terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Mais vida para o que der e vier

Médico vê em ressonância magnética tumor necrosado e me injeta ânimo para retomar a luta com a paixão de sempre

Os meus inimigos internos sofreram mais um golpe, embora não se possa dizer que eles não voltem a atacar no futuro de forma insidiosa, saliência de seus maus hábitos. Como é do conhecimento de todos, conforme minha opção pela transparência sem limites ou exceções, desde setembro de 2013 venho protagonizando uma luta indômita contra um CHC, distorção agressiva, tendo o meu fígado como alvo do conflito.

Mas pelo jeito vou poder festejar minha 72ª primavera, quando março vier, como naquele dia em que, meninote, descobri meus pendores pelo inconformismo diante da injustiça e da vilania.

São os fatos e contra os fatos não há contestação.  Às seis da tarde desta segunda-feira acinzelada, cheguei da "consulta de revisão" com o Dr. Feliciano Azevedo, responsável pelo tratamento do meu câncer hepático pelo método da radiologia intervencionista.

Fui levar o laudo da ressonância magnética do dia 6 de janeiro, assinada pelo Dr. Antônio Eiras, realizada um mês depois da quimioembolização do dia 2 de dezembro – o terceiro combate capitaneado pelo Dr. Feliciano (não confundir com aquele deputado homofóbico).  E SEU DIAGNÓSTICO NÃO PODERIA SER MAIS ANIMADOR.

Com a sensação de mais uma vitória na sua brilhante carreira científica, o professor da UFRJ e introdutor no Rio de Janeiro dessa tecnologia pouco invasiva não escondia a alegria juvenil de um coroa de 62 anos. "É isso mesmo, neste instante não há mais rastros dos tumores".

E enfatizou o laudo do Dr. Antônio Eiras: "A área pós-procedimento localizada em projeção do segmento V apresenta sinal um pouco mais heterogêneo no atual exame, porém mantém-se AVASCULAR, CONFIGURANDO NECROSE PÓS-PROCEDIMENTO sem evidência de tumor residual viável interno".

Está claro para todos nós da família que não estamos diante de favas contadas. Por rotina, em maio, me submeterei a uma nova ressonância (já estou familiarizado com essa máquina e sei que esse acompanhamento será por pelo menos 5 anos).

Mais uma coisa é certa: depois dessa, estou voltando à plena normalidade de minha inquietação atávica e estarei na linha de frente de onde precisarem de mim, nas plagas desse país de encantos e desencantos,  ou aqui mesmo, no meu mundo domiciliar à beira da lagoa da Tijuca.

Pelo que conversamos, agora não tem sentido abster-me de fazer meus gols nas peladas dos veteranos, às terças-feiras na Península. Portando, os craques maiores de 40 que me esperem. Estarei na banheira, como sempre durante os últimos 6 anos. E vou esperar receber bolas redondas, como nos bons tempos.

O plus dessa nova consulta foi que agora ele me recebeu no seu novo consultório de um complexo hospitalar ainda pouco conhecido, na Rua Jorge Curi, entrada pela Av. Airton Senna, colado ao Bosque da Barra. Na outras vezes, tinha de ir até o morro da João Borges, na Gávea onde fica a Casa de Saúde São Vicente. Além de perto, parando na própria rua, a patroa não precisou pagar estacionamento, uma despesa capaz de agravar nossa doença nesse ambiente de impune venda casada dos pátios dos hospitais.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Um chute na "austeridade"

Povo grego entrega seu destino a um partido de esquerda radical que quer resgatar direitos sociais

Le Monde (traduzido pelo Google)


Alexis Tsipras, presidente do partido radical Syriza esquerda, bonito repetindo que ele não tem a intenção de deixar a zona do euro, a febre causada pelas declarações alemães sobre uma saída do euro para a Grécia em caso de vitória Syriza ainda não está completamente resolvido. O que no projeto ? do partido, que continua a ser o favorito nas pesquisas para as eleições parlamentares de 25 de janeiro de tão desagradável para a chanceler alemã Ponha um fim à austeridade, renegociar a dívida e impulsionar o crescimento: os três metas Syriza já são conhecidos há vários meses e foram apresentados em detalhe em 3 de janeiro pelo Sr. Tsipras.

Ele separou um lado, as negociações que pretende se envolver com seus potenciais parceiros europeus sobre a questão da dívida e, por outro, o que ele chama de seu plano - em quatro pilares - para a reconstrução Grécia. Syriza afirma: o nível da dívida pública, que continua a ser a 175% do PIB, ou cerca de 300 bilhões de euros, não é viável e impede que o espaço fiscal e qualquer esperança de recuperação econômica Grécia. Ele, portanto, proposta para cancelar a maior parte do valor nominal da dívida pública no contexto de uma "conferência sobre dívida europeia." "Isso aconteceu para a Alemanha em 1953. Isso também pode ocorrer para o sul da Europa , e da Grécia ", disse Tsipras. Essa negociação está longe de ser óbvio para outros países europeus e SYRIZA primeiro pedido, no curto prazo, o estabelecimento de uma moratória para o pagamento de juros sobre a dívida, então gastar o dinheiro para ' ajuda e crescimento em 2015.

Compras diretas de títulos soberanos

O partido também quer incluir um "crescimento" cláusula do reembolso da parte restante, para que o crescimento, e não o financiamento de superávit primário. Sr. Tsipras ainda excluir restrições de investimento público em crescimento e estabilidade do pacto e obter flexibilização quantitativa do Banco Central Europeu, sob a forma de compras diretas de títulos soberanos.

"O pagamento da dívida é agora o maior item de despesa, no montante de 20% ou 25% do orçamento do Estado grego", disse o economista Gabriel Colletis. Um ex- assessor do Plano francês entre 1994 e 2000, um grande conhecedor da economia grega, foi consultado pela SYRIZA para estabelecer uma política de desenvolvimento. "Renegociar a parcela da dívida vai recuperar o orçamento que Syriza então pode ser reimplantado para financiar seu plano de reconstrução e além, colocando em prática uma verdadeira política de desenvolvimento. Grécia precisa e os europeus certamente tê-lo resolvido . "Isto é o que coloca fora a maioria dos credores do país, não querendo perder uma parte do empréstimo 240.000.000.000 € para a Grécia desde 2010.

O debate sobre as medidas anunciadas no âmbito dos quatro pilares do plano de reconstrução é menos quente, mas a Comissão Europeia não está pronto para deixar Syriza desvendar todas as reformas. De acordo com a estimativa quantitativa da Syriza, a sua aplicação custaria pouco menos de € 12000000000 e seria financiado até 6 bilhões pela transferência dos fundos europeus e 3000000000 € com as receitas a partir da luta contra a fraude fiscal. "No final, resta-nos apenas 3 bilhões para encontrar , o que não parece intransponível, especialmente se podemos negociar um gel pagamento de juros em 2015 ", diz o economista George Stathakis, um dos arquitetos do projeto econômico. Os conservadores da Nova Democracia acreditar, eles, que este plano custaria mais do que o dobro do valor anunciado pelo Syriza.

De volta ao salário mínimo para 751 €

Primeiro pilar: para enfrentar a crise humanitária. Custo total de cerca de 1,8 bilhões de euros. Aqui estão concentrados medidas sociais, tais como subsídios para as famílias pobres alimentar (€ 756.000.000), auxílio à assistência médica e farmacêutica aposentado ou livre para os desempregados sem seguro (€ 350.000.000). Segundo pilar: o relançamento do crescimento económico, totalizando 6,5 bilhões de euros, nomeadamente com a supressão dos impostos sobre a propriedade para os proprietários e para elevar o limite anual de rendimentos tributáveis ​​para os indivíduos, reduzida para 5 000 e que Syriza propõe a criação de 12 000 (custo estimado: € 1500000000). Um novo banco de investimento seria criado, com uma contribuição de € 1 bilhão.
"O pagamento da dívida é agora o maior item de despesa, no montante de 20% ou 25% do orçamento do estado grego ", diz o economista Gabriel Colletis
Terceiro pilar: o trabalho com a restauração do salário mínimo para 751 € por mês, o cancelamento de reformas durante quatro anos no direito do trabalho e, em particular, sobre a questão das convenções colectivas, a criação de 300 000 postos de trabalho o privado eo público (custo ao longo de dois anos: 5000000000) "A medida controversa, porque não é sobre a Grécia para aumentar o serviço público, mas se profissionalizar", diz Gabriel Colletis .. Quarto pilar: a transformação do sistema político, a fim de fortalecer a democracia.

"Além deste programa, Syriza não pode prescindir de uma verdadeira reflexão sobre o desenvolvimento a longo prazo da economia grega é executado", disse Colletis, lembrando que o principal problema da Grécia é o déficit na balança comercial ", a Grécia importa quatro vezes mais do que exporta. A espiral da dívida só vai parar quando essa proporção será reduzida e uma unidade de produção será criado. »

sábado, 24 de janeiro de 2015

O pior corrupto é o de "esquerda"

Faz suas trapaças e acusa quem quiser investigá-las de "conspiração de direita"

Artigo escrito e publicado originalmente em 31 de maio de 2009

Maximilien François Marie Isidore de Robespierre, líder da Revolução Francesa, ao ser levado para a guilhotina, em 1794, aos 36 anos de idade:

“Nasci para combater o crime, não para governá-lo. Ainda não chegou o tempo em que os homens honestos podem servir impunemente à pátria; os defensores da liberdade serão proscritos enquanto dominar a horda dos bandidos”.
Sempre soube que o poder, seja ele qual for, tem encantos que o próprio encanto desconhece. Mas também por muitos anos acreditei que ideologia e safadezas eram antônimas. Acertei na primeira e equivoquei-me redondamente na segunda. O poder exerce tal fascínio que engendra seus próprios valores.
Ou simplesmente os dispensa, num passe de mágica. E quanto maior a distância percorrida, mais vulnerável é aquele que se torna senhor dos anéis. O que se vê hoje no Brasil é a ausência de todo e qualquer recato.

A corrupção grassa como elemento difuso de efeitos multiplicadores. O assalto ao alheio não conhece limites, nem se tangencia em determinados espaços e momentos. Não é exclusivo da vida pública, até porque decorre de negociatas com interesses privados. Reina a bel prazer, na imensidão desse país continental, como fatalidade corriqueira.

Dir-se-ia sem pestanejar que seu caráter amplo, geral e irrestrito a todos seduz. Tal é seu magnetismo que, a rigor, não encontra óbices: não se é contra a corrupção, mas, sim, contra a corrupção dos outros.

Sedução inebriante


Andei concluindo com a maior amargura: entre os tipos de corruptos, há os que desfilam de crachás, os que permanecem nos armários (e ainda não deram bandeira) e os que esperam ansiosamente que a fila ande. As práticas inerentes à corrupção movimentam muito mais dinheiro nos subterrâneos de que toda a atividade econômica visível a olho nu.

Não há elementos de cálculo, mas é possível dimensioná-la como acachapante e avassaladora. Porque ela se origina em toda e qualquer movimentação que envolva dinheiro. Sua manifestação mais exuberante é a propina, irmã siamesa do superfaturamento. A corrupção é como jogo do bicho: todo mundo sabe que é ilegal, mas todo mundo vê, não diz nada e, se der, ainda faz uma fezinha.

Ainda na minha adolescência, quando, meus olhos alcançaram o horizonte perdido, tive a atenção voltada para esse delito, praticado em larga escala na administração pública.

Tinha 11 anos de idade quando Armando Falcão, candidato a governador do Ceará, em 1954, fez do slogan “contra o roubo e a corrupção” a bandeira de sua campanha. Aquela “proposta de governo” chamou minha atenção até porque, ao fim, ele acabou derrotado numa eleição muito apertada.

Desde então vim aprendendo muitas lições. Nessa, a de que nem sempre os que acusam os outros como corruptos têm autoridade moral para tal. E muitas vezes pode ocorrer até de papagaio comer o milho e o periquito levar a fama. Mas em todas as circunstâncias considerava que a ideologia da transformação social incluía entre seus pertences o combate implacável ao vício de meter a mão no dinheiro alheio.

Revolucionários contra a corrupção

Quando, aos 17 anos, fui a Cuba pela primeira vez, em 1960, uma das novidades que mais me impressionou foi a existência do Ministério de Recuperação dos Bens Malversados pela ditadura. Confiado ao comandante Faustino Perez Hernández, um dos 12 primeiros guerrilheiros que subiram a Sierra Maestra, esse inusitado ministério funcionava na esquina das ruas 21 e D, no Vedado, não muito longe do Hotel Havana Livre, onde participei do I Congresso Latino-americano de Juventudes.

Desde sua primeira operação, no primeiro mês do regime revolucionário, quando descobriu 6 milhões de dólares escondidos pelo ditador Fulgêncio Batista num cofre do Bank Trust Company de Cuba, o austero ministério se tornou o terror dos corruptos e seu titular foi apontado por Fidel Castro como o símbolo do revolucionário, por sua exemplar honestidade e transparência.

Naqueles idos, pelo que me constava, ser contra a roubalheira era ingrediente indispensável na ideologia de esquerda. Tinha certeza dessa premissa até pela obsessão de Maximilien Robespierre, o líder da Revolução Francesa, cognominado“o incorruptível”.

Por aqui, porém, a conversa é outra. Já quando estive em cargos importantes na Prefeitura do Rio de Janeiro, comecei a perceber que a banda não tocava como eu imaginava, apesar da promessa de Brizola de lavar a sujeira com água e sabão.

Quando, em 1984, como coordenador das regiões administrativas da Zona Norte, prendi em flagrante um fiscal corrupto que extorquia um pequeno empresário na Penha, senti os primeiros olhares de censura aos meus “excessos”. Depois, prendi uma equipe da Secretaria de Obras que, mediante propina, desviava asfalto de uma “rua reconhecida” para uma favela da área.

Foi um Deus nos acuda. Tive que recuar, porque ia sobrar exclusivamente para os operários. Levado ao primeiro escalão, como secretário de Desenvolvimento Social, apreendi e acautelei numa delegacia manilhas comuns, entregues enganosamente como “armadas”. Declarei a firma fornecedora inidônea e, como ela era apenas uma das várias pertencentes ao mesmo empresário, de nada adiantou.

Determinei sindicância para apurar uma mutreta com 500 metros de areia, que nunca chegaram ao depósito da Secretaria. Mas o engenheiro que assinou o recebimento era bem articulado dentro do PDT: o processo sumiu e isso me causou muita dor de cabeça. O mesmo aconteceu quando demiti o encarregado do depósito de Campo Grande, pilhado em delito semelhante, com carregamento de pedras.

Poderia contar outras dificuldades que enfrentei para reforçar com todas as letras a convicção de que a corrupção, a roubalheira e os desvios de conduta moral são tão lesivos ao país e ao povo como as políticas econômicas perversas, o entreguismo e a selvagem exploração do homem pelo homem.

A cara de pau do corrupto de esquerda

Poderia, mas hoje só queria dizer uma coisa, doa a quem doer: o pior corrupto é o que se jacta de esquerda. É essa súcia desonesta que morre de medo de uma investigação e, para proteger-se, chega ao cúmulo de convencer os mais ingênuos de que a apuração de maracutáias em empresas públicas, como a Petrobras, é apenas uma manobra privatizante.

O corrupto de “esquerda” é cínico e arrogante. Pela facilidade de meter a mão no dinheiro público sob proteção do manto escarlate e pelo deslumbramento com os podres poderes, é capaz de delitos muitos mais danosos porque, ao contrário dos corruptos tradicionais, age em bandos, interagindo em verdadeiras teias em que faz o meio de campo com lideranças corporativas, doma a mídia e banha de um invólucro “social” e até “patriótico” suas pernadas no erário.

Esse corrupto, diferente do tradicional, serve à sua patota, mas cria expectativas para que terceiros se beneficiem no futuro de outros butins. Tem um discurso bem articulado e sabe como imobilizar, pela cooptação, com algumas prebendas e favorecimentos a granel, aqueles que poderiam atrapalhar seus passos. Esse corrupto, por coincidência, é aquele que, estando do outro lado do balcão, amanhecia o dia pensando em quem ia apresentar como ladrão à distinta plateia.

É o corrupto que faz as mesmas armações, crente de que ganhará o a anuência da opinião pública, devidamente convencida de que pior do que sua turma é a “direita privatizante”. Esse corrupto de “esquerda” é um típico cara de pau, que se socorre de parceiros manjados, tipos Collor, Sarney, Romero Jucá e Renan Calheiros, como se a cocaína farta no país tivesse explodido nossa memória.

Tão cara de pau que está entregando o pré-sal a trustes estrangeiros através dos leilões das jazidas, perdoou dívidas de empresas privatizadas, como as da norte-americana AES (da Eletropaulo) está trabalhando a privatização dos aeroportos, numa jogada da pesada, e fala mal da privataria passada, sem nada ter feito para desfazê-la, sabe Deus porque.

sábado, 17 de janeiro de 2015

Os canastrões de Paris

Massacres precisam de uma explicação mais razoável: por enquanto parecem mais uma farsa mal encenada

"Charlie é um jornal semanal que, antes de toda a redação ser exterminada à bala, estava já em agonia, morrendo por falta de leitores. Já era o resíduo, o resto, de uma época do espírito já há muito tempo ultrapassada".


Escolheram tão mal os vilões, as vítimas e os encenadores que tudo deu certo, pelo menos nos primeiros dias. Franceses de todos os matizes entraram na dança sem perguntas ou dúvidas. O Ministério do Interior garante que nunca, jamais, em tempo algum as ruas de suas grandes cidades estiveram tão apinhadas para expressar uma rotunda condenação aos 3 rapazotes que os deixaram trêmulos naquele insólito 7 de janeiro. E como diante de uma hecatombe atômica tratavam de exorcizar seus fantasmas repetindo ainda nervosos:  "not afraid" (não temos medo).

Mas, segundo reportagem no diário Le Figaro, os franceses nunca compraram tantos ansiolíticos como nos dias seguintes à tragédia: citando especialistas, o jornal destacou que “a angústia e a sensação de medo é real, uma reação inevitável”. Enquanto no país o consumo de tranquilizantes aumentou em 18,2%, em Vincennes, distrito onde ocorreu a tomada de reféns em um supermercado judaico, e em diversos bairros de Paris, o aumento foi muito maior, segundo Helene Romano, doutora em psicopatologia. A elevação do consumo superou 30%.

Qualquer um tinha direito à própria oração, mas o mote que prevaleceu nas passeatas de domingo, 11,  foi o da manipulável liberdade de expressão, sintetizado no slogan que correu o mundo: Je suis Charles, em alusão ao semanário que, dizendo-se um "journal irresponsable" , teria levado islamitas ao desatino com seus insultos sistemáticos ao profeta Maomé.

Como Mel Brooks mostrou em seu filme "Primavera para Hitler", quando tudo dá errado, tudo dá certo. Não precisava nem que os 3 rapazes se comportassem como autênticos "jihadistas", papel que não foi ensaiado.  Um deles,  Amedy Coulibaly, era delinquente desde a adolescência. E, como Cherif Kouachi, outro da mesma ficha corrida, teve seu primeiro contato com um islamita engajado na prisão de Fleury-Merogis (Essonne). Djamel Beghal, que cumpria pena sob a acusação de planejar atentado contra a embaixada norte-americana, passou a ser sua referência religiosa.

No entanto, Hayat Boumeddienne, sua esposa, nunca acreditou na sua conversão. "Amedy não é realmente muito religioso. Ele gosta de se divertir, tudo isso. Não gosta de se vestir como muçulmano (...) Normalmente, é uma obrigação para os homens a ir à mesquita na sexta-feira. Amedy, eu diria que, basicamente, vai à Mesquita a cada três semanas ... "

Diferente dos parceiros, Amedy fez questão de dizer em vídeo que era financiado pelo "Estado Islâmico", uma dissidência do Al Qaeda de atuação local, embora também  procurasse vincular sua ação no supermercado judaico  aos irmãos que se declaram financiados pela facção iemenita do Al Qaeda, a AQPA, que no mesmo dia 7 de janeiro provocou mais de 30 mortes numa explosão de um carro bomba em frente à Academia de Polícia de Sanaa, a capital do Iêmen. Essas vítimas não foram lembradas em nenhum momento das manifestações, talvez por que não passavam de árabes de um país pobre e não viviam no centro da civilização ocidental e cristã.
Identidade deixada no carro. Não tem explicação.

Nada mais despropositado do que o "descuido" fatal de uma carteira de identidade deixada no carro usado na fuga. Nem tão estranho que um tiro a queima roupa de fuzil AK-47  não tivesse estourado os miolos de um policial francês (por coincidência, muçulmano). Nem mesmo que um veículo da polícia houvesse dado marcha à ré para facilitar a fuga dos assassinos (Veja os vídeos).



Foi tudo muito inusitado, ridículo bastante para fazer La Marseillaise  soar outra vez em tal uníssono que nem na derrota dos nazistas aconteceu, como jura de pés juntos messiê Bernard Cazeneuve, o exibido ministro do Interior da França.

Todos, de todos os credos e matizes, incorporaram a repulsa no luto pelas 17 vítimas francesas dos 3 rapazotes,também franceses. Eram variadas as motivações – tudo cabia no cenário em que chefes de Estado de quase 50 países desfilaram na primeira fila, em defesa da "liberdade de expressão", a mais cínica consagração à hipocrisia da maioria deles.
Isso no contexto de uma farsa ousada que muitos engoliram: aquelas ações criminosas usavam a religião islâmica apenas como bucha de canhão, embora, pela lógica, isso fosse possível – são 1 milhão e 600 milhões de muçulmanos no mundo, dos quais 6 milhões só na França e "blasfêmias" desse tipo passaram dos limites, como ponderou o Papa Francisco.
Até mesmo quem nunca morreu de amores pelo semanário "irresponsable" ecoou o slogan da ocasião: "Je suis Charlie".  E cada um tentou dizer o por que fora ali: muitos estavam assustados, temendo mais um capítulo escabroso de uma novela que se arrasta no círculo da intolerância e que teve como emblema mais ostensivo a proibição das muçulmanas usarem a burca, adereço de seu figurino milenar. Preocupação pertinente, haja visto a edição seguinte do Charlie, que voltou a carregar nas tintas da provocação e vendeu mais do que nas 60 edições anteriores somadas. E a pressa com que o premier Benjamin Netanyahu levou para Israel os corpos dos judeus mortos no supermercado, independente deles nunca terem vivido lá.

Os 200 mil mortos na Síria nunca tocaram os corações do Ocidente

Tal foi o rolo compressor que a mídia ocidental empanzinou-se nos lamentos seletivos. A ninguém ocorreu lembrar os outros milhares de mortos da mesma intolerância, segundo a pétrea escala de valores dos dominadores, tipo nossas vidas valem ouro, a dos outros nem um tostão furado.

Não mesmo. Quatro semanas antes do massacre de Paris, a ONG Observatório Sírio dos Direitos Humanos havia divulgadoque
pelo menos 202.354 pessoas morreram e mais de um milhão e meio ficaram feridas desde que começou a contabilizar as vítimas na Síria, em 18 de março de 2011, até 1º de dezembro passado, no curso dos conflitos patrocinados e  financiados por esse mesmo Ocidente que tem no presidente "socialista" François Hollande um dos seus esteios.
Entre as vítimas dessa tentativa de derrubar o governo laico e legítimo da Síria com o uso de mercenários e desempregados das redondezas e muito dinheiro e armas de países ocidentais,  mais de 63 mil eram civis, incluindo 10 mil crianças e 6 mil mulheres. Antes, agindo diretamente com sua aviação e empregando 110 mísseis "Tomawahawak" disparados de porta-aviões (cada míssel custa 1 milhão e meio de dólares), Estados Unidos, França e Inglaterra dizimaram a Líbia e inviabilizaram suas instituições, hoje saqueadas por milícias e gangues.

Como um dos objetivos do decadente estado francês é infernizar as vidas de 6 milhões de muçulmanos (10% da população), mantendo-os na periferia como mão de obra escrava, a motivação religiosa serve às aparências. Não querem investigar mais a fundo os vínculos dos rapazotes com o Al Qaeda e sua dissidência, o Estado Islâmico, financiados pela aliança ocidental e treinados em campos da Turquia e Arábia Saudita, seus aliados incondicionais.

Isto por que, para que não ocorresse uma "delação premiada", os três foram sumariamente fuzilados, mesmo quando era possível capturá-los vivos, como no caso dos dois irmãos cercados na gráfica isolada.


Não querem sequer investigar a sério outras hipóteses sobre os atentados do dia 7 de janeiro, que podem ter sido de encomenda como mostram evidências: essa dos terroristas esquecerem a identidade no carro usado, embora paramentados até os dentes para não serem reconhecidos, não dá para engolir a seco.  E mais: disseram que eram 3 os que agiram no jornal e só acharam dois; disseram que havia um casal no supermercado judaico e só encontraram o varão.  

Há hoje vários vídeos na internet que comprometem as versões oficiais: num deles, um carro de polícia que havia encurralado os assassinos recua e dá passagem, depois que eles abrem fogo, mas não ferem nenhum policial. Outro torna insustentável a versão de que eles teriam disparado contra a cabeça de um policial: uma bala de AK-47 teria simplesmente estourado os miolos da vítima. Pessoas que filmaram a fuga se perguntavam se eles disparavam com balas de verdade.

Isso tudo mostra que houve uma operação do tipo falsa bandeira (False Flag) ação conduzida por governo, corporação ou organização que simula agressões do inimigo para tirar proveito das consequências resultantes.

Duas matérias postadas na internet indicam com consistência interesses que se aproveitarão dos massacres praticados por esses "muçulmanos" de araque. Uma, na página da Pátria Latina, é uma boa pista:

"Por que agora o Iêmen? O que agora o mundo (ou os EUA) querem com esse país pobre fronteiriço da Arábia Saudita? Leia esse trecho do documento “A Agenda Secreta do Iêmen: por trás dos cenários da Al-Qaeda, o gargalo estratégico do petróleo” de 2010 do Centre of Research on Globalization (CRG):

    “A importância estratégica da região entre o Iêmen e a Somália torna o ponto de interesse geopolítico. Lá está o estreito de  Bab el-Mandeb, um dos sete pontos que os EUA consideram gargalos para o transporte de petróleo – um gargalo entre o cabo da África e Oriente Médio, e uma ligação estratégica entre o Mar do Mediterrâneo e o Oceano Índico”.

O impactante atentado de uma suposta ramificação da Al-Qaeda no Iêmen seria um pretexto perfeito para a militarização da águas em torno de Bab el-Mandeb pelos EUA ou OTAN. Os EUA buscam o controle desses gargalos críticos no mundo. Essa região seria estratégica em um futuro próximo pela possibilidade de controle do petróleo para a China, União Europeia ou qualquer região que se oponha à política norte-americana".

Outra, reproduzida em vários sites, desenvolve uma instigante teoria da conspiração: os atentados teriam sido patrocinados pelo Mossad, o serviço secreto de Israel. Os relatos de detalhes deixam qualquer um com a pulga atrás da orelha.

O que eu tenho certeza, neste instante, é de que aqueles 3 rapazotes foram jogados na fogueira, mediante uma boa grana, por outras razões que não a indignação diante dos insultos a Maomé. Se fosse assim, o modus faciendi seria outro. 

sábado, 10 de janeiro de 2015

"Rehumanizar" a natureza humana

Restabelecer nossos elos, eis um sonho possível
Nos tempos idos, a vizinhança era a própria família. A grande cidade com sua  engenharia de espaços foi desfigurando essa relação e afastando uns dos outros. O que era aconchego foi resvalando para o seu contrário. Isso não vai acabar bem.
Tentar resgatar a ideia de que o vizinho é o seu amigo mais próximo pode ser uma grande contribuição deste blog.

Daí a reflexão que se segue. Clique na imagem e conheça nossa preocupação sobre a nossa natureza humana. Tudo para que cada um  liberte o ser humano que ainda há em nós.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Isso é deprimente: máfia das próteses corrompe centenas de médicos

Saiu no FANTÁSTICO

Médicos chegam a faturar R$ 100 mil por mês em esquema que desvia dinheiro do SUS e encarece planos de saúde.


Já imaginou médicos que mandam fazer cirurgias de próteses sem necessidade, só para ganhar comissão sobre o preço desses implantes? Ou então gastar muito mais material do que o necessário, também para faturar um dinheiro por fora? Esses golpes milionários, dados pela máfia das próteses, são o tema da reportagem de Giovanni Grizotti.

O Fantástico revelou um retrato escandaloso do que acontece dentro de alguns consultórios e hospitais do Brasil. O Fantástico investigou, durante três meses, um esquema que transforma a saúde do país em um balcão de negócios.

O repórter Giovani Grizotti viajou por cinco estados e se passou por médico para flagrar as negociatas. Empresas que vendem próteses oferecem dinheiro para que médicos usem os seus produtos.

Mercado de próteses movimenta anualmente R$ 12 bilhões no Brasil

“Normalmente o que eles utilizavam era aquela que vendia o material mais caro e que pagava a comissão maior”, conta uma testemunha.

Até cirurgias desnecessárias eram feitas, só para ganhar mais.

“Sacolas de dinheiro não surgem do nada e não são dadas à toa”, diz A testemunha.

O esquema usa documentos falsos para enganar a Justiça. Uma indústria de liminares que explora o sofrimento de pacientes, desvia o dinheiro do SUS e encarece os planos de saúde.

“Esse mercado de prótese no Brasil, ele hoje tem uma organização mafiosa. É uma cadeia, onde você tem o distribuidor, você tem o fabricante que se omite e você tem na outra ponta o médico ou o agente que vai implantar a prótese”, conta Pedro Ramos, diretor da associação dos planos de saúde.

O mercado de próteses movimenta anualmente R$ 12 bilhões no Brasil. Elas têm várias finalidades, desde simples parafusos para corrigir fraturas até peças complexas que substituem partes inteiras do corpo. As operações são caras.

“Ortopedia, neuro e cardiologia são os mais lucrativos”, revela uma testemunha.

Esta testemunha que falou ao Fantástico conhece bem os bastidores das negociatas. Durante dez anos, ela trabalhou para quatro distribuidores no Rio Grande do Sul. Ela explica como são calculadas as comissões dos médicos.

“É feito um levantamento mensal em nome do médico. Quantas cirurgias foram feitas o uso do material tal , ‘x’. E ali a gente faz o levantamento. Em cima disso a gente tira o percentual dele”, conta a testemunha.

CLIQUE AQUI e leia matéria completa do G1

Quem diria: Cesar Maia faz as contas e mostra que Mercadante mentiu sobre gastos com pensionistas


Veja o que ele escreveu em seu blog:

"MINISTRO CHEFE DA CASA CIVIL MENTIU SOBRE PENSÕES AO COMPARAR COM OUTROS PAÍSES! MAIS DO QUE NUNCA SE APLICA, LITERALMENTE, A EXPRESSÃO: QUEM VAI PAGAR É A VIÚVA!

1. O ministro Chefe da Casa Civil –Aloisio Mercadante-, ao apresentar as mudanças que o governo vai realizar no seguro desemprego e nas Pensões, projetou quadros para justificar as decisões. Entre estes, mostrou que o gasto previdenciário com Pensões vinha crescendo muito nos últimos anos.

2. A tabela em gráfico de barras mostra o crescimento ano a ano. Por ser em valores nominais, isso acentua o crescimento das Pensões pelo efeito inflacionário. Mas –digamos- há um erro muito mais grave, numa simples conta de divisão.

3. Segundo a tabela apresentada pelo Ministro, em 2013 a Previdência Social teve uma Despesa Bruta com Pensões, de 86,5 bilhões de reais. A Despesa Líquida é o que Pensionistas recebem: a diferença são receitas do governo. Mas deixemos isso de lado. O número de pensionistas alcança 7,2 milhões. Com isso, a Pensão Bruta Média é de menos que 1,2 salários mínimos.

4. O ministro denunciou uma “fraude”, que são casamentos fictícios entre pessoas muito idosas e muito jovens. Com isso, justificou as mudanças de critérios de idade. Mas não informou quanto essas “fraudes” representam hoje das despesas totais. Elas são recentes ou sempre se usou este recurso?

5. No quadro seguinte são apresentados os valores de Despesas com Pensões em vários Países e no Brasil. Pela tabela, o Brasil seria o líder, com 3,2% do PIB, na frente dos demais países, como Bélgica 2,8%, Itália 2,6%, Portugal 1,6%, França 1,5%, que vêm a seguir.

6. O PIB do Brasil em 2013 alcançou 4 trilhões e 840 bilhões de reais. Sendo assim, as despesas com Pensões em relação ao PIB seriam 86,5 / 4,84 trilhões ou 1,78% do PIB. Portanto, mentiu o ministro. Mas se usarmos o PIB pelo Poder de Compra –PPC-, que o governo gosta tanto de usar para comparar a situação dos brasileiros com a população de outros países, teríamos: Pensões R$ 86,5 bilhões. PIB PPC R$ 6 trilhões e 630 bilhões. Nesse caso, as despesas com Pensões sobre o PIB alcançariam 1,3% do PIB.

7. Conheça os dois quadros/gráficos apresentados pelo ministro.

8. Números como esses não justificam uma redução das Pensões futuras em 50%. Se há abusos, que sejam cortados. Mas abuso maior é esse corte de 50% nas Pensões futuras. O argumento do ministro é macabro: essa medida só atinge as futuras Pensões. Mas as futuras pensões em relação à expectativa de vida dessas pessoas mostram que, em poucos anos, alcançarão quase todas as pensões. Seria bom o ministro informar a taxa de mortalidade das Pensionistas.

9. Essa medida acompanha as receitas adotadas pela União Europeia/BCE/FMI para os países sob tutela, como Portugal e Grécia, e sugerida aos demais. Lá foram consideradas medidas drásticas. Mas mesmo assim, são extremamente suaves em relação ao que o Brasil está adotando. Até Portugal, que no pós-2008 virou um protetorado do FMI, adotou medidas mais suaves em relação às Pensões.

10. (CES-Maio de 2014) O conjunto das medidas introduzidas desde o Memorando de Entendimento inicial e previstas no Documento de Estratégia Orçamental (DEO) está a afeta até mesmo as pensões mais baixas. Caso se considere o rendimento líquido dos pensionistas:

a) Uma pensão bruta de 500 euros passa a valer em 2015, em termos líquidos, quase menos 3% do que valia em 2011. Entre 2011 e 2015 o pensionista perde quase 700 euros. / b) Uma pensão bruta de 1000 euros, passa a valer menos 6,4% em 2015. Entre 2011 e 2015 o pensionista perde um pouco mais de 4000 euros. / c) Uma pensão bruta de 1250 euros perde em 2015, mesmo com a nova Contribuição de Sustentabilidade, cerca de 7,8% do seu valor em termos líquidos e em quatro anos mais de 5500 euros. / d) Um pensionista com uma pensão bruta de 2000 euros perde 8,9% do seu rendimento líquido, cerca de 8000 euros ao longo do período".

sábado, 3 de janeiro de 2015

Toda viuvez será castigada

Governo que rasga contrato previdenciário para cortar pensões não questiona o ócio oneroso dos bandidos


Isso vai acontecer com frequência tão logo entre em vigor a Medida Provisória com a qual a companheira Dilma Rousseff vai ferrar futuros pensionistas, esquecendo os ralos que favorecem aos poderosos e aos corruptos, com uma baita gordura nas despesas do serviço público:

O engenheiro de 35 anos parou no engarrafamento da Avenida das Américas, na Barra da Tijuca, acompanhado da mulher grávida, de 29 anos. Dois bandidos encostaram a moto, um apontou a arma e pediu todos os objetos de valor.  A um movimento da vítima, o assaltante assustou-se e atirou. Morte instantânea.

Três dias depois, os assassinos são presos, confessam, têm a prisão preventiva decretada e entram no depósito dos mais de 500 mil presidiários sustentados pelo contribuinte. A partir de então, sobrepostos uns sobre os outros, terão casa, comida e roupa lavada sem produzir nada na cadeia, embora custe mensalmente em torno de R$ 3 mil e 300 ao Estado. Ou um total de R$ 19 bilhões e 800 milhões por ano só pela carceragem.

A viúva não terá a mesma sorte. Pela Medida Provisória urdida pelo "ex-Bradesco" Joaquim Levy, novo tzar da economia e endossada pela nossa presidenta acossada, ela não terá direito à pensão, independente do tempo de contribuição do falecido. Terá de se virar por que os 22% descontados para a Previdência (do patrão e empregado, incluindo aí o nababesco Sistema "S") serão usados para pagar os crônicos superfaturamentos e a roubalheira que fazem fortunas de gerações de predadores dos recursos públicos.

O criminoso, ao contrário, ainda terá como compensação a possibilidade de requerer o auxílio-reclusão, desde que tenha contribuído para o INSS até um ano antes do latrocínio.

Para ser mais claro: a viúva não terá direito a nada por ser menor de 35 anos: se tivesse mais também ficaria no prejuízo, pois sua pensão será cortada ao meio, conforme a primeira grande novidade do segundo mandato da candidata das forças populares, do campo progressista, etc. etc. etc. Já o assassino terá seus "direitos" intactos e garantidos por cima de pau e pedra.

A presidenta Dilma Rousseff comparecerá a eventos solenes cercada por bajuladores e sanguessugas e vai reiterar que o seu "ajuste fiscal" pra lá de "neoliberal" está causando o mínimo de sacrifício aos trabalhadores, de cuja espinha se serviu para vencer, com o discurso de que suas conquistas não seriam afetadas nem que a vaca tossisse. E ainda será aplaudida de pé por uma militância cada vez mais acrítica e fisiológica, e por uma turba perdida no turbilhão da informação manipulada.

À semelhança do receituário conservador do adversário derrotado, a presidenta vitoriosa terá sacramentado o surrupio de conquistas sociais elementares, esculhambando de vez com a doutrina da segurança jurídica e dos direitos adquiridos.

Isto por que o contrato firmado com o desconto compulsório será letra morta e desmoralizará o próprio cálculo contábil pelo qual o nosso regime previdenciário é lastreado - a solidariedade entre gerações  e num caixa único (não individualizado, como na previdência privada e em outros países).

Trocando em miúdos, a aritmética vai pras cucuias. Também dançaram os pressupostos de que eu contribuo hoje para ter retorno amanhã (quando precisar) na forma e nos prazos dos benefícios contratados e matematicamente cobertos em qualquer circunstância. Benefícios que incluem as pensões, sustentadas conforme cálculos atuariais.

Para tentar justificar a subtração dos direitos dos futuros pensionistas apresentarão algumas distorções isoladas, bem como o crime da maior expectativa de vida, que fundamentou a tunga do "fator previdenciário" criado por FHC.  Mas certamente os que endossarão o golpe praticado pelo governo em que votamos seriam os primeiros a montar barricadas se a iniciativa tivesse a assinatura do adversário.

Nesse ambiente de arbitrariedades não se poderá mais falar em isonomia. Nem em expectativa de direito. Nem em contrato fundado em ato jurídico perfeito. Nem em legislação de proteção social. Nem em cláusulas pétreas.  Tudo será diluído na hermenêutica da conveniência.  

Assim, a companheira Dilma copiará o adversário apontado como protagonista do retrocesso, mas continuará exibindo aquela foto de "coração valente" e porta-bandeira das cores púrpuras dos combatentes intrépidos.

E não vai aparecer uma viva alma para lembrar que o buraco é mais em cima.  Todo mundo sabe dos empréstimos não pagos pelos poderosos latifundiários, da sonegação continuada,  das renúncias fiscais abundantes, dos refinanciamentos políticos de dívidas, da excessiva leniência dos bancos estatais com seus devedores chiques. Sabe que o enxugamento das despesas públicas de verdade teria que pegar os tubarões e não só as sardinhas, mas isso ninguém fala por que é impossível erradicar sujeiras quando o poder público é loteado – isso na União, nos Estados e nos municípios.

De onde o expediente perverso de refazer unilateralmente os contratos previdenciários, como vem acontecendo desde FHC, atingindo preferencialmente quem não tem como espernear e chutar o pau da barraca.

Quem sou eu

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Jornalista desde 1961, quando foi ser repórter da ÚLTIMA HORA, PEDRO PORFÍRIO acumulou experiências em todos os segmentos da comunicação. Trabalhou também nos jornais O DIA e CORREIO DA MANHÃ, TRIBUNA DA IMPRENSA, da qual foi seu chefe de Redação, nas revistas MANCHETE, FATOS & FOTOS, dirigiu a Central Bloch de Fotonovelas. Chefiou a Reportagem da Tv Tupi, foi redator da Radio Tupi teve programa diário na RÁDIO CARIOCA. Em propaganda, trabalhou nas agências Alton, Focus e foi gerente da Canto e Mello. Foi assessor de relações públicas da ACESITA e assessor de imprensa de várias companhias teatrais. Teatrólogo, escreveu e encenou 8 peças, no período de 1973 a 1982, tendo ganho o maior prêmio da crítica com sua comédia O BOM BURGUÊS. Escreveu e publicou 7 livros, entre os quais O PODER DA RUA, O ASSASSINO DAS SEXTAS-FEIRAS e CONFISSÕES DE UM INCONFORMISTA. Foi coordenador das regiões administrativas da Zona Norte, presidente do Conselho de Contribuintes e, por duas vezes, Secretário Municipal de Desenvolvimento Social. Exerceu também mandatos em 4 legislaturas na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, sendo autor de leis de grande repercussão social.