sábado, 3 de janeiro de 2015

Toda viuvez será castigada

Governo que rasga contrato previdenciário para cortar pensões não questiona o ócio oneroso dos bandidos


Isso vai acontecer com frequência tão logo entre em vigor a Medida Provisória com a qual a companheira Dilma Rousseff vai ferrar futuros pensionistas, esquecendo os ralos que favorecem aos poderosos e aos corruptos, com uma baita gordura nas despesas do serviço público:

O engenheiro de 35 anos parou no engarrafamento da Avenida das Américas, na Barra da Tijuca, acompanhado da mulher grávida, de 29 anos. Dois bandidos encostaram a moto, um apontou a arma e pediu todos os objetos de valor.  A um movimento da vítima, o assaltante assustou-se e atirou. Morte instantânea.

Três dias depois, os assassinos são presos, confessam, têm a prisão preventiva decretada e entram no depósito dos mais de 500 mil presidiários sustentados pelo contribuinte. A partir de então, sobrepostos uns sobre os outros, terão casa, comida e roupa lavada sem produzir nada na cadeia, embora custe mensalmente em torno de R$ 3 mil e 300 ao Estado. Ou um total de R$ 19 bilhões e 800 milhões por ano só pela carceragem.

A viúva não terá a mesma sorte. Pela Medida Provisória urdida pelo "ex-Bradesco" Joaquim Levy, novo tzar da economia e endossada pela nossa presidenta acossada, ela não terá direito à pensão, independente do tempo de contribuição do falecido. Terá de se virar por que os 22% descontados para a Previdência (do patrão e empregado, incluindo aí o nababesco Sistema "S") serão usados para pagar os crônicos superfaturamentos e a roubalheira que fazem fortunas de gerações de predadores dos recursos públicos.

O criminoso, ao contrário, ainda terá como compensação a possibilidade de requerer o auxílio-reclusão, desde que tenha contribuído para o INSS até um ano antes do latrocínio.

Para ser mais claro: a viúva não terá direito a nada por ser menor de 35 anos: se tivesse mais também ficaria no prejuízo, pois sua pensão será cortada ao meio, conforme a primeira grande novidade do segundo mandato da candidata das forças populares, do campo progressista, etc. etc. etc. Já o assassino terá seus "direitos" intactos e garantidos por cima de pau e pedra.

A presidenta Dilma Rousseff comparecerá a eventos solenes cercada por bajuladores e sanguessugas e vai reiterar que o seu "ajuste fiscal" pra lá de "neoliberal" está causando o mínimo de sacrifício aos trabalhadores, de cuja espinha se serviu para vencer, com o discurso de que suas conquistas não seriam afetadas nem que a vaca tossisse. E ainda será aplaudida de pé por uma militância cada vez mais acrítica e fisiológica, e por uma turba perdida no turbilhão da informação manipulada.

À semelhança do receituário conservador do adversário derrotado, a presidenta vitoriosa terá sacramentado o surrupio de conquistas sociais elementares, esculhambando de vez com a doutrina da segurança jurídica e dos direitos adquiridos.

Isto por que o contrato firmado com o desconto compulsório será letra morta e desmoralizará o próprio cálculo contábil pelo qual o nosso regime previdenciário é lastreado - a solidariedade entre gerações  e num caixa único (não individualizado, como na previdência privada e em outros países).

Trocando em miúdos, a aritmética vai pras cucuias. Também dançaram os pressupostos de que eu contribuo hoje para ter retorno amanhã (quando precisar) na forma e nos prazos dos benefícios contratados e matematicamente cobertos em qualquer circunstância. Benefícios que incluem as pensões, sustentadas conforme cálculos atuariais.

Para tentar justificar a subtração dos direitos dos futuros pensionistas apresentarão algumas distorções isoladas, bem como o crime da maior expectativa de vida, que fundamentou a tunga do "fator previdenciário" criado por FHC.  Mas certamente os que endossarão o golpe praticado pelo governo em que votamos seriam os primeiros a montar barricadas se a iniciativa tivesse a assinatura do adversário.

Nesse ambiente de arbitrariedades não se poderá mais falar em isonomia. Nem em expectativa de direito. Nem em contrato fundado em ato jurídico perfeito. Nem em legislação de proteção social. Nem em cláusulas pétreas.  Tudo será diluído na hermenêutica da conveniência.  

Assim, a companheira Dilma copiará o adversário apontado como protagonista do retrocesso, mas continuará exibindo aquela foto de "coração valente" e porta-bandeira das cores púrpuras dos combatentes intrépidos.

E não vai aparecer uma viva alma para lembrar que o buraco é mais em cima.  Todo mundo sabe dos empréstimos não pagos pelos poderosos latifundiários, da sonegação continuada,  das renúncias fiscais abundantes, dos refinanciamentos políticos de dívidas, da excessiva leniência dos bancos estatais com seus devedores chiques. Sabe que o enxugamento das despesas públicas de verdade teria que pegar os tubarões e não só as sardinhas, mas isso ninguém fala por que é impossível erradicar sujeiras quando o poder público é loteado – isso na União, nos Estados e nos municípios.

De onde o expediente perverso de refazer unilateralmente os contratos previdenciários, como vem acontecendo desde FHC, atingindo preferencialmente quem não tem como espernear e chutar o pau da barraca.

13 comentários:

  1. Anônimo7:13 AM

    Prezado Pedro
    Admiro você, eterno defensor dos PTralhas e suas criaturas malditas, fazendo esses comentários. Tudo bem que o Aecinho não seja confiável, porem o propalado estelionato eleitoral já se iniciou, antes mesmo da posse oficial para o segundo mandato. E pela composição do próximo ministério, vamos continuar na lesma lerda. Faltou convocar o Tiririca para a Educação. Se somos todos feitos de palhaços, por que não entregar o assunto a um profissional?

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  2. Sérgio Amorim12:22 PM

    Pedro, como grande incentivador dos PTralhas, falta sua mea culpa. As torcidas do Flamengo e do Bangu continuam aguardando. Se arrependimento matasse...

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    1. Este meu comentário é uma crítica pontual e não um arrazoado contra o governo da presidenta Dilma. Outras críticas poderão vir. E, se for o caso, aplausos também. Mas com certeza fizemos a melhor opção ao derrotar o esquizofrênico e a direita golpista. Desses não esperaria nada, pois o COMPROMISSO COM O RETROCESSO era "contratual". Mas quem tem uma visão primária da política e do exercício da liberdade não consegue admitir senão o conflito maniqueísta, essa de que "Nós não erramos, eles não acertam".

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    2. Sérgio Amorim4:30 PM

      "Crítica pontual", Porfírio, fale sério!
      "Direita golpista", Porfírio?! O que é melhor? Uma falsa esquerda?! Antes o mineiro, que nunca se vestiu de esquerdóide, que nunca se fez passar por torturado!
      Você fala em "retrocesso contratual", OK. O que prefere: uma promessa de avanço social, mas que se revela um profundo retrocesso? Uma mentira deslavada, é isso que você prefere? Basta prometer, desde que a promessa seja vermelhinha? E na hora de cumprir? Com Kátia e com Levy haverá esperança? Não é melhor quem declara que chamaria o Armínio e cumpre do que uns patifes travestidos de esquerda? Esquerda Caviar.

      Eu sei, Porfírio. Você deve estar profundamente decepcionadoi, afinal, você não pertence à turma do Caviar. Não esperava esse golpe, tão rápido, antes mesmo da posse. Certamente, para o mundo, um novo governo, que tivesse derrotado nas urnas, de modo acachapante, o governo da roubalheira, mostraria que O Povo não aprova essas brutais barbaridades que lhe impõem.

      Mas, O Povo, coitado, inebriado com as esmolas que vêm de cima, sequer tem opção. E o Mundo sabe e assiste a isso. Passamos recibo de sermos um povo indolente, sem qualquer consciência, sequer contra o próprio opressor, esse governo que abandonou a saúde pública, a educação, as reformas de base, que tanto beneficiou os latifundiários e os banqueiros, que tanto roubou, escancaradamente... que vergonha de ser brasileiro, Porfírio.
      Nossas parcas esperanças repousam, agora, sobre os processos que virão dos EUA contra essa corja, ladravazes da Petrobras. Ao que parece, vai feder pros lados das Dilmas, das Gracinhas Forsters e todos aqueles que se aproveitaram nos últimos anos da pasmaceira nacional.

      Confesse Porfírio, ao menos, que você está profundamente arrependido.
      Eu, da minha parte, assim como Brizola, jamais esperei nada desses barbudinhos.

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  3. Desamparado pelo Estado, o cidadão segue perseguido, escorchado pelos “agentes públicos” trambiqueiros que passam longe do interesse público apesar dos altos salários que recebem. Quem imaginou que os socialistas Lula e Dilma Roussef seriam diferentes enganou-se. Ele, um pobre coitado vindo do Pernambuco, que apanhava de mangueira do pai, mora hoje em duplex em Santo André e se dá ao luxo de possuir um triplex numa das mais valorizadas praias do Guarujá construído pela OAS metida até o pescoço no Petrolão. Ela, filha de especulador imobiliário em Belo Horizonte assume pela segunda vez a presidência da República. Me engana que eu gosto. Desde Deodoro o comando do país vem trocando de mãos, sujas mãos. Só nos resta, amigo Pedro Porfírio, o idealismo dos quixotes. Quer saber, se depender da Justiça, essa roubalheira toda na Petrobras, BNDES, portos, rodovias e muita coisa mais periga não dar em nada. Para nós resta apenas suportar o mau cheiro de Dilma ET caterva. O resto é silêncio.

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  4. Parabens Pedro Porfírio; é na imprensa a primeira voz que se levanta contra a MP que vai meter a mão no bolso do trabalhador brasileiro. A dona Dilma – que já comprou um palacete em Porto Alegre, por 5 milhões – não sei se foi em reais ou em dólares – passou a perna nos que votaram nela. Hipócrita e mentirosa baixou essa MP para acabar de vez com os contribuintes que trabalham neste país. Por que não mexe nas gratificações e adicionais, além dos cartões de despesa, que os palacianos e bajuladores recebem? Não votei nela porque em nenhum momento acreditava nas suas palavras. Mentiu sempre e vai continuara mentir.

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  5. A Petrobras nunca foi do povo brasileiro como gritava a esquerda dos bares de Ipanema, A PTbras sempre foi e sempre será dos seus diretores. São eles que comandam essa estatal riquíssima que se tornou a mina de ouro do partido do governo atual.

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  6. Paulo Gianinni6:21 PM

    No Brasil, falar e escrever sobre os brasileiros mentirosos, desonestos, indignos e desonrados é fácil.
    Ficaria muito feliz, se pudesse falar e escrever sobre brasileiros patriotas, honestos, dignos, honrados e lideres.

    Os mentirosos, desonestos, indignos e desonrados nós já conhecemos há muito tempo.

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    1. Então fale sobre os brasileiros patriotas, honestos, dignos, honrados e líderes.

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    2. Anônimo8:41 PM

      Prezado J.A.Barros,

      Em poucas palavras talvez até rudez você respondeu o comentário do Sr. Paulo Gianinni e eu como cidadão patriota, honesto, digno, honrado e pertencente ao MOVIMENTO 31 DE JULHO que é contra a corrupção, roubalheira, impunidade e desmazelo do Governo que ai esta com seus aliados, fazendo do Brasil um recordista de escândalos milionários praticados pelos PTralhas, tentamos incansavelmente chamar a atenção da opinião publica, clamamos pelo IMPEACHMENT de toda cúpula dos recentemente reeleitos.Poucas opções temos, contudo, já vivemos bons momentos antes de LULA, DILMA e aliados.
      O POVÃO, já esta cansado de tantos sacrifícios então ajude o Brasil sair desta situação.
      Abraços

      Nelson Schuler - 77 anos
      Brasileiro Indignado.

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Jornalista desde 1961, quando foi ser repórter da ÚLTIMA HORA, PEDRO PORFÍRIO acumulou experiências em todos os segmentos da comunicação. Trabalhou também nos jornais O DIA e CORREIO DA MANHÃ, TRIBUNA DA IMPRENSA, da qual foi seu chefe de Redação, nas revistas MANCHETE, FATOS & FOTOS, dirigiu a Central Bloch de Fotonovelas. Chefiou a Reportagem da Tv Tupi, foi redator da Radio Tupi teve programa diário na RÁDIO CARIOCA. Em propaganda, trabalhou nas agências Alton, Focus e foi gerente da Canto e Mello. Foi assessor de relações públicas da ACESITA e assessor de imprensa de várias companhias teatrais. Teatrólogo, escreveu e encenou 8 peças, no período de 1973 a 1982, tendo ganho o maior prêmio da crítica com sua comédia O BOM BURGUÊS. Escreveu e publicou 7 livros, entre os quais O PODER DA RUA, O ASSASSINO DAS SEXTAS-FEIRAS e CONFISSÕES DE UM INCONFORMISTA. Foi coordenador das regiões administrativas da Zona Norte, presidente do Conselho de Contribuintes e, por duas vezes, Secretário Municipal de Desenvolvimento Social. Exerceu também mandatos em 4 legislaturas na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, sendo autor de leis de grande repercussão social.