terça-feira, 17 de março de 2015

Confesso que esta cena me chocou: mas Fernanda é Fernanda

 Trabalhei com Fernanda Montenegro por alguns anos no início da década de 70 e devo muito a ela em ensinamentos e estímulos. Foi graças a ela que me tornei teatrólogo (8 peças minhas encenadas até 1982 quando com BRASIL, MAME-O OU DEIXE-O troquei o teatro e o jornalismo pela vida pública).
Fomos muito próximos e eu, que era seu assessor de comunicação, não tinha dúvida:nascida em Bento Ribeiro, Fernanda parecia diferente dos colegas. Terminava o espetáculo, ia direto para casa com o marido também ator Fernando Torres, ali na Lagoa. O pessoal de teatro, inclusive o meu amigo Jô Soares, costumava ir jantar na "Fiorentina", no Leme.

Ela tinha muita clareza sobre o momento em que vivíamos (eu havia passado um ano e meio preso nos anos 69 e 70, quando fui arrancado da chefia de Redação do jornal TRIBUNA DA IMPRENSA. Estava numa lista de indesejáveis porque a ditadura me odiava: uma auditoria da Marinha havia me absolvido por unanimidade). Foi graças a ela e à Sandra Cavalcanti, com quem trabalhara na Tv Tupi, que fui refazendo minha caminhada profissional.

Quando fiz meu primeiro trabalho com ela, uma comédia do Millor Fernandes, ela tinha 43 anos e era um tanto conservadora, uma postura semelhante a da Bibi Ferreira, com quem também trabalhei em O HOMEM DE LA MANCHA, que estreou o Teatro Adolpho Bloch.
Por todo um convívio, sempre vi na Fernanda uma atriz por natureza (fizera sua entrada no radioteatro em 1948, aos 19 anos, no mesmo ano em que começaram Chico Anísio e Silvio Santos, os 3 descobertos por Alfredo Souto de Almeida, uma figura sensacional, com quem também trabalhei na FOCUS PROPAGANDA).

Por todo esse histórico, curioso pela novela do meu amigo Gilberto Braga, tomei um choque quando vi a cena do beijo "lésbico". Mas segurei firme, depois de uma boa respiração: FERNANDA É FERNANDA e será sempre uma grande referência (faz 86 asnos em 16 de outubro, mesmo dia do nascimento do meu filho Vladimir, o mais velho, que completará 50 este ano). 

E por falar em filhos, sugiro que vejam a entrevista da minha filha GOGOIA SAMPAIO ao Jô Soares, depois de sua performance na versão nova da Saramandaia - https://www.youtube.com/watch?v=0TMn5Nn5mtY

Falei tudo isso por que vou fazer 72 anos nesta quarta-feira, vencendo um câncer mau caráter e de bem com a vida.

Em tempo: Antes da estreia da novela, Fernanda Montenegro comentou a relevância do casal na trama de Gilberto Braga: “Os conservadores vão ter que nos aturar”. Em entrevista à colunista do DIA, Flávia Muniz, o também autor de ‘Babilônia, Ricardo Linhares comentou que as cenas de carinho entre as personagens Estela e Teresa serão frequentes: “Há várias situações de beijinhos entre elas, com naturalidade de casal”. No capítulo que irá ao ar na quarta-feira, o casal irá oficializar a união, e o público verá mais uma cena de beijo. Normal, como qualquer casal.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Quem sou eu

Minha foto
Jornalista desde 1961, quando foi ser repórter da ÚLTIMA HORA, PEDRO PORFÍRIO acumulou experiências em todos os segmentos da comunicação. Trabalhou também nos jornais O DIA e CORREIO DA MANHÃ, TRIBUNA DA IMPRENSA, da qual foi seu chefe de Redação, nas revistas MANCHETE, FATOS & FOTOS, dirigiu a Central Bloch de Fotonovelas. Chefiou a Reportagem da Tv Tupi, foi redator da Radio Tupi teve programa diário na RÁDIO CARIOCA. Em propaganda, trabalhou nas agências Alton, Focus e foi gerente da Canto e Mello. Foi assessor de relações públicas da ACESITA e assessor de imprensa de várias companhias teatrais. Teatrólogo, escreveu e encenou 8 peças, no período de 1973 a 1982, tendo ganho o maior prêmio da crítica com sua comédia O BOM BURGUÊS. Escreveu e publicou 7 livros, entre os quais O PODER DA RUA, O ASSASSINO DAS SEXTAS-FEIRAS e CONFISSÕES DE UM INCONFORMISTA. Foi coordenador das regiões administrativas da Zona Norte, presidente do Conselho de Contribuintes e, por duas vezes, Secretário Municipal de Desenvolvimento Social. Exerceu também mandatos em 4 legislaturas na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, sendo autor de leis de grande repercussão social.