quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

Um lado a escolher

O frontispício da sedição terá a  cara de Eduardo Cunha. Ninguém personalizará mais fielmente a conspirata do que essa figura do mal. 


De que lado você vai ficar?

De um salafrário envolvido em falcatruas até o último fio do cabelo ou de uma mulher indiscutivelmente HONESTA, reeleita em acirrada disputa e legitimada pelo voto popular?

Claro, o meliante em questão não é o pai da criança. Reassumiu-se como protagonista depois de tentar negociar com a corte sua própria impunidade em troca de um "chega pra lá" no golpe urdido desde o veredicto das urnas. Se tivesse a suicida leniência da casa, outra seria sua decisão, que só serve, de fato, para ajudar a minar a governabilidade já solapada ao longo deste 2015 fraturado.  

Com sua última munição, espera levar a oposição a deixar o dito pelo não dito em relação a seus crimes e a ajudar a tirar a corda do seu pescoço.

Isso é muito deprimente.  Bons modos sugeriam que caísse do cavalo ao ser pego com a mão na massa. Desde os seus primeiros delitos, ainda na infância do poder, sabiam muitos de que era capaz de tudo por um punhado de dólares. Hoje, qualquer um conhece sua ficha suja, e a cada dia surge mais uma milionária delinquência. Mesmo num país sem tanto recato, ele teria sido afastado da cadeira de onde barra sem constrangimento a sua lógica punição por indefensáveis trapaças.

Como a maioria dos seus pares tem rabo preso, lá está no comando de todo tipo de negociatas. Como essa que se esconde sob sua decisão prejudicial muito mais a um país que precisa de oxigênio. Decisão que por linhas retas dificilmente levará ao desejo mórbido dos derrotados, mas que põe lenha na fogueira e enfraquece quem tem o desafio de resgatar os melhores dias do ontem, de que precisamos todos.  

Pode ser, sim, que o delinquente empavonado tenha batido o martelo após reaproximar-se do compadrio dantes.  Pelas primeiras declarações, vê-se que injetou ânimo na tropa golpista. Daqui para frente, com o processo do impeachment na pauta, vai ser mamão com açúcar para os amargos ruídos da revanche.

Mas o frontispício da sedição terá a sua cara. Ninguém personalizará mais fielmente a conspirata do que essa figura do mal. Desdobramentos que ocorram entrelaçarão jogos espúrios, que culminarão inevitavelmente, se vitoriosos, com o mais trágico retrocesso – aqueles idos de chumbo grosso trarão de volta o regime da perseguição insensata e da caça às bruxas.

Não será uma movimentação específica do Brasil. Há esforços concentrados também na vizinhança pelos mesmos motivos e pretextos.

O silêncio de nossa parte poderá ser fatal. E nos custará vidas e esperanças.

2 comentários:

Quem sou eu

Minha foto
Jornalista desde 1961, quando foi ser repórter da ÚLTIMA HORA, PEDRO PORFÍRIO acumulou experiências em todos os segmentos da comunicação. Trabalhou também nos jornais O DIA e CORREIO DA MANHÃ, TRIBUNA DA IMPRENSA, da qual foi seu chefe de Redação, nas revistas MANCHETE, FATOS & FOTOS, dirigiu a Central Bloch de Fotonovelas. Chefiou a Reportagem da Tv Tupi, foi redator da Radio Tupi teve programa diário na RÁDIO CARIOCA. Em propaganda, trabalhou nas agências Alton, Focus e foi gerente da Canto e Mello. Foi assessor de relações públicas da ACESITA e assessor de imprensa de várias companhias teatrais. Teatrólogo, escreveu e encenou 8 peças, no período de 1973 a 1982, tendo ganho o maior prêmio da crítica com sua comédia O BOM BURGUÊS. Escreveu e publicou 7 livros, entre os quais O PODER DA RUA, O ASSASSINO DAS SEXTAS-FEIRAS e CONFISSÕES DE UM INCONFORMISTA. Foi coordenador das regiões administrativas da Zona Norte, presidente do Conselho de Contribuintes e, por duas vezes, Secretário Municipal de Desenvolvimento Social. Exerceu também mandatos em 4 legislaturas na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, sendo autor de leis de grande repercussão social.