terça-feira, 29 de dezembro de 2015

O que é isso, companheira?

Inviabilizar a previdência pública parece uma porca encomenda de um esquema internacional advogada pelo norte-americano Stanley Gasek, da AFL-CIO, como tantas vezes denunciei.

As entidades que deram a cara a tapa e levaram o povo para as ruas a fim de defender o mandato da presidente Dilma manifestaram sua preocupação com a preservação da mesma política perversa do Joaquim Levy.
E não é pra menos: até prova em contrário, o novo ministro mais parece um ventríloquo do antecessor, com quem conviveu fraternalmente nesse ano do atraso de 2015. Pior: o governo está sendo até mais explícito no anúncio de um saco de maldade de fazer inveja ao Aécio Neves.
Assim não dá. Reforma da Previdência? Toda hora um direito dos trabalhadores é amputado sob pretexto de enfrentar seu déficit. Uma grossa manipulação que interessa à previdência privada. Inviabilizar a previdência pública parece uma porca encomenda de um esquema internacional advogada pelo norte-americano Stanley Kasek, da AFL-CIO, como tantas vezes denunciei.
A previdência pública brasileira sofreu golpes atrás de golpes desde a ditadura, que dissolveu o antigo sistema em que existiam vários institutos, conforme categorias profissionais. Na época, criaram o INPS para centralizar toda a grana superavitária e usá-la a seu gosto em obras com Itaipu, no Paraguai. Até essa mudança, o limite das aposentadorias era de 20 salários mínimos, reduzidos a 10.
Daí pra cá, muita coisa se fez em paralelo para destruir duas jóias, a saúde pública, que os IAPs garantiam com os melhores hospitais do país, e a previdência, que seria inviabilizada numa segunda etapa. Já na primeira, os planos de saúde fizeram a festa.
É isso que vou comentar aqui quando o ano novo chegar. Nessa conspiração, fartam os vilões. E de todos os coretos. E vou logo avisando: se aceitar mexer nos direitos trabalhistas sem a vaca tossir, enquanto deixa a grana do trabalhador ser apropriada pelos patrões através do "Sistema S" – SESC, SESI, etc, etc será um erro pior do que tudo que a oposição tentou até agora.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Agora, que o golpe perdeu

Enquanto os shoppings reclamam de seu pior natal em 10 anos, as lojas online registraram no mesmo período de 2015 vendas de R$ 7,4 bilhões, um crescimento de 26% em relação ao ano passado, segundo a E-bit, empresa especializada em informações do comércio eletrônico.
O ano findo foi irresponsavelmente aniquilado pelo espectro do golpe. Um netinho de vovô sem escrúpulos e compulsivo capitaneou a mais estúpida marcha contra o veredicto das urnas, envolvendo em sua trama obsessiva figuras do Judiciário, do Ministério Público, e da Polícia Federal, com a colaboração tenaz dos corruptos do Legislativo e de uma mídia partidarizada. A palavra de ordem foi inviabilizar e prostrar o governo de Dilma Rousseff.

O empresariado construiu o ambiente da crise econômica, contando com um cavalo de tróia introduzido inadvertidamente no cérebro do poder.  Era preciso mudar as expectativas do povaréu sobre os dias seguintes, mergulhando-o num depressivo pessimismo. Sem controle do governo, que terceirizou os preços administrados para agências reguladoras e liberou geral o mercado, faz anos, não foi difícil semear o pânico e convertê-lo na rejeição da presidente da República, sobre quem recaíram todos os males e decepções do cotidiano de cada um.

Foi a crise política fomentada pelos que não aceitaram a derrota que trouxe à tona a subterrânea crise econômica. Não se pareceu nem de longe com a dos EUA, engendrada pelo "sub-prime", quando os bancos emprestaram a rodo para quem não podia pagar. A rigor, aqui não houve uma quebradeira, mas uma rasteira na euforia. Duas ou três bobeadas, como o aumento em excesso da conta de luz e a tentativa frustrada de reduzir as pensões de todo mundo, produziram um sentimento de traição na massa. Afinal, no ano anterior, Dilma se jactava de ter reduzido esse gasto nos novos contratos de concessão. E a Previdência tem remédios menos amargos.

O governo mesmo não aumentou impostos (A  volta CPMF inventada pelos tucanos é apenas um projeto) e perdeu arrecadação porque as empresas se enrolaram nas próprias pernas. Algumas deliberadamente. No Estado do Rio, a redução nos royalties do petróleo teve algum  peso. Mas nada parecido com a repercussão da queda do preço do petróleo em países como a Venezuela.  

Eu diria que essa crise é uma bolha produzida por quem detém de fato o controle da atividade econômica. Muita gente se deu mal, mas também muita gente tirou proveito. E houve quem se deu muito bem em função das mudanças de hábito de consumo:

enquanto os shoppings reclamam de seu pior natal em 10 anos, as lojas online registraram no mesmo período de 2015 vendas de R$ 7,4 bilhões, um crescimento de 26% em relação ao ano passado, segundo a E-bit, empresa especializada em informações do comércio eletrônico. Isso se deve em parte à eficiência dos nossos Correios.

Em paralelo, as investigações direcionadas de práticas seculares de propina e corrupção, realizadas sem qualquer constrangimento do Ministério da Justiça e do próprio Planalto, ofereceram condimentos maliciosos para queimar a presidente. Pode-se dizer que a "Operação Lava-Jato" foi usada desde seus primeiros passos, em março de 2014, para debilitar e impedir a reeleição de Dilma. Não tendo vingado nesse propósito, passou a produzir combustíveis para sua deposição, no que contou e conta com esse manipulado instituto da "delação premiada", pelo qual se livra a cara dos grandes corruptos em troca de depoimentos que criminalizem terceiros, principalmente se estes estiverem no entorno do governo.   

Como não conseguiram chegar nem perto da senhora Dilma Vânia Rousseff, resolveram usar as "pedaladas fiscais" como "crimes de responsabilidade" que justificaria sua deposição. E contaram com a ajuda de Eduardo Cunha, chefe de uma quadrilha parlamentar de corruptos, para forçar um processo  de impeachment sem qualquer sustentação legal. Num plano B, ainda contam com a ajuda do ministro Gilmar Mendes para pegar Dilma por suas contas de campanha, já aprovadas anteriormente.

O corpo e alma do golpe é esse conjunto de ações destinadas tão somente a reintroduzir no poder manjadas raposas do sistema, competentes na roubalheira no sapatinho,  e com promessa do ambiente de olhos fechados para o crime, como nos idos em que um procurador geral na era tucana engavetava todos os processos que pudesse atingir os amigos do rei.

Tenho a expectativa de que a crise político-econômica vai evaporar-se na medida em que ficam claras as impossibilidades da derrubada de Dilma. Para enfraquecê-la, excederam-se na artilharia e acabaram dando tiros nos próprios pés.  Eles, os patrocinadores da trama, também acabaram sem fôlego. Hoje parece claro que o tiro saiu pela culatra. E que é preciso um freio de racionalidade por parte dos golpistas.

Da mesma forma, agora livre do ministro de enxerto, cumpre a Dilma e a seu entorno assimilarem um rotundo choque de realidade. E partir para as cabeças com a mão de ferro que se impõe.


Afinal, está na hora de Dilma tomar posse do seu segundo mandato.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

O colapso da saúde no Estado do Rio

Se quiserem enfrentar essa crise honestamente, sem rabo preso, aconselha-se dar uma esticada até Cuba

Que a corda sempre rebenta no lado mais fraco não há mais pungente lugar comum. Mas esse colapso na saúde do Estado do Rio de Janeiro é a corda no pescoço de quem já não tem onde cair morto. É de dar raiva. Por que emana de um conjunto de impropérios e de uma farsa ignominiosa. 
A causa mais saliente desse caos é essa crise conjuntural cultivada e maximizada pelos que querem ver o circo pegar fogo só para abalar o governo da Dilma. De tanto acossarem, prostraram o país na mais epidêmica disfunção hepática, afetando os organismos produtivos de forma imobilizante. O dinheiro sumiu no breu das incertezas políticas.

A economia se rendeu ao disse-me-disse. Sem que o governo tivesse interferido nesse sentido, estabeleceu-se o primado da inércia. A grande maioria das empresas foi na onda do pessimismo engendrado pelos orquestrados alarmes falsos. O efeito caranguejo incrustou no tecido social.

As arrecadações despencaram. Os cofres públicos minguaram, atingindo principalmente os Estados. No Rio de Janeiro, o efeito foi mais trágico por conta da queda nos preços do petróleo, uma manobra estratégica de estado maior, com a utilização do óleo pirata, que combalia exportadores como Venezuela, Angola e Rússia. E que visa inviabilizar o pré-sal a fim de transferir sua exploração total a preço de banana para os grandes trustes.

Mas no caso da saúde há uma causa mais profunda, de natureza estrutural.  Insiste-se num modelo oneroso, que despreza a medicina preventiva e o médico de família. É no sistemão de custos hipertrofiados que as máfias fazem a festa. Um horror. A safadeza contamina a todos: as verbas para a saúde pública escoam por um ralo de destino certo. Todos metem a mão, todos, sem exceção.

Mas especificamente, o governador Pezão jamais poderia ter nomeado para a Secretaria de Saúde um noviço, como se o jogasse num ninho de cobras. A saúde sempre foi o mamão com açúcar dos corruptos, até mesmo no governo do nosso Brizola, que entregou o ouro aos bandidos do Nader e Cadorna, precursores do Eduardo Cunha, para desarmar as bombas do Legislativo.

A área da saúde é pule de dez das grandes tacadas e o jovem secretário niteroiense não tinha armadura para uma guerra suja, onde o Estado faz de conta que paga e os médicos mal pagos fazem de conta que trabalham nos mágicos plantões semanais de 24 horas seguidas. Tal é o despautério que trabalhadores incluem a contratação de planos particulares de saúde em suas pautas reivindicatórias. E olha que esses planos são outra ficção.

Não adianta tratar com analgésicos uma doença tão grave. Se quiserem enfrentar essa crise honestamente, sem rabo preso, aconselha-se dar uma esticada até Cuba, onde a saúde é levada a sério, ou uma examinada nos resultados do programa "Mais Médicos", onde o modelo cubano (que de resto é universal) está levando saúde real, porque em parceria com a comunidade e pelo tratamento prévio, e melhorando galhardamente os índices de cidades que estão conhecendo médicos pela primeira vez.


Fora disso é continuar chovendo no molhado e drenando recursos públicos para poços cada vez mais profundos.

domingo, 20 de dezembro de 2015

Depoimentos que me emocionaram


O que espero de Dilma, agora

É no reencontro com o povo que a elegeu que está a receita da volta por cima.
  
Não cobro uma guinada para a esquerda do governo Dilma. Não tenho mais ilusões. Se até na China comunista uma burguesia bilionária pinta e borda, sob a égide de um governo do PC, só confio mesmo na coerência dos cubanos, enquanto Fidel, Raul e alguns de sua geração romântica estiverem vivos.
Só desejo que Dilma se livre da direita e dos corruptos. Ela, por quem ponho a mão no fogo quanto à honestidade, não pode se render aos algozes, ao São Mercado de merda e aos chantagistas do Congresso.
Dilma pode recuperar a confiança do povo trabalhador, dos excluídos, dos explorados, dos honestos e até de boa parte da classe média - a que não pegou o vírus fascista eivado de rancores e sentimentos de revanche, no ímpeto de suas ambições individualistas insaciáveis, esse sonho existencial doentio de um dia entrar no restrito círculo da grande burguesia.
As manifestações de rua do dia 16 (mais massivas do que as do golpe, dia 13) sinalizaram que ainda há gente disposta a barrar o golpe reacionário, no qual, como disse a professora Marilena Chauí, "o processo de impeachment é apenas a cereja no bolo de um processo muito mais longo e complicado que vem ocorrendo".
A única coisa que esses guerreiros desejam é que Dilma seja coerente com seu discurso de campanha, que procure enfrentar a crise com sensatez e sem perder de vista a revitalização da economia com a garantia de empregos, salários decentes e esperanças, o que será possível se adotar uma agenda desenvolvimentista, não recessiva como essa do Levy do Bradesco.
O segredo da reanimação está no embate público do conhecimento geral, na rejeição de acordos fisiológicos mal-intencionados, no combate à sonegação e na austeridade administrativa. Eu achava que a "Operação Zelotes" ia recuperar R$ 19 bilhões sonegados pela fina flor da burguesia, mas os delegados e procuradores mudaram o foco só para atingir o governo, que odeiam por atavismo, e ganhar algum espaço na mídia.
É certo que a maioria dos ministros do STF não quis embarcar nas cartas marcadas do colega Fachin, um pusilânime que deve ter cedido a alguma pressão do seu mestre Michel Temer, um canalha que queria pegar as sobras. E vale outra curiosidade: esse ministro Toffoli nunca foi flor que se cheire, que o diga o corajoso delegado Protógenes Queiróz, que foi perseguido até a demissão pelas verdades que disse.
MAS É NO REENCONTRO COM O POVO QUE A ELEGEU QUE ESTÁ A RECEITA DA VOLTA POR CIMA.
Esse STF não teve peito de cassar Eduardo Cunha, apesar das 11 razões relacionadas pelo procurador Janot. Deixou para depois do carnaval e o bandido sem recato continua à frente da Câmara Federal, cagando para a fartura de provas que o apontam como recordista de maracutaias. Até lá, quem sabe, com a ajuda do Gilmar Mendes, ele possa escapar.
Quanto a nós, parceiros virtuais, cabe também uma tarefa essencial: vamos desmascarar os golpistas, que apoiaram a roubalheira do governo FHC, com a privatização-doação da Vale e outras tantas negociatas e que não passam de uns irresponsáveis, dispostos a trazer de volta outra ditadura. E aí vale citar de novo a professora da USP, Marilena Chauí, no ato público dos intelectuais e artistas contra o impeachment, também dia 16:
"NÃO É APENAS ESTA LUTA AQUI E AGORA PARA IMPEDIR O GOLPE. É UMA LUTA NA QUAL NÓS VAMOS EXPLICAR QUE SE O GOLPE VIER, NÃO SÓ OS EXPERIMENTOS DE JUSTIÇA SOCIAL VÃO DESAPARECER. SE O GOLPE VIER, NÓS TEREMOS, POR CONTA DE TODA A DISCUSSÃO EM TORNO DO TERRORISMO INTERNACIONAL, UMA DITADURA QUE NOS FARÁ IMAGINAR QUE A DE 1964 FOI PÃO DOCE COM BOLACHA". (http://outraspalavras.net/…/marilena-chaui-o-impeachment-e…/)
Não há exagero nisso. É tal a insanidade dos golpistas que, como postam nas redes, o seu sonho de consumo é um banho de sangue para vingar as tímidas ameaças do governo aos seus interesses mesquinhos. E aí pão doce com bolacha vai parecer o regime nazista diante dos bolsonaros e cunhas multiplicados.

domingo, 13 de dezembro de 2015

Mordomo de velório, um caso perdido

Se para os políticos a presidência da República é uma mega-sena, para Michel Temer é um santo remédio.

Ao contrário de Eduardo Cosentino Cunha, graneiro obsessivo desde o seu primeiro cargo público, a presidência da Telerj no governo Collor, Michel Miguel Elias Temer Lulia, de 75 anos, se move também por impulsos existenciais doentios, como revela em sua patética carta à presidente Dilma Vânia Rousseff. Esse ingrediente psicológico o torna muito mais perigoso e vulnerável à mosca azul da Presidência da República, pela qual hoje se presta a qualquer indignidade, como se o topo do poder fosse o nutriente de seu relacionamento com a bela esposa de 32 anos, uma ex-miss que conheceu em Paulínia em 2002 pelas mãos do tio, um ambicioso funcionário da Prefeitura local.

Quem se aventurar a procurar entender com uma lente "freudiana" o comportamento pérfido do vice da Dilma chegará à triste conclusão de um "caso perdido" nesse cipoal de torpezas que embala o cordão de mediocridades e arrivismo da nauseante atividade política brasileira. Aproveitar-se de um eventual impeachment da sua cabeça de chapa é tudo o que lhe ronda à cabeça cheia de sonhos e muito amor pra dar.

Em suas encenações mais recentes dá para vê-lo já com uma postura soberana de mandachuva, de salvador da Pátria.  Para isso, não esconde seus despautérios: depois de negociar no sapatinho lotes do seu eventual governo com os tucanos e anexos, propôs publicamente um "semiparlamentarismo", isto é, a partilha do poder com a turma da pesada que tem em Eduardo Cunha o seu porta-estandarte.    

Do alto dos meus 72 anos ouso esmiuçar os últimos capítulos da vida de Michel Temer para chegar até estes dias em que o país vem sofrendo ataques de um surto virótico de mau-caratismo e cata ao podera qualquer preço. À falta de verdadeiros próceres, uma praga de carreiristas sem escrúpulos protagoniza essa conflagração fisiológica de baixíssimo nível.

Vale a pena recordar: Michel Temer pendurou-se como vice de Dilma como forma de permanecer à tona. NA ÚLTIMA ELEIÇÃO QUE DISPUTOU PARA DEPUTADO FEDERAL EM SÃO PAULO, EM 2006, JÁ SOB O ÊXTASE DA PAIXÃO REJUVENESCEDORA, QUASE FICOU DE FORA.

Com 99.046 votos (0,476% do total), elegeu-se “por média”, ou seja, graças à distribuição das sobras de vagas por coligação. Dentre os 70 eleitos por São Paulo, foi o 54º mais votado e o pior colocado da magérrima bancada de três parlamentares do PMDB. Antes, em 2004, como vice de Erundina havia perdido a Prefeitura de São Paulo para José Serra.

Quem melhor definiu sua personalidade obtusa foi o outrora todo-poderoso Antônio Carlos Magalhães, com quem teve alguns entreveros na guerra por posições no reinado tucano: ACM cravou-lhe o apodo  de MORDOMO DE VELÓRIO. Referia-se a uma frieza posuda que, a princípio, era usada como uma máscara no tiroteio do dia a dia conflituoso do Congresso.

Definindo Michel Temer, André Gonçalves observou em artigo de 12 de setembro passado no CORREIO DO POVO de Curitiba: "Quase ninguém se arrisca a cravar o que ele pensa sobre direita ou esquerda, conflitos internacionais ou soluções imediatas para tirar o país da crise".

Mas se a atípica relação amorosa de atrativos hierárquicos o enleva nos sonhos das mil e uma noites, é bom deixar claro que não ele não é nenhum santinho, tanto que está sempre por cima da carne seca, em qualquer governo, tirando uma lasquinha do poder.

Foi no tucanato, de cujo governo o PMDB participava nas cabeças, que seu nome apareceu na década de 90 como um dos destinatários de propinas milionárias no Porto de Santos. À época, o procurador geral, Geraldo Brindeiro, conhecido como maior engavetador do país, não permitiu que a investigação prosperasse.   A nova tentativa de retomar o caso, 9 anos depois, por iniciativa da procuradora Juliana Mendes Daun, de Santos, foi igualmente barrada em 2011, por ato do ministro Marco Aurélio Melo, que não viu fato novo nas denúncias já arquivadas.

Temer é um bem sucedido come-quieto do poder. Segundo Ciro Gomes, que não tem papas na língua, ele é "PARCEIRO ÍNTIMO NAS PRÁTICAS E NAS COISAS ERRADAS DO EDUARDO CUNHA". No sapatinho, emplacou vários dos seus miquinhos amestrados no governo e o fez sem se considerar obrigado ao programa de fidelidade. Assim, abriu caminho duas vezes para Moreira Franco e Eliseu Padilha. Este, ainda segundo Ciro Gomes, era conhecido como "Eliseu Quadrilha" quando foi ministro dos Transportes de FHC de 1997 a 2001, por indicação do atual vice de Dilma.

Temer preferia a sombra enquanto ia comendo pelas beiradas ao retomar no governo de Dilma o controle do Porto de Santos, através do deputado Edinho Araújo, feito por 9 meses ministro da Secretaria dos Portos. Foi a saída do seu apadrinhado de área tão "estratégica", quando a popularidade de Dilma já decaia, que acendeu nele a chama orgástica do útil e do agradável. Nunca seu personagem de oportunista sem recato sentiu tão próximo o sonho existencial e fisiológico de pegar a sobra e tomar conta do pedaço ao lado de Eduardo Cunha et caterva

Temer não ficou por aí: sua filha Luciana é secretária de Assistência Social do petista Fernando Haddad em São Paulo. Hipócrita, ela declarou que a filiação é mera coincidência, o sobrenome não ajudara em nada. Temer havia apoiado Gabriel Chalita, do PMDB, contra Hadad, emplacou a filha depois e agora abriu as portas do PMDB para Marta Suplicy enfrentar seu ex-correligionário no pleito de 2016. Mas a filha continua lá.

Com um olho no padre e outro na miss, o veterano político paulista reza noite e dia para que o divino poder lhe caia no colo pelas mãos de Eduardo Cunha, seu dileto parceiro, e da alcatéia de lobos vorazes que querem muita brasa em suas sardinhas.

Será a realização do mais acalentado sonho de uma noite de verão. Segundo as más línguas, a jovem senhora Marcela Tedeschi Araújo Temer já experimentou o vestido da nova posse.

Isso que escrevi hoje não é tudo.  Quem viver os próximos dias verá do que é capaz o "Mordomo de Velório" para pegar a sobra numa eventual queda de Dilma e dividir o esplendor do palácio com sua grande paixão.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

As truculências de um corrupto

“Cheguei a pensar que poderia morrer, sim. Eu fui abordado em aeroporto. Meu motorista foi abordado por pessoas desconhecidas. O que eu passei eu não desejo a ninguém. Me abordaram pedindo para eu pensar na minha família, dizendo que tenho filho pequeno, que tenho família”.
Fausto Pinato (PRB-SP), relator destituído do processo contra Eduardo Cunha no Conselho de Ética da Câmara Federal.

Relator do processo contra Eduardo Cunha, Fausto Pinato, sofreu ameaças antes de ser destituído


Não reconheço autoridade moral nenhuma em  quem se alia a Eduardo Cunha para derrubar a presidente Dilma Rousseff com o discurso de combate à corrupção.  Contra ela, não há uma única acusação; contra ele há uma fartura de provas, expostas aqui e além-mar. 
Dilma não moveu uma palha para impedir qualquer investigação da Polícia Federal, a ela subordinada. E fez questão de reconduzir o procurador geral, Rodrigo Janot, que não tem poupado ninguém nas investigações.

Já Eduardo Cunha usa ostensivamente o cargo de presidente da Câmara Federal para não permitir que o Conselho de Ética investigue denúncias gravíssimas contra ele, do conhecimento geral. Ele não se bastou em mandar sua tropa de choque torpedear os trabalhos do Conselho. Providenciou a arbitrária destituição do relator, sinalizando que fará o mesmo com o seu substituto, que já vinha sendo acuado e chegou a aliar-se a ele em votações para protelar o andamento do processo.

E não ficou por aí. Patrocinou o a chicana contra a indicação pelos líderes partidários dos membros da Comissão do Impeachment, fazendo com que deputados de outros partidos votassem SECRETAMENTE em possíveis representantes de uma legenda.

Isso não tem precedentes. Como também não há base constitucional para patrocinar o voto escondido, que poderá ensejar um resultado fraudado. E, nessa avalanche de arbitrariedades semelhantes aos casuísmos da ditadura, reuniu assinaturas de metade mais um da bancada para destituir o líder do PMDB na Câmara Federal, que não obedecia a seu comando.

Essas indignidades escabrosas, que contam com o apoio do vice Michel Temer (mosca azul até por impulsos existenciais), de olho no cargo para o qual jamais seria eleito, mostram de forma explícita lances de um golpe que só os tolos não sacam; e só os tolos (e os revanchistas) saem às ruas para oferecer seu grito de apoio.

Não há linha de divisória mais nítida. O que estamos vendo é a truculência para proteger o mais audacioso corrupto do país e para derrubar uma presidente honesta, cujo primeiro ano de (novo) governo foi inteiramente solapado pelos que querem por que querem tomar o poder de assalto.  Truculência que é uma antecipação do que seria o Brasil pós-golpe, em mãos das máfias sem escrúpulos.

Não dá para enganar: Cunha é a peça chave da tentativa de impeachment, cujo ritual deu vida e sequência com o uso arbitrário de um poder em que chafurda uma malta incontável de miquinhos amestrados. E vai cobrar caro pelo seu protagonismo sem o qual a peça absurda contra Dilma, sem qualquer fundamento jurídico, iria para a lata do lixo.

Só quero ver onde vão meter a cara esses que enchem a boca em direcionados discursos contra a corrupção, enquanto fecham os olhos para um corrupto de papel passado.


domingo, 6 de dezembro de 2015

Isso é golpe, sim. Só não vê quem não enxerga a um palmo do nariz

Honestamente, você acha que os problemas do Brasil se resolvem derrubando uma presidente honesta pelas mãos de um deputado corrupto e dos seus cúmplices do tipo paulinho da força sindical?

Sinceramente, estou perplexo, mas, apesar da avalanche de indignidades que move neuróticos de guerra e piratas do poder, tenho a esperança de que ainda poderemos barrar essa sanha golpista, forjada desde as urnas de 2014.
Golpista, sim. Não me venha com lero-lero. O impeachment seria dentro da previsão constitucional se estivéssemos diante de uma presidente pega com a mão na massa, em atos de corrupção ou favorecimento, como aconteceu com o Eduardo Cunha. E não é o caso. Rigorosamente, não é o caso, mesmo.
Quem souber de um delito praticado pela senhora Dilma Rousseff que o aponte. Por que chega a ser de uma leviandade mastodonte, monstruosa, querer derrubar a chefe de Estado por causa do que chamaram de "pedaladas fiscais", que você talvez nem saiba ao certo do que se trata. E que são meros expedientes burocráticos temporários, dos quais ela não tirou nenhum proveito.
Se você não é um robô basta observar a sequência dos fatos: primeiro, putos com o resultado das urnas, decidiram forjar um "terceiro turno" e apelar para o tapetão. O crime de Dilma foi ter vencido. A duras penas, mas venceu, contrariando os desejos e caprichos doentios de uma direita assanhada e inescrupulosa.
Foi o bastante. Antes mesmo do início do segundo mandato, monitorada sabe Deus por quem, uma turma da pesada decidiu virar a mesa. E se aproveitou da explosão de uma crise que estava represada há anos para bater, metendo os pés pelas mãos, misturando alhos com bugalhos, e espalhando em muita gente a ideia de que precisávamos de um Cristo, de um bode expiatório, de alguém que pagasse pelo momento difícil.
Dilma se encaixava sob medida, por que, afinal, era quem se propunha a avançar com políticas que vulneram a pirâmide social escravagista. Metê-la em uma camisa de força era a ordem dos "homens".
Em miúdos: primeiro, decidiram tirar a mulher; depois foram a cata de embasamento legal, qualquer um, tanto através do Tribunal de Contas, como do TSE. Ou até mesmo de vinculá-la ao propinoduto da Petrobrás, cujo maior astro é, ironicamente, aquele que deu a partida para o impeachment. Isto mesmo, só no Brasil: Eduardo Cunha já aparece COMPROVADAMENTE como o maior destinatário da grana suja, e ainda não se sabe de sua missa um terço. E ninguém ousa metê-lo em cana ou tirá-lo do trono de onde cerceia sua própria investigação.
No entanto, como o golpe é uma sedição sem escrúpulos, o dito cujo encontrou a melhor forma de safar-se da punição lógica quando os 3 deputados do PT no Conselho de Ética disseram que não tinha coragem de livrar sua cara, ganhando beijinhos afetuosos da súcia golpista.
HONESTAMENTE, VOCÊ ACHA QUE OS PROBLEMAS DO BRASIL SE RESOLVEM DERRUBANDO UMA PRESIDENTE HONESTA PELAS MÃOS DE UM DEPUTADO CORRUPTO E DOS SEUS CÚMPLICES DO TIPO PAULINHO DA FORÇA SINDICAL?
A esta altura, como o assalto ao poder é uma possibilidade real, mais do que expor nossa perplexidade temos o dever de entrar em campo para impedir o golpe. Que não se limitará ao sacrifício da presidente em favor do seu vice da mosca azul ou de outros personagens que se movem à sombra.
Quem viveu 64, como eu, sabe que a ruptura tem começo, mas não tem fim. Essa turma que quer voltar ao poder para reeditar as políticas econômicas mais impiedosas e facilitar a vida de uma meia dúzia de negocistas não vai ficar num ato só: voltaremos aos anos de chumbo, à porrada solta, aos arrochos e congelamentos salariais, sem falar no fim das políticas sociais inclusivas.
Volto a perguntar: é isso que você quer?

Em tempo: meu programa de e-mails para quase 10 mil pessoas está bloqueado. A matéria sai, mas não chega ao destinatário. Estou tentando resolver esse problema.


sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

Os acordes do dia seguinte

o que se tenta é um crime de lesa-pátria, sem qualquer preocupação com suas consequências


O dia seguinte ao do garrote vil expôs à luz do dia as vísceras da fúria golpista: os partidos do tapetão que haviam proposto suspender o recesso para forçar o suplício rápido refizeram a fala e passaram a jogar no clima de caos prolongado,  como forma de envolver os inocentes em sua trama mesquinha, indiferentes ao mal que a tormenta possa trazer ao país.
. 
É isso que você quer?

Nesse mesmo dia voraz o grande delinquente festeja a mudança de assunto: ao invés de seus crimes variados, internacionalmente repudiados, o foco no pedido do impeachment o transforma de bandido em mocinho.

É bonito isso?

Desde o alvorecer não se falou noutra coisa, não se fez mais nada. A direita sem pudor virou o jogo sem maiores embaraços. Todo mundo sabe que estão procurando chifre em cabeça de burro para apear a presidente. Ou pelo menos para atazanar seu governo, já pra lá de vulnerabilizado.

Você vai embarcar nessa?

O mafioso consegue imobilizar o Conselho de Ética da Câmara valendo-se dos seus podres poderes, algo que já lhe custaria um afastamento preventivo.  Certo de que não vai conseguir votar o relatório sobre o processo de cassação, o presidente do conselho foi pedir help ao procurador geral. E saiu mais ou menos de mãos abanando. A fera que não tem limites está uma arara pra cima do grupo.

Onde vamos chegar?

Estamos, assim, diante de um caracterizado e inegável abuso de poder. Que revela uma simbologia burlesca: aquele contra quem abundam provas e acusações comprometedoras ganhou uma estranha blindagem.  Já outra é a situação da chefa de Estado, contra quem não existe um único cisco sobre uma remota hipótese de envolvimento com a corrupção, nem mesmo por descuido. Sobre sua integridade ninguém ousa formalizar um só reparo.

Como é que fica?

Vozes mais sensatas ecoaram na denúncia da arapuca. E vão logo dizendo: o que se tenta é um crime de lesa-pátria, sem qualquer preocupação com suas consequências. Ao ver dos sensatos e justos, não há nada a ser punido nos estritos termos da Lei. Tudo não passa de uma insaciável ânsia de poder, essa prática abominável que subordina a vida de uma nação às ambições descomunais de uma patota movida pelas mais obscenas motivações impatrióticas.

Onde vamos chegar?

Durante todo o 2015 a sanha golpista conseguiu entornar o caldo e engessar o governo, privando-o dos espaços necessários a um revertere numa crise que a todos atormenta. É um jogo constrangedor movido principalmente pela falta de perspectiva do candidato triplamente derrotado: ele sabe que a fila anda e nos prazos normais terá que sucumbir à bola da vez em seu ninho. Como já tinha encomendado o terno de uma posse negada pelas urnas faz qualquer coisa para não ficar no prejuízo.

Afinal, eles passarão?

Por fim, cabe a pergunta em meio a esse balaio de indignidades: os brasileiros estão dispostos à marcha da revanche, esse obstinado terceiro turno, para rasgar as mínimas garantias de governabilidade e reduzir a pó a vontade majoritária das urnas, expressa na hora aprazada e no ambiente adequado?  Pelos sintomas do primeiro dia, não. Mas a orquestra do golpe sujo não parou de tocar.


E seus acordes wagnerianos são despejados aos múltiplos sobre as incertezas dos cidadãos como uma carga pesada capaz de esmagar corações e mentes. Isso assusta e nos convida a tomar uma atitude, antes que seja tarde.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

Um lado a escolher

O frontispício da sedição terá a  cara de Eduardo Cunha. Ninguém personalizará mais fielmente a conspirata do que essa figura do mal. 


De que lado você vai ficar?

De um salafrário envolvido em falcatruas até o último fio do cabelo ou de uma mulher indiscutivelmente HONESTA, reeleita em acirrada disputa e legitimada pelo voto popular?

Claro, o meliante em questão não é o pai da criança. Reassumiu-se como protagonista depois de tentar negociar com a corte sua própria impunidade em troca de um "chega pra lá" no golpe urdido desde o veredicto das urnas. Se tivesse a suicida leniência da casa, outra seria sua decisão, que só serve, de fato, para ajudar a minar a governabilidade já solapada ao longo deste 2015 fraturado.  

Com sua última munição, espera levar a oposição a deixar o dito pelo não dito em relação a seus crimes e a ajudar a tirar a corda do seu pescoço.

Isso é muito deprimente.  Bons modos sugeriam que caísse do cavalo ao ser pego com a mão na massa. Desde os seus primeiros delitos, ainda na infância do poder, sabiam muitos de que era capaz de tudo por um punhado de dólares. Hoje, qualquer um conhece sua ficha suja, e a cada dia surge mais uma milionária delinquência. Mesmo num país sem tanto recato, ele teria sido afastado da cadeira de onde barra sem constrangimento a sua lógica punição por indefensáveis trapaças.

Como a maioria dos seus pares tem rabo preso, lá está no comando de todo tipo de negociatas. Como essa que se esconde sob sua decisão prejudicial muito mais a um país que precisa de oxigênio. Decisão que por linhas retas dificilmente levará ao desejo mórbido dos derrotados, mas que põe lenha na fogueira e enfraquece quem tem o desafio de resgatar os melhores dias do ontem, de que precisamos todos.  

Pode ser, sim, que o delinquente empavonado tenha batido o martelo após reaproximar-se do compadrio dantes.  Pelas primeiras declarações, vê-se que injetou ânimo na tropa golpista. Daqui para frente, com o processo do impeachment na pauta, vai ser mamão com açúcar para os amargos ruídos da revanche.

Mas o frontispício da sedição terá a sua cara. Ninguém personalizará mais fielmente a conspirata do que essa figura do mal. Desdobramentos que ocorram entrelaçarão jogos espúrios, que culminarão inevitavelmente, se vitoriosos, com o mais trágico retrocesso – aqueles idos de chumbo grosso trarão de volta o regime da perseguição insensata e da caça às bruxas.

Não será uma movimentação específica do Brasil. Há esforços concentrados também na vizinhança pelos mesmos motivos e pretextos.

O silêncio de nossa parte poderá ser fatal. E nos custará vidas e esperanças.

Quem sou eu

Minha foto
Jornalista desde 1961, quando foi ser repórter da ÚLTIMA HORA, PEDRO PORFÍRIO acumulou experiências em todos os segmentos da comunicação. Trabalhou também nos jornais O DIA e CORREIO DA MANHÃ, TRIBUNA DA IMPRENSA, da qual foi seu chefe de Redação, nas revistas MANCHETE, FATOS & FOTOS, dirigiu a Central Bloch de Fotonovelas. Chefiou a Reportagem da Tv Tupi, foi redator da Radio Tupi teve programa diário na RÁDIO CARIOCA. Em propaganda, trabalhou nas agências Alton, Focus e foi gerente da Canto e Mello. Foi assessor de relações públicas da ACESITA e assessor de imprensa de várias companhias teatrais. Teatrólogo, escreveu e encenou 8 peças, no período de 1973 a 1982, tendo ganho o maior prêmio da crítica com sua comédia O BOM BURGUÊS. Escreveu e publicou 7 livros, entre os quais O PODER DA RUA, O ASSASSINO DAS SEXTAS-FEIRAS e CONFISSÕES DE UM INCONFORMISTA. Foi coordenador das regiões administrativas da Zona Norte, presidente do Conselho de Contribuintes e, por duas vezes, Secretário Municipal de Desenvolvimento Social. Exerceu também mandatos em 4 legislaturas na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, sendo autor de leis de grande repercussão social.