quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Tudo pode acontecer porque não se enfrenta o ódio com capitulações, blefes, gritinhos e soluços.

Não é o sociólogo renegado, garboso coveiro da "Era Vargas", que nos preocupa. Nem mesmo o presidenciável insone que ainda não aceitou o placar e se imagina nos acréscimos. Nem a artilharia midiática abastecida de cargas explosivas da defesa ao ataque.

Preocupam-nos muito mais o ódio, o rancor e os instintos selvagens dos órfãos da ditadura, hoje reagrupados em torno do clã Bolsonaro: o major raivoso e sua prole dotada de mandatos parlamentares acessórias.

Preocupa-nos muito mais, porém, a incoerência e a incompetência para a resistência daquela que imaginávamos o coração valente. E sua plêiade de eunucos brancaleones.  


Preocupa-nos a choradeira vã de uma tribo que vive no mundo da Lua, onde tem mais caciques do que índios.  Tribo que imagina enfrentar o rolo compressor golpista com orações ao Deus pai, sinais de fumaça e rituais de magia milagrosa.

E que se mostra cada dia mais frágil ante a manipulação que aguça hordas de ladrões de urnas, mais eficientes na ocupação das ruas e no ecoar de suas torpezas. Hordas que sabem só terem estes dias de confusão bem explorada para virar a mesa.

Tanto que já investem em mais um casuísmo sombrio: uma emenda só para impedir que o sapo barbudo possa entrar no páreo na próxima. Que a tais mentes estúpidas se afigura pule de dez, apesar das versões hipertrofiadas das lambanças pontuais.   

Casuísmo, aliás, que voltou à moda com os mesmos condimentos hipócritas da era do arbítrio. E a que recorrem sem a menor cerimônia para achar uma brecha capaz de justificar no subtexto das leis a cavalgada de insensatos cavaleiros do apocalipse.

Não carece de mais sintomas. O desejo de rasgar o voto majoritário virou obsessão explícita. A estes celerados não há mais o que esconder. É preciso apear a mulher, mesmo que ela capitule e se renda, fazendo tudo o que  seu rei mandar.

E, no entanto, ao contrário da militância apta que segura a pemba na Venezuela bolivariana, por estas plagas o mais que se faz é estrebuchar entre blefes, gritinhos e soluços, na confiança de que tudo se resolva entre quatro paredes: a turma da pesada do Congresso venha a negar fogo à tropa impostora na hora do assalto, conforme acordos que se negociam homem a homem na franciscana prática do "dá lá, toma cá", já consagrada nos velhos tempos pelo falecido Roberto Cardoso Alves, o chucrute dos 4 estrelas no Congresso d'antão.

Também pudera. A militância orgânica se lambuzou no mel e engordou à sombra e água fresca das prebendas etílicas, enquanto a massa desvalida tira o corpo fora desconfiada do cavalo de Tróia que entronizou no altar do palácio a fina flor dos pupilos de astuto Mayer Amschel Rothschild e do perverso John Pierpont Morgan.    

Massa que nunca esteve tão mal das pernas, mercê do fogo amigo da nova classe dirigente. E que ainda está muito fragmentada e meio zonza sem saber como a banda toca e o que será do amanhã.

Nesse ambiente de inversão de papéis tudo pode acontecer.  Como aconteceu um dia na Alemanha debilitada que se rendeu a um psicótico salvacionista – tipo que se pretende achar também nas noites ébrias do planalto central.


4 comentários:

  1. ELISA BRUM11:45 AM

    Tá, e como se enfrenta o ódio, companheiro Porfírio? Meu sentimento é de ver a Presidente todos os dias a discursar no horário nobre, rebatendo as críticas e defendendo com veemência o governo, dando nome aos bois e desmascarando os inimigos. Como uma combatente que não teme a luta. Liderando as massas. Mas parece que ela não tem tutano para isto, nem o carisma do Lula. Que na hora de dar a cara a tapa, ela recua. Estou certa? Só isto basta? Vc descreveu maravilhosamente o que não está sendo feito, mas qual o remédio para a doença? Aguardo com a expectativa de sempre seu nova artigo, traçando o caminho.... meu guru!!!

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    1. Valeu, Elisa. Vou considerar suas ponderações.

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    2. Anônimo6:07 PM

      A Dilma pode começar, lutando por uma Auditoria da Dívida Pública (que começou em 2010 e está mofando no Ministério Público Federal), que drenará para os Bancos e Credores, a "mixaria" de mais de R$ 1 TRILHÃO, só este ano.
      Poderia também, cobrar das fortunas acima de R$ 50 milhões, uma alíquota de 5%, o que daria uma arrecadação anual de R$ 90 Bilhões (com base em 2013). E por aí vai ...
      O que não dá, é manter esta troika de Coxinhas (Mercadante, Cardozo e Levy), que são entreguistas, covardes e traidores, e, só defendem os BANCOS. Será fracasso certo !!!
      Para maiores informações acesse www.auditoriacidada.org.br

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Quem sou eu

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Jornalista desde 1961, quando foi ser repórter da ÚLTIMA HORA, PEDRO PORFÍRIO acumulou experiências em todos os segmentos da comunicação. Trabalhou também nos jornais O DIA e CORREIO DA MANHÃ, TRIBUNA DA IMPRENSA, da qual foi seu chefe de Redação, nas revistas MANCHETE, FATOS & FOTOS, dirigiu a Central Bloch de Fotonovelas. Chefiou a Reportagem da Tv Tupi, foi redator da Radio Tupi teve programa diário na RÁDIO CARIOCA. Em propaganda, trabalhou nas agências Alton, Focus e foi gerente da Canto e Mello. Foi assessor de relações públicas da ACESITA e assessor de imprensa de várias companhias teatrais. Teatrólogo, escreveu e encenou 8 peças, no período de 1973 a 1982, tendo ganho o maior prêmio da crítica com sua comédia O BOM BURGUÊS. Escreveu e publicou 7 livros, entre os quais O PODER DA RUA, O ASSASSINO DAS SEXTAS-FEIRAS e CONFISSÕES DE UM INCONFORMISTA. Foi coordenador das regiões administrativas da Zona Norte, presidente do Conselho de Contribuintes e, por duas vezes, Secretário Municipal de Desenvolvimento Social. Exerceu também mandatos em 4 legislaturas na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, sendo autor de leis de grande repercussão social.