domingo, 10 de julho de 2016

Não basta cassar Cunha: por tantas falcatruas, seu lugar é na cadeia

Espera aí: os crimes bilionários de Eduardo Cunha não se resolvem com a cassação do seu mandato: se a Justiça não vacilar, o seu destino será a cadeia.  Portanto, não está em jogo apenas se a Câmara vai poupar-lhe o mandato em troca da renúncia à sua presidência. Isso em si é um escárnio e poria o próprio Judiciário no banco dos réus.


Todo mundo sabe que sua renúncia espetaculosa está conectada com uma contra partida abençoada pelo o presidente interino, com quem conversou na calada da noite do último domingo no Palácio Jaburu. Como aconteceu com o senador Romero Jucá, ele sairia do trono, mas, ainda parlamentar, continuaria fazendo a interlocução com a numerosa quadrilha que comanda.

O entrelaçamento entre o governo do interno e a grande maioria de pilantras de carteirinha parlamentar está ferreamente condicionado. Sem Cunha como moderador na área, a turma da pesada vai ser desintegrar e recorrer ao FARINHA POUCA, MEU PIRÃO PRIMEIRO.

O acordo que produziu o golpe é de múltiplas facetas. De um lado, blinda os agraciados de sustos lacrimejantes.  De outro, engaveta a legislação anticorrupção que chegou à Câmara com as assinaturas do Ministério Público e adesão de mais de dois milhões de brasileiros. Temer já está cumprindo sua parte, retirando a rubrica de urgência para votação, por que ele também tem culpa no cartório.

Hoje há um clima de perplexidade geral que se abaterá torrencialmente sobre as próprias eleições municipais com chances de ser desprezadas por eleitores ainda estonteados pelos últimos acontecimentos.

Esse ambiente degenerado pode ter seu lado inesperado: o Senado, cada vez mais vazio de justificativas para a deposição de uma presidente eleita,  pode cair na real e negar os votos necessários ao impeachment.  E Dilma estaria de volta com uma visão mais ampla dessa desafiadora ciência de governar.

Vale aqui apenas um ponto de referência: enquanto o pai de chiqueiro estiver livre  com os bilhões roubados as instituições não passarão de caricaturas desprezíveis.


E aí a crise será do salve-se quem puder.

Um comentário:

  1. Anônimo4:47 PM

    Prezado Porfírio, esta gente poderosa e com grana, para ir para a cadeia, tem que ter "pistolão", a não ser que tenha um verniz de esquerda, é a questão da moralidade seletiva, a turma do PMDB, PSDB. PTB, PR podem roubar a vontade, não vem ao caso para o MORO, mas se for petista, só em sonhar com roubo, dá cadeia.

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Quem sou eu

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Jornalista desde 1961, quando foi ser repórter da ÚLTIMA HORA, PEDRO PORFÍRIO acumulou experiências em todos os segmentos da comunicação. Trabalhou também nos jornais O DIA e CORREIO DA MANHÃ, TRIBUNA DA IMPRENSA, da qual foi seu chefe de Redação, nas revistas MANCHETE, FATOS & FOTOS, dirigiu a Central Bloch de Fotonovelas. Chefiou a Reportagem da Tv Tupi, foi redator da Radio Tupi teve programa diário na RÁDIO CARIOCA. Em propaganda, trabalhou nas agências Alton, Focus e foi gerente da Canto e Mello. Foi assessor de relações públicas da ACESITA e assessor de imprensa de várias companhias teatrais. Teatrólogo, escreveu e encenou 8 peças, no período de 1973 a 1982, tendo ganho o maior prêmio da crítica com sua comédia O BOM BURGUÊS. Escreveu e publicou 7 livros, entre os quais O PODER DA RUA, O ASSASSINO DAS SEXTAS-FEIRAS e CONFISSÕES DE UM INCONFORMISTA. Foi coordenador das regiões administrativas da Zona Norte, presidente do Conselho de Contribuintes e, por duas vezes, Secretário Municipal de Desenvolvimento Social. Exerceu também mandatos em 4 legislaturas na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, sendo autor de leis de grande repercussão social.