sexta-feira, 13 de maio de 2016

Golpe mascarado e ameaçador

Lembro-me como se fosse hoje: na usurpação de 1964 nenhum dos seus protagonistas se admitia partícipe de um golpe de Estado. "É uma revolução" – proclamavam na maior cara de pau, com a cumplicidade da mídia consentida.

Hoje, realço como se fosse ontem, querem esconder a essência ilegal e imoral de um golpe mais sofisticado e de escopo tão entreguista e tão reacionário, uma perfídia que conseguiu o prodígio de elevar ao máximo poder o mais despudorado covil de corruptos, isso em nome da rejeição à corrupção que vinha sendo investigada sem qualquer porém.



Não precisa ter diploma de advogado nem lupa astronômica para enxergar o óbvio ululante.  Já em março de 2015, mal o novo governo se instalara, a palavra impeachment já era pronunciada pelas hordas revanchistas que não aceitaram o veredicto das urnas.

Primeiro, decidiram derrubar a presidente reeleita; depois saíram à caça de um pretexto qualquer, numa inversão de toda e qualquer lógica, numa burla deliberada que trataram de mascarar para inglês não ver.

E mais: toda essa farsa encenada é uma carta indelevelmente marcada: o vice em exercício assinou atos semelhantes aos que serviram para criminalizar a presidente, mas nisso não se toca por que ele é peça chave no esquema. Atos, aliás, praticados por outros presidentes, que não mereceram qualquer reparo de quem quer que seja. Por que também não era da vez.

Como se processa um golpe ladino, sem tirar nem pôr, uma carrada de maus presságios se desenha no ambiente nublado. E aí uma cortina de dúvidas irrompe no horizonte: pepitas reluzentes rolarão na mais deprimente conspiração para a desnacionalização restante das riquezas pátrias e na mais afrontosa amputação de antigos direitos sociais. Era isso que queriam os reaças da paulicéia desvairada?

Vão meter os pés pelas mãos com a catilinária decorada: "será o remédio feroz para sanar a herança maldita". Passarão dias e noites de predação e tudo será posto na conta da Dilma. A mídia dos burgos se encarregará de dourar as pílulas. A vaidade dos buchas ajudará a aceitar os brioches como sacrifício sacrossanto. E o evangelho do bispo Macedo cravejará as proles recalcitrantes.  

É isso que consta do manual do golpe indolor, que tem dado certo até agora, quando o plantio aproxima-se da colheita.

Será isso apenas um pesadelo? Talvez. Mais preocupado com o sucesso conjugal, o sem votos e sem carisma foi mal na partilha. Quem tem esses ministros ignorantes sem escrúpulos e sem afinidade com as pastas dispensa adversários. É muita mediocridade junta.

É muita bandeira esfarrapada. O Brasil não suportará ser virado de cabeça para baixo para engordar interesses estranhos. Os autores da manual não contam com a capacidade de indignação de milhões de pessoas, até mesmo de quem ofereceu o dorso para a escalada golpista.

É esperar para ver.

17 comentários:

  1. Anônimo5:29 PM

    Caro Porfírio, pegando um gancho de uma de suas últimas postagens, " o pior está por vir", a democracia brasileira só funciona quando as elites querem, ou não se sentem ameaçadas. Em 64 tinham o "fantasma" comunista para justificarem a empreitada golpista, em 54 o 'mar de lama" como subterfúgio para derrubarem o nacionalismo de Vargas. Hoje além das calúnias e mentiras de sempre, as chamadas "pedaladas fiscais" foi o artifício para derrubarem Dilma, a história se repete com outra roupagem. Subestimam o mínimo de inteligencia do povão, uma quadrilha se apoderou do poder maior de uma nação. De agora em diante, qual o governo de cunho minimamente popular terá condições de estabilidade governamental. Assistimos a um esbulho, a uma vergonha....e pior!!!! vão entregar o PRÉ-SAL....!!!! Fernando Lemos.

    ResponderExcluir
  2. Sérgio Amorim11:57 AM

    Tudo isso que vocês falam até poderia embasar uma corrente de razões. A questão não é somente jurídica, nem somente política. No impeachment, o jurídico é o estória. Uma vírgula fora do lugar pode ser o ponto de partida. O que mantém o voo é a situação política. Como clamar contra a corrupção se ela está tão evidente, também, no governo que cai? Para o povo, a imagem é a do sujo falando do mal lavado. E predomina a vontade de trocar, nem que seja para ver no que dá. Porque - esse é o sentimento geral - pior do que está não fica. É lógico que diante dos erros grosseiros cometidos pelo PT a oposição não ficaria calada. Agora, resta chorar na cama, que é quente.

    ResponderExcluir
  3. Sérgio Amorim12:01 PM

    Errata: digitação de celular é um inferno, onde se lê "o jurídico é o estória", leia-se "estopim".

    ResponderExcluir
  4. Anônimo5:56 PM

    Este Golpe via STF, via Congresso, via MPF, via PF, via Globo, com consultoria dos USA, é quase perfeito; só faltou combinar com mais de 70 Milhões de Eleitores ...
    Quem viver, verá !!!

    ResponderExcluir
  5. Sérgio Amorim12:10 AM

    Unam-se a Fidel, Maduro e outros beneficiários do nosso dinheiro e escolham Cuba, Venezuela ou sei lá mais o quê, mas nos deixem em paz. Ah!, aproveitem e levem, junto, Dilma, o MST a CUT e mais o que quiserem dessa esquerda de MERDA. E não se esqueçam de levar o Renan junto, seu cúmplice-mór. Tchau, queridos, enchi o saco de escrever para débeis mentais como vocês

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Anônimo9:19 AM

      VTNCU

      Excluir
    2. Anônimo8:45 PM

      O fascista filho da puta, vai lá pro site do Olavo de Carvalho ou então vai atrás dos bolsonaros, por lá todos vão concordar com vc, tu tem jeito de fruta...deve ser um duro de merda defendendo o sistema

      Excluir
  6. Sérgio Amorim4:41 PM

    Ficou puta, hein querida?

    ResponderExcluir
  7. Pobre é uma merda! Quando fica contrariada, sai xingando, chama do que vem na telha. Na telha, ô maricon tu deve ter é um par de chifres. Mas tava mamando com a Dilminha, agora vai ter que fazer faxina.

    ResponderExcluir
  8. Pobre é uma merda! Quando fica contrariada, sai xingando, chama do que vem na telha. Na telha, ô maricon tu deve ter é um par de chifres. Mas tava mamando com a Dilminha, agora vai ter que fazer faxina.

    ResponderExcluir
  9. Anônimo1:40 PM

    Esse tem carteirinha e crachá da BABACA..!!!

    ResponderExcluir
  10. Tenho sim, roubei da sua bolsinha, linda!

    ResponderExcluir
  11. Tenho sim, roubei da sua bolsinha, linda!

    ResponderExcluir
  12. foi bom ter lido este artigo

    ResponderExcluir

Quem sou eu

Minha foto
Jornalista desde 1961, quando foi ser repórter da ÚLTIMA HORA, PEDRO PORFÍRIO acumulou experiências em todos os segmentos da comunicação. Trabalhou também nos jornais O DIA e CORREIO DA MANHÃ, TRIBUNA DA IMPRENSA, da qual foi seu chefe de Redação, nas revistas MANCHETE, FATOS & FOTOS, dirigiu a Central Bloch de Fotonovelas. Chefiou a Reportagem da Tv Tupi, foi redator da Radio Tupi teve programa diário na RÁDIO CARIOCA. Em propaganda, trabalhou nas agências Alton, Focus e foi gerente da Canto e Mello. Foi assessor de relações públicas da ACESITA e assessor de imprensa de várias companhias teatrais. Teatrólogo, escreveu e encenou 8 peças, no período de 1973 a 1982, tendo ganho o maior prêmio da crítica com sua comédia O BOM BURGUÊS. Escreveu e publicou 7 livros, entre os quais O PODER DA RUA, O ASSASSINO DAS SEXTAS-FEIRAS e CONFISSÕES DE UM INCONFORMISTA. Foi coordenador das regiões administrativas da Zona Norte, presidente do Conselho de Contribuintes e, por duas vezes, Secretário Municipal de Desenvolvimento Social. Exerceu também mandatos em 4 legislaturas na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, sendo autor de leis de grande repercussão social.