quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Gastança inútil e perdulária

Custo da atividade parlamentar no 


Brasil ultrapassa R$ 20 bilhões/ano



Por Célio Turino maio 30, 2013 23:32       




Uma câmara de deputados federais e um senado, 27 assembléias legislativas e 5.564 câmaras de vereadores. Custo total: mais de R$ 20 bilhões por ano! O equivalente ao orçamento anual do programa Bolsa Família (R$ 22,1 bilhões), que beneficia 13,9 milhões de famílias. Convenhamos, há muito tempo o custo da atividade parlamentar ultrapassou o limite do razoável. E isto não significa desconsiderar a relevância do poder legislativo, pelo contrário, sem poder legislativo não há democracia, mas quando o poder político se descola da realidade de quem deveria representar, é a própria democracia que se vê ameaçada. É preciso impor um freio a estes custos estratosféricos.

Antes que o fosso entre representantes e representados torne-se intransponível (e talvez já tenha se tornado), cabe à nação, ao povo, aos cidadãos e contribuintes, repactuar um custo aceitável para o funcionamento legislativo no país, impondo um teto global de despesas. O orçamento do Congresso Nacional (Câmara e Senado) é de R$ 8,6 bilhões (2013), ou o equivalente ao orçamento de vários ministérios juntos; antes de cair em um estéril debate de varejo (tão ao gosto da mídia do espetáculo ou ao senso comum), reclamando sobre mordomias e despesas inúteis (que são muitas), melhor definir um teto global para o orçamento do Congresso.

Segundo pesquisa da ONU em parceria com a UIP (União Interparlamentar), o custo do Congresso brasileiro é o segundo mais caro do mundo, seja em valor global ou por parlamentar (US$ 4.415.091,00), apenas superado pelos Estados Unidos.

 Se aproximássemos a média de custo da atividade parlamentar brasileira à média dos custos na Alemanha (total: US$ 821 milhões // por parlamentar: US$ 1,191 milhão) e França (total: US$ 998 milhões // por parlamentar: US$ 1,079 milhão), o custo total do Congresso (Senado e Câmara de Deputados) deveria ser de US$ 674 milhões (média por parlamentar: US$ 1,135 milhão), ou R$ 1.348.380.000,00. Caso a comparação fosse feita com realidade mais próxima, como Argentina (5ª maior despesa média do mundo) ou México (7ª maior despesa média do mundo), a situação seria a seguinte: Argentina (total US$ 1,138 bilhão // US$ 1,917 milhão por parlamentar), México (total US$ 1,055 bilhão // média de US$ 1,777 milhão); neste caso o custo máximo do Congresso Brasileiro deveria ser de US$ 1,847 milhão por congressista, com um orçamento total de US$ 1,097 bilhão, ou R$ 2.194.236.000,00. Como resultado, uma bilionária economia de R$ 6.405.764.000,00!!

A título de comparação: este valor seria suficiente para elevar o salário de todos os professores rede pública do país em R$ 492,00/mês, ou para recuperar milhares de quilômetros de estradas, ou para a construção de vários hospitais e sua manutenção. E caberia ao Congresso definir a adequação de suas despesas ao teto permitido pela sociedade, seja com a redução de salários e mordomias ou corte de pessoal, que, no caso de concursados, poderiam ser repassados para a União.

O mesmo deve acontecer em relação ao orçamento das Assembléias Legislativas e Câmaras de Vereadores. Além do limite de gastos, estas casas legislativas também devem receber outra trava: o impedimento do uso de recursos do Fundo de Participação dos Estados e Municípios em despesas legislativas. A transferência de recursos da União (ou de estados para municípios) é resultado de um esforço de arrecadação que envolve toda nação e deve atender prioridades básicas, como saúde, educação, cultura e assistência social, além de investimentos em infraestrutura local. Despesas com funcionamento legislativo devem ser cobertas exclusivamente com impostos arrecadados localmente.

 Esta medida teria, inclusive, função educativa na cultura política local, uma vez que aproximaria representantes de representados, que saberiam exatamente quanto estão gastando naquela atividade. Caso o estado ou município não disponham de recursos suficientes, que reduzam a despesa na proporção de seus recursos próprios, podendo, até mesmo, transformar a atividade legislativa em serviço voluntário, no caso de municípios muito pobres ou pequenos.

Claro que os atuais beneficiários deste verdadeiro cheque especial sem limites dificilmente aceitarão uma proposta como esta. Mas aí cabe a pergunta. Até quando os contribuintes (ou melhor, até quando você) continuarão assinando este talão de cheques sem fim?

Como caminho, por que não abrirmos uma Petição Pública para um Plebiscito Nacional que fixe teto de gastos para a atividade parlamentar?

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Reforma pra valer ou farsa (I)

É preciso ir fundo para acabar com as distorções que fazem da democracia brasileira uma balela


Essas idéias apresentadas como pilares de uma reforma política parecem mais condimentos de uma variação de procedimentos eleitorais, como se estivessem querendo preservar antigas estruturas de castas e covis.
Aí é que reside o perigo. Decidir se é voto distrital ou não, se tem coligação nas proporcionais ou não, se vamos abolir os financiamentos empresariais de campanha, francamente, nesse caso estamos falando alterações operacionais de um mesmo modelo político antidemocrático.  No caso dos financiamentos, já há uma decisão da maioria do STF, bloqueada pelo incrível ministro Gilmar Mendes, que pediu vistas mesmo depois da decisão configurada.

Se a intenção é fazer uma REFORMA POLÍTICA, é preciso questionar o modelo institucional, acabando com os bloqueios que tornam a democracia uma falácia.

O primeiro grande passo é extinguir esse sistema bicameral, removendo o Senado e enxugando o número de representantes numa única casa legislativa, como acontece hoje em 112 países como Portugal, Grécia, Suécia, Dinamarca, Islândia, Venezuela, Finlândia, Turquia, Israel, Síria e Noruega, um número maior do que os 75 que ainda têm legislativos sobrepostos. (Há pouco, como parte de uma verdadeira reforma política, a Itália optou pela extinção do seu Senado, provavelmente o mais antigo do mundo).

Há anos venho escrevendo sobre a inutilidade de uma câmara alta fazendo na prática o mesmo que a câmara baixa, o que torna a aprovação de qualquer projeto um parto: depois de passar por comissões, o projeto é submetido duas vezes aos dois plenários. E é comum voltar à casa de origem ao ser emendado na outra.

Em 2009, o jurista Dalmo Dallari incluiu a extinção do Senado como base de uma reforma política, conforme escreveu em seu livro Fundamentos do Constitucionalismo - História, Política e Direito.  Naquele ano, o jornal O Estado de São Paulo publicou uma longa entrevista com o seguinte lide:

"O modelo bicameral brasileiro não se justifica", provoca o jurista Dalmo Dallari, que trabalha em um livro sobre o constitucionalismo em que analisa a necessidade de duas casas legislativas. "Para que, além dos representantes do povo, que são os deputados, precisamos de representantes dos Estados, se eles são tão dependentes do governo federal?", questiona o professor da Faculdade de Direito da USP, colocando em xeque uma casa parlamentar que controla um orçamento de R$ 3 bilhões.

A história do Senado brasileiro, desde o Império, é a história de um paraíso reservado às oligarquias, como observou ironicamente Darcy Ribeiro, depois de um tempo lá: “o Senado é melhor do que o céu, porque nem é preciso morrer para estar nele”.

Tudo que lhe diz respeito é pura distorção do regime de direito. O mandato de cada senador é o dobro dos demais mandatários e ele ainda carrega junto dois suplentes clandestinos, um deles, em geral, o homem da mala. Quando há duas vagas, você pode votar em dois senadores. E a divisão igual de 3 por Estado, sob pretexto fantasiado da natureza de sua delegação, anula o fundamento democrático de um homem, um voto.  Com 300 mil eleitores, Roraima tem o mesmo número de senadores de São Paulo, elegeu um senador com 97 mil votos; Já em São Paulo o eleito carrega a delegação de 11 milhões de cidadãos.

O que os deputados e senadores (e vereadores) picaretas mais temem é que mexam com suas mordomias descabidas e imorais e com suas fontes de renda paralelas. Por isso, jogam com a chantagem das CPIs, em que também trazem para eles o controle das informações e o poder da extorsão. Em algumas casas, CPIs são as mais fartas fontes de renda do Caixa 2. Segundo o delator Paulo Roberto Costa, Sérgio Guerra,  ex-presidente do PSDB, recebeu um cala-boca de R$ 10 milhões para esvaziar uma CPI no Senado sobre a Petrobrás em 2009. A tal CPI teve vida breve: instalada em julho daquele ano, foi encerrada em novembro, depois que os tucanos Sérgio Guerra e  Álvaro Dias decidiram abandoná-la no final de outubro.

Duas casas fazendo a mesma coisa são redundantes, anacrônicas e custosas. Levantamento de 2007 da ONG Transparência Brasil sobre os orçamentos da União, dos estados e municípios revela que o Senado é a Casa legislativa que tem o orçamento mais confortável por legislador: seus R$ 2,7 bilhões anuais correspondem a R$ 33,4 milhões para cada um dos 81 senadores. Isso significa que naquele ano cada cidadão pagava R$ 14,48 por para cada senador.

Para preservar esse ambiente de dilapidação consentida e institucionalizada, os deputados e senadores não querem perder o controle de toda e qualquer reforma política. Não querem nem ouvir falar em plebiscitos. Isto é, tramam para excluir a sociedade de qualquer palpite. O mais grave: o novo Congresso consegue ser ainda pior do que esse o que se encerra.

Voltarei ao tema.

terça-feira, 28 de outubro de 2014

Velho Chico está chegando

Sexta-feira, 24 de outubro de 2014 às 13:38
O governo federal iniciou, nesta semana, os testes de bombeamento no eixo Leste do Projeto de Integração do Rio São Francisco no momento em que o empreendimento está com 66,1% de suas obras concluídas. Para explicar melhor como foram feitos os testes, o Blog do Planalto conversou com o secretário-executivo do Ministério da Integração Nacional, Iranir Ramos.

“O teste consistiu em acionar os vários equipamentos, integrá-los eletronicamente, deixá-los todos conectados à nossa sala de controle integrada e, a partir dessa sala, nós demos partida ao motor do primeiro conjunto de bombeamento, que bombeou 4 metros cúbicos de água por segundo. Após subir a altura de 62 metros, equivalente a um prédio de 20 andares, a água começou a adentrar no canal, e esse canal conduz a água até o primeiro reservatório, passando por um aqueduto que está por cima de uma rodovia, e depois segue por mais 10 quilômetros de canal até chegar ao primeiro reservatório”, explica Iranir.

Ramos afirmou que o sucesso dos testes no eixo Leste garante o otimismo para os próximos desafios. “A partir do sucesso desse primeiro bombeamento, nós temos a certeza de que os próximos desafios vão ser cumpridos conforme a nossa perspectiva de tempo, de prazo e de custo. O teste foi bem sucedido, superou as expectativas. Tivemos o bombeamento na quantidade e na pressão necessária”, comemora.

O empreendimento garantirá a segurança hídrica de 12 milhões de pessoas do semiárido nordestino. Ao todo, o Projeto conta com seis estações de bombeamento no eixo Leste e três estações no eixo Norte, responsáveis por elevar a água do rio para canais posicionados em terrenos mais altos. O projeto tem 100% das etapas contratadas e previsão de conclusão das obras para o fim de 2015.

A bolsa ou a vida

Especuladores deitam e rolam manipulando pregões e acuando o país com seu terrorismo econômico


A Bolsa de Valores, onde o dinheiro se aventura sob inescrupulosas manipulações, é paradoxalmente o valhacouto dos espertos e o inferno dos bobalhões.

O grande mote dos especuladores é jogar com os acontecimentos políticos como monitores dos humores do mercado. Assim, encobrem suas peripécias típicas de um moderno faroeste urbano.

Com a reeleição de Dilma, tentaram pegar os bobalhões forçando a queda premeditada das ações da Petrobrás e de alguns bancos. Estes foram na pilha e jogaram seus papéis na fogueira, valendo menos 10%.

Nesta terça-feira, sob o pretexto de que o mercado reagiu bem à entrevista da presidenta reeleita a duas redes de tvs, os espertos puxaram para cima e ganharam uma baba na revenda em cima dos bobalhões.

Com a ajuda de uma mídia dividida entre a incompetência deprimente e a má fé ousada os especuladores tentam fazer crer que é no pregão da Bovespa que pulsa o coração financeiro do país. Se ela despirocar, o Brasil afunda.

Neste momento, 11h31m do dia 28, registra uma alta de 2,23%, com 51.629 pontos. Já o dólar cai mais de 1%.

(O Ibovespa fechou em alta de 3,62% nesta terça-feira (28), a 52.330,03 pontos. As ações preferenciais da Petrobras (PETR4), com prioridade na distribuição de dividendos, avançaram 5,18%, a R$ 15,03. Na véspera, as ações da petroleira haviam despencado 12,33%; a Bolsa havia caído 2,77%, com a menor pontuação de fechamento desde 15 de abril). 

Essa associação política só cola entre os bobalhões da Bovespa e a opinião pública bombardeada por um arsenal terrorista operado pelos grandes interesses econômicos e políticos.

Vou lhe dizer uma coisa que vai deixar você com a pulga atrás da orelha: até o primeiro governo do PT quando passava dos 10 mil pontos o Ibovespa estava em alta. Na crise de 2009, o sinal vermelho acendeu quando ela desceu a 35 mil pontos.

No final da década de 90, com a chamada "Crise da Tailândia", o Ibovespa caiu a 4 mil pontos.  Um mês antes, havia euforia no mercado e a revista VEJA (sempre ela) chegou publicar matéria de capa focando a corrida ao mercado de ações como o charme do momento.

Aproveitando a queda provocada pela "crise da Tailândia", joguei minha poupança em um fundo de ações e saí meses depois, quando a recuperação chegou a 9 mil pontos. Foi uma festa: havia dobrado a poupança por ter feito o elementar: entrar na baixa e sair na alta.

A presidenta Dilma Rousseff é economista e já fez um curso de governo no seu primeiro mandato.  A usar o que aprendeu, não se deixará intimidar pelas chantagens da especulação.

Não é aquele ambiente sujo da Bovespa que faz a economia produtiva andar. No Brasil, em especial, não há relação simétrica entre as cotações das ações e a capacidade produtiva das empresas.

Quando o Ibovespa caiu a 4 mil pontos em 1999 a Petrobrás valia em papéis menos do que um navio de sua frota. E, apesar da pressão privatizante da época, quando FHC vendeu 30% da empresa no Wall Street, tinha um orçamento pujante: hoje é superior ao do Estado de São Paulo.

Bem respondeu o Lula quando questionado uma vez sobre um momento de mau humor do mercado: "eu não aplico na bolsa".

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Olha o perigo


Imagine o que a Dilma tem pela frente: Eduardo Cunha, de vida pregressa conhecida,  é o mais cotado para ser o novo presidente da Câmara, em substituição ao parceiro Henrique Alves, derrotado na eleição para governador do Rio Grande do Norte.

Se esse cara assumir a Câmara,  não tenha dúvida: Dilma continuará sendo refém dos políticos corruptos, com a agravante: o ICP (índice de chantagem parlamentar) vai bater todos os recordes.


A gente precisa fazer alguma coisa. Não elegemos a Dilma para ficar a mercê de políticos desse tipo.

O mais nítido recado das urnas


Avançar ou Avançar. Não existe outra alternativa. Foi a união de todos os progressistas que garantiu a vitória de Dilma contra o complô da direita e a livrou do próprio fogo amigo.

A China mudou por dentro, sem precisar entregar o ouro ao bandido e sem renunciar aos seus fundamentos. Se não houver uma mudança corajosa, haverá uma revolta. Uma boa parte dos canalhas, como Sarney e seus pupilos, já foi defenestrada pelas urnas. O novo Congresso pode ter sido pior com a cara do Eduardo Cunha, mas o povo está aceso. E dará cobertura às mudanças que nos livrarão da corrupção, do jogo sujo de interesses e de todas às agressões aos direitos do povo trabalhador.


O blog do Porfírio também vai ser outro, na forma e no conteúdo.

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

A verdade sobre o porto cubano

Em sua deliberada má fé, Aécio Neves  e alguns manipuladores da direita costumam dizer na maior cara de pau que o governo brasileiro está construindo um porto para Cuba só para ajudar o governo cubano, como se estivesse desviando dinheiro para a ilha que derrotou o império com a sua revolução invicta.
Os idiotas da fauna obscurantista podem até se compensarem psicologicamente quando repassam essa mentirada pela internet. Mas o tucano, que não é um idiota, mas pretende enganar os menos informados, exerce o mandato de senador e já foi até presidente da Câmara Federal.
Antes de ler esta matéria, sugiro que veja esta entrevista
de um diretor da Federação  das Indústrias de São Paulo.
Basta clicar na imagem.
Investimento beneficiou mais de 400 empresas brasileiras e gerou 156 mil empregos aqui, segundo a Fiesp
"Se o porto de Mariel será de grande importância para o socialismo cubano, foi o capitalismo brasileiro que mais ganhou até agora".

Aécio sabe que o BNDES não pode repassar um centavo para governos estrangeiros: quem a ele recorre é a empresa nacional que vai ganhar em dólares em obras por dezenas de países.

Foi o que explicou didaticamente o presidente do BNDES, Luciano Coutinho, em audiência na Comissão de Fiscalização Financeira da Câmara dos Deputados, em 27 de maio deste ano.

Segundo o presidente do BNDES, não houve empréstimo ao governo cubano e sim para uma empresa brasileira, no caso, o Grupo Odebrecht. Ele lembrou que o BNDES é impedido por lei de emprestar dinheiro para empresas ou governos estrangeiros. “O BNDES libera recursos apenas para empresas brasileiras que tenham sido encarregadas de realizar um serviço no exterior. Nossa relação é com a empresa nacional, para gerar empregos no Brasil.”

Luciano Coutinho lembrou que o investimento foi feito na exportação de serviços de engenharia e que esse tipo de mercado é muito disputado. Destacou que, na América Latina, o Brasil responde hoje por quase 18% da exportação de serviços de engenharia para a região, perdendo apenas para a Espanha, e à frente dos Estados Unidos e da China. “Prestamos serviços a países como Argentina, Venezuela, República Dominicana, Cuba, Peru e Equador”, informou o presidente do BNDES aos deputados.

Num mercado muito disputado, o Brasil é o oitavo maior exportador de serviços de engenharia do mundo. A China desembolsou entre 2008 e 2012 um total de US$ 45,2 bilhões; os Estados Unidos, 18,6 bilhões; a Alemanha, US$ 15,6; e a França, US$ 14,6 bilhões, enquanto o Brasil financiou US$ 2,24 bilhões, ficando atrás ainda da Índia, do Japão e  da Inglaterra.

Cuba paga em dia, segundo construtora brasileira: "a exportação de serviços suporta hoje 1,7 milhão de postos de trabalho no Brasil".

O presidente da Odebrecht, Marcelo, foi mais além. Sua empresa, que tem serviços em23 países e emprega 200 mil pessoas, está muito feliz com Cuba, onde o porto, com um custo enxuto inferior a US$ 1 bilhão (lá não rola propina: não faz muito, em 2011 o ministro Alejandro Roca pegou 15 anos de cadeia por ter recebido um jabá de uma empresa chilena de sucos).

Os pagamentos estão sendo feitos rigorosamente em dia, como escreveu no site 247: o risco de inadimplência apontado por alguns críticos não pode ser contaminado pelo viés ideológico;  "para quem está questionando os riscos quanto ao pagamento, é importante saber que a ocorrência de calotes não está relacionada a alinhamentos ideológicos: os maiores "defaults" recentemente enfrentados pelo Brasil vieram dos Estados Unidos e do Chile".

Ao ponderar que em 2013, a Odebrecht Infraestrutura faturou US$ 8 bilhões no exterior, o presidente do grupo, que completou 60 anos de serviços de engenharia este ano escreveu:

"O BNDES não investiu em Mariel. O BNDES financiou as exportações de cerca de 400 empresas brasileiras, lideradas pela Odebrecht, no valor equivalente a 70% do projeto. Se o porto será de grande importância para o socialismo cubano, foi o capitalismo brasileiro que mais ganhou até agora.

País que não exporta não cresce, não adquire divisas e não se insere na economia internacional. A exportação de serviços suporta hoje 1,7 milhão de postos de trabalho no Brasil, na interação com vários setores produtivos. Promove a inovação e estimula a capacitação de mão de obra altamente especializada.

Entretanto, lemos e ouvimos que o financiamento brasileiro gera empregos no exterior; que os contratos são sigilosos, talvez para encobrir negócios escusos; que drena recursos da nossa infraestrutura; e que o TCU (Tribunal de Contas da União) não fiscaliza.

Nada disso é verdade.

Primeiro: o financiamento à exportação gera empregos no Brasil, porque não há remessa de dinheiro para o exterior. Os recursos são desembolsados aqui, em reais, para a aquisição de 85% dos bens e serviços produzidos e prestados por trabalhadores brasileiros (os demais 15% são pagos à vista pelo importador).

Segundo: informações como o valor, destino e objeto do financiamento sempre foram públicas, como pudemos ouvir e ler em todos os meios que trataram de Mariel. As únicas informações que não são públicas são as usuais das operações bancárias, como o valor do seguro, eventuais contragarantias e as taxas que compõem a operação.

Nos financiamentos feitos pelos chineses, alemães, americanos, enfim, por todos os países, essas informações também são confidenciais. Não foram o Brasil e Cuba que inventaram essa regra.

Terceiro: os recursos que financiam exportações não concorrem com os destinados a projetos no Brasil e são providos por fontes diferentes. Os números falam por si: em 2012, o BNDES destinou cerca de US$ 7 bilhões para apoiar o comércio exterior e US$ 173 bilhões para o mercado interno.

O porto de Cuba não impediu a construção de nenhum projeto no Brasil. Aliás, até ajudou.

Por meio da exportação de serviços, como a de Mariel, a Odebrecht se capacita e gera resultados que aplica aqui, como fez no terminal de contêineres da Embraport, em Santos. É o maior do Brasil e foi construído pela Odebrecht, simultaneamente a Mariel, com investimento próprio de R$ 1,8 bilhão".

Já Mauro Hueb, diretor-superintendente em Cuba da Odebrecht, destacou em outra entrevista:

“É importante ressaltar que US$ 800 milhões foram gastos integralmente no Brasil para financiar exportação de bens e serviços brasileiros para construção do porto e, como consequência disso, gerando algo em torno de 156 mil empregos diretos, indiretos e induzidos, quando se analisa que a partir de cada US$ 100 milhões de bens e serviços exportados do Brasil, por empresas brasileiras, geram-se algo em torno de 19,2 mil empregos diretos, indiretos e induzidos”. (Veja o vídeo em com 3 depoimentos a respeito)

Vendas a Cuba foram incrementadas a partir do governo FHC

A bem da verdade, os primeiros negócios dessa natureza com Cuba foram iniciados ainda no governo Fernando Henrique, como ressaltou o diretor do departamento de relações internacionais e comércio exterior da Fiesp, Thomaz Zanotto, em entrevista ao Record News em 31 de janeiro de 2014.

No caso do porto de Mariel, a principal garantia é a sua própria receita. Toda a operação lá é gerenciada por uma empresa de Cingapura, que faz  o mesmo em outros países do mundo. Segundo o diretor da Fiesp, como você verá no vídeo da Record, desde o tempo de FHC Cuba vem pagando os financiamentos brasileiros rigorosamente em dia. Nesses mais de 16 anos, o Brasil somou US$ 1,8 bilhão em investimentos em Cuba, sem nenhum problema registrado.

Ao inaugurar a obra da empresa brasileira, no início deste ano, a presidenta Dilma Rousseff observou:

"É um processo ganha-ganha, Cuba ganha e o Brasil também ganha. É um bom negócio (…) Nós continuamos fazendo investimentos na área de portos no Brasil. O Brasil hoje é um país líder na América Latina e tem suas responsabilidades. Assim como a gente saúda países desenvolvidos que, ao fazer investimentos, financiam o fornecimento de suas empresas nacionais, por exemplo, o Brasil financiou o Porto de Mariel, agora, no acordo, quem forneceu os equipamentos, os bens e os serviços foram empresas brasileiras. Mais de 400 empresas brasileiras participaram desse esforço, gerando emprego e renda”.

Para entender melhor a importância das exportações de serviços na economia de qualquer país, vale dar uma lida no artigo da superintendente da Área de Comércio Exterior, Luciene Machado, e do chefe do Departamento de Comércio Exterior do BNDES, Luiz de Castro Neves, sobre o apoio do BNDES a projetos de infraestrutura no exterior, publicado no jornal Valor Econômico em 17 de abril de 2014.  " Os principais benefícios da internacionalização são sentidos no Brasil. Para as empresas, a inserção internacional representa não só a oportunidade de ampliar sua produção e obter economias de escala, mas também de diversificar sua carteira de clientes e mitigar riscos. Obter sucesso no mercado externo, onde a competição é mais acirrada requer produtos de qualidade e preços competitivos e capacidade de absorver e desenvolver novas tecnologias. Já o mercado interno se beneficia não só dos impactos favoráveis sobre emprego e renda, mas também dos ganhos na qualidade dos bens e serviços disponíveis aos consumidores, usualmente a preços decrescentes. Basta lembrar dos automóveis comercializados pelo país na década de 80".

Como se vê, age de má fé quem critica uma política de exportação de serviços altamente benéfica para a economia brasileira, movido apenas pela mais obsoleta intolerância ideológica.

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Aécio, a covardia contra as mulheres




Ódio ao PT está matando a candidatura de Aécio Neves



Imerso em uma piscina de bílis e ódio, o  candidato tucano Aécio Neves chamou a sua adversária Dilma Rousseff, no debate do SBT, de “mentirosa” e “leviana”. Foi agressivo e desrespeitoso como não se tinha visto até ali.

Ele não precisava disso. O ex-governador de Minas já fora repreendido abertamente por Luciana Genro (PSOL) quando lhe levantou o dedo, durante um debate.
"Por que Aécio nunca fez isso contra adversários homens?", perguntou o PT.
Aécio tem contra si uma denúncia séria de agressão contra mulher, reportada pelo jornalista Juca Kfouri em 2009. Ele “deu um empurrão e um tapa em sua acompanhante no domingo passado, numa festa da Calvin Klein, no Hotel Fasano, no Rio”, escreveu Kfouri na época.
O candidato até ameaçou processar por injúria, calúnia e difamação. Mas o jornalista sustentou a informação e Aécio deixou por isso mesmo.
Por que será?
Dado Dolabella em foto de arquivoDado Dolabella em foto de arquivo
Logo, um notório espancador de mulheres, o ator Dado Dolabella, animou-se a externar seu apoio a Aécio. Chato! Dolabella, de parcos dotes artísticos, é mais famoso por ter distribuído bofetadas públicas em Luana Piovani e em uma camareira, agressões pelas quais foi condenado, enquadrado na Lei Maria da Penha.

Os marqueteiros de Aécio já deviam saber que o ódio é um aliado mortal em eleições democráticas. Assusta. É sórdido. Na história, só ganhou eleições em países à beira do precipício da ruptura institucional.
Todos se lembram da abertura da Copa do Mundo, estádio novinho em folha, quando o Brasil deu ao planeta a prova cabal da qualidade da elite que tem. Do setor ultra-vip do estádio, especificamente do camarote do Itaú (e eu nem insinuo que seja mais do que uma infeliz coincidência que se tenha tratado do mesmo banco da dona Neca Setúbal, a coordenadora do programa de governo de Marina Silva), elevou-se o grito “Ei, Dilma! Vai tomar no cu!”
Foram milhares de vozes cujos donos ou tinham sido convidados por megacorporações para estar lá, ou eram felizes pagantes dos cobiçados ingressos Fifa (na porta, cambistas ofereciam os últimos tickets por até R$ 2.000).
A violência e vulgaridade do insulto, transmitido para bilhões de aficionados do futebol espalhados pelas centenas de países que receberam o sinal direto da Arena Corinthians, em Itaquera, zona leste de São Paulo, durou poucos minutos —mas infinitos minutos para Dilma, que, estóica, suportou com o semblante fechado a humilhação diante do mundo.
O resultado? Ela saiu transformada do episódio. Voltou a ser a vítima com aura heroica. Os seus agressores, ao contrário, depois do grito, vestiram-se com a máscara repulsiva e covarde dos linchadores.
Linchadores de uma mulher, é bom salientar. Isso nunca pega bem.
José Serra, em 2010, todos se lembram, além de forjar uma agressão por bolinha de papel, pôs-se a denunciar o suposto abortismo de Dilma. Logo ele, cuja própria mulher havia se submetido a uma interrupção voluntária da gestação. Tanta encenação, percebeu-se logo, foi só para agradar ao raivoso e descontrolado pastor Silas Malafaia. De novo, assustou.
Aécio vai na mesma toada.
Soltar cachorros hidrófobos gera vítimas e a sensação de que todos estão ameaçados. Ninguém —a não ser os loucos— quer isso para o país. Eis porque causam repugnância as manifestações de intolerância explicita como as que atingiram o ator e escritor Gregório Duvivier, quando foi atacado aos berros em um restaurante de comida natural só porque cometeu o “erro” de escrever em sua coluna de jornal que votará em Dilma.
É atirar no próprio pé o PSDB se associar ao ideário do Clube Militar, a pretexto de derrubar o PT. Até a grife de óculos escuros Rayban sofreu durante anos o impacto negativo nas vendas, por associação como essa… Porque os Rayban eram os preferidos dos torturadores. A turma do porão da Ditadura aparecia pouco, mas quando o fazia, vinha sempre escondida detrás daquelas lentes que em outros países representam o glamour da aventura. A minha geração baniu o Rayban escuro.
A impressão que dá é que o PSDB, por falta de algo melhor para dizer (além de que manterá a bolsa-família), precisa insuflar o ódio para criar factóides de imprensa. É a única coisa que explica que Fernando Henrique Cardoso afie os dentes dos advogados da supremacia do Sul e Sudeste, ao atribuir à desinformação do povo nordestino a votação acachapante no PT, durante o primeiro turno das eleições presidenciais.
“O PT está fincado nos menos informados, que coincide de ser os mais pobres. Não é porque são pobres que apoiam o PT, é porque são menos informados”, disse FHC, desdenhoso. O resultado foi uma horda de doidos ter-se considerado autorizada pelo mestre a externar os mais odiosos preconceitos. A rede social está coalhada de manifestações dos baixos apetites incitados.
Como resultado óbvio de tal convergência insultuosa Aécio viu crescer e se multiplicar a sua taxa de rejeição. Afastou novos eleitores e conseguiu assim estancar o crescimento eleitoral que poderia levá-lo a vencer o PT. Agora, de novo, é Dilma quem detém a iniciativa.
A semana promete!
Laura Capriglione – dom, 19 de out de 2014

LOBÃO E A BANDA TUCANA

Até o primeiro turno, empurraram com a barriga a verdadeira crise da falta d'água em São Paulo, fruto de 20 anos de administração incompetente do PSDB.  E eles falam tanto em "previsibilidade". O que é que vão alegar agora? Pra variar, estão se queixando da Dilma, embora a água lá seja responsabilidade exclusiva do Estado e isso tenha de ter ser previsto lá atrás.
Algum gênio montou esta paródia abaixo

Tucanos contra direitos trabalhistas

DOCUMENTO
Que tal recordar o reinado tucano que investiu contra os direitos dos trabalhadores?


segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Mudar e avançar com o povo


Agora, Dilma somos Nós

Com as campanhas sob censura a pedido de Aécio, cresce a importância dos multiplicadores pelas redes e nas ruas

Estamos na semana mais importante da história do Brasil neste desafiador Século XXI.

De olho muito mais no que poderá vir de um novo governo Dilma oxigenado pela inquietação das ruas, pelas exigências de mudanças que levaram milhões a aguerridos protestos, o sistema de dominação de classes e preservação da pirâmide social injusta está jogando toda a sua máquina mortífera para eleger um celerado forjado na estirpe do sangue azul da política: um "herdeiro" que fez sua fortuna à sombra do patrimonialismo, ao ponto de construir com dinheiro público aeroporto em fazenda da família, isso depois de fazer o percurso da improbidade mais imoral.

Ele quer ser presidente. Já pensou?
Aos 17 anos, enquanto surfava em Ipanema, onde tem residência lúdica, recebia salário da Câmara Federal como fantasma do gabinete do próprio pai, um deputado federal medíocre do partido do sim, senhor da ditadura. Aos 25 anos já ocupava por INDICAÇÃO POLÍTICA o cargo de diretor da Caixa Econômica Federal.

Ao longo de seu envolvimento com os podres poderes esse desequilibrado dado a atos insanos (e mais outros) foi o que restou ao sistema para assestar o mais pérfido golpe para trazer de volta os insaciáveis grupos cuja maior marca foi a de 8 anos de privatizações-doações, junto com o lixo da ditadura que não aceita qualquer menção aos seus crimes hediondos, com ocultação de cadáveres, isto é, o desmascaramento para a história de um regime que fez da violência institucional sua base de sustentação.   

Não se iluda: há milhões de moeda sonante envolvidos nessa operação de retrocesso, há mercenários capazes de tudo, há um jogo de manipulações da mentira, inclusive com divulgação de pesquisas destinadas a influir na decisão dos eleitores, há expedientes torpes, há de tudo, por que derrotar Dilma é uma obsessão estratégica do sistema internacional, como escancarou a revista britânica The Economist, bússola do sistema financeiro internacional.

Por fim, já no apagar da luzes, esse mesmo poderoso esquema aterrorizou o próprio TSE e o obrigou a engessar a campanha, com o que Dilma não pode falar sequer do público e notório, como a construção do aeroporto no terreno da família e a noite em que o "presidenciável" se recusou a soprar o bafômetro numa blitz da Lei Seca no Rio de Janeiro, quando dirigia com carteira de motorista vencida.

Essa decisão sem precedentes foi objeto de um lúcido artigo de Jânio de Freitas na Folha de São Paulo:

"A partir de uma apelação de Aécio Neves, o Tribunal Superior Eleitoral tomou duas decisões que caracterizam censura à liberdade de informação jornalística e à liberdade pessoal de expressão, mesmo que para expor fatos. É no mínimo duvidoso que o TSE disponha de poderes para impor as duas medidas, que se incluiriam em atribuições do Congresso e, até onde se pode saber fora dos doutos tribunais, opõem-se a princípios da Constituição".

Com a propaganda eleitoral sob censura, só resta o "boca a boca" dos que não querem a volta ao império do sistema financeiro internacional, através do já brasileiro-norte-americano Armínio Fraga, um  dos mais fiéis serviçais do megaespeculador George Soros, cujo  Soros Investment Fund, passou a gerenciar em Nova York, depois de sua primeira passagem pelo Banco Central, ainda como diretor de assuntos internacionais do Banco Central. Foi de lá que foi catapultado para voltar ao BC em 1999, já como presidente e todo poderoso gestor da macroeconomia.



Em sua gestão, os juros chegaram a 45%, juntando-se a isso o arrocho salarial e a taxa oficial de desemprego de 15%, contra os 5% do governo Dilma.

Com o peso das redes da internet, milhares de patriotas poderão usá-las para fazer os necessários esclarecimentos que a grande mídia sonega. Mas na medida de suas possibilidades, todos devem fazer o corpo-a-corpo junto aos companheiros de trabalho, vizinhos, conhecidos, seja o que for.

Eu mesmo, com a saúde ainda abalada por um câncer no fígado, diabete e hipertensão, já com os 71 anos de idade, estou me dedicando de corpo e alma à defesa do povo brasileiro através do apoio à Dilma Rousseff como única esperança de uma mudança real, que cobrarei com o mesmo empenho com que me envolvi em sua campanha.

O pior que pode nos acontecer, mais do que o tumor que estou combatendo, será a eleição do candidato das elites insaciáveis, do sistema internacional e do atraso. Se essa desgraça acontecer, a cartilha reacionária voltará a imperar e todo o peso da sua política econômica recairá sobre os assalariados e os aposentados já tão sacrificados desde a política previdenciária de FHC. Desse risco não estão livres nem os da alta classe média, que já passaram por um susto naquele governo trágico do "caçador de marajás".

Sejamos, pois, os multiplicadores da verdade. Nesta hora, neste país continental, a DILMA SOMOS NÓS.

domingo, 19 de outubro de 2014

Um Voto Crítico, Mas Convicto

O direito à oposição e o anseio pela alternância de poder são pressupostos básicos de um estado democrático. Desejar e acalentar o sonho de mudanças também é uma natural aspiração de todo cidadão.
Acho o governo Dilma criticável, como todo governo o é. Acho o PT criticável também, como todos os partidos o são. Como todo brasileiro, anseio por mudanças que urgem, embora reconheça que há mudanças políticas em curso neste governo que são louváveis. De qualquer modo, embora Dilma tenha seus pontos vulneráveis, não vejo adversário digno de sucedê-la. Mudar por mudar não me parece conveniente. Um dos argumentos mais usados pelos detratores da atual presidente e seu partido é o de que “estão há muito tempo no poder”. Esquecem que os tucanos há 20 anos ocupam o trono do governo de São Paulo (e há tempos vêm cometendo pecados sem perdão como o desmando irresponsável que gerou a crise de abastecimento de água no estado), isso sem falar nas oligarquias do Maranhão, há 48 anos roendo o osso do poder, e a de Alagoas, há outros tantos anos se perpetuando na política local (e estes casos nem devem ser levados em conta, pois, além de antidemocráticos, são imorais).

Um governo comprometido socialmente deve dirigir o olhar primeiramente aos desfavorecidos, aos excluídos do jogo social, isso é óbvio. Este governo que aí está fez isso. E o que não faltam no Brasil são pessoas vivendo em quadro de pobreza extrema, privadas dos direitos básicos de cidadão, massa de manobra barata para oligarcas usurpadores. 
Quando o buraco é muito fundo – e o fosso social no Brasil é pra lá de fundo -, não há como não ser assistencialista, infelizmente. Uma das frases feitas que mais me indignam neste pobre debate político (debate entre aspas) é a máxima hipócrita de que “é melhor ensinar a pescar do que dar o peixe”. Ora, como ensinar a pescar um sujeito devastado pela fome e pela doença?
Outro argumento usado à exaustão é o da corrupção, e não podemos nos enganar - todos os partidos, quando ocupam o poder, caem em tentação, para nossa desgraça. A diferença básica neste Fla-Flu de corruptos é que os do PSDB seguem impunes, os do PT nem tanto. Só a punição exemplar desses bandidos somada à vigilância social mais ferrenha poderá fazer banir esta "cultura da corrupção" que hoje impera no país, ou ao menos reduzir os seus índices.

Não sou petista nem sou apegado a partidos ou candidatos. Voto com independência. No primeiro turno, meu voto foi dividido entre candidatos do PSOL, do PSB e do PT. Isto me parece coerente. Se nos próximos anos aparecer uma grande e confiável liderança política de outro partido, não hesitarei em mudar meu voto, desde que seu projeto tenha viés socialista, único projeto político que penso ser viável no mundo de hoje. Isto também me parece coerente.
O que não me parece coerente é ver a ex-candidata Marina Silva, arauta da “nova política”, anunciando seu apoio à candidatura Aécio Neves. Todos sabemos que a sua trajetória de luta contra os barões malfeitores do Acre a aproxima ideologicamente mais do PT, e não foi à toa que ela assumiu a pasta do Meio-Ambiente no governo Lula. Isto que ela agora faz é velha politicagem, jamais nova política. Sabemos para onde miram os políticos do PSDB, e no que vai resultar um novo governo tucano (e faço questão de afirmar o mesmo repúdio às alianças eleitoreiras do PT com velhos caciques paroquiais como Sarney, Collor e Calheiros).
Se a intenção de parte do eleitorado era destronar o PT e Dilma a qualquer custo, então que votasse num partido mais à esquerda (sim, eles existem) e não num partido que reza na cartilha do datado neoliberalismo que levou à convulsão social e ao desemprego massivo países europeus sólidos como França e Espanha, e que quase levou o Brasil à bancarrota, na era FHC. Este, por sua vez, sociólogo pós-graduado na Universidade de Paris, tem como hobby disparar frases infelizes, como a recente declaração preconceituosa e separatista sobre os nordestinos e seu voto, segundo ele, catequizado. Com todo o respeito que possa merecer, o ex-presidente está na Idade Média da Sociologia. Avançamos muito nos últimos anos em termos de “pensamento social”. Não há porque retroceder.
Votarei em Dilma e, caso ela seja eleita, terá em mim um crítico implacável de seu governo. É assim que entendo o que chamam de democracia. O resto é balela.
P.S.: Peço aos internautas que queiram comentar, criticar ou divergir do meu texto, que o façam civilizadamente, com argumentos embasados, não com ofensas ou baixarias. De baixo, já basta o nível do debate dos nossos candidatos na corrida eleitoral.
Zeca Baleiro
(17 de outubro de 2014)

sábado, 18 de outubro de 2014

Para frente ou para trás? Você decide

Nunca foram tão claras, desde os idos tenebrosos da ditadura militar, devedora de centenas de mortos e cadáveres ocultos, as diferenças entre os caminhos almejados para o Brasil nestas eleições presidenciais. 

À margem da avaliação de cada candidato, impõe-se o pleno conhecimento dos desdobramentos das eleições presidenciais deste ano. Não carece usar lupa, nem mesmo óculos de grau: de um lado estão os que querem mudanças que beneficiem o povo brasileiro e assegurem maior poder decisório a todos, contestando o modelo político de operadores profissionais, em que uma inescrupulosa maioria parlamentar age exclusivamente no seu interesse pecuniário: de outro lado estão os que querem se aproveitar do sentimento de mudança para promover o retrocesso aos tempos do salário mínimo de menos de 100 dólares (menos de R$ 250,00), das escolas superiores fechadas aos que não fossem das elites privilegiadas, preservando a qualquer custo a pirâmide social de castas.

O retrocesso apregoado sob o manto do neoliberalismo a gente sabe como começa, mas não tem como imaginar seus desdobramentos.

Ainda está na memória dos brasileiros a enorme frustração do governo de Fernando Collor, "o caçador de marajás", que levou o povo ao desespero com o confisco de seus depósitos bancários, da poupança e dos investimentos.  Essa receita não é muito diferente da ministrada hoje pelas correntes conservadoras, tendo à frente Armínio Fraga, já apontado como ministro da Fazenda de Aécio Neves, cujos vínculos com a especulação internacional se sustentam, inclusive, em sua dupla nacionalidade: em um novo fracasso, ser-lhe-á fácil pegar o jatinho particular e retornar aos Estados Unidos, cuja cidadania desfruta.

Para o seu entendimento isento, apenas como patriota e democrata, publicamos aqui dois documentos: o manifesto dos intelectuais e artistas e a posição oficial do Clube Militar, cidadela assumida dos nostálgicos da ditadura que não queremos admitir nunca mais.

Deixo a ser encargo a decisão. Só peço que se liberte dos seus ressentimentos pessoais, de sua dependência tétrica de um atavismo plasmado na sociedade dos demasiadamente desiguais, sociedade que se tornou anacrônica com a disseminação da informação e das tentações consumistas. Insistir em manter o abismo social selvagem torna infrutífera qualquer medida de Estado, seja no campo da segurança, seja no incentivo ao crescimento econômico: neste caso, lembre-se que não há crescimento sem mão de obra qualificada e remunerada dignamente, sem garantia de acesso a todos ao pleno conhecimento.


Veja embaixo os dois documentos:

Intelectuais e artistas vão de Dilma


Quem sou eu

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Jornalista desde 1961, quando foi ser repórter da ÚLTIMA HORA, PEDRO PORFÍRIO acumulou experiências em todos os segmentos da comunicação. Trabalhou também nos jornais O DIA e CORREIO DA MANHÃ, TRIBUNA DA IMPRENSA, da qual foi seu chefe de Redação, nas revistas MANCHETE, FATOS & FOTOS, dirigiu a Central Bloch de Fotonovelas. Chefiou a Reportagem da Tv Tupi, foi redator da Radio Tupi teve programa diário na RÁDIO CARIOCA. Em propaganda, trabalhou nas agências Alton, Focus e foi gerente da Canto e Mello. Foi assessor de relações públicas da ACESITA e assessor de imprensa de várias companhias teatrais. Teatrólogo, escreveu e encenou 8 peças, no período de 1973 a 1982, tendo ganho o maior prêmio da crítica com sua comédia O BOM BURGUÊS. Escreveu e publicou 7 livros, entre os quais O PODER DA RUA, O ASSASSINO DAS SEXTAS-FEIRAS e CONFISSÕES DE UM INCONFORMISTA. Foi coordenador das regiões administrativas da Zona Norte, presidente do Conselho de Contribuintes e, por duas vezes, Secretário Municipal de Desenvolvimento Social. Exerceu também mandatos em 4 legislaturas na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, sendo autor de leis de grande repercussão social.