quinta-feira, 17 de setembro de 2015

Bicudo: uma biografia manchada pelo rancor. Isso me causa náuseas


Eu andava intrigado ao ver o nome do ex-petista Hélio Bicudo, de 93 anos, transformado em cabeça de ponte do plano golpista. Ele mesmo assinou o pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff e foi acolhido pela direita como seu novo herói.

Ao imaginá-lo às carícias com o major Bolsonaro e o latifundiário Caiado meu cérebro o viu na triste trajetória do marechal Philippe Pétain. herói da França na primeira guerra mundial e condenado à morte por traição por ter se tornando um títere de Hitler, na segunda guerra.

Bicudo não chegou a ser exatamente um herói. Ganhou notoriedade na década de 70 como procurador que deu combate corajoso aos esquadrões da morte criados pelo delegado Fleury, o mais perverso torturador daqueles idos.

Fiquei surpreso ao vê-lo filiar-se ao PT, mas isso é outra coisa. Não tinha exatamente o perfil de um partido de esquerda.

Hoje, ao se tornar ferramenta para rasgar a Constituição, o ex-parlamentar age como o mais rancoroso dos desafetos, o que me causa náuseas, e isso não teria explicações.

Não teria, mas tem. Seu filho José Eduardo Pereira Wilken Bicudo, 60 anos, professor titular aposentado da Universidade de São Paulo, e atualmente, professor honorário na Universidade de Wollongong, na Austrália, decifrou o enigma em depoimento ao site do DIÁRIO DO CENTRO DO MUNDO.

Hélio Pereira Bicudo, segundo o filho, tomou ódio do Lula e do PT por interesses pessoais contrariados. José Eduardo chega a dizer que o pai chantageou o ex-presidente para ter posições no no governo.
"O seu rancor desmedido e os limites impostos por ele aos próprios familiares que o cercavam, já que ele está lúcido e ativo, fizeram-no se aproximar de pessoas que certamente o estão usando, inclusive uma de minhas irmãs, para atingir os seus fins golpistas. E ele, que nunca soube ficar longe dos holofotes que o iluminaram durante tanto tempo, está se aproveitando do fato para ficar em evidência num triste e infeliz espetáculo midiático" - escreveu o filho.
Veja o seu depoimento ao DIÁRIO DO CENTRO DO MUNDO:

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Jornalista desde 1961, quando foi ser repórter da ÚLTIMA HORA, PEDRO PORFÍRIO acumulou experiências em todos os segmentos da comunicação. Trabalhou também nos jornais O DIA e CORREIO DA MANHÃ, TRIBUNA DA IMPRENSA, da qual foi seu chefe de Redação, nas revistas MANCHETE, FATOS & FOTOS, dirigiu a Central Bloch de Fotonovelas. Chefiou a Reportagem da Tv Tupi, foi redator da Radio Tupi teve programa diário na RÁDIO CARIOCA. Em propaganda, trabalhou nas agências Alton, Focus e foi gerente da Canto e Mello. Foi assessor de relações públicas da ACESITA e assessor de imprensa de várias companhias teatrais. Teatrólogo, escreveu e encenou 8 peças, no período de 1973 a 1982, tendo ganho o maior prêmio da crítica com sua comédia O BOM BURGUÊS. Escreveu e publicou 7 livros, entre os quais O PODER DA RUA, O ASSASSINO DAS SEXTAS-FEIRAS e CONFISSÕES DE UM INCONFORMISTA. Foi coordenador das regiões administrativas da Zona Norte, presidente do Conselho de Contribuintes e, por duas vezes, Secretário Municipal de Desenvolvimento Social. Exerceu também mandatos em 4 legislaturas na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, sendo autor de leis de grande repercussão social.