quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

O colapso da saúde no Estado do Rio

Se quiserem enfrentar essa crise honestamente, sem rabo preso, aconselha-se dar uma esticada até Cuba

Que a corda sempre rebenta no lado mais fraco não há mais pungente lugar comum. Mas esse colapso na saúde do Estado do Rio de Janeiro é a corda no pescoço de quem já não tem onde cair morto. É de dar raiva. Por que emana de um conjunto de impropérios e de uma farsa ignominiosa. 
A causa mais saliente desse caos é essa crise conjuntural cultivada e maximizada pelos que querem ver o circo pegar fogo só para abalar o governo da Dilma. De tanto acossarem, prostraram o país na mais epidêmica disfunção hepática, afetando os organismos produtivos de forma imobilizante. O dinheiro sumiu no breu das incertezas políticas.

A economia se rendeu ao disse-me-disse. Sem que o governo tivesse interferido nesse sentido, estabeleceu-se o primado da inércia. A grande maioria das empresas foi na onda do pessimismo engendrado pelos orquestrados alarmes falsos. O efeito caranguejo incrustou no tecido social.

As arrecadações despencaram. Os cofres públicos minguaram, atingindo principalmente os Estados. No Rio de Janeiro, o efeito foi mais trágico por conta da queda nos preços do petróleo, uma manobra estratégica de estado maior, com a utilização do óleo pirata, que combalia exportadores como Venezuela, Angola e Rússia. E que visa inviabilizar o pré-sal a fim de transferir sua exploração total a preço de banana para os grandes trustes.

Mas no caso da saúde há uma causa mais profunda, de natureza estrutural.  Insiste-se num modelo oneroso, que despreza a medicina preventiva e o médico de família. É no sistemão de custos hipertrofiados que as máfias fazem a festa. Um horror. A safadeza contamina a todos: as verbas para a saúde pública escoam por um ralo de destino certo. Todos metem a mão, todos, sem exceção.

Mas especificamente, o governador Pezão jamais poderia ter nomeado para a Secretaria de Saúde um noviço, como se o jogasse num ninho de cobras. A saúde sempre foi o mamão com açúcar dos corruptos, até mesmo no governo do nosso Brizola, que entregou o ouro aos bandidos do Nader e Cadorna, precursores do Eduardo Cunha, para desarmar as bombas do Legislativo.

A área da saúde é pule de dez das grandes tacadas e o jovem secretário niteroiense não tinha armadura para uma guerra suja, onde o Estado faz de conta que paga e os médicos mal pagos fazem de conta que trabalham nos mágicos plantões semanais de 24 horas seguidas. Tal é o despautério que trabalhadores incluem a contratação de planos particulares de saúde em suas pautas reivindicatórias. E olha que esses planos são outra ficção.

Não adianta tratar com analgésicos uma doença tão grave. Se quiserem enfrentar essa crise honestamente, sem rabo preso, aconselha-se dar uma esticada até Cuba, onde a saúde é levada a sério, ou uma examinada nos resultados do programa "Mais Médicos", onde o modelo cubano (que de resto é universal) está levando saúde real, porque em parceria com a comunidade e pelo tratamento prévio, e melhorando galhardamente os índices de cidades que estão conhecendo médicos pela primeira vez.


Fora disso é continuar chovendo no molhado e drenando recursos públicos para poços cada vez mais profundos.

5 comentários:

  1. 20/10/2015 12h03 -Quatro são presos em operação da Polícia Civil e MP em Passos, MGEx e atual secretários de Saúde, ex-diretor da UPA e assessor foram detidos.MP suspeita que eles operavam um esquema de desvio de verbas.Quatro pessoas foram presas temporariamente durante a operação 'SOS Saúde', realizada pelo Ministério Público em conjunto com a Polícia Civil nesta terça-feira (20) em Passos (MG). São investigados crimes de corrupção passiva, peculato, falsidade ideológica, e organização criminosa praticados por servidores públicos da gestão de saúde do município. Segundo o MP, a operação é resultado de 14 meses de investigações.
    Segundo Paulo Queiroz, delegado regional da Polícia Civil, entre os detidos estão o atual secretário de Administração e ex-secretário de Saúde da prefeitura, Gilberto Lopes Cançado, o atual secretário de saúde, Dickson de Castro, o ex-diretor da Unidade de Pronto Atendimento, Ildelfonso Pereira Medeiros Filho, e o ex-delegado da Polícia Civil e atual assessor especial da prefeitura, Wagner Caldeira.
    A suspeita do MP, é de que eles operavam um esquema de desvio de verbas, que pode chegar a R$ 790 mil, através do pagamento de horas extras indevidas. São analisadas mais de 800 horas de trabalho contabilizadas entre setembro de 2013 e agosto de 2014, quando começaram as investigações.Conforme o MP, o pagamento das escalas dos plantões médicos da Unidade de Pronto Atendimento de Passos era superfaturado. A Promotoria acredita que o valor pago a mais ficava com os suspeitos, que podem ter recebido apoio de médicos para falsificar os pontos e de funcionários, que tiveram contato com as escalas originais. Nos últimos meses, 20 pessoas entre suspeitos, funcionários da Upa e médicos foram ouvidos.A Justiça também determinou o afastamento do cargo de outros dois servidores públicos da UPA de Passos. Além disso, foram executados também oito mandados de busca e apreensão. durante a operação, foram apreendidos documentos e aproximadamente 2 mil dólares e 2 mil euros.
    A prisão temporária dos suspeitos é válida por cinco dias, podendo ser prorrogada ou revertida em prisão preventiva. Três dos detidos foram levados para o Presídio de Passos. Já o ex-delegado será levado para um presídio na Região Metropolitana de BH.De acordo com o promotor Paulo Frank, o prefeito da cidade, Ataíde Vilela (PSDB), não está sendo investigado.A assessoria da Prefeitura de Passos informou que está acompanhando as investigações através da Procuradoria-Geral do Municipal, mas que os acusados são representados por seus advogados particulares. A prefeitura ainda negou que tenha havido coação de médicos e disse estar colaborando com as investigações do Ministério Público.Veja a nota na íntegra:O Ministério Público solicitou do Poder Judiciário a busca e apreensão de documentos nas secretarias municipais de Administração e Saúde e na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) e no posto de combustíveis de propriedade do secretário municipal de Administração.
    O MP pediu e o Judiciário deferiu as prisões temporárias dos secretários Dickson Helinton de Castro (Saúde), Gilberto Lopes Cançado (Administração), do ex-diretor da UPA Ildefonso Medeiros Filho e do assessor Wagner Diniz Caldeira e determinou o afastamento do diretor e da secretária administrativa da UPA.
    O MP alega que médicos da UPA, durante investigação sobre pagamento por plantões não trabalhados, disseram ter sidos coagidos a fazer acordo para devolução dos pagamentos dos plantões não cumpridosA Prefeitura nega que tenha havido coação de médicos e afirma que alguns dos envolvidos assinaram o acordo espontaneamente. O acordo para a devolução do dinheiro dos plantões foi proposto após investigação das secretarias municipais de Administração e Saúde sobre as suspeitas de pagamentos indevidos de plantões para médicos. Grande parte do que foi apurado pela Prefeitura foi enviada para o Ministério Público.

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  2. Quando a policia entra em ação ás verbas aparecem

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  3. O maior problema é gestão.Não é somente no Rio,mas quase todos os gestores são indicados por partidos e não área técnica.Não apresentam relatório,não faz programas(pas,rag,siops,quadrimestres etc)aos conselhos municipais de saúde.E quanto tem um conselho atuantes que cobram se dentro desse conselho tiver um servidor ameaçam ou transfere ou sofre pressão e perseguições.

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Quem sou eu

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Jornalista desde 1961, quando foi ser repórter da ÚLTIMA HORA, PEDRO PORFÍRIO acumulou experiências em todos os segmentos da comunicação. Trabalhou também nos jornais O DIA e CORREIO DA MANHÃ, TRIBUNA DA IMPRENSA, da qual foi seu chefe de Redação, nas revistas MANCHETE, FATOS & FOTOS, dirigiu a Central Bloch de Fotonovelas. Chefiou a Reportagem da Tv Tupi, foi redator da Radio Tupi teve programa diário na RÁDIO CARIOCA. Em propaganda, trabalhou nas agências Alton, Focus e foi gerente da Canto e Mello. Foi assessor de relações públicas da ACESITA e assessor de imprensa de várias companhias teatrais. Teatrólogo, escreveu e encenou 8 peças, no período de 1973 a 1982, tendo ganho o maior prêmio da crítica com sua comédia O BOM BURGUÊS. Escreveu e publicou 7 livros, entre os quais O PODER DA RUA, O ASSASSINO DAS SEXTAS-FEIRAS e CONFISSÕES DE UM INCONFORMISTA. Foi coordenador das regiões administrativas da Zona Norte, presidente do Conselho de Contribuintes e, por duas vezes, Secretário Municipal de Desenvolvimento Social. Exerceu também mandatos em 4 legislaturas na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, sendo autor de leis de grande repercussão social.