sábado, 22 de novembro de 2014

Intriga da oposição

Não acredito que a Dilma vá entregar o ouro aos bandidos, passando a perna em quem nela acreditou


Pelas barbas do profeta (ou o bigode do Mercadante), com essas eu não contava. Aliás, na réstia de esperança que brota da minha santa ingenuidade ouso dizer que tudo o que estão noticiando é intriga da oposição. Não é possível que a elite reacionária tenha passado a perna na gente humilde de forma tão afrontosa e tão cara de pau.

Tá todo mundo na maior dúvida: não é possível que o novo ministro da Fazenda saia do saco de maldades da banca. Seja da mesma cepa do outro que cintilava na quermesse tucana. Nem que o Ministério da Agricultura caia no colo da rainha dos latifundiários. Não foi para isso que a massa emprestou seu dorso à querida do coração valente, que parecia jogada à fogueira pela própria plêiade. Não foi mesmo.

Fechamos os olhos pra um monte de coisas por que queríamos barrar o retrocesso representado por todos que não fossem ela. Queríamos oferecer nossas últimas gotas de sangue para o sonho possível. Era o seu retrato de corajosa resistente nos idos cinzas da ditadura que nos inspirava à liça. Não a imaginávamos jamais de joelhos diante de quem quer que fosse. Estávamos na sua tropa por ela e não por indicação d'outro, como na primeira vez.

Sabíamos do desafio que pairava no ar, sinalizando ventos e trovoadas. Não seria  fácil, por que a canalha privilegiada não ia saber perder; ia querer virar a mesa, ia mover Deus e o mundo para impedir qualquer passinho que significasse avanço, justiça social e todo o rosário de urgentes mudanças para melhor.

Mas não sabíamos que o diabo estava à espreita. Que sua voz tirana falasse mais alto. De fato, tão repugnante como não saber perder é não saber ganhar. É se render ao primeiro grito numa hora em que a faca e o queijo pintavam no tropel das investigações que deixaram no chilique os sócios afortunados do Estado, acuados pelas velhas práticas agora desnudadas.

Por enquanto, pelas horas ainda primaveris deste fim de semana, prefiro acreditar num pesadelo passageiro. Nada do que estão dizendo é real, consolo-me no do-re-mi da maior angústia. A gente não merece.  Portanto, não será isso que o reincidente poder paralelo já celebra na afoiteza do domínio continuado.

Meu Deus. O que fizemos de pecaminoso aos céus que justificasse o castigo, aquele filho da puta olhando pra nossa cara e dizendo: bem feito, quem mandou?

Não. Por mais que a saúde esteja padecendo de um novo ataque do terrível tumor, não posso ficar prostrado, permitindo que nos façam de palhaços.

Se for para conviver com tanta perfídia, não vale nem sonhar com mais dias de vida. Viver pra que, patriotas apaixonados?

Pra deixar baterem nossas carteiras em plena luz do dia? Pra engolir toda a vileza arrivista de próceres covardes e inconfiáveis?

Não pode ser, não pode mesmo. Tudo o que estão dizendo é produto da maquinação diabólica, pra nos ferir de dolorosas amarguras.

Por hoje, pelo Sol que banha meu horizonte, prefiro esperar. A esperança é a última de morre.


O pensamento político de Kátia Abreu
 Veja o  artigo A FALÊNCIA BOLIVARIANA, que ela escreveu na FOLHA DE SÃO PAULO em 16 de agosto de 2014.

Carta de um brasileiro à presidenta Dilma:
"Creio que muito dificilmente algum outro nome poderia igualar-se ao da Senadora Kátia Abreu, em termos de simbolismo de tudo que é diametralmente oposto aos ideais e aspirações dos que sufragaram o nome de Vossa Excelência nas duas últimas eleições presidenciais, e, por estes ideais foram às ruas e/ou se valeram das redes sociais, muitas vezes com enorme sacrifício pessoal".
 Rio de Janeiro, 20 de novembro de 2014
A Sua Excelência,
A Senhora Dilma Rousseff
DD. Presidenta da República
Brasília, DF

Senhora Presidenta.

Sou João Carlos Bezerra de Melo, economista, 70 anos, residente no Rio de Janeiro, eleitor e muito aguerrido militante das suas duas campanhas presidenciais.  Essa militância, voluntária que foi, não me concede, evidentemente, maiores créditos nem me autoriza, a mim, individualmente, uma atitude de cobrança de opções políticas da parte de Vossa Excelência, reeleita para dirigir os destinos do País no próximo quadriênio, pelo voto de mais de 54 milhões de brasileiros, estes, sim, no seu conjunto, outorgantes do seu mandato e credores dos compromissos por Vossa Excelência publicamente assumidos.   Evidentemente, não poso falar em nome deles, no seu todo.   Mas posso manifestar a minha indignação pessoal, ante as notícias que hoje circularam, segundo as quais Vossa Excelência teria escolhido a Senhora Senadora Kátia Abreu, presidente da Confederação Nacional da Agricultura, membro da sociedade civil denominada União Democrática Ruralista e conhecida pelo apodo de Rainha da Motosserra, para exercer o cargo de Ministra da Agricultura, no quadriênio que se avizinha.

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quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Sem povo, golpismo se isola

Rascunhos pela exceção produzidos, na mídia, pela trinca Merval Pereira, Ferreira Gullar e Arnaldo Jabor despertam repulsa; chamados à radicalização feitos pelo senador Aloysio Nunes e ex-governador Alberto Goldman os equiparam ao deputado Jair Bolsonaro; povo não corresponde a impulsos golpistas; falta de ressonância política à pregação da quebra da ordem mostra que arautos do caos estão isolados

247 – O golpismo assoprado entre alguns colunistas da mídia tradicional, que por sua vez contaram com o incentivo prévio de políticos dispostos a radicalização, caiu no vazio. Faltou eco nas ruas e não há  ressonância no Congresso para as teses rascunhadas por colunistas como Merval Pereira, de O Globo, e moralistas como o poeta Ferreira Gullar e o global Arnaldo Jabor. Não houve repercussão positiva à tentativa, feita por Merval, em texto na terça-feira 18, em O Globo, de elevar à condição de tema político sério a tese de impeachment da presidente Dilma Rousseff e do vice Michel Temer. "Isso não é golpismo", escreveu, candidamente, o imortal que dera o roteiro para a derrubada da presidente eleita num tapetão institucional.
Antes de Merval, com um pouco mais de parcimônia, Jabor classificou o momento atual como igual "a um passado pré-impeachment do Collor". Uma torcida evidente pela retomada daquela movimentação. Buscando destaque nesse debate, Gullar registrou no fim de semana a expressão "golpe democrático", que sabe se lá como pode ser aplicado, uma vez que é golpe, mas é democrático. À la Paraguai, talvez ela tenha procurado dizer.
Esses posicionamentos se esvaziaram por si mesmos, mas eles foram assoprados, antes, por chefe políticos como o senador Aloysio Nunes e o ex-governador Alberto Goldman. Ambos conseguiram ficar isolados no PDSB ao pregar o não diálogo com o governo que, efetivamente, venceu uma eleição democrática. Goldman chegou a avaliar que a presidente Dilma "não terá condições de governar". Com essa expressão de vontade, equiparou-se ao deputado Jair Bolsonaro, que se elege pregando a negação da democracia por meio da volta dos militares ao poder.
O problema tanto para os colunistas como para os políticos é que não foi dada nenhuma atenção expressiva ao que eles escreveram ou disseram. Por duas vezes tentou-se levar, a partir de São Paulo, para dezenas de cidades brasileiras as marchas pela derrubada de Dilma. Isso representaria a montagem do cenário público para o golpe do resultado de uma eleição democrática.
O vazio das passeatas ocorridas apenas na avenida Paulista – e que sequer existiram em outras cidades – mostrou, porém, que os que pregão um atalho para tentar voltar ao poder estão sozinhos. No Congresso, o convite à instalação de um processo de impeachment não teve o menor eco.
Sem querer, a meia dúzia de pregadores da interrupção no ciclo democrático prestou um serviço à democracia: ficou provado que ideias esdrúxulas como as deles não criam o mesmo clima de crise que argumentos muitos semelhantes conseguiram criar 50 anos atrás, nos idos de 1964. Eles podem não ter percebido, mas o Brasil de hoje não se deixar enganar e está pronto para resistir às vivandeiras de plantão.

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

O desafio do atual Governo

   
Publicado na revista CARTA CAPITAL
 A tarefa dos democratas e progressistas hoje é fortalecer o governo Dilma no Congresso, para que possa fazer frente à coalizão de centro-direita, e junto à cidadania, para avançar com reformas.

A chamada classe-média alta e a pequena burguesia descobriram que a emergência dos pobres – a ascensão dos de baixo – cobra-lhes dividendos: para que muitos tenham algo a mais é preciso que poucos tenham um pouco menos. Esse preço, no entanto, parece-lhes muito alto. Os ascendentes miram sempre patamares mais elevados, e os que já lá estão temem essa chegada, pois não há garantia de espaço para todos. No frigir dos ovos, alguém haverá de ceder, e o medo da queda é mais forte do que o sonho que acalanta a subida. Sob o pavor de uma eventual regressão social, que não as ameaçam, as camadas médias urbanas tentam impedir a mobilidade social – este, o novo “fantasma” da sociedade fundada na desigualdade de classe.

É contra a ascensão dos pobres que berra e se mobiliza a direita brasileira, açulada pelo discurso de uma oposição biliosa: seu combustível é o medo.

CLIQUE AQUI e leia o texto na íntegra

Quem sou eu

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Jornalista desde 1961, quando foi ser repórter da ÚLTIMA HORA, PEDRO PORFÍRIO acumulou experiências em todos os segmentos da comunicação. Trabalhou também nos jornais O DIA e CORREIO DA MANHÃ, TRIBUNA DA IMPRENSA, da qual foi seu chefe de Redação, nas revistas MANCHETE, FATOS & FOTOS, dirigiu a Central Bloch de Fotonovelas. Chefiou a Reportagem da Tv Tupi, foi redator da Radio Tupi teve programa diário na RÁDIO CARIOCA. Em propaganda, trabalhou nas agências Alton, Focus e foi gerente da Canto e Mello. Foi assessor de relações públicas da ACESITA e assessor de imprensa de várias companhias teatrais. Teatrólogo, escreveu e encenou 8 peças, no período de 1973 a 1982, tendo ganho o maior prêmio da crítica com sua comédia O BOM BURGUÊS. Escreveu e publicou 7 livros, entre os quais O PODER DA RUA, O ASSASSINO DAS SEXTAS-FEIRAS e CONFISSÕES DE UM INCONFORMISTA. Foi coordenador das regiões administrativas da Zona Norte, presidente do Conselho de Contribuintes e, por duas vezes, Secretário Municipal de Desenvolvimento Social. Exerceu também mandatos em 4 legislaturas na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, sendo autor de leis de grande repercussão social.