segunda-feira, 19 de outubro de 2015

Crônica da beira do caos

O político de hoje só pensa em si, em chegar ao poder, nele permanecer ou a ele retornar.


A semana começa com o mesmo ritual macabro protagonizado pelos profetas do caos: a oposição castradora segue na sua obsessiva faina para inviabilizar um governo por si baqueado, com o propósito de minar o Estado nacional e abrir uma fenda à reedição da privataria dos anos 90 ou ir mais longe, resgatando os tormentos dos anos de chumbo. O governo segue refém de sua base mau caráter, sem saber como saciar a todos e a cada um, e sem charme para convencer às massas de que ainda é o melhor produto disponível na praça. 
Alojado numa fortaleza protegida pelo exército de semelhantes de rabos presos, o poderoso chefão da delinquência continua desafiando o bom senso e ainda se acha em condições de disparar. Pior: mesmo com as vísceras contaminadas por propinas à mostra, ainda é tratado como o senhor dos anéis, leiloando o jamegão infectado da fera ferida.

Decididamente estamos mal parados. O conflito restrito de interesses menores se irradia sobre a sociedade atordoada e destituída da percepção crítica. Por ora, o comportamento das partes só serve para confundir multidões de nervos à flor da pele.  Os súditos choram pelo desconforto de hoje, enquanto tremem mais ainda ante um porvir de incertezas e ameaças alimentadas por uma mídia partidarizada.

Não dá mesmo para entender os acontecimentos à primeira vista. O espírito de porco move aqueles para quem FARINHA POUCA É MEU PIRÃO PRIMEIRO. Espicham a crise na direção do abismo com impulsos de terra arrasada. O governo errou feio ao se entregar aos amigos da onça e agora está num mato sem cachorro. NA BOA, AQUI ENTRE NÓS, VIROU A CASACA E TOMOU EMPRESTADO EM MÁ HORA A RECEITA QUE ABOMINAVA.

Sabe que entrou numa fria, mas não tem coragem de retomar suas fórmulas – não tão brilhantes, porém compensatórias. Por falta de experiência e de cultura geral esqueceu que os inimigos não mandam flores. E que neste país, mais do que qualquer outro, ninguém ganha um mandato para o exercício de dons patrióticos. Ao contrário, infelizmente A CLASSE MANDATÁRIA SÓ PENSA EM SI, EM DOMINAR O PODER, NELE PERMANECER OU A ELE RETORNAR.

Com esses personagens é ilusão imaginar uma luz no fim do túnel – antes pelo contrário, é cada vez mais breu. A maioria não teme ver o circo pegar fogo porque só tem olhos para o cofre que garanta numerário na direção de esconderijos suíços e doutros paraísos até mais discretos e protegidos.

Aí se exige um MEA CULPA geral. Sabe-se que um mandato custa uma fortuna e que ninguém investe sem olhos no retorno. É O QUE SEMPRE DIGO: NÃO SE É CONTRA OS MAUS PROPÓSITOS DE QUEM FINANCIA CAMPANHAS, MAS SIM DE QUEM DESTINA SUAS FORTUNAS ÀS CAMPANHAS ADVERSÁRIAS.

O condimento mais doentio desse conflito é a própria desonestidade crítica.  Para todos, são corruptos os contrários, já os seus corruptos gozam do BENEFÍCIO DA CONVENIÊNCIA.

Também pudera: Paulinho da Força Sindical, a cara da depravação política, foi reeleito com os votos de 227.186 imbecis de São Paulo, pouco menos do que os votos dados a Eduardo Cunha por 232.708 imbecis do Estado do Rio de Janeiro. Isso não é nada se compararmos o progresso eleitoral do deputado pró-ditadura Jair Bolsonaro: 464.572 imbecis rancorosos fizeram dele o federal mais votado pelos fluminenses, ou seja, quase 4 vezes mais do que em 2010, quando os seus intrépidos estúpidos somavam 120.646 votos.

Temos, assim, um ambiente por si desalentador. Eu mesmo, com essa cabeça branca de tantas procelas, não sei onde vamos chegar, mas ser pessimista nesta hora não é nenhuma paranóia.  Vejo-me despreparado para qualquer vaticínio, por que quanto mais rezo mais aparece assombração.


E só me arrisco a escrevinhar estas mal traçadas linhas por que quem cala consente.

terça-feira, 13 de outubro de 2015

O golpe em dose dupla

 É com a possibilidade de ganhar o que perdeu que Aécio recruta adesões para degolar Dilma
Na madrugada de 4 de março de 2009 o plenário do TSE cassou o mandato do governador do Maranhão, Jackson Lago, um dos homens mais íntegros da nossa história, dois anos depois de empossado e, em seguida, mandou que a candidata derrotada, ROSEANE SARNEY, assumisse seu lugar.

Foi um das maiores indignidades já perpetradas pelo Tribunal Superior Eleitoral, sob pressão do senador José Sarney, cuja oligarquia de 40 nos havia sido derrotada pelo líder pedetista em 2006, no mesmo ano em que Jacques Wagner, do PT, havia detonado a grife de ACM na Bahia.

Para contrabandear a filha do presidente do Senado ao governo do Maranhão, CINCO MINISTROS DO TSE ANULARAM TODOS OS VOTOS OBTIDOS POR LAGO EM 2006.  Esse entendimento do relator Eros Grau foi seguido pelos colegas Fernando Gonçalves, Felix Fischer, Ricardo Lewandowski e o então presidente da casa, ministro Carlos Ayres Britto. Só não entraram na pilha os ministros Marcelo Ribeiro e Arnaldo Versiani, que não tinham funções de careira no Judiciário.

É sob inspiração dessa decisão, um golpe em dose dupla, que o derrotado Aécio Neves opera com uma desenvoltura que deixa atônito até Geraldo Alckmin, a bola da vez dos tucanos em 2018.

ELE NÃO FALA ISSO PARA O PÚBLICO EXTERNO, MAS É COM A POSSIBILIDADE DE GANHAR O QUE PERDEU QUE RECRUTA ADESÕES PARA DEGOLAR A VENCEDORA DILMA ROUSSEFF.  Seu plano golpista entrelaça manobras no Tribunal de Contas e no TSE com a canseira fisiológica que os parlamentares estão impondo ao governo, aproveitando o plano de fundo da crise econômica, que está estressando uma população provavelmente saciável com um bode expiatório compensatório.

Mais do que tudo, Aécio Neves, desequilibrado insensato, embarcou no É AGORA OU NUNCA como uma obsessão pervertida: ataca em todas as direções e se vale de companhias do tipo Eduardo Cunha num cambalacho sem qualquer recato que pode conter ingredientes de fazer corar os mais degenerados dos parceiros.

Eduardo Cunha, aliás, fez-se o grande fenômeno da política brasileira: pego com a mão na massa como corrupto inconteste, joga com o BENEFÍCIO DA CONVENIÊNCIA e vai permanecendo na presidência da Câmara Federal no mais absurdo contra-senso que o ambiente poluído da política brasileira já produziu.

A olho nu não há como identificar o que a Aécio e seus miquinhos amestrados podem  fazer por ele em troca dos atalhos que oferece para provocar mais dores de cabeça à presidente, já atormentada por tantas torpezas. Mas tudo é possível numa circunstância tão sombria em que uma minoria revanchista consegue fazer a cabeça da massa angustiada no sufoco de hoje e com medo do amanhã.

Massa que sequer parou para pensar nessa incongruência sinistra: em nome das náuseas que a corrupção revelada provoca entrega-se o destino das urnas comprovadamente limpas ao mais corrupto de todos só por que, como descuidista da pesada, ele exerce um cargo para o qual jamais deveria ter sido alçado, tal a sua vida pregressa enlameada, já do conhecimento geral, amplo e irrestrito.  

Como nos grandes golpes desde eras pretéritas, a trama em curso é obra prima de criminosos profissionais. Consegue envolver boa parte da opinião pública num ritual sem sustentação legal: ao contrário do que aconteceu em outros episódios, primeiro, os derrotados nas urnas decidiram cassar a presidente reeleita; depois saíram à cata de um furo, qualquer furo, mesmo que formalmente ela não tenha nada a ver com o peixe.

É exatamente essa determinação insana e despropositada que ameaça as garantias constitucionais. Só o fato da esmagadora maioria da mídia dar cobertura às aberrações jurídicas invocadas já é suficiente para deixar todo mundo com a pulga atrás da orelha.

Golpes e golpistas são elementos nefandos sempre presentes na história republicana brasileira. As movimentações desses dias ressuscitam velhas práticas sujas, felizmente sem o envolvimento dos quartéis, mas, infelizmente, com o domínio de uma tecnologia de manipulação e imbecilização mil vezes mais destrutiva do que os arsenais da soldadesca.

A quem não quiser passar pelo sofrimento que minha geração passou, a quem não quiser ver nossa liberdade aniquilada por uma perversa "primavera brasileira" cumpre agir rapidamente em defesa da legalidade e do respeito à legítima decisão das urnas.


Outra atitude, sob qualquer outro impulso, parta de onde partir, será um trágico tiro no pé.

domingo, 11 de outubro de 2015

O herói do golpe está nu. E daí?

Eduardo Cunha permanece cheio de si como peça chave do esquema golpista, apadrinhado pela grande mídia e pela direita dos panelaços, de que se tornou ídolo.

Quando assumiu a presidência da extinta TELERJ no governo Collor, por indicação do quadrilheiro P.C. Farias, Eduardo Cunha entrou para o folclore político como o "VINTINHO". Tinha então 31 anos e se destacava como um malabarista da pesada, já sob a também folclórica proteção do deputado pastor Francisco Silva. Tal qualidade iria demonstrar quando o governador Garotinho lhe entregou o comando da CEHAB, a companhia de habitação do Estado do Rio de Janeiro.

Sempre exibindo sua condição de evangélico atuante, passou a controlar nichos do poder desde o governo Fernando Henrique, quando foi apadrinhado por Francisco Dorneles, atual vice-governador do Estado do Rio. Sempre foi o que é, sem tirar nem pôr, valendo-se de seu incontido talento lombrosiano e sua descarada vocação para chefiar maltas, graças a que manobrou com desenvoltura no governo Lula controlando estatais como Furnas, no plano federal, enquanto manipulava o fundo de pensão da CEDAE-RJ, o que lhe valeu investigação da Comissão de Valores Mobiliários.

Quando foi ser líder da bancada do PMDB e depois presidente da Câmara Federal, todo mundo sabia quase tudo dos seus atributos criminosos. Todo mundo, principalmente os seus pares, que na sua quase totalidade não são diferentes dele. 
Por muito menos, muito menos mesmo, o deputado Severino Cavalcanti perdeu a presidência da Câmara e o mandato. Ele, coitado, havia recebido míseros R$ 20 mil do dono de um dos restaurantes da casa. 
Por muito menos, muito menos mesmo, alguns políticos foram trancafiados por determinação do histriônico juiz da "Lava Jato".

Mas Eduardo Cunha, não.  Blindado até ontem pelos sacrossantos partidos de oposição liderados pelo PSDB e com a apaixonada cumplicidade de um magote de deputados picaretas, ele já mandou dizer que não vai renunciar ao estratégico cargo e ao mandato. Ao contrário, sente-se ainda cheio de si como peça chave do esquema golpista, apadrinhado pela grande mídia e pela direita dos panelaços, de que se tornou ídolo.

Pela exposição de algumas de suas variadas trapaças, sua permanência à frente da Câmara Federal e a preservação do seu mandato são indisfarçáveis corpos de delito da própria democracia representativa brasileira.  Dependendo de a quem possa ser útil o seu grau de delinquência pode ser minimizado.  A oposição então, nem se fala. No mesmo dia em que o TCU reprovou as contas de Dilma, seus líderes foram atualizar o script do golpe em alegre reunião em sua casa, isto é, na casa do Presidente da Câmara.

Neste momento, quando não resta nem ao mais idiota dos cidadãos nenhuma sombra de dúvida sobre seu envolvimento como o mais bem servido piloto do propinoduto, ele continua dando as cartas, temido por todos os times da política brasileira. O Palácio do Planalto teme que chute o pau da barraca e defira o pedido de investigação para o impeachment.  Seus colegas sabem de seus poderes mágicos: diz-se que tem um dossiê individualizado que coleciona variados malfeitos e afoitezas de um número incalculável de parlamentares.

As revelações sobre as extravagâncias de Eduardo Cunha e sua mulher com o dinheiro das propinas é a exposição das vísceras de uma classe política degenerada, onde, como diz a faixa do último convescote reacionário, são MILHÕES OS CUNHAS – não apenas detentores de mandatos. Em geral, aliás, não se é contra a corrupção, mas CONTRA A CORRUPÇÃO DOS OUTROS.

Tudo por conta da máquina infernal que levou a despolitização do povo abaixo do volume morto e operou a alienação deliberada com todas as ferramentas disponíveis – dos púlpitos medievais até as imbecilizantes redes sociais de uma internet parida nos antros do Pentágono.

Despolitização e alienação que parecem não terem volta. E isso é terrível.

quinta-feira, 8 de outubro de 2015

Conforme a receita do golpe


Pareceres do TCU sobre contas presidenciais sempre foram desprezados pelo Congresso. Sequer foram pautados desde o governo Collor. Faz pouco, para abrir caminho a uma degola da presidente Dilma Rousseff, o mago Eduardo Cunha, pego com a mão na massa, resolveu apelar: para garantir sua impunidade, assumiu a batuta do golpe e promoveu a votação dos mesmos nas asas da mais primária ilegalidade: deveriam ser apreciados pelo Congresso e não por uma de suas casas.  A senadora Rose de Freitas fez o questionamento junto ao STF e o ministro Luís Roberto Barroso produziu uma decisão inimaginável: A votação fere a Constituição, mas já que aconteceu engula-se. Na trilha da lei só daqui pra frente.

"O Tribunal de Contas é um playground de políticos fracassados” na definição do ex-residente do STF, Joaquim Barbosa, para quem este órgão auxiliar do Congresso não tem "estatura institucional" para produzir um impeachment de um presidente da República. Ele, que foi o algoz do PT no processo do "mensalão", disse para uma platéia do mercado financeiro: “Não acredito no Tribunal de Contas da União como um órgão sério desencadeador de um processo de tal gravidade; o Tribunal de Contas é um playground de políticos fracassados”.

O ministro João Augusto Nardes é um velho capacho da ditadura. Começou sua carreira política como vereador da ARENA em 1973 na cidade gaúcha de Santo Ângelo, um antigo reduto de pecuaristas reacionários, na região das Missões. Depois de ser deputado pelo PDS (a sigla nova da ARENA) foi indicado pela Câmara Federal em 2004 para o TCU, embora não tenha formação jurídica: ostenta um diploma de administrador de empresas expedido por uma faculdade particular do interior gaúcho.

Sempre teve uma presença medíocre naquele colegiado, que, aliás, faz jus ao epíteto do ministro Joaquim Barbosa. Antes de assinar seu parecer em sintonia com a sanha golpista nunca se viu mais gordo.  Até porque gostava de "trabalhar" à sombra: está envolvido até o pescoço nas investigações da OPERAÇÃO ZELOTES, que desvenda sem mídia a maior farra de fraudes fiscais, tendo sido apurado que o dito cujo é destinatário de uma propina de R$ 1 milhão e 800 mil pelo arquivamento de uma dívida com a Receita Federal de R$ 150 milhões da RBS, a afiliada da REDE GLOBO no Rio Grande do Sul e Santa Catarina.

Com sua atuação abusiva, ao ponto de debochar ao divulgar seu voto antes da sessão, João Augusto Nardes galgou o panteão dos heróis do golpe, ao lado de Eduardo Cosentino da Cunha, a figura mais internacional e mais bem remunerada do propinoduto, e a Gilmar Ferreira Mendes, o ministro do STF que quis salvar o financiamento privada das campanhas, com direito ao estrelato televisivo:

a Globonews e a tv Câmara jogaram todas as suas luzes sobre a espetacularizada "sessão histórica do TCU", na qual a unanimidade da casa, de comum acordo, aprovou a rejeição das contas da presidente, como nunca aconteceu desde o trágico desenlace do presidente Getúlio Vargas.   

Rejeição tipicamente encomendada: o governo é acusado de ressarcir com atraso aos bancos públicos pela remuneração dos programas sociais, prática rotineira de todas as administrações anteriores, inclusive depois da aprovação da Lei Complementar 101/2000, mais conhecida como Lei de Responsabilidade Fiscal.  Prática nunca dantes criminalizada pelo TCU que, aliás, não tem poderes para tal.

Encomendada, sim. Enquanto os ministros do TCU se maquiavam para a sessão televisada, o senador tucano Cássio Cunha Lima (ele um "ficha suja" já cassado na Paraíba em 2009 quando governador por abuso do poder econômico) declarava com toda pompa:

"os ingredientes para o impeachment começam a se misturar, e a receita está quase pronta".

Impeachment é a alcunha suavizada do golpe. No caso, os golpistas vão forçar a barra para transformar o parecer do "amigo Nardes" em fundamento legal para iniciar um processo de cassação, algo absolutamente inconstitucional, como definiu o jurista Dalmo Dalari, em depoimento no GLOBO:

“Acho profundamente lamentável que o julgamento do TCU seja político, e não jurídico. A despeito disso, acredito que o resultado é indiferente para a discussão sobre impeachment porque a presidente não pode ser responsabilizada por atos estranhos ao exercício do mandato. As ‘pedaladas’ são atos formais e administrativos da equipe econômica, feitos sem interferência da presidente. Questões formais não caracterizam ato de má-fé, não ensejam crime de responsabilidade. Além disso, as ‘pedaladas’ não ferem a lei orçamentária porque não desviaram recursos do orçamento para atividades não autorizadas e não há qualquer vantagem pessoal que Dilma tenha levado com as contas do governo. Esses dois elementos são pressupostos para impeachment e não estão presentes nesse caso. A tese do impeachment, com ou sem condenação das contas do governo pelo TCU, não tem apoio na Constituição. A verdade é que a Carta Magna está sendo ignorada. A reprovação das contas apenas contribui para o jogo político, que tem objetivos eleitorais, mas carece de embasamento jurídico. É preciso colocar o resultado em perspectiva”.

Apesar de entendimento tão cristalino, assimilado até por um rábula, os inescrupulosos golpistas foram se reunir com o aliado Eduardo Cunha em sua casa (Isto é, casa do presidente da Câmara), onde rolaram canapés e bebidas inebriantes. De lá saíram quando Brasília já dormia com um acordo fechado: apesar de tantas provas documentadas sobre suas "PEDALADAS SUÍÇAS", o bardo continuará cantando de galo e será "milagrosamente" poupado, apesar das mais escandalosas evidências criminais, em troca da rápida condução de um processo que fragilize ainda mais o governo da já abalada presidente da República.

GOLPE, SIM, POR QUÊ?

Dilma se deixou acuar desde que se rendeu ao "mercado" e passou a amadrinhar os remédios tóxicos do seu infante Joaquim Levy. De fato, hoje, o corrupto assanhado Eduardo Cunha tem mais poderes do que ela, que, honesta, mas confusa como um peixe fora d'água, foi cair nos colos dos nada honoráveis Renan Calheiros e Leonardo Piciani.  Ante algumas vacilações que afetaram sua base popular, a ex-prisioneira política é um pote de dúvidas cercado de MUI AMIGOS que querem tirar casquinha sem qualquer escrúpulo.

Para seus grandes projetos de retrocesso, que inclui o desmonte da Petrobrás, os golpistas não precisariam apeá-la.

Mas o rancor que impregna o cordão da "quartelada civil" quer fazer o país voltar aos velhos tempos da quartelada militar. Move-lhe a sede de revanche pela inócua "Comissão da Verdade" que pecou mortalmente por trazer à baila alguns delitos do arbítrio.  Provoca toda a ira do mundo a presença dos dez mil médicos cubanos que estão resgatando o verdadeiro sentido da atenção à saúde, o que os torna apaixonadamente queridos pelos pobres das periferias e dos rincões onde nunca se viu um jaleco branco. Rouba-lhe o sono essa janela para que os pobretões cheguem a uma faculdade, perturbando a secular pirâmide social em que as universidades públicas eram privativas dos filhinhos de papai.

Em suma, o golpe que se pretende não é contra aquela que venceu nas urnas, mas contra o pouco que se fez na direção de uma sociedade justa e o muito que se faria se a artilharia pesada das elites não estivesse disputando com o "estado islâmico" o pódio do terrorismo de terra arrasada que imobiliza e inviabiliza qualquer projeto de avanço.

É um golpe de glicerina pura. Que tem tudo para tumultuar e levar o caos ao país.

Quem sou eu

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Jornalista desde 1961, quando foi ser repórter da ÚLTIMA HORA, PEDRO PORFÍRIO acumulou experiências em todos os segmentos da comunicação. Trabalhou também nos jornais O DIA e CORREIO DA MANHÃ, TRIBUNA DA IMPRENSA, da qual foi seu chefe de Redação, nas revistas MANCHETE, FATOS & FOTOS, dirigiu a Central Bloch de Fotonovelas. Chefiou a Reportagem da Tv Tupi, foi redator da Radio Tupi teve programa diário na RÁDIO CARIOCA. Em propaganda, trabalhou nas agências Alton, Focus e foi gerente da Canto e Mello. Foi assessor de relações públicas da ACESITA e assessor de imprensa de várias companhias teatrais. Teatrólogo, escreveu e encenou 8 peças, no período de 1973 a 1982, tendo ganho o maior prêmio da crítica com sua comédia O BOM BURGUÊS. Escreveu e publicou 7 livros, entre os quais O PODER DA RUA, O ASSASSINO DAS SEXTAS-FEIRAS e CONFISSÕES DE UM INCONFORMISTA. Foi coordenador das regiões administrativas da Zona Norte, presidente do Conselho de Contribuintes e, por duas vezes, Secretário Municipal de Desenvolvimento Social. Exerceu também mandatos em 4 legislaturas na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, sendo autor de leis de grande repercussão social.