terça-feira, 15 de março de 2016

Os 50 tons brancos do golpismo

Entender por que bolsões dos 50 tons de cinza de um asfalto flamejante foram banhados pelo branco esmaecido do leite derramado não é tão difícil assim. 
A classe dominante e seus coadjuvantes estão coléricos no PADRÃO BOLSONARO e já não se bastam com a corda no pescoço da presidente incômoda e do seu criador: querem um festival de caças às bruxas que sepulte na mesma vala todos os que ousaram abrir as portas das universidades públicas aos plebeus, reduzindo as vagas cativas do sangue azul, e todos os que tiveram a ingenuidade de garantir oportunidades aos negros até mesmo no primário. A palavra cota, aliás, embora seja usual até nos EUA, aqui desperta instintos selvagens, como se lhes tivessem emasculado os dotes ou prostrassem as damas na frigidez precoce.


O atavismo que corre em seu sangue seletivo e hipócrita não perdoa. São tidas como muitas doses pra leão as ainda tímidas correções sociais de um modelo empírico de enfrentamento da desigualdade impiedosa e em combustão.

Tinha gente na rua no domingo, 13?  Tinha, não tanto como na soma difundida. Mas se podia ver pela transmissão orquestrada a fina flor das academias e de uma gente sarada de alvas peles brilhosas. Muitas moçoilas afrodisíacas faziam sucesso no orgástico da alegórica exibição, aquele charme atrativo da mulher brasileira, como se participassem da festa de uma vitória presumida.

O ódio, o rancor e os sentimentos sanguinários ficaram por conta de tropas de choque endiabradas, mal resolvidas afetivamente, fracassadas em seus sonhos de consumo insaciáveis e destituídas do mínimo de legitimidade humana. Essa turma da pesada, era a atração ensaiada das câmeras maledicentes.

Esse cruzamento de pessoas tão díspares compõe uma versão tétrica de uma sonata desafinada. Sabendo que suas traquinagens são públicas e notórias, o "herói" Eduardo Cunha preferiu os esconderijos em que se homizia nos fins de semana. Mas Aécio, Alckmin e outros picaretas de carreira foram ao encontro dos calouros e caíram do cavalo. Caneladas e xingamentos os fizeram dar meia volta sem graça e com o gosto amargo de um grande mico.

Esse é o elemento mais explosivo da química mal processada. A mídia queria selecionar os "vilões". Mas errou feio. Pintou um Brasil sem hoje e sem amanhã por culpa exclusiva da Dilma e vendeu seus títeres como salvadores da pátria. Ninguém caiu nessa. A massa eufórica e endoidada sabe que nada sabe, mas percebe que o valhacouto é o mesmo.

De tão caótico construíram o cenário que, em havendo ruptura,  não vai sobrar para ninguém. Se chamarem o Brasil de Haiti, não se surpreenda: é assim que esperam tomar o poder, contando com o timoneiro mais poderoso do que o Supremo, com a mídia alarmista e com os burgos que detêm os meios de produção.

Repito outra vez: não estou aqui para defender os erros e as capitulações do governo Dilma. Ela foi bem antes, tanto que se reelegeu. Mas depois fraquejou e entregou o ouro aos bandidos.

Estou, sim, para clamar ao morro dos ventos uivantes: Não há peste mais letal do que essa que tem todos os ranços do velho regime militar, que desmantelou o Brasil como o mesmo tipo de apoio – digo, quase o mesmo tipo, pois naquele fatídico 1964 eram senhoras mais recatadas, sob as bênçãos de alguns cardeais decrépitos, que serviram de bucha de canhão aos conspiradores.

Na ditadura militar, livraram-se logo dos governadores civis da comissão de frente – Lacerda e Ademar foram cassados e ao mineiro Magalhães Pinto reservaram o ostracismo com algum cala boca.

Se o povo que cresceu nesses vinte e poucos anos de democracia não embairreirar a trama golpista, a vaca vai pro brejo e voltará a  imperar a lei do cão. Teremos ditadores de uma nova geração – mais violentos, mais destemperados e mais exibicionistas – e serão abolidas de imediato as garantias democráticas, com já vem acontecendo nesses ensaios comandados por um juiz provinciano de ambições pessoais ainda desconhecidas.

De quebra, veja a ironia, o combate à corrupção será o mesmo do governo tucano de São Paulo – isto é, nenhum vezes nenhum.

  

4 comentários:

  1. Sérgio Amorim10:35 AM

    É lamentável, caro Porfírio, que você continue difundindo essas patracas. Leia o que você mesmo dizia em 2010, 2011, 2012 e 2013. Está tudo na internet. Não se apaga, como você pensa que se apagam as memórias do povo.

    Sim, esse nosso povo, infelizmente, sem casa, sem terra, sem salário, sem esperança, sem governo, sem educação - principalmente -, é sem memória também. Mas não aguenta mais tanta roubalheira, seja do PT, seja dos partidos de apoio, a começar pelo imundo PMDB.

    Mas o fim está próximo, Porfírio. As apostas estão na mesa. Será renúncia ou será impeachment? É a única dúvida.

    Não gostamos nem queremos nada do que está aí. Nem Aécio, nem Alckmin, nem Serra, nem Bolsonaro, muito menos. Mas é preciso tirar essa mulher da chefia da quadrilha. Esse poste está dando curto circuito. O Chefão, o Poderoso, brevemente, até maio, estará preso. Antes, ela cai.

    Cadê o Porfírio que acusava Lula, aquele que traiu o Brizola? Onde está o Pedro Porfírio que falava das alianças espúrias do PT? Cadê? Na internet nada se apaga.

    Por fim, quanto ao juiz interiorano, claro que há uma espetacularização da mídia sobre a figura dele, que apenas cumpre o seu papel. A diferença é que cumpre bem, sem empurrar com a barriga, como fazem os juízes (nomeados, não concursados) do Supremo. Na verdade, com mídia espetaculosa ou não, é Moro o fio de esperança que mantém a sociedade confiante em um futuro melhor.
    Parabéns ao meu xará.

    ResponderExcluir
  2. Anônimo4:11 PM

    LULA MINISTRO, djá !!!
    Não vai ter Golpe !!!
    Quem não gostar, que tente mudar, no voto, em 2018 ...

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Sérgio Amorim8:18 AM

      Ou seja:nóis robemo e vamu continuá robano o resto que se f*

      Excluir

Quem sou eu

Minha foto
Jornalista desde 1961, quando foi ser repórter da ÚLTIMA HORA, PEDRO PORFÍRIO acumulou experiências em todos os segmentos da comunicação. Trabalhou também nos jornais O DIA e CORREIO DA MANHÃ, TRIBUNA DA IMPRENSA, da qual foi seu chefe de Redação, nas revistas MANCHETE, FATOS & FOTOS, dirigiu a Central Bloch de Fotonovelas. Chefiou a Reportagem da Tv Tupi, foi redator da Radio Tupi teve programa diário na RÁDIO CARIOCA. Em propaganda, trabalhou nas agências Alton, Focus e foi gerente da Canto e Mello. Foi assessor de relações públicas da ACESITA e assessor de imprensa de várias companhias teatrais. Teatrólogo, escreveu e encenou 8 peças, no período de 1973 a 1982, tendo ganho o maior prêmio da crítica com sua comédia O BOM BURGUÊS. Escreveu e publicou 7 livros, entre os quais O PODER DA RUA, O ASSASSINO DAS SEXTAS-FEIRAS e CONFISSÕES DE UM INCONFORMISTA. Foi coordenador das regiões administrativas da Zona Norte, presidente do Conselho de Contribuintes e, por duas vezes, Secretário Municipal de Desenvolvimento Social. Exerceu também mandatos em 4 legislaturas na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, sendo autor de leis de grande repercussão social.