quarta-feira, 13 de abril de 2016

Golpe no teatro do absurdo

A irresponsabilidade de uma meia dúzia de corruptos notórios pode levar o Brasil a um confronto de consequências inimagináveis. Não há exagero em prever uma grande tragédia se a turba espezinhada decidir partir para cima ante a usurpação das urnas por alguém sem a menor legitimidade política, que chegou de carona, sem o batismo do voto explícito e sem a confiança manifesta de 98% dos cidadãos.


Estão brincando com fogo na encenação de um verdadeiro teatro do absurdo.  Delegam a 513 deputados, sob o comando de um político comprovadamente desonesto, o poder de destituir uma presidenta reconhecidamente honesta, eleita com mais de 54 milhões de votos, isso numa afronta ostensiva às exigências mínimas da Constituição da República.  E acham que o povo esbulhado vai aceitar o golpe mansamente, ainda mais quando se sabe do pavoroso retrocesso social que a manobra encerra.

Sequer aproveitam o momento difícil para reconvocar os eleitores. Preferem o atalho conveniente por que temem outra surra na hora da verdade. Nessa usurpação calculada entregam os poderes republicanos a envolvidos na maior malha de corrupção já costurada no país e ainda conseguem apoio de quem acredita por desinformação estar na torcida organizada dos bons costumes. Algo que nem as melhores tramas da mais refinada ficção conseguem engendrar.

É tudo muito lamentável, mas há realmente o risco do golpe vingar por que cada um desses senhores dos anéis tem seu preço em barras de ouro. Retrocedemos perigosamente às "eleições indiretas" tendo como pano de fundo a voracidade de quadrilhas que não aceitam a autonomia das investigações jamais garantida no passado, para as quais uma redoma de direcionamentos haverá de cingir o foco a um único partido, assegurando a impunidade dos demais.

Ao contrário dos cálculos dessa meia dúzia de notórios corruptos não vai ser fácil submeter o país à sua ganância sem freios. Aos trancos se barrancos as maiorias marginalizadas tiveram o reconhecimento de sua existência para além da intocabilidade da pirâmide social. É disso que se trata.

A massa há de saber que seus poucos ganhos é o que movem o golpe, forjam o ódio e incendeiam a revanche. Foi assim com Getúlio Vargas, forçado ao suicídio. Foi assim com João Goulart, desterrado no mesmo clima doentio que inspira uma elite insensível e desumana, ainda presa à ideia de um Estado exclusivista.

A esses milhões de despossuídos ainda se somarão os que serviram de buchas de canhão hoje para o grande logro. Não vai demorar e descobrirão de que o golpe não é a panacéia que pintam, não é a fonte da prosperidade, não é nada que a propaganda enganosa espalha.

E o Brasil que já foi uma referência nesses anos de estabilidade política e inclusão social será abalado pela insatisfação generalizada.  E que virá daí só Deus sabe.


7 comentários:

  1. Porfírio, o seu silêncio me comove! Há algo a dizer diferente daquele disco quebrado do "impeachment sem crime é golpe"? De que "Eduardo Cunha não tem legitimidade para condenar Dilma"? Que "Dilma é honesta"? Que a direita... sei lá mais o quê?

    Os crimes de Dilma, agora revelada como possível latifundiária no Mato Grosso, devem ficar impunes? Cardozo, o AGU que virou AGD, não te envergonha? As defesas pífias do PT não te envergonham. Ou só te envergonham os discursos escabrosos dos deputados em seus quinze minutos de fama durante a votação do impeachment?

    Não percebe que eles são fruto desse país sem educação, que possui eleitores desqualificados, prontos a eleger desqualificados, pessoas que se identificam com o povo? O povo que é nosso, Porfírio. Não nos envergonhemos dos brasileiros. Eles são vítimas. Tenhamos vergonha da "Zelite Proletária" criada pelo sistema comunistóide de Lula et caterva!

    Reprovemos, sim, um Bolsonaro, que conseguiu, com sua infâmia, chocar até os inimigos do Poder e dessa escumalha que (ainda) nos governa. Enaltecer um manifesto torturador, sem comparações, é pior que o roubo de todos os dólares de que essa corja se apropriou, em desfavor da nação, temos que admitir.

    Mas não são os maus exemplos que abonam os desvios do PT. São, apenas, mais uma face da barbárie a que está submetida a pobre população desse país.

    Não é condenando outros bandidos que os bandidos do PT se tornarão imunes, ilesos, isentos de pena. Pena, aliás, é o que tenho desses malfeitores, que iludiram e continuam iludindo os mais pobres. Preferem a permanência perpétua de programas assistencialistas, que garantem ad eternum votos e votos, do que a solução da pobreza, de modo racional, científico.

    Sorte de Dilma se o resultado dessa novela for somente a perda do cargo. Num país mais intelectualizado, haveria condições de levá-la, junto com grande parte do PT, às grades das celas do nosso admirável sistema penitenciário.

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    1. Sérgio Amorim7:16 PM

      Quem postou fui eu, caro amigo. Esqueci-me de colocar meu nome.

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  2. Anônimo1:29 PM

    A Operação Lava Jato, de PSEUDO combate à corrupção, atingiu os seus objetivos de honestidade, irá colocar no Poder dois impolutos corruptos de primeira grandeza TEMER e CUNHA ...
    Se, este GOLPE der certo, o Circo vai pegar fogo, e, o IMPOSTOR Temer não será empossado !!!
    Com a covardia do SSTF, com a corrupção da Câmara e do Senado, e, com o comando dos USA, este golpe sórdido tende a ser aprovado e a MENTIRA deverá vencer a VERDADE !!!
    A única saída é:
    DIRETAS JÁ !!!

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    1. Sérgio Amorim8:15 PM

      Querem diretas já, então incentivem a renúncia da Soninha Toda Pura.

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Quem sou eu

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Jornalista desde 1961, quando foi ser repórter da ÚLTIMA HORA, PEDRO PORFÍRIO acumulou experiências em todos os segmentos da comunicação. Trabalhou também nos jornais O DIA e CORREIO DA MANHÃ, TRIBUNA DA IMPRENSA, da qual foi seu chefe de Redação, nas revistas MANCHETE, FATOS & FOTOS, dirigiu a Central Bloch de Fotonovelas. Chefiou a Reportagem da Tv Tupi, foi redator da Radio Tupi teve programa diário na RÁDIO CARIOCA. Em propaganda, trabalhou nas agências Alton, Focus e foi gerente da Canto e Mello. Foi assessor de relações públicas da ACESITA e assessor de imprensa de várias companhias teatrais. Teatrólogo, escreveu e encenou 8 peças, no período de 1973 a 1982, tendo ganho o maior prêmio da crítica com sua comédia O BOM BURGUÊS. Escreveu e publicou 7 livros, entre os quais O PODER DA RUA, O ASSASSINO DAS SEXTAS-FEIRAS e CONFISSÕES DE UM INCONFORMISTA. Foi coordenador das regiões administrativas da Zona Norte, presidente do Conselho de Contribuintes e, por duas vezes, Secretário Municipal de Desenvolvimento Social. Exerceu também mandatos em 4 legislaturas na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, sendo autor de leis de grande repercussão social.