domingo, 20 de dezembro de 2015

O que espero de Dilma, agora

É no reencontro com o povo que a elegeu que está a receita da volta por cima.
  
Não cobro uma guinada para a esquerda do governo Dilma. Não tenho mais ilusões. Se até na China comunista uma burguesia bilionária pinta e borda, sob a égide de um governo do PC, só confio mesmo na coerência dos cubanos, enquanto Fidel, Raul e alguns de sua geração romântica estiverem vivos.
Só desejo que Dilma se livre da direita e dos corruptos. Ela, por quem ponho a mão no fogo quanto à honestidade, não pode se render aos algozes, ao São Mercado de merda e aos chantagistas do Congresso.
Dilma pode recuperar a confiança do povo trabalhador, dos excluídos, dos explorados, dos honestos e até de boa parte da classe média - a que não pegou o vírus fascista eivado de rancores e sentimentos de revanche, no ímpeto de suas ambições individualistas insaciáveis, esse sonho existencial doentio de um dia entrar no restrito círculo da grande burguesia.
As manifestações de rua do dia 16 (mais massivas do que as do golpe, dia 13) sinalizaram que ainda há gente disposta a barrar o golpe reacionário, no qual, como disse a professora Marilena Chauí, "o processo de impeachment é apenas a cereja no bolo de um processo muito mais longo e complicado que vem ocorrendo".
A única coisa que esses guerreiros desejam é que Dilma seja coerente com seu discurso de campanha, que procure enfrentar a crise com sensatez e sem perder de vista a revitalização da economia com a garantia de empregos, salários decentes e esperanças, o que será possível se adotar uma agenda desenvolvimentista, não recessiva como essa do Levy do Bradesco.
O segredo da reanimação está no embate público do conhecimento geral, na rejeição de acordos fisiológicos mal-intencionados, no combate à sonegação e na austeridade administrativa. Eu achava que a "Operação Zelotes" ia recuperar R$ 19 bilhões sonegados pela fina flor da burguesia, mas os delegados e procuradores mudaram o foco só para atingir o governo, que odeiam por atavismo, e ganhar algum espaço na mídia.
É certo que a maioria dos ministros do STF não quis embarcar nas cartas marcadas do colega Fachin, um pusilânime que deve ter cedido a alguma pressão do seu mestre Michel Temer, um canalha que queria pegar as sobras. E vale outra curiosidade: esse ministro Toffoli nunca foi flor que se cheire, que o diga o corajoso delegado Protógenes Queiróz, que foi perseguido até a demissão pelas verdades que disse.
MAS É NO REENCONTRO COM O POVO QUE A ELEGEU QUE ESTÁ A RECEITA DA VOLTA POR CIMA.
Esse STF não teve peito de cassar Eduardo Cunha, apesar das 11 razões relacionadas pelo procurador Janot. Deixou para depois do carnaval e o bandido sem recato continua à frente da Câmara Federal, cagando para a fartura de provas que o apontam como recordista de maracutaias. Até lá, quem sabe, com a ajuda do Gilmar Mendes, ele possa escapar.
Quanto a nós, parceiros virtuais, cabe também uma tarefa essencial: vamos desmascarar os golpistas, que apoiaram a roubalheira do governo FHC, com a privatização-doação da Vale e outras tantas negociatas e que não passam de uns irresponsáveis, dispostos a trazer de volta outra ditadura. E aí vale citar de novo a professora da USP, Marilena Chauí, no ato público dos intelectuais e artistas contra o impeachment, também dia 16:
"NÃO É APENAS ESTA LUTA AQUI E AGORA PARA IMPEDIR O GOLPE. É UMA LUTA NA QUAL NÓS VAMOS EXPLICAR QUE SE O GOLPE VIER, NÃO SÓ OS EXPERIMENTOS DE JUSTIÇA SOCIAL VÃO DESAPARECER. SE O GOLPE VIER, NÓS TEREMOS, POR CONTA DE TODA A DISCUSSÃO EM TORNO DO TERRORISMO INTERNACIONAL, UMA DITADURA QUE NOS FARÁ IMAGINAR QUE A DE 1964 FOI PÃO DOCE COM BOLACHA". (http://outraspalavras.net/…/marilena-chaui-o-impeachment-e…/)
Não há exagero nisso. É tal a insanidade dos golpistas que, como postam nas redes, o seu sonho de consumo é um banho de sangue para vingar as tímidas ameaças do governo aos seus interesses mesquinhos. E aí pão doce com bolacha vai parecer o regime nazista diante dos bolsonaros e cunhas multiplicados.

Um comentário:

  1. Claro que a Dilma tem a oportunidade de recuperar o prestígio político reralizar o que realmnte prometeu ao povo durante a campanha eleitoral. Com o apoio do povo será possível reverter o quadro atual e assim tornar o BRASIL um paíos soberano de fato jogando essa canalha traidora no lixo da História. O apoio do povo é a única força política capaz de derrotar os golpistas traidores do nosso Brasil, Dilma dá o braço ao povo que te elegeu e abandona a corja que te peersegue.

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Quem sou eu

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Jornalista desde 1961, quando foi ser repórter da ÚLTIMA HORA, PEDRO PORFÍRIO acumulou experiências em todos os segmentos da comunicação. Trabalhou também nos jornais O DIA e CORREIO DA MANHÃ, TRIBUNA DA IMPRENSA, da qual foi seu chefe de Redação, nas revistas MANCHETE, FATOS & FOTOS, dirigiu a Central Bloch de Fotonovelas. Chefiou a Reportagem da Tv Tupi, foi redator da Radio Tupi teve programa diário na RÁDIO CARIOCA. Em propaganda, trabalhou nas agências Alton, Focus e foi gerente da Canto e Mello. Foi assessor de relações públicas da ACESITA e assessor de imprensa de várias companhias teatrais. Teatrólogo, escreveu e encenou 8 peças, no período de 1973 a 1982, tendo ganho o maior prêmio da crítica com sua comédia O BOM BURGUÊS. Escreveu e publicou 7 livros, entre os quais O PODER DA RUA, O ASSASSINO DAS SEXTAS-FEIRAS e CONFISSÕES DE UM INCONFORMISTA. Foi coordenador das regiões administrativas da Zona Norte, presidente do Conselho de Contribuintes e, por duas vezes, Secretário Municipal de Desenvolvimento Social. Exerceu também mandatos em 4 legislaturas na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, sendo autor de leis de grande repercussão social.