segunda-feira, 23 de março de 2015

Porque Dilma está se ferrando

Ao dar pra atrás, ela não 
ganhou os "coxinhas" do lado de lá e ainda perdeu as massas do lado de cá
Não tenha dúvida: a companheira Dilma Rousseff está se ferrando por decisão própria. Algum cortesão idiota cantou a pedra errada e ela bancou, como se estivesse de porre. Por que não é de seu temperamento público perder o rebolado a troco de nada.

Só não vê isso quem não quer ou quem está puxando brasa pra sua sardinha. Ela viajou na maionese, achando que as urnas ofereceram um cheque em branco para qualquer alucinação. E que o mais se resolveria com o loteamento do governo entre os interesses representados por partidos degenerados, cooptáveis pela disponibilização de verbas às suas farras compensatórias.

Achou que enfrentaria os achacadores insaciáveis com a entrega do ouro ao bandido que acreditava mesmo era no surrado projeto monetarista da aliança opositora. Joaquim Levy foi feito Oliveira Salazar e assumiu o comando do governo sem saber mais do que as babaquices que se aprende em Chicago, onde o quente é sacanear os trabalhadores. Era um presunçoso aprendiz de feiticeiro.

Mas não sei por que cargas d'água a companheira Dilma deu pra trás e se submeteu aos feitiços jurássicos do Joaquim, ainda da alquimia do Milton Friedman, conselheiro econômico de Nixon, Ford, Ronald Reagan e do general Pinochet, que ganhou o establishment ao defender uma taxa "natural" de desemprego, afirmando que os governos que superassem o nível de emprego acima desta taxa aumentariam a demanda agregada e causariam uma aceleração da inflação.  

Acreditando que ainda se amarra cachorro com linguiça, por imposição do novo mago, a companheira Dilma pegou pesado em mais uma apoplética investida contra a previdência pública. E, valendo-se de 1.600 casos deploráveis num universo de 7,4 milhões de pensionistas, mudou as regras por Medida Provisória no meio do jogo, uma prática tão arbitrária como os casuísmos da ditadura. E que, no fundo, no fundo, tem por desiderato a desmoralização do nosso modelo previdenciário, ainda cheio de amor pra dar.

Queria o que? Se ela fosse apenas uma operária carismática, ainda se admitiria que comesse excrementos pelas mãos dos outros. Mas a dita cuja exibe canudos de papel logo na área da economia. Pode?

Servem-lhe mentiras e ela digere sem mastigar. O ministro da Previdência. O ex-sindicalista Carlos Gabo, declarou em 22 de fevereiro ao Estadão que os brasileiros vivem em média 84 anos: só se for a mãe dele. Ou a moçada dos olhos azuis cuidada  no Hospital Sírio e Libanês e na Casa de Saúde São Vicente.

A massa mesmo, a massa conterrânea, a massa periférica, fala sério, ministro, não dura lá essas coisas e ainda vai ser atochada na hora de pendurar as chuteiras.

Curioso é que na própria entrevista o ministro admite que os números da previdência são outros: "Nós temos um modelo de previdência urbana e rural. TIVEMOS NO ANO PASSADO CERCA DE R$ 35 BILHÕES DE SUPERÁVIT NA PREVIDÊNCIA URBANA. No rural, a política não foi pensada com premissa de ter superávit".

"Veja bem – destaca o ministro - falamos de 8,4 milhões de aposentados rurais que ganham um salário mínimo. Neste segmento a despesa cresceu bastante porque o salário mínimo cresceu muito. Essa política não tem objetivo de ter superávit, a conta não foi feita para fechar, tanto que a Constituição prevê a Cofins e a CSLL para servirem de fonte de renda para custear a previdência rural. Contabilmente nosso regime é equilibrado, mas a conta, depois que houve a unificação dos caixas no Tesouro, se misturou tudo. Tivemos uma arrecadação de R$ 5 bilhões com o rural e gastos de R$ 80 bilhões. A arrecadação da Cofins e CSLL é muito superior a essa diferença, mas isso não fica claro. Temos só que nos colocar de acordo com o pessoal do Ministério da Fazenda para ver como se transferem esses recursos. Não se pode pensar em “vamos cobrir o rombo”. Não tem rombo, entende?"

Então, vê-se que a companheira Dilma viu o galo cantar e não sabe aonde. E entrou na pilha do Joaquim Levy, mais um aborto de Chicago. E não é só isso já dito acima.

Falando ainda da nossa Previdência Pública, tem uma informação mantida na maior discrição pela corte e pela mídia patrocinada pela publicidade dos banqueiros. Vai ver que nem a Dlma sabe disso, por que é uma prisioneira de grilhões de lobistas sentados a seu lado. Pois agora fique sabendo:

A quantidade de contribuintes do INSS passou de 39,8 milhões em 2003 para 69,7 milhões em 2013, um crescimento de 74,8% em 10 anos, segundo números oficiais do próprio Ministério. Sabe o que isso significa? – mais arrecadação e é por aí que se chega ao sucesso, e não ferrando quem contribui com mais de 20% dos seus salários já para cobrir as pensões (que entre os militares, aliás, parecem intocáveis).

Por causa dessa e de mancadas semelhantes, Dilma ficou sozinha num mato sem cachorro. O seu PT até pensa em ir pras ruas, que trocou por milhares de prebendas,  boquinhas e granas para milhares de ONGs que mamam, não largam o osso, mas não estão nem aí pra socorrê-la.

Por isso, depois que sentaram as bundinhas no bem bom, os petistas e periféricos engordaram e ganharam panças protuberantes: pensar em vê-los nas ruas só mediante ajuda de custo pro sanduíche e assim mesmo os da raia miúda. A nova classe dirigente tem outras prioridades, segundo o fatalismo histórico: o pior quase rico é o que já foi quase pobre.

Honestamente, eu já não sei se a companheira Dilma conseguirá ser mais do que uma figura decorativa ante a articulação perversa dos 400 achacadores, comandados pelas figuras manjadas do Eduardo Cunha e Renan Calheiros. A vida é assim: se você se agacha aos bandidos, fica em suas mãos para o resto da vida. A nossa preclara presidenta não precisou de muito tempo para pôr sua credibilidade a perder depois de uma vitória suada nas urnas, cujo resultado é obrigação de todos defenderem.

Pra permanecer incólume, ela vai se valer da pobreza de opções, da firmeza dos defensores do Estado de direito, e da luta interna no arraial inimigo: Aécio está doido por uma bandeja em meio à confusão de agora. Mas o Alckmin sabe que daqui a 4 anos será a sua vez de  ir pras cabeças. Antes, não: suas portas serão fechadas.

Seja o que for, aqui estou para dizer o que penso, sem rabo preso, nem sonhos de boquinhas. Se a companheira Dilma, por um milagre, safar-se das amarras fisiológicas, requentarei meu voto, até porque todos os brasileiros precisam que seu governo dê certo -  do contrário será o caos.

6 comentários:

  1. Anônimo8:50 AM

    Concordo, plenamente, com esta sua ótima análise.
    Que o "Lado Iluminado da Força" esteja conosco !!!

    Mario de Sampa

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  2. Muito bem, companheiro Porfírio, sempre lúcido e coerente. Mas estou muito preocupado . Os zumbis das ruas e os 400 achacadores não se preocupam com o país, aqueles alimentados por uma imprensa canalha, infensos a qualquer fato ou argumento. Os parlamentares servem a qualquer senhor que os pague bem; o governo cede para sobreviver (achando que está dando os anéis), as ruas são dirigidas, depois de devidamente lavada por anos, por interesses estranhos .Escandalizei-me, no 15 de março, em Belo Horizonte, jovens sorridentes se fotografavam com a bandeira americana.Mas temos de resistir, esse grande país não pode virar uma republiqueta.

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  3. Jileno Sandes.5:36 PM

    Meu amigo, quanto é prazeroso ter como leitura fonte libertas e sem nenhuma amarra.
    Você sempre fez o quase impossível jornalismo limpo e real.
    "Ora pois", eu também levei um susto quando vi anunciado o nome do gajjo Joaquim para a pasta da fazenda, o funcionalismo do Estado do Rio muito sofreu na sua gestão cabralina.
    égua

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  4. Paulo Gianinni9:40 PM

    A corrupção dos agentes públicos começa com a corrupção dos seus princípios, e termina com a corrupção dos agentes privados e a impunidade.

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  5. Anônimo8:11 PM

    É bom lembrar, que não precisaria de Ajuste Fiscal, se a SONEGAÇÃO não fosse tão "ENORME" = R$ 500.000.000.000,00 (500 Bilhões) por ano.
    A Sonegação é 7,46 vezes MAIOR do que a Corrupção (R$ 67 Bilhões por ano, "apenas").
    Por que será, que o honestíssimo Judiciário só se interessa pela "Corrupção" ... ???

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Quem sou eu

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Jornalista desde 1961, quando foi ser repórter da ÚLTIMA HORA, PEDRO PORFÍRIO acumulou experiências em todos os segmentos da comunicação. Trabalhou também nos jornais O DIA e CORREIO DA MANHÃ, TRIBUNA DA IMPRENSA, da qual foi seu chefe de Redação, nas revistas MANCHETE, FATOS & FOTOS, dirigiu a Central Bloch de Fotonovelas. Chefiou a Reportagem da Tv Tupi, foi redator da Radio Tupi teve programa diário na RÁDIO CARIOCA. Em propaganda, trabalhou nas agências Alton, Focus e foi gerente da Canto e Mello. Foi assessor de relações públicas da ACESITA e assessor de imprensa de várias companhias teatrais. Teatrólogo, escreveu e encenou 8 peças, no período de 1973 a 1982, tendo ganho o maior prêmio da crítica com sua comédia O BOM BURGUÊS. Escreveu e publicou 7 livros, entre os quais O PODER DA RUA, O ASSASSINO DAS SEXTAS-FEIRAS e CONFISSÕES DE UM INCONFORMISTA. Foi coordenador das regiões administrativas da Zona Norte, presidente do Conselho de Contribuintes e, por duas vezes, Secretário Municipal de Desenvolvimento Social. Exerceu também mandatos em 4 legislaturas na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, sendo autor de leis de grande repercussão social.