domingo, 24 de abril de 2016

O pior ainda está por vir

No momento em que até ministros do STF ( inclusive um ex-advogado do PT) se apressam em dourar a pílula para encobrir o grotesco de um golpe de futuro incerto, em que os mais ladinos já se protegem contra o caos da falta de legitimidade e preferem ficar em cima do muro no governo patético que terá uma dívida impagável com a maior ratazana do país, é de todo prudente exprimir o pensamento com a necessária tranquilidade. Pelo espetáculo deprimente da votação na Câmara dá para a gente ver onde estão amarrados nossos cavalos.

E um momento de uma tragédia de final chocante. E tem a química do estelionato mais ousado. Milhares foram às ruas dizendo que queriam bloquear a corrupção. E o que se vê com clareza cristalina é que essas turbas tinham outros propósitos: na maior cara de pau foram dar cobertura ao capo Eduardo Cunha, o rei da propina, dotando-o de super poderes para o mal e para o pior. Hoje, não tenha dúvida, o senhor dos anéis é aquele que tem a ficha mais suja do que pau de galinheiro.

Ficou evidente que a malandragem que forçou a barra para tirar a presidenta reeleita não estava nem aí para o fim da corrupção.  A maioria deles é contra a corrupção dos outros, da sua turma, não. Por isso que não queriam que se investigasse a lista da Odebrecht e já estão acendendo velas pelo sepultamento das investigações, feitas até agora com total liberdade, não importando em quem doesse.

O que mais preocupa, no entanto, é o governo de alguém que é fruto de uma eleição indireta, em que o povo não confia, até porque poucos tinham ouvido falar dele antes do bote que deu, traindo a confiança de todos (e passando para trás até os parceiros também interessados na festa do poder) por um capricho suspeito de fundo existencial, mas de forte comprometimento com o retrocesso.

Esse governo parido pelo golpe agrega o que há de pior, os políticos mais corruptos e os interesses econômicos mais espúrios. Não tem chance de fazer o milagre prometido e aí vai ser um pega pra capar. A crise se agravará e se concentrará prioritariamente nos trabalhadores, inclusive dessa classe média perdida e mal paga. Na frustração, manifestações tenderão a crescer ante a embolia econômica. O país vai dar uma marcha-a-ré que não suporta. Aí vão chamar os gendarmes para conter a insatisfação. Vai ser um Deus nos acuda.

É uma guerra de poder sem recato e sem escrúpulos. Que instalará a mais terrível insegurança jurídica, eis que a leitura de cada lei será distorcida para saciar aqueles que, contando com a cumplicidade dos picaretas boçais do parlamento, querem assaltar o Estado brasileiro, vulnerar nossa soberania, rasgar as garantias trabalhistas e outras façanhas, naturalmente segundo o modelo aplicado com sucesso pelo capo Eduardo Cunha.

O diabo é que tem muita gente ainda acreditando que pode barrar o golpe, essa fraude que pode custar o mandato de uma presidenta de 44 milhões de votos, que teria cometido erros exatamente seguidos por quem a sucederá. Só que dois pesos e duas medidas movem a interpretação das leis, especialmente quando tudo que aconteceu foi peça de encomenda de uma grande conspiração que começou no mesmo momento em que as urnas falaram.


Qualquer golpe, seja como for, a gente sabe como começa. Mas não tem ideia como termina. Não surpreenderá até mesmo se absorver a fórmula do Bolsonaro, pois o que é ilegítimo não vacila em recorrer aos expedientes mais sádicos para continuar no poder.

8 comentários:

  1. Anônimo10:26 PM

    A situação é periclitante e a nossa democracia é uma grande farsa, mais uma vez estamos envolvidos num golpe. O povo pobre como de hábito, irá pagar mais essa conta....

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  2. Anônimo7:02 PM

    O Temer e o Cunha estão atravessando o Golpe que era do P$DB ...
    Eles são bandidos nacionais, enquanto os outros são INTERNACIONAIS !!!
    Muita coisa ainda irá acontecer ...

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Quem sou eu

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Jornalista desde 1961, quando foi ser repórter da ÚLTIMA HORA, PEDRO PORFÍRIO acumulou experiências em todos os segmentos da comunicação. Trabalhou também nos jornais O DIA e CORREIO DA MANHÃ, TRIBUNA DA IMPRENSA, da qual foi seu chefe de Redação, nas revistas MANCHETE, FATOS & FOTOS, dirigiu a Central Bloch de Fotonovelas. Chefiou a Reportagem da Tv Tupi, foi redator da Radio Tupi teve programa diário na RÁDIO CARIOCA. Em propaganda, trabalhou nas agências Alton, Focus e foi gerente da Canto e Mello. Foi assessor de relações públicas da ACESITA e assessor de imprensa de várias companhias teatrais. Teatrólogo, escreveu e encenou 8 peças, no período de 1973 a 1982, tendo ganho o maior prêmio da crítica com sua comédia O BOM BURGUÊS. Escreveu e publicou 7 livros, entre os quais O PODER DA RUA, O ASSASSINO DAS SEXTAS-FEIRAS e CONFISSÕES DE UM INCONFORMISTA. Foi coordenador das regiões administrativas da Zona Norte, presidente do Conselho de Contribuintes e, por duas vezes, Secretário Municipal de Desenvolvimento Social. Exerceu também mandatos em 4 legislaturas na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, sendo autor de leis de grande repercussão social.