver, estarei atento, mesmo nesta vargem longínqua. E continuarei esperneando, mesmo com as cãibras nas pernas.

Porque lutar é viver. É minha única forma de sobreviver a toda e qualquer tempestade. 

12 comentários:

  1. Pois é, Porfírio:
    Inevitável como a morte, é a própria vida, para quem está vivo ...
    "Não chores meu filho, que a VIDA é luta renhida, que aos fracos abate, e, aos fortes só faz exaltar. VIVER é lutar" !!!
    A VIDA pode ser apenas um JOGO, onde o mais forte chora menos, mas, se a jogamos com ética, com honestidade, ela fica muito melhor !!!
    Nós somos apenas, associações biológicas, efêmeras, processadoras de emoções, as quais devemos aprender a controlar, para o Bem ou para o Mal.
    Escolhendo o Lado Iluminado da Força, do Fairplay, da Verdade, da Colaboração Mútua, o Jogo fica muito melhor ...
    Escolhendo o Lado Obscuro da Força, do Jogo Sujo, da botinada desleal, da Mentira, da Hipocrisia, da Ganância, o Jogo fica esta merda em que vivemos atualmente...
    Façam as suas escolhas !!!

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    1. Amigo
      Você tem razão. Mas nem sempre podemos fazer a melhor escolha quando (quase) todos estão jogando sujo e te mantendo acuado. Nestas eleições fui ingênuo. Aprendi. Vou continuar na luta porque ainda não perdi a esperança.

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  2. Anônimo12:51 AM

    Caro Porfirio, não sei se a inocência dos que lutam por Justiça Social é comovente ou deprimente. O capital JAMAIS será vencido com palavras. Enquanto tivermos uma grande midia controlada por protocolos sionistas, uam "elite" vendida a serviço dos parasitas apátridas e uma classe média egoísta, mesquinha e COVARDE, que se vende a troco de migalhas e de ter o prazer de ver os pobres embaixo de suas botas, não há palavras ou ideais que possam mudar a realidade. A única esperança é que o sistema imploda sozinho, pq a "esquerda" continua acreditando que pode vencer sem bater de frente com estes três pilares nefastos que afundam o Brasil. Parafraseando Heráclito de Éfeso, "a guerra é o pai de tudo e o rei de tudo. Ela demonstra que uns são deuses e os outros são homens; a uns torna ela escravos e a outros, homens livres. A Luta deve ser feroz e não se pode poupar o inimigo encastelado nestes três fétidos pilares. Se houver uma próxima vez, uma próxima oportunidade, que entendam de uma vez por todas que é preciso derrotar o INIMIGO e não basta ganhar eleições.

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    1. Naqueles idos, fui à luta no confronto com a ditadura. Éramos jovens sonhadores. Acabamos todos na cadeia (fiquei um ano e meio) ou mortos. Não desisti. Acho também que meias ações não levam a nada. Mas acredito que a inteligência e a realidade abrirão caminho para uma sociedade justa e humanizada.

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  3. Anônimo10:00 PM

    Eu, na minha humilde posição de trabalhador autônomo, sou taxista a 25 anos, vejo que essa briga de taxi x uber, é apenas uma cortina de fumaça que esconde a dura verdade. A realidade é que quando abrirmos os olhos, poderá ser tarde, já teremos entregue o monopólio do transporte brasileiro, nas mãos dos estrangeiros. Depois vai abrir precedente, para que outras empresas, de ramos variados, se achem injustiçadas e com razão, e não queiram pagar mais tributos, porque uma estrangeira, mete o pé na porta do Brasil e quer impor suas próprias regras, sem respeitar as leis vigentes, sem ser taxada e o pior, com as bênçãos de quem deveria ser o guardião das leis . Sem arrecadar, o Estado vai quebrar, e com ele o País e aí estaremos nas mãos dos estrangeiros que irão aproveitar da situação para entrarem como salvador da Pátria e se apossar da nossa cidadania. Pobre população, que acha que levar vantagem em tudo, não tem um preço e muita das vezes, o preço é a liberdade.

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  4. Anônimo10:15 PM

    VEJAM ESTE VIDEO NO YOU TUBE, TIREIS DO FACE "GRUPO PÚBLCO UBER" : OS DANOS DO DUMPING SOCIAL DA UBER!: https://youtu.be/vhqTvxczQ7U

    UBER A VERDADE, É PURA PILANTRAGEM: https://youtu.be/7e1pl5xiHwA (depoimento de motorista da uber)

    REALIDADE UBER: https://youtu.be/nQRGAlVkmPE (depoimento de motorista da uber)

    O MINISTÉRIO PUBLICO DO TRABALHO, SINDICALISTAS, TAXISTAS, DEPUTADOS, SENADORES, DESEMBARGADORES, POPULAÇÃO, TODOS DEVERIAM VER ESSES VÍDEOS, SÓ ELES TRES JÁ ESCLARECEM O QUE É UBER, SEUS MALEFÍCIOS E CONSEQUENCIAS PARA O PAÍS. VAMOS LÁ COMPARTILHEM.

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  5. Há uma perda de arrecadação muito grande causada por:
    I) benefícios fiscais (isenções, anistias e remissões) indevidas, motivadas por razões políticas, politiqueiras ou por interesses escusos, aí incluída a corrupção mesmo (favorecimento de empresas que contribuem para a candidatura de políticos pouco honestos);

    II) deficiências da legislação que facilitam a sonegação, a elisão fiscal e a evasão fiscal (muitas vezes, eufemisticamente, chamadas de "planejamento fiscal");

    III) falta de aparelhamento da máquina, que não dispões de instrumentos modernos de arrecadação (sistemas antiquados, sistemas que não se comunicam entre si); e

    IV) falta de uma política tributária inteligente que objetive os maiores contribuintes, ao invés de focar em pequenos contribuintes (que até garantem a "produtividade" ou a "meritocracia" dos agentes da máquina fiscal) significam um peso enorme para esses sujeitos de menor porte e um alívio para os grandes, que não se veem incomodados.

    A sacanagem é querer que os inocentes dos servidores públicos ou mesmo os cidadãos em geral paguem o pato, com redução de salários, ou de proventos, com o aumento do tempo de contribuição, com a elevação da idade para aposentadoria etc. etc.

    Que corram atrás dos sonegadores e dos espertos. Dinheiro tem. E que deixem de praticar despesas superfaturadas, obras inúteis e coisas do gênero.

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Quem sou eu

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Jornalista desde 1961, quando foi ser repórter da ÚLTIMA HORA, PEDRO PORFÍRIO acumulou experiências em todos os segmentos da comunicação. Trabalhou também nos jornais O DIA e CORREIO DA MANHÃ, TRIBUNA DA IMPRENSA, da qual foi seu chefe de Redação, nas revistas MANCHETE, FATOS & FOTOS, dirigiu a Central Bloch de Fotonovelas. Chefiou a Reportagem da Tv Tupi, foi redator da Radio Tupi teve programa diário na RÁDIO CARIOCA. Em propaganda, trabalhou nas agências Alton, Focus e foi gerente da Canto e Mello. Foi assessor de relações públicas da ACESITA e assessor de imprensa de várias companhias teatrais. Teatrólogo, escreveu e encenou 8 peças, no período de 1973 a 1982, tendo ganho o maior prêmio da crítica com sua comédia O BOM BURGUÊS. Escreveu e publicou 7 livros, entre os quais O PODER DA RUA, O ASSASSINO DAS SEXTAS-FEIRAS e CONFISSÕES DE UM INCONFORMISTA. Foi coordenador das regiões administrativas da Zona Norte, presidente do Conselho de Contribuintes e, por duas vezes, Secretário Municipal de Desenvolvimento Social. Exerceu também mandatos em 4 legislaturas na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, sendo autor de leis de grande repercussão social.