quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

As truculências de um corrupto

“Cheguei a pensar que poderia morrer, sim. Eu fui abordado em aeroporto. Meu motorista foi abordado por pessoas desconhecidas. O que eu passei eu não desejo a ninguém. Me abordaram pedindo para eu pensar na minha família, dizendo que tenho filho pequeno, que tenho família”.
Fausto Pinato (PRB-SP), relator destituído do processo contra Eduardo Cunha no Conselho de Ética da Câmara Federal.

Relator do processo contra Eduardo Cunha, Fausto Pinato, sofreu ameaças antes de ser destituído


Não reconheço autoridade moral nenhuma em  quem se alia a Eduardo Cunha para derrubar a presidente Dilma Rousseff com o discurso de combate à corrupção.  Contra ela, não há uma única acusação; contra ele há uma fartura de provas, expostas aqui e além-mar. 
Dilma não moveu uma palha para impedir qualquer investigação da Polícia Federal, a ela subordinada. E fez questão de reconduzir o procurador geral, Rodrigo Janot, que não tem poupado ninguém nas investigações.

Já Eduardo Cunha usa ostensivamente o cargo de presidente da Câmara Federal para não permitir que o Conselho de Ética investigue denúncias gravíssimas contra ele, do conhecimento geral. Ele não se bastou em mandar sua tropa de choque torpedear os trabalhos do Conselho. Providenciou a arbitrária destituição do relator, sinalizando que fará o mesmo com o seu substituto, que já vinha sendo acuado e chegou a aliar-se a ele em votações para protelar o andamento do processo.

E não ficou por aí. Patrocinou o a chicana contra a indicação pelos líderes partidários dos membros da Comissão do Impeachment, fazendo com que deputados de outros partidos votassem SECRETAMENTE em possíveis representantes de uma legenda.

Isso não tem precedentes. Como também não há base constitucional para patrocinar o voto escondido, que poderá ensejar um resultado fraudado. E, nessa avalanche de arbitrariedades semelhantes aos casuísmos da ditadura, reuniu assinaturas de metade mais um da bancada para destituir o líder do PMDB na Câmara Federal, que não obedecia a seu comando.

Essas indignidades escabrosas, que contam com o apoio do vice Michel Temer (mosca azul até por impulsos existenciais), de olho no cargo para o qual jamais seria eleito, mostram de forma explícita lances de um golpe que só os tolos não sacam; e só os tolos (e os revanchistas) saem às ruas para oferecer seu grito de apoio.

Não há linha de divisória mais nítida. O que estamos vendo é a truculência para proteger o mais audacioso corrupto do país e para derrubar uma presidente honesta, cujo primeiro ano de (novo) governo foi inteiramente solapado pelos que querem por que querem tomar o poder de assalto.  Truculência que é uma antecipação do que seria o Brasil pós-golpe, em mãos das máfias sem escrúpulos.

Não dá para enganar: Cunha é a peça chave da tentativa de impeachment, cujo ritual deu vida e sequência com o uso arbitrário de um poder em que chafurda uma malta incontável de miquinhos amestrados. E vai cobrar caro pelo seu protagonismo sem o qual a peça absurda contra Dilma, sem qualquer fundamento jurídico, iria para a lata do lixo.

Só quero ver onde vão meter a cara esses que enchem a boca em direcionados discursos contra a corrupção, enquanto fecham os olhos para um corrupto de papel passado.


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Quem sou eu

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Jornalista desde 1961, quando foi ser repórter da ÚLTIMA HORA, PEDRO PORFÍRIO acumulou experiências em todos os segmentos da comunicação. Trabalhou também nos jornais O DIA e CORREIO DA MANHÃ, TRIBUNA DA IMPRENSA, da qual foi seu chefe de Redação, nas revistas MANCHETE, FATOS & FOTOS, dirigiu a Central Bloch de Fotonovelas. Chefiou a Reportagem da Tv Tupi, foi redator da Radio Tupi teve programa diário na RÁDIO CARIOCA. Em propaganda, trabalhou nas agências Alton, Focus e foi gerente da Canto e Mello. Foi assessor de relações públicas da ACESITA e assessor de imprensa de várias companhias teatrais. Teatrólogo, escreveu e encenou 8 peças, no período de 1973 a 1982, tendo ganho o maior prêmio da crítica com sua comédia O BOM BURGUÊS. Escreveu e publicou 7 livros, entre os quais O PODER DA RUA, O ASSASSINO DAS SEXTAS-FEIRAS e CONFISSÕES DE UM INCONFORMISTA. Foi coordenador das regiões administrativas da Zona Norte, presidente do Conselho de Contribuintes e, por duas vezes, Secretário Municipal de Desenvolvimento Social. Exerceu também mandatos em 4 legislaturas na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, sendo autor de leis de grande repercussão social.