domingo, 12 de junho de 2016

Olimpíadas extravagantes

A Grécia começou a afundar depois das olimpíadas de 2004

Provavelmente você não concordará comigo, mas eu acho que a realização das olimpíadas no Rio de Janeiro é uma traiçoeira bola nas costas, que só serve para locupletar empreiteiras corruptoras, políticos corruptos e negócios temporários.
É uma extravagância que poderá ter por aqui o mesmo efeito nocivo dos jogos de Atenas, em 2004, ano em que a Grécia teve um baita prejuízo e precipitou sua crise homérica.

Segundo o governo grego, os jogos custaram 8,5 bilhões de euros aos cofres públicos – o dobro do orçamento original. A maior aposta do comitê grego foi a construção do Complexo Olímpico Helliniko, com cinco estádios. Doze anos depois, o local acumula "elefantes brancos", como o ginásio de tênis de mesa e ginástica, que está à venda, e os estádios de volêi de praia e softball, abandonados. O plano de transformar Helliniko em um parque metropolitano nunca foi efetivado.

Nós já tivemos a primeira lição com os jogos pan-americanos. Façam as contas e verão que a cidade só perdeu, enquanto as construtoras tiraram proveito de obras mal feitas, inclusive a própria Vila do Pan, onde morar lá hoje é uma temeridade.

Para realizar todos os jogos previstos pelo comitê olímpico gastaram os tubos em equipamentos para modalidades totalmente alheias aos nossos hábitos esportivos, que não terão nenhuma serventia depois.

Essa história de que a maior parte das despesas é de empresas privadas é uma balela. Elas pegaram o filé mignon, como a Vila dos Atletas, que já estão sendo comercializadas.

O inventário das contas vai mostrar um tremendo logro sobre todos os brasileiros. E para variar as despesas passam do previsto: já alcançaram R$ 39,6 bilhões. O orçamento previsto originalmente era de R$ 24,6 bilhões.

Esses valores estão muito abaixo do real.  Custos com segurança serão delirantes. Além da Força Nacional de 13 mil homens, das tropas regulares e da polícia estadual (em apoio) serão gastos também R$ 252 milhões com empresas particulares, que responderão por 59% das áreas olímpicas.

O mais emblemático dessa sequência de erros foi a doação do velódromo do Pan para a Prefeitura de Pinhais, no Paraná.  Os números mostram a leviandade no trato do dinheiro público: Na época da construção, entre 2006 e 2007, foram investidos R$ 14 milhões (R$ 20 milhões em valores atualizados) para levantar a obra na Barra da Tijuca. Agora, os custos para demolição, transporte, segurança, depósito e remontagem na cidade paranaense estão orçados em mais de R$ 22 milhões, dinheiro proveniente do Ministério do Esporte, incluído no Programa de Aceleração de Crescimento (PAC) das Olimpíadas.

Para os Jogos Olímpicos, porém, a conta do ciclismo de pista fica ainda mais cara, já que um novo velódromo está sendo construído. A previsão é de um custo aproximado de R$ 140 milhões. Entre a montagem, desconstrução e a nova obra, os custos para se ter um velódromo apropriado no país-sede do Rio 2016 chegam, então, a  R$ 176 milhões.


E por aí vai.

4 comentários:

  1. Anônimo7:08 PM

    Fica claro que por exemplo, em Barcelona 1984 a Olimpíada trouxe ganhos para a cidade, bem como para o país, sobretudo na evolução turística da Espanha. Mesmo a Copa de 1982 ajudou em muito a maior implementação do turismo naquele aprazível país ibérico. No Brasil de Cunhas, Temeres, Calheiros e cia, certamente será apenas mais um mecanismo para se assaltar os cofres públicos. O que estará errado, o evento olímpico ou os ladrões que o administrará, eis a questão....

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Quem sou eu

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Jornalista desde 1961, quando foi ser repórter da ÚLTIMA HORA, PEDRO PORFÍRIO acumulou experiências em todos os segmentos da comunicação. Trabalhou também nos jornais O DIA e CORREIO DA MANHÃ, TRIBUNA DA IMPRENSA, da qual foi seu chefe de Redação, nas revistas MANCHETE, FATOS & FOTOS, dirigiu a Central Bloch de Fotonovelas. Chefiou a Reportagem da Tv Tupi, foi redator da Radio Tupi teve programa diário na RÁDIO CARIOCA. Em propaganda, trabalhou nas agências Alton, Focus e foi gerente da Canto e Mello. Foi assessor de relações públicas da ACESITA e assessor de imprensa de várias companhias teatrais. Teatrólogo, escreveu e encenou 8 peças, no período de 1973 a 1982, tendo ganho o maior prêmio da crítica com sua comédia O BOM BURGUÊS. Escreveu e publicou 7 livros, entre os quais O PODER DA RUA, O ASSASSINO DAS SEXTAS-FEIRAS e CONFISSÕES DE UM INCONFORMISTA. Foi coordenador das regiões administrativas da Zona Norte, presidente do Conselho de Contribuintes e, por duas vezes, Secretário Municipal de Desenvolvimento Social. Exerceu também mandatos em 4 legislaturas na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, sendo autor de leis de grande repercussão social.