segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Agora, que o golpe perdeu

Enquanto os shoppings reclamam de seu pior natal em 10 anos, as lojas online registraram no mesmo período de 2015 vendas de R$ 7,4 bilhões, um crescimento de 26% em relação ao ano passado, segundo a E-bit, empresa especializada em informações do comércio eletrônico.
O ano findo foi irresponsavelmente aniquilado pelo espectro do golpe. Um netinho de vovô sem escrúpulos e compulsivo capitaneou a mais estúpida marcha contra o veredicto das urnas, envolvendo em sua trama obsessiva figuras do Judiciário, do Ministério Público, e da Polícia Federal, com a colaboração tenaz dos corruptos do Legislativo e de uma mídia partidarizada. A palavra de ordem foi inviabilizar e prostrar o governo de Dilma Rousseff.

O empresariado construiu o ambiente da crise econômica, contando com um cavalo de tróia introduzido inadvertidamente no cérebro do poder.  Era preciso mudar as expectativas do povaréu sobre os dias seguintes, mergulhando-o num depressivo pessimismo. Sem controle do governo, que terceirizou os preços administrados para agências reguladoras e liberou geral o mercado, faz anos, não foi difícil semear o pânico e convertê-lo na rejeição da presidente da República, sobre quem recaíram todos os males e decepções do cotidiano de cada um.

Foi a crise política fomentada pelos que não aceitaram a derrota que trouxe à tona a subterrânea crise econômica. Não se pareceu nem de longe com a dos EUA, engendrada pelo "sub-prime", quando os bancos emprestaram a rodo para quem não podia pagar. A rigor, aqui não houve uma quebradeira, mas uma rasteira na euforia. Duas ou três bobeadas, como o aumento em excesso da conta de luz e a tentativa frustrada de reduzir as pensões de todo mundo, produziram um sentimento de traição na massa. Afinal, no ano anterior, Dilma se jactava de ter reduzido esse gasto nos novos contratos de concessão. E a Previdência tem remédios menos amargos.

O governo mesmo não aumentou impostos (A  volta CPMF inventada pelos tucanos é apenas um projeto) e perdeu arrecadação porque as empresas se enrolaram nas próprias pernas. Algumas deliberadamente. No Estado do Rio, a redução nos royalties do petróleo teve algum  peso. Mas nada parecido com a repercussão da queda do preço do petróleo em países como a Venezuela.  

Eu diria que essa crise é uma bolha produzida por quem detém de fato o controle da atividade econômica. Muita gente se deu mal, mas também muita gente tirou proveito. E houve quem se deu muito bem em função das mudanças de hábito de consumo:

enquanto os shoppings reclamam de seu pior natal em 10 anos, as lojas online registraram no mesmo período de 2015 vendas de R$ 7,4 bilhões, um crescimento de 26% em relação ao ano passado, segundo a E-bit, empresa especializada em informações do comércio eletrônico. Isso se deve em parte à eficiência dos nossos Correios.

Em paralelo, as investigações direcionadas de práticas seculares de propina e corrupção, realizadas sem qualquer constrangimento do Ministério da Justiça e do próprio Planalto, ofereceram condimentos maliciosos para queimar a presidente. Pode-se dizer que a "Operação Lava-Jato" foi usada desde seus primeiros passos, em março de 2014, para debilitar e impedir a reeleição de Dilma. Não tendo vingado nesse propósito, passou a produzir combustíveis para sua deposição, no que contou e conta com esse manipulado instituto da "delação premiada", pelo qual se livra a cara dos grandes corruptos em troca de depoimentos que criminalizem terceiros, principalmente se estes estiverem no entorno do governo.   

Como não conseguiram chegar nem perto da senhora Dilma Vânia Rousseff, resolveram usar as "pedaladas fiscais" como "crimes de responsabilidade" que justificaria sua deposição. E contaram com a ajuda de Eduardo Cunha, chefe de uma quadrilha parlamentar de corruptos, para forçar um processo  de impeachment sem qualquer sustentação legal. Num plano B, ainda contam com a ajuda do ministro Gilmar Mendes para pegar Dilma por suas contas de campanha, já aprovadas anteriormente.

O corpo e alma do golpe é esse conjunto de ações destinadas tão somente a reintroduzir no poder manjadas raposas do sistema, competentes na roubalheira no sapatinho,  e com promessa do ambiente de olhos fechados para o crime, como nos idos em que um procurador geral na era tucana engavetava todos os processos que pudesse atingir os amigos do rei.

Tenho a expectativa de que a crise político-econômica vai evaporar-se na medida em que ficam claras as impossibilidades da derrubada de Dilma. Para enfraquecê-la, excederam-se na artilharia e acabaram dando tiros nos próprios pés.  Eles, os patrocinadores da trama, também acabaram sem fôlego. Hoje parece claro que o tiro saiu pela culatra. E que é preciso um freio de racionalidade por parte dos golpistas.

Da mesma forma, agora livre do ministro de enxerto, cumpre a Dilma e a seu entorno assimilarem um rotundo choque de realidade. E partir para as cabeças com a mão de ferro que se impõe.


Afinal, está na hora de Dilma tomar posse do seu segundo mandato.

Um comentário:

  1. Anônimo1:04 AM

    Só sei de uma coisa: essa que aparece de quepe é a cara da Dilma!!!

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Quem sou eu

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Jornalista desde 1961, quando foi ser repórter da ÚLTIMA HORA, PEDRO PORFÍRIO acumulou experiências em todos os segmentos da comunicação. Trabalhou também nos jornais O DIA e CORREIO DA MANHÃ, TRIBUNA DA IMPRENSA, da qual foi seu chefe de Redação, nas revistas MANCHETE, FATOS & FOTOS, dirigiu a Central Bloch de Fotonovelas. Chefiou a Reportagem da Tv Tupi, foi redator da Radio Tupi teve programa diário na RÁDIO CARIOCA. Em propaganda, trabalhou nas agências Alton, Focus e foi gerente da Canto e Mello. Foi assessor de relações públicas da ACESITA e assessor de imprensa de várias companhias teatrais. Teatrólogo, escreveu e encenou 8 peças, no período de 1973 a 1982, tendo ganho o maior prêmio da crítica com sua comédia O BOM BURGUÊS. Escreveu e publicou 7 livros, entre os quais O PODER DA RUA, O ASSASSINO DAS SEXTAS-FEIRAS e CONFISSÕES DE UM INCONFORMISTA. Foi coordenador das regiões administrativas da Zona Norte, presidente do Conselho de Contribuintes e, por duas vezes, Secretário Municipal de Desenvolvimento Social. Exerceu também mandatos em 4 legislaturas na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, sendo autor de leis de grande repercussão social.