sábado, 17 de janeiro de 2015

Os canastrões de Paris

Massacres precisam de uma explicação mais razoável: por enquanto parecem mais uma farsa mal encenada

"Charlie é um jornal semanal que, antes de toda a redação ser exterminada à bala, estava já em agonia, morrendo por falta de leitores. Já era o resíduo, o resto, de uma época do espírito já há muito tempo ultrapassada".


Escolheram tão mal os vilões, as vítimas e os encenadores que tudo deu certo, pelo menos nos primeiros dias. Franceses de todos os matizes entraram na dança sem perguntas ou dúvidas. O Ministério do Interior garante que nunca, jamais, em tempo algum as ruas de suas grandes cidades estiveram tão apinhadas para expressar uma rotunda condenação aos 3 rapazotes que os deixaram trêmulos naquele insólito 7 de janeiro. E como diante de uma hecatombe atômica tratavam de exorcizar seus fantasmas repetindo ainda nervosos:  "not afraid" (não temos medo).

Mas, segundo reportagem no diário Le Figaro, os franceses nunca compraram tantos ansiolíticos como nos dias seguintes à tragédia: citando especialistas, o jornal destacou que “a angústia e a sensação de medo é real, uma reação inevitável”. Enquanto no país o consumo de tranquilizantes aumentou em 18,2%, em Vincennes, distrito onde ocorreu a tomada de reféns em um supermercado judaico, e em diversos bairros de Paris, o aumento foi muito maior, segundo Helene Romano, doutora em psicopatologia. A elevação do consumo superou 30%.

Qualquer um tinha direito à própria oração, mas o mote que prevaleceu nas passeatas de domingo, 11,  foi o da manipulável liberdade de expressão, sintetizado no slogan que correu o mundo: Je suis Charles, em alusão ao semanário que, dizendo-se um "journal irresponsable" , teria levado islamitas ao desatino com seus insultos sistemáticos ao profeta Maomé.

Como Mel Brooks mostrou em seu filme "Primavera para Hitler", quando tudo dá errado, tudo dá certo. Não precisava nem que os 3 rapazes se comportassem como autênticos "jihadistas", papel que não foi ensaiado.  Um deles,  Amedy Coulibaly, era delinquente desde a adolescência. E, como Cherif Kouachi, outro da mesma ficha corrida, teve seu primeiro contato com um islamita engajado na prisão de Fleury-Merogis (Essonne). Djamel Beghal, que cumpria pena sob a acusação de planejar atentado contra a embaixada norte-americana, passou a ser sua referência religiosa.

No entanto, Hayat Boumeddienne, sua esposa, nunca acreditou na sua conversão. "Amedy não é realmente muito religioso. Ele gosta de se divertir, tudo isso. Não gosta de se vestir como muçulmano (...) Normalmente, é uma obrigação para os homens a ir à mesquita na sexta-feira. Amedy, eu diria que, basicamente, vai à Mesquita a cada três semanas ... "

Diferente dos parceiros, Amedy fez questão de dizer em vídeo que era financiado pelo "Estado Islâmico", uma dissidência do Al Qaeda de atuação local, embora também  procurasse vincular sua ação no supermercado judaico  aos irmãos que se declaram financiados pela facção iemenita do Al Qaeda, a AQPA, que no mesmo dia 7 de janeiro provocou mais de 30 mortes numa explosão de um carro bomba em frente à Academia de Polícia de Sanaa, a capital do Iêmen. Essas vítimas não foram lembradas em nenhum momento das manifestações, talvez por que não passavam de árabes de um país pobre e não viviam no centro da civilização ocidental e cristã.
Identidade deixada no carro. Não tem explicação.

Nada mais despropositado do que o "descuido" fatal de uma carteira de identidade deixada no carro usado na fuga. Nem tão estranho que um tiro a queima roupa de fuzil AK-47  não tivesse estourado os miolos de um policial francês (por coincidência, muçulmano). Nem mesmo que um veículo da polícia houvesse dado marcha à ré para facilitar a fuga dos assassinos (Veja os vídeos).



Foi tudo muito inusitado, ridículo bastante para fazer La Marseillaise  soar outra vez em tal uníssono que nem na derrota dos nazistas aconteceu, como jura de pés juntos messiê Bernard Cazeneuve, o exibido ministro do Interior da França.

Todos, de todos os credos e matizes, incorporaram a repulsa no luto pelas 17 vítimas francesas dos 3 rapazotes,também franceses. Eram variadas as motivações – tudo cabia no cenário em que chefes de Estado de quase 50 países desfilaram na primeira fila, em defesa da "liberdade de expressão", a mais cínica consagração à hipocrisia da maioria deles.
Isso no contexto de uma farsa ousada que muitos engoliram: aquelas ações criminosas usavam a religião islâmica apenas como bucha de canhão, embora, pela lógica, isso fosse possível – são 1 milhão e 600 milhões de muçulmanos no mundo, dos quais 6 milhões só na França e "blasfêmias" desse tipo passaram dos limites, como ponderou o Papa Francisco.
Até mesmo quem nunca morreu de amores pelo semanário "irresponsable" ecoou o slogan da ocasião: "Je suis Charlie".  E cada um tentou dizer o por que fora ali: muitos estavam assustados, temendo mais um capítulo escabroso de uma novela que se arrasta no círculo da intolerância e que teve como emblema mais ostensivo a proibição das muçulmanas usarem a burca, adereço de seu figurino milenar. Preocupação pertinente, haja visto a edição seguinte do Charlie, que voltou a carregar nas tintas da provocação e vendeu mais do que nas 60 edições anteriores somadas. E a pressa com que o premier Benjamin Netanyahu levou para Israel os corpos dos judeus mortos no supermercado, independente deles nunca terem vivido lá.

Os 200 mil mortos na Síria nunca tocaram os corações do Ocidente

Tal foi o rolo compressor que a mídia ocidental empanzinou-se nos lamentos seletivos. A ninguém ocorreu lembrar os outros milhares de mortos da mesma intolerância, segundo a pétrea escala de valores dos dominadores, tipo nossas vidas valem ouro, a dos outros nem um tostão furado.

Não mesmo. Quatro semanas antes do massacre de Paris, a ONG Observatório Sírio dos Direitos Humanos havia divulgadoque
pelo menos 202.354 pessoas morreram e mais de um milhão e meio ficaram feridas desde que começou a contabilizar as vítimas na Síria, em 18 de março de 2011, até 1º de dezembro passado, no curso dos conflitos patrocinados e  financiados por esse mesmo Ocidente que tem no presidente "socialista" François Hollande um dos seus esteios.
Entre as vítimas dessa tentativa de derrubar o governo laico e legítimo da Síria com o uso de mercenários e desempregados das redondezas e muito dinheiro e armas de países ocidentais,  mais de 63 mil eram civis, incluindo 10 mil crianças e 6 mil mulheres. Antes, agindo diretamente com sua aviação e empregando 110 mísseis "Tomawahawak" disparados de porta-aviões (cada míssel custa 1 milhão e meio de dólares), Estados Unidos, França e Inglaterra dizimaram a Líbia e inviabilizaram suas instituições, hoje saqueadas por milícias e gangues.

Como um dos objetivos do decadente estado francês é infernizar as vidas de 6 milhões de muçulmanos (10% da população), mantendo-os na periferia como mão de obra escrava, a motivação religiosa serve às aparências. Não querem investigar mais a fundo os vínculos dos rapazotes com o Al Qaeda e sua dissidência, o Estado Islâmico, financiados pela aliança ocidental e treinados em campos da Turquia e Arábia Saudita, seus aliados incondicionais.

Isto por que, para que não ocorresse uma "delação premiada", os três foram sumariamente fuzilados, mesmo quando era possível capturá-los vivos, como no caso dos dois irmãos cercados na gráfica isolada.


Não querem sequer investigar a sério outras hipóteses sobre os atentados do dia 7 de janeiro, que podem ter sido de encomenda como mostram evidências: essa dos terroristas esquecerem a identidade no carro usado, embora paramentados até os dentes para não serem reconhecidos, não dá para engolir a seco.  E mais: disseram que eram 3 os que agiram no jornal e só acharam dois; disseram que havia um casal no supermercado judaico e só encontraram o varão.  

Há hoje vários vídeos na internet que comprometem as versões oficiais: num deles, um carro de polícia que havia encurralado os assassinos recua e dá passagem, depois que eles abrem fogo, mas não ferem nenhum policial. Outro torna insustentável a versão de que eles teriam disparado contra a cabeça de um policial: uma bala de AK-47 teria simplesmente estourado os miolos da vítima. Pessoas que filmaram a fuga se perguntavam se eles disparavam com balas de verdade.

Isso tudo mostra que houve uma operação do tipo falsa bandeira (False Flag) ação conduzida por governo, corporação ou organização que simula agressões do inimigo para tirar proveito das consequências resultantes.

Duas matérias postadas na internet indicam com consistência interesses que se aproveitarão dos massacres praticados por esses "muçulmanos" de araque. Uma, na página da Pátria Latina, é uma boa pista:

"Por que agora o Iêmen? O que agora o mundo (ou os EUA) querem com esse país pobre fronteiriço da Arábia Saudita? Leia esse trecho do documento “A Agenda Secreta do Iêmen: por trás dos cenários da Al-Qaeda, o gargalo estratégico do petróleo” de 2010 do Centre of Research on Globalization (CRG):

    “A importância estratégica da região entre o Iêmen e a Somália torna o ponto de interesse geopolítico. Lá está o estreito de  Bab el-Mandeb, um dos sete pontos que os EUA consideram gargalos para o transporte de petróleo – um gargalo entre o cabo da África e Oriente Médio, e uma ligação estratégica entre o Mar do Mediterrâneo e o Oceano Índico”.

O impactante atentado de uma suposta ramificação da Al-Qaeda no Iêmen seria um pretexto perfeito para a militarização da águas em torno de Bab el-Mandeb pelos EUA ou OTAN. Os EUA buscam o controle desses gargalos críticos no mundo. Essa região seria estratégica em um futuro próximo pela possibilidade de controle do petróleo para a China, União Europeia ou qualquer região que se oponha à política norte-americana".

Outra, reproduzida em vários sites, desenvolve uma instigante teoria da conspiração: os atentados teriam sido patrocinados pelo Mossad, o serviço secreto de Israel. Os relatos de detalhes deixam qualquer um com a pulga atrás da orelha.

O que eu tenho certeza, neste instante, é de que aqueles 3 rapazotes foram jogados na fogueira, mediante uma boa grana, por outras razões que não a indignação diante dos insultos a Maomé. Se fosse assim, o modus faciendi seria outro. 

Um comentário:

  1. Anônimo6:20 PM

    Nada é o que parece, tudo é uma grande farsa !
    Je suis hypocrite !

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Quem sou eu

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Jornalista desde 1961, quando foi ser repórter da ÚLTIMA HORA, PEDRO PORFÍRIO acumulou experiências em todos os segmentos da comunicação. Trabalhou também nos jornais O DIA e CORREIO DA MANHÃ, TRIBUNA DA IMPRENSA, da qual foi seu chefe de Redação, nas revistas MANCHETE, FATOS & FOTOS, dirigiu a Central Bloch de Fotonovelas. Chefiou a Reportagem da Tv Tupi, foi redator da Radio Tupi teve programa diário na RÁDIO CARIOCA. Em propaganda, trabalhou nas agências Alton, Focus e foi gerente da Canto e Mello. Foi assessor de relações públicas da ACESITA e assessor de imprensa de várias companhias teatrais. Teatrólogo, escreveu e encenou 8 peças, no período de 1973 a 1982, tendo ganho o maior prêmio da crítica com sua comédia O BOM BURGUÊS. Escreveu e publicou 7 livros, entre os quais O PODER DA RUA, O ASSASSINO DAS SEXTAS-FEIRAS e CONFISSÕES DE UM INCONFORMISTA. Foi coordenador das regiões administrativas da Zona Norte, presidente do Conselho de Contribuintes e, por duas vezes, Secretário Municipal de Desenvolvimento Social. Exerceu também mandatos em 4 legislaturas na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, sendo autor de leis de grande repercussão social.