terça-feira, 13 de outubro de 2015

O golpe em dose dupla

 É com a possibilidade de ganhar o que perdeu que Aécio recruta adesões para degolar Dilma
Na madrugada de 4 de março de 2009 o plenário do TSE cassou o mandato do governador do Maranhão, Jackson Lago, um dos homens mais íntegros da nossa história, dois anos depois de empossado e, em seguida, mandou que a candidata derrotada, ROSEANE SARNEY, assumisse seu lugar.

Foi um das maiores indignidades já perpetradas pelo Tribunal Superior Eleitoral, sob pressão do senador José Sarney, cuja oligarquia de 40 nos havia sido derrotada pelo líder pedetista em 2006, no mesmo ano em que Jacques Wagner, do PT, havia detonado a grife de ACM na Bahia.

Para contrabandear a filha do presidente do Senado ao governo do Maranhão, CINCO MINISTROS DO TSE ANULARAM TODOS OS VOTOS OBTIDOS POR LAGO EM 2006.  Esse entendimento do relator Eros Grau foi seguido pelos colegas Fernando Gonçalves, Felix Fischer, Ricardo Lewandowski e o então presidente da casa, ministro Carlos Ayres Britto. Só não entraram na pilha os ministros Marcelo Ribeiro e Arnaldo Versiani, que não tinham funções de careira no Judiciário.

É sob inspiração dessa decisão, um golpe em dose dupla, que o derrotado Aécio Neves opera com uma desenvoltura que deixa atônito até Geraldo Alckmin, a bola da vez dos tucanos em 2018.

ELE NÃO FALA ISSO PARA O PÚBLICO EXTERNO, MAS É COM A POSSIBILIDADE DE GANHAR O QUE PERDEU QUE RECRUTA ADESÕES PARA DEGOLAR A VENCEDORA DILMA ROUSSEFF.  Seu plano golpista entrelaça manobras no Tribunal de Contas e no TSE com a canseira fisiológica que os parlamentares estão impondo ao governo, aproveitando o plano de fundo da crise econômica, que está estressando uma população provavelmente saciável com um bode expiatório compensatório.

Mais do que tudo, Aécio Neves, desequilibrado insensato, embarcou no É AGORA OU NUNCA como uma obsessão pervertida: ataca em todas as direções e se vale de companhias do tipo Eduardo Cunha num cambalacho sem qualquer recato que pode conter ingredientes de fazer corar os mais degenerados dos parceiros.

Eduardo Cunha, aliás, fez-se o grande fenômeno da política brasileira: pego com a mão na massa como corrupto inconteste, joga com o BENEFÍCIO DA CONVENIÊNCIA e vai permanecendo na presidência da Câmara Federal no mais absurdo contra-senso que o ambiente poluído da política brasileira já produziu.

A olho nu não há como identificar o que a Aécio e seus miquinhos amestrados podem  fazer por ele em troca dos atalhos que oferece para provocar mais dores de cabeça à presidente, já atormentada por tantas torpezas. Mas tudo é possível numa circunstância tão sombria em que uma minoria revanchista consegue fazer a cabeça da massa angustiada no sufoco de hoje e com medo do amanhã.

Massa que sequer parou para pensar nessa incongruência sinistra: em nome das náuseas que a corrupção revelada provoca entrega-se o destino das urnas comprovadamente limpas ao mais corrupto de todos só por que, como descuidista da pesada, ele exerce um cargo para o qual jamais deveria ter sido alçado, tal a sua vida pregressa enlameada, já do conhecimento geral, amplo e irrestrito.  

Como nos grandes golpes desde eras pretéritas, a trama em curso é obra prima de criminosos profissionais. Consegue envolver boa parte da opinião pública num ritual sem sustentação legal: ao contrário do que aconteceu em outros episódios, primeiro, os derrotados nas urnas decidiram cassar a presidente reeleita; depois saíram à cata de um furo, qualquer furo, mesmo que formalmente ela não tenha nada a ver com o peixe.

É exatamente essa determinação insana e despropositada que ameaça as garantias constitucionais. Só o fato da esmagadora maioria da mídia dar cobertura às aberrações jurídicas invocadas já é suficiente para deixar todo mundo com a pulga atrás da orelha.

Golpes e golpistas são elementos nefandos sempre presentes na história republicana brasileira. As movimentações desses dias ressuscitam velhas práticas sujas, felizmente sem o envolvimento dos quartéis, mas, infelizmente, com o domínio de uma tecnologia de manipulação e imbecilização mil vezes mais destrutiva do que os arsenais da soldadesca.

A quem não quiser passar pelo sofrimento que minha geração passou, a quem não quiser ver nossa liberdade aniquilada por uma perversa "primavera brasileira" cumpre agir rapidamente em defesa da legalidade e do respeito à legítima decisão das urnas.


Outra atitude, sob qualquer outro impulso, parta de onde partir, será um trágico tiro no pé.

Um comentário:

  1. Anônimo1:04 PM

    Ruim com a Dilma, muito pior sem ela !!!
    Os governos do PSDB (e aliados) são 100% entreguistas, e, os governos do PT (e aliados) são 60% entreguistas. Pelo menos sobra 40% para o Brasil ...
    Quer saber para onde vai o seu dinheiro ?: acesse www.auditoriacidada.org.br.
    O "Caudilho" faz muita falta !!!

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Quem sou eu

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Jornalista desde 1961, quando foi ser repórter da ÚLTIMA HORA, PEDRO PORFÍRIO acumulou experiências em todos os segmentos da comunicação. Trabalhou também nos jornais O DIA e CORREIO DA MANHÃ, TRIBUNA DA IMPRENSA, da qual foi seu chefe de Redação, nas revistas MANCHETE, FATOS & FOTOS, dirigiu a Central Bloch de Fotonovelas. Chefiou a Reportagem da Tv Tupi, foi redator da Radio Tupi teve programa diário na RÁDIO CARIOCA. Em propaganda, trabalhou nas agências Alton, Focus e foi gerente da Canto e Mello. Foi assessor de relações públicas da ACESITA e assessor de imprensa de várias companhias teatrais. Teatrólogo, escreveu e encenou 8 peças, no período de 1973 a 1982, tendo ganho o maior prêmio da crítica com sua comédia O BOM BURGUÊS. Escreveu e publicou 7 livros, entre os quais O PODER DA RUA, O ASSASSINO DAS SEXTAS-FEIRAS e CONFISSÕES DE UM INCONFORMISTA. Foi coordenador das regiões administrativas da Zona Norte, presidente do Conselho de Contribuintes e, por duas vezes, Secretário Municipal de Desenvolvimento Social. Exerceu também mandatos em 4 legislaturas na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, sendo autor de leis de grande repercussão social.