sábado, 14 de março de 2015

Os limites do confronto

Num momento extremamente grave para o país o pior que pode acontecer é perder a serenidade


Já que os políticos patrimonialistas de todos os matizes não conseguem comportar-me decentemente e tudo o que querem é extrair ouro de seus mandatos, os cidadãos mais indignados e mais responsáveis estão tomando a si a tarefa de enfrentar o imbróglio que está semeando um impasse desastroso, com efeitos negativos tão dramáticos como naqueles longos anos de arbítrio, paralisia e retrocesso.
Articulado com os bolsões golpistas, o capitão Bolsonaro, agressivo
por índole, já pediu o impeachment da presidenta
Nesta sexta-feira 13, os movimentos sociais deram seus primeiros passos nas ruas com o fito de matar uma grande xarada: defender o respeito à recente manifestação das urnas e protestar contra os inesperados escorregões da presidenta Dilma, que cedeu às velhas receitas amargas contra as quais fez juramentos alegóricos que balizaram sua vitatória suada.

Agora, serão seus opostos que farão suas manifestações, convocados por algumas pessoas, através da internet e com o apoio da mídia. Neste caso, são vários e conflitantes os objetivos, mas o mais protuberante é o que pede o impeachment para presidenta reeleita em outubro, com a clara ostentação de um sentimento amargo de revanche, permeado por um ódio de classe e um ressurreto discurso ideológico, acrescido de provocadoras incitações às Forças Armadas.

Isso acontece no mesmo momento em que adversários radicalizados jogam pesado contra os governos eleitos de Nicolás Maduro, na Venezuela, e Cristina Christner, na Argentina. Tudo dentro de um ambiente que interliga forçosamente os conflitos nos três países, indicando o DNA dos mesmos interesses nos países com maior peso econômico da América do Sul, hoje.

Acontece também no contexto de uma aproximação com a China, a enigmática e surpreendente meganação que já se transformou na principal parceira comercial do Brasil, Argentina, Venezuela e outra centena de países, com previsão de que será a maior e mais pujante economia do mundo dentro de poucos anos.

Mais do que qualquer outro país, o Brasil registra níveis de alta vulnerabilidade ante o espectro da instabilidade política. Por todo um descaminho de responsabilidade ostensiva das elites agressivas já se pode constatar uma perigosa divisão confrontal, tanto no mapa geográfico, como nas classes sociais.

Contra a própria política do governo petista, identificada com a estratégia das organizações “reformistas” ligadas ao grande capital internacional, os bolsões hiperradicalizados dos guardiões da pirâmide social estão forçando uma perigosíssima ruptura do processo institucional, como se ainda houvesse nitroglicerina par repetir o golpe de meio século atrás.

É claro que o centro manipulador do comportamento político de uma camada social instável e insegura por natureza tem sabido dar um verniz palatável aos impulsos de indignados pontuais e de ocasião.

No entanto, foi muito feliz Róber Iturriet Ávila, em artigo na revista Carta Capital:  

“Evidentemente, existem elementos factuais dos governos Lula e Dilma que causaram desconforto e indignação a todos os cidadãos. Contudo, é preciso muita inocência para imaginar que as manifestações contra o governo são incentivadas pelo descontentamento com a corrupção, pela elevação do preço do combustível ou da energia. Quem tem conhecimento histórico e compreensão profunda da sociedade não ignora a ojeriza existente a um programa que garante R$ 35,00 para os pobres. O ódio não é ao PT”.

Criou-se um clima de confronto abissal entre parcelas do povo que, sem exceção, precisam de muita calma nesta hora, eis que apostar no incêndio do circo vai espalhar fagulhas sobre todos. O momento é muito grave para estar sujeito ao maniqueísmo alimentado por predadores mesquinhos, torpes e insaciáveis. Exige lucidez e visão serena sobre os riscos de um desdobramento inconsequente, sonho de consumo de fracassados esquizofrênicos facciosos e suicidas.

Nunca é demais lembrar que prudência e copo d’água nunca fizeram mal a ninguém. O primeiro passo neste momento é desarmar os espíritos belicosos e resgatar a serenidade. Esses cidadãos que soltam os gritos parados no ar não se podem confundir com os delinquentes políticos, que querem manter as práticas da dilapidação em causa própria.

Aos que vivem decentemente do suor do seu rosto e da esperança cabe a palavra decisiva nessa travessia desafiadora. 

Um comentário:

  1. Sérgio Amorim4:13 PM

    Porfìrio, para você não ficar triste, vou postar um comentário. Que opinião safada essa sua, hein? Me explique como uma pessoa com o seu passado, tão digno, tão respeitável, insiste em ficar defendendo esses bandidos? Essa quadrilha, Porfìrio, se tivesse vergonha na cara teria pedido desculpas ao povo brasileiro, eleitores e não -eleitores. Eu,como muitos, nunca votei no PT, mas poderia ter um certo respeito pelo partido. Hoje, o que sobrou? Só nojo!
    A revolta é tão grande que até intervenção militar o povo está aceitando. Veja o nível do desespero. Compreenda, não critique.

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Quem sou eu

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Jornalista desde 1961, quando foi ser repórter da ÚLTIMA HORA, PEDRO PORFÍRIO acumulou experiências em todos os segmentos da comunicação. Trabalhou também nos jornais O DIA e CORREIO DA MANHÃ, TRIBUNA DA IMPRENSA, da qual foi seu chefe de Redação, nas revistas MANCHETE, FATOS & FOTOS, dirigiu a Central Bloch de Fotonovelas. Chefiou a Reportagem da Tv Tupi, foi redator da Radio Tupi teve programa diário na RÁDIO CARIOCA. Em propaganda, trabalhou nas agências Alton, Focus e foi gerente da Canto e Mello. Foi assessor de relações públicas da ACESITA e assessor de imprensa de várias companhias teatrais. Teatrólogo, escreveu e encenou 8 peças, no período de 1973 a 1982, tendo ganho o maior prêmio da crítica com sua comédia O BOM BURGUÊS. Escreveu e publicou 7 livros, entre os quais O PODER DA RUA, O ASSASSINO DAS SEXTAS-FEIRAS e CONFISSÕES DE UM INCONFORMISTA. Foi coordenador das regiões administrativas da Zona Norte, presidente do Conselho de Contribuintes e, por duas vezes, Secretário Municipal de Desenvolvimento Social. Exerceu também mandatos em 4 legislaturas na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, sendo autor de leis de grande repercussão social.