quarta-feira, 27 de agosto de 2014

De mal a pior

Pesquisa expõe motivações mesquinhas contra os que mesmo com farinha farta querem seu pirão primeiro

Traduzindo: "nós, putas, insistimos que os políticos não são nossos filhos"
Não adianta xingar: a antipolítica incorporou na Marina, mandou ver e fez estragos. Se vai durar até o dia 5 de outubro são outros quinhentos. Mas que pegou meio mundo com as calças na mão, ah isso pegou feio, como aquelas passeatas de junho de 2013.
Se Marina é a destinatária pertinente, não faz diferença. Alguém tem de representar o descontentamento existencial e ela apareceu por acaso, na última volta do ponteiro, com aquela cara de vítima da malandragem que faz do poder uma festa sem fim. Ela não tinha nem legenda: a sua Rede não logrou registro, embora outras siglas sem cabeça e sem rosto tenham entrado em campo.

É toda uma quarentena até o dia da urna. Se até lá as turmas das sopas de letrinhas não caírem em si, podes crer, a antipolítica passará o rodo.  Esse arroto não é exclusividade brasileira. Como escreveu Luiz Sérgio Henriques, a antipolítica sentou praça no Ocidente:

"Há poucos anos, por exemplo, gritava-se na Argentina, em relação aos políticos: Que se vayan todos. Ainda agora, na França ou na Espanha, surgem manifestações de indignação contra as instituições e os respectivos partidos socialistas. E na Itália o fenômeno repetiu-se nas eleições de fevereiro, ainda que com nuances diferentes: ali um cômico dublê de político, Beppe Grillo, levou seu Movimento 5 Estrelas à condição de primeiro partido, individualmente considerado, na Câmara dos Deputados, obtendo de modo fulminante pouco mais de um quarto dos votos.

Grillo, protagonista inesperado da versão italiana da antipolítica, não perdeu nenhuma ocasião de agitar o tema com que conseguiu arregimentar a imensa massa de desiludidos com o sistema político tradicional: "Rendam-se, vocês (políticos de profissão) estão cercados". O ativismo digital, escolhido como instrumento privilegiado de construção do movimento e de mobilização eleitoral, apresentou-se como essencialmente participativo, de "baixo para cima", ecoando antigas aspirações de democracia direta, mas não faltou quem observasse que o protagonismo do chefe em nenhum momento fez esquecer aquele que efetivamente manda".

Aquele povo todo não saiu às ruas à toa. Foi expelido dos seus sofás sob o incenso de uma revolta emocional não declarada, imperceptível a olho nu, sem verniz ideológico ou impulsos corporativos.  Essa é também a raiz da destinação eleitoral de Marina: um sentimento de náuseas a toda essa farsa política que prostrou o Brasil no seu mais deprimente momento histórico. E que juntou e misturou quase ricos com pobres e remediados. Todos sabendo somente o que não queriam -o bastante por aquele enquanto.

Não cabe entrar no mérito. Silva, como Lula, nascida 6 anos antes de 1964, lá no Acre, Marina traduz os mesmos sentimentos mesquinhos da condição humana, a inveja motora aos que só puxam brasa para a sua sardinha e estão se dando bem, com a mão na massa e por cima da carne seca, de costas para a antiga fanfarra.

Durante quase 25 anos foi lustrada no PT e lá aprendeu a representar bem a ilusão. Foi a primeira ministra anunciada por Lula, no mesmo dia de novembro de 2002 em que ele se reuniu com George W. Bush, antes da posse. Fez a cama e ganhou fama na quermesse petista. Tornou-se o protótipo dos ambientalistas e foi ser estrela do Partido Verde, por onde se candidatou a presidente, já que o Lula preferiu Dilma Rousseff, com muito menos tempo de casa do que ela. Depois de um surpreendente desempenho nas eleições de 2010, desembarcou do PV, que já tinha donos. E ela se achava no direito de um partido sob seus caprichos, ou melhor, uma grande rede. Que ainda está nos seus planos: sua convivência no PSB hoje é declaradamente passageira, por ser mais incômoda ainda.

Ela não é o que seus possíveis eleitores sonham. Mas quem é? Não viu o Lula e o PT, que trocaram os macacões pelas casacas e entraram no dá lá toma cá dos 300 picaretas do Congresso? Que se juntaram aos porcos no mesmo lamaçal?

Aliás, não dá para entender a reação petista, que aponta Marina como instrumento do Itaú por conta do poder de fogo em seu stafe de Neca Setúbal, uma das herdeiras do maior banco do país. Quando Lula entregou o Banco Central de mão beijada a Henrique Meireles, presidente jubilado do Banco de Boston, o que falaram esses petistas?

A única coisa definida nessa última pesquisa do Ibope é que Aécio Neves virou carta fora do baralho. Não tem gás para recuperar-se por que tudo nele soa falso, como falso e melancólico é o comportamento do Sérgio Cabral, Pezão, Picciani e vassalos, remetidos para a vala dos traidores derrotados. O Aezão gorou e só deu ao tucano até agora 11% das intenções de votos no Rio de Janeiro, apesar do envolvimento de todas as máquinas do Estado e das prefeituras dependentes, ficando bem atrás de Dilma, com 38%, e Marina, 30%.

O jogo sujo, que mantém os para-brizolistas do PDT no mesmo balaio, com as sinecuras do Estado, está servindo para fortalecer Garotinho, que deu uma baita subida para 28%, deixando Pezão, Crivella e Lindberg na poeira.  E ainda deixou o arrendatário Carlos Lupi nos humilhantes 3% para o Senado, apesar das falas de Dilma, Lula e Eduardo Paes pedindo votos para ele. Nessa disputa, a liderança do ex-jogador Romário tem a ver com a mesma matriz da antipolítica que catapultou Marina.

Como esta é um fenômeno possivelmente mal configurado,  a turba da Dilma ainda pode reagir. Eu disse turba? A militância petista, no fundo, não tem a menor simpatia pela Dilma, que defenestrou alguns companheiros mal comportados. A bem da verdade, a única pessoa apaixonada por ela é o Aloísio Mercadante, com seu bigode exuberante e um lascivo apego a ela, que o promoveu duas vezes na hierarquia cortesã, dando-lhe a intimidade que nem o José Dirceu teve com Lula. Os outros querem apeá-la num "volta Lula" de emergência que ainda povoa seu imaginário.

Como a política de hoje no Brasil é uma contrafação de sua essência primária, que se deteriora ano a ano, onde campeiam a mediocridade, o arrivismo, o oportunismo e a corrupção, onde os próceres fizeram que nem o coronel Passarinho e mandaram os escrúpulos às favas, tudo pode acontecer de mal a pior. 

Não se pode nem esperar que essa insatisfação canalizada para Marina ganhe racionalidade e seja dirimida a tempo. Por que no pior dos momentos, o mais provável é o circo pegar fogo.

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Apenas uma farsa

Horário eleitoral realça o logro ao princípio democrático de que todos os candidatos são iguais


Começou a propaganda eleitoral por rádio e televisão. Não há maior ferramenta de preservação dos partidos dominantes. Não existe instrumento mais afiado de consolidação de uma democracia de fachada, hegemonizada pelo poder econômico e pelas máquinas públicas.  A um custo aproximado de quase R$ 1 bilhão em remuneração indireta pelos cofres públicos, esse sistema de campanha, que privilegia quem tem as maiores bancadas no Congresso, reduziu a pó as campanhas de rua, acabando com os comícios e reproduzindo a força do poder econômico, extirpando o que restava de idealismo e confiança política:  hoje, alugar espaço para uma placa passou a ser um negócio informal tão corriqueiro como a contratação de panfletadores por alguns endinheirados corruptos e corruptores  que podem gastar os tubos numa campanha. Toda essa parafernália somada é, de fato, o corpo de delito de uma grande farsa pela qual são "escolhidos" os mandatários dos poderes executivos e legislativos. 
Tudo segundo os mandamentos viróticos do sistema. A política foi enxovalhada e desacreditada. São mais de 30 os partidos registrados, em sua grande maioria meramente cartoriais e disponibilizados no mercado do tempo de tevê. Pela lei brasileira, 1 terço desse espaço é distribuído igualitariamente, o bastante para que alguns picaretas ganhem um "por fora".  

E não é só: legendas absolutamente inexpressivas, como o PRTB, de Levy Fidelix, papam dinheiro público do Fundo Partidário. Em 2012 ganhou 1 milhão 261 mil reais, segundo revelou Fernando Rodrigues no UOL.   Na eleição de 2010, Fidelix teve 57.960 votos. Agora está de volta como linha auxiliar dos tucanos, nos ataques a Dilma e ao seu governo. Faz parte de uma orquestração e não seria surpresa se esse cara, como outros da mesma escória, não estiver sendo financiado para bater pelos "grandes" da oposição.

 Ante essa esculhambação fica difícil defender um horário equânime, como na França, Grã-Bretanha e Dinamarca. O que seria um fator corretivo, a cláusula de barreira, que excluiria legendas sem eleitores, foi derrubada pelo STF em 2006, dois meses depois do pleito em que entraria em vigor, 10 anos depois de aprovada.

É tudo uma grande molecagem contra a democracia, uma droga que ajuda na despolitização dos eleitores. Nas eleições de deputados e vereadores, de tantos candidatos, os votos se diluem em relações pessoais. Quem tem máquina e grana passa por cima e arrebenta. Curioso: depois das urnas eletrônicas, os mais votados bombaram, alguns tinham votação mirrada antes.

O mal da campanha midiática é seu formato "industrial", que suprime a militância, mercenariza o propagador e dá sustento ao volúvel.

A ela anexa-se a manipulação das pesquisas, compondo um quadro de deformações. Nessa que o Datafolha realizou depois da morte de Eduardo Campos, aconteceu o inexplicável: Marina saltou de 8% do herói morto para 21% sem mexer nos percentuais de Dilma e Aécio. Pode?

A disputa eleitoral é a ante-sala da governança imoral. A representatividade é comprada, chega-se ao Executivo acorrentado a tantos acordos e os investidores querem retorno no curto prazo. Uma eleição é cara para qualquer cargo. O Legislativo hipertrofiou e degenerou pelos custos de um mandato.

Mas a assimilação desse processo que torna a democracia uma mera figura de retórica é assimilada por gregos e troianos. Tudo se enquadra na sina existencial das populações, que vão ao orgasmo quando são enganadas e iludidas.


E quem ousar questionar essa farsa acaba no mais perverso dos isolamentos.

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Dilma melhor na fita

Governo tem alta de 6 pontos na aprovação e queda de outros 6 na reprovação, uma variação positiva  de 12 pontos 


A taxa de aprovação ao governo Dilma Rousseff teve alta de seis pontos percentuais no intervalo de um mês. Em julho, 32% dos eleitores consideravam a administração da presidente petista como boa ou ótima. Agora, são 38% os que a avaliam assim, o número mais alto desde abril. Essa variação positiva de 12 pontos - houve queda igual nos percentuais de reprovação -   terá peso inevitável nas eleições. Com ela, a presidenta consolida uma tendência ascendente e o tucano Aécio Neves vai perdendo o seu fôlego, que já é pequeno.

No mesmo período, a reprovação a Dilma diminuiu também seis pontos. Antes, 29% classificavam o governo como ruim ou péssimo. Agora, são 23% os que o julgam dessa forma. Para 38%, o governo Dilma é regular, o mesmo número apurado no mês passado.

Os dados são da pesquisa Datafolha realizada nos dias 14 e 15 de agosto, logo após a morte do ex-governador de Pernambuco e presidenciável Eduardo Campos (PSB), vítima de um acidente aéreo. Dados segmentados do levantamento indicam que a recuperação da popularidade de Dilma tem consistência.

Entre os eleitores mais ricos –os que vivem em famílias com renda mensal superior a dez salários mínimos-, a aprovação do governo oscilou um ponto para baixo (de 25% para 24%).

Com exceção deste grupo, que representa apenas 4% da amostra, a aprovação ao governo Dilma cresceu em todos os segmentos investigados pelo instituto: por sexo, idade, escolaridade, renda, região do país e tamanho do município. Os avanços mais significativos ocorrem na região Norte do país e entre os eleitores mais jovens, de 16 a 24 anos. Nos dois casos, o crescimento da aprovação foi de 11 pontos percentuais (de 40% para 51% no Norte e de 21% para 32% entre os mais jovens).

Os outros avanços que mais chamam a atenção ocorreram entre os eleitores com ensino médio (9 pontos, de 27% para 36%); no Sudeste, a região mais populosa do país (8 pontos, de 24% para 32%); e entre os que vivem em famílias com renda de 5 a 10 salários mínimos (8 pontos, de 21% para 29%).

Com esses novos resultados, o Norte ultrapassou o Nordeste como área de maior aprovação ao governo. Outro segmento em que Dilma desfruta de alta taxa de aprovação é o dos eleitores com ensino fundamental. Neste universo, que representa 41% da amostra do instituto, seu governo é visto como bom ou ótimo por 46%.
Editoria de Arte/Folha

A novidade

Marina chega peitando Aécio no primeiro turno e Dilma, no segundo. A campanha agora é pra valer.

Pesquisa com cartela da Datafolha aponta Marina no primeiro turno à frente de Aécio com 21%, contra 20%, e atrás de Dilma, que mantém os 36%. Mas num eventual segundo turno, essa consulta aponta Marina com 47%, contra 43% de Dilma. Nas respostas espontâneas, no entanto, o quadro é bem diferente: Dilma tem 24% das intenções de votos; Aécio, 11%, e Marina 5%.

Gráfico do site da UOL

A única coisa clara nesta campanha presidencial é que com a morte de Eduardo Campos volta tudo à estaca zero. Menos com a morte e mais com a reintrodução de Marina Silva no cenário como protagonista. A pesquisa do Datafolha divulgada nesta segunda-feira já dá uma ideia do que essa mudança representa, embora seja prudente admitir que ela foi feita numa ambiente emocional. Segundo a consulta, Marina já desbancaria Aécio Neves no primeiro turno e venceria Dilma no segundo. É muita novidade para aquecer a campanha e tirar muita gente de sua "zona de conforto".

Os elementos de referência e os fatores de preferência são outros, a partir de agora. Antes de conhecer esses números, escrevi: Pode-se dizer tão somente que Dilma terá inalterada a sua base residual na faixa dos 38%. Portanto, que ela tem lugar garantido no eventual segundo turno. Já o eleitorado de Aécio, que chegou a 23% na última pesquisa do Ibope de 7 de agosto, tem um perfil diferente: em torno de 15% são definitivos, o a mais vai depender de quem melhor se definir como oposição que muda, ele ou Marina.

Esta havia tido um bom desempenho, com 27% das indicações, quando ainda se apresentava como a "anti-política", tentando criar um partido que suprimia esse "p" da sigla e se pretendia uma "rede" de olho nas redes sociais da internet. O fracasso da criação da sua própria legenda a surpreendeu e ela deu o troco indo alojar-se no PSB, mesmo sabendo que teria de apoiar quem estava menos cotado nas pesquisas.

Com a morte de Eduardo Campos, Marina volta a disputar a Presidência da República, mas com um discurso adaptado, que poderá minar sua mística anterior. Mesmo assim, tem condição de ir para o segundo turno.

O grande nicho de Marina é a enorme massa de brasileiros que não queriam votar em ninguém. As intenções de voto nulo ou em branco eram 13%. Com Marina candidata, essa taxa recuou para 8%. Indecisos eram 14% e agora são 9%. Ao obter 21% agora, ela praticamente não afetou os outros dois candidatos: Dilma ficou com os mesmos 36% e Aécio alcançava os mesmos 20% da última pesquisa Datafolha. 
Para  começar bem, ela teve a ajuda do PT. Isso mesmo, do partido da Dilma. As primeiras reações dos seus dirigentes e militantes à sua nova condição foram alopradamente pueris. Antes mesmo que ela se apresentasse à distinta platéia para dizer o que queria agora, os petistas mais ansiosos anteciparam-se na sua desqualificação, como se estivessem morrendo de medo do seu desempenho. 
Os militantes do PT não são os mesmos dantes. Aquela massa que ocupava ruas com suas bandeiras vermelhas monopolizou as sinecuras e vestiu o figurino da "nova classe" mandante, postando-se numa defensiva fisiológica assustadora: qualquer meia dúzia de gatos pingados faz mais presença na rua do que a militância do PT.

(Seria mais apropriado se o PT passasse a se chamar PTV - por que jogou todas as suas fichas, sem qualquer exigência política, para somar tempo de televisão e fazer a campanha com o discurso à distância.)
Ao longo desses doze anos de governo, o PT alimentou desafetos às pencas; alguns por que são reacionários e não gostam de ver o povo da rodoviária nos aeroportos, mas outros por que foram apeados e mal tratados por não terem a carteirinha da estrela vermelha.
Tenho a sensação de que a classe média retomou o discurso lacerdista e conto nos dedos quem dela admite votar na Dilma.  Essa rejeição chega a ser epilética: quando se referem ao governo do PT, em geral municiadas de informações infundadas, muitas dessas pessoas babam de ódio. Elas formam a nova militância que não poupa a candidata petista de uma vaia nem num velório. Que está fazendo o seu proselitismo noite e dia, enquanto os militantes governistas são mais governo do que militância e não conseguem tirar a bunda do computador.
CLIQUE NO GRÁFICO PARA
 VÊ-LO MAIOR
Aécio Neves não convence. Numa compilação de pesquisas feita por Emílio Rodriguez Lopez, publicada pelo site Viomundo, ele só estava à frente em dois Estados e no Distrito Federal. Mas em Minas, sua terra, onde  tem 49,64% dos votos válidos contra 40,72% da candidata do PT, o governo Dilma é considerado ótimo ou bom por 34% dos pesquisados, enquanto 26% o apontam como ruim ou péssimo. Já em Brasília, onde Aécio também está mais cotado, tudo pode acontecer até a eleição, inclusive a volta de Marina à cabeça, como aconteceu em 2010, quando teve 41,96% dos votos, contra 31,74% de Dilma, e 24,30% de Serra. No segundo turno, Dilma venceu com 52,81% contra 47,19% de Serra. O outro Estado em que Aécio vence é no Espírito Santo, onde tem 38,98% contra 33,90%. 
Quem deveria estar inseguro com Marina seria Aécio e não Dilma. Essa ideia fixa de que a petista precisa ganhar no primeiro turno é uma pretensão descabida, meio paranoica. Nas três eleições que venceu, o candidato do PT foi ao segundo turno. No caso de Dilma, em 2010, ela teve no primeiro turno 48,89%, contra 32,62% de Serra e 19,34% de Marina. No segundo turno, Dilma venceu com 56,05% dos votos e Serra teve 43,95% -8% menos do que a soma dos dois oposicionistas no primeiro turno. 
Como eu disse antes no último artigo – Os abutres – a mudança terá que ser assimilada com tranquilidade e cada candidato deverá, em primeiro lugar, tratar de sua campanha, de suas propostas. Os outros vão merecendo o tratamento que as circunstâncias indicarem. Fora disso, é burrice. 

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

Os abutres

O mau tempo que ceifou a vida de um presidenciável expôs também o mau caráter de quem só joga para si


Como sói acontecer, ao cadáver exposto acorrem os abutres cheios de apetites. Querem por que querem devorar as vísceras ainda mornas na corrida sôfrega pelo cetro afortunado. Foi-se a vida, mas ficou a herança jacente, partilhável aos dotados dos parentescos alegados.    
À vida precocemente finda oferecem as pompas do adeus espetaculoso. A morte celebra o herói e produz as lágrimas de uma unanimidade hipócrita e momentânea. Disputa-se o espólio, como degrau de acesso ao poder, e ao infortúnio imprevisto sucede-se a caça de todos, e de cada um, ao que resta de valor, e o que resta teria o pendor áureo de um tesouro.

Ao primeiro minuto do desenlace trágico correram os especialistas a decifrar os signos de aproximação.  Como ficará agora? O que é melhor para os demais, o que cada um poderá auferir por osmose? Ou o que cada um pode forjar em seus laboratórios de espertezas?

O agora herói chegou até aquele vôo por seu brilho pessoal. Por seu desempenho e seu carisma. Mas a sua era uma turma mirrada, como de praxe nesses bolsões lacrados: não se permitia que fecundasse outro do mesmo quilate. No primeiro plano, ou era ele ou ele. 

O destino de caprichos imprevisíveis enxertou-lhe um reforço eventual. A nova parceira não trazia tropas, mas uma aura e uma fanfarra de apelos atraentes. Noviça no alpendre, sem fôlego para a própria casa grande, surpreendeu até aos próximos na decisão de pegar o bonde andando, sabendo que teria de aceitar o condutor por uma temporada.  Mas foi o que lhe pareceu mais conveniente.

O conflito de egos falou mais alto e o convívio afigurou-se mais temporário do que o esperado. Para a platéia, porém, ia tudo bem, como nesses matrimônios aristocráticos. O próprio precisava muito daquele casamento, que realmente algum dote trazia. Não tanto quanto esperava, até por alguns barracos insólitos: a nubente e sua estirpe cintilante não se misturavam aos hospedeiros. E não engoliam acordos em desacordo com seus costumes.

Ela própria, a vedete, ainda não se resolveu sobre o seu script. Glorificada por alienantes que a consideram frágil e susceptível ao contraponto do retorno, tem alguns sobressaltos próprios dos deuses, logo os deuses indomáveis. Que não abrem mão do protagonismo.

Ia tudo sob as cândidas aparências, sapo engolindo sapo na penumbra, até que o mau tempo, o cansaço dos pilotos e sei mais o que explodiram os sonhos de um jovem ousado, deixando no ar destroços de um quebra-cabeça embaraçoso.

Agora, nestes dias frios de um inverno sonolento, os abutres avaliam o que será mais proveitoso dessa sepultura para sua caça ao poder. À primeira vista, imaginam explorar o potencial de quem já teve sucesso ao postar-se à margem do confronto principal. Uma outra voz oposicionista soma para garantir um segundo turno e presume uma mistura inercial nesse capítulo. Esse é o jogo, conforme os compêndios.

Mas esses mesmos abutres temem uma troca de papéis. Ao contrário do herói, que ainda desabrochava, a estrela que ressurge é conhecida e festejada nos quatro cantos.

Ela pode, sim, forçar um segundo turno, mas sem a figura deletéria que se encaixa por contrato no projeto do retrocesso, cujo hit central é esvaziar os bolsos do populacho, aumentar os juros e elevar as tarifas das concessionárias premiadas em seu reinado, sob pretexto de combater a inflação com a receita ortodoxa e evitar uma suposta crise financeira.

Pode dar zebra, pensam os mais prudentes, por que seu produto é um bibelô de argila quebrável. Essa é, neste momento, a dúvida atroz dos abutres. Por que a maioria da turma que ficou órfã prefere retornar ao leito histórico, que desfrutou por anos, apesar da penca de sectários que tomou pra si cada poltrona do poder.  

Essas eleições são mais presidenciais do que nunca. As outras disputas são anexas, de onde a vigarice homérica de quem considera palanques locais como âncoras e tenta chantagear os únicos protagonistas.

Daqui das margens da lagoa da Tijuca não dá para penetrar nos ambientes blindados dos fabricantes de governantes. Mas a precipitação como assimilaram a tragédia mostra o cerimonial de falsos brilhantes que sabem vender seus próprios peixes à restrita clientela pagadora, por que lhe oferece só agrados, mas não conseguem raciocinar além do trivial.

Na languidez desse pálido torneio eleitoral vai acontecer ao fim o que ia acontecer mesmo. Nada vai mudar, por que a sorte já está lançada. Em suma, faria melhor cada um se cada um cuidasse melhor de si, independente dos acidentes de percurso.

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Não se pode agredir os fatos

Aquele que mais se mostrar o oposto a Sérgio Cabral tem tudo para ganhar as eleições no Estado do Rio.




Os números divulgados nesta segunda-feira pelo colunista Fernando Molica de O DIA são de uma pesquisa encomendada pelo PMDB ao GPP.  Algumas pessoas põem em dúvida a seriedade desse instituto de pesquisas, mas é preciso entender que todos eles sempre foram questionados por Leonel Brizola e não foi por acaso.  Nessa pesquisa, por essa lógica, o GPP se fosse parcial, e deve ter sido, seria para favorecer seu cliente, e o seu cliente é exatamente o PMDB do Luiz Fernando Pezão.

Veja os números que transmito com a tranquilidade de quem ainda não decidiu em quem votar para governador, embora venha observando os discursos de cada candidato e seus métodos de campanha. 




 - Atualizada às 

Garotinho: 28,3%

Pesquisa do GPP revela que candidato lidera com folga a disputa para o governo do Rio

FERNANDO MOLICA
Rio - Pesquisa do GPP revela que Garotinho (PR) lidera com folga a disputa para o governo do Rio. Ele tem 28,3% das intenções de voto, contra 16,4% de Crivella (PRB), 15,7% de Pezão (PMDB) e 10% de Lindberg Farias (PT). Como a margem de erro é de 2,2 pontos percentuais, Crivella e Pezão estão empatados. A pesquisa foi encomendada pelo PMDB.
Tarcísio Motta (Psol) ficou com 0,9%; Dayse Oliveira (PSTU), 0,4%; Ney Nunes (PCB), 0,2%. Nulos e brancos somam 19,3%; 8,8% não sabem ou não responderam.
Mais rejeitado
Garotinho foi também o mais rejeitado pelos entrevistados. O GPP perguntou qual o candidato que o eleitor menos gostaria que fosse eleito. O ex-governador foi citado por 32,5% dos consultados. Em seguida, vieram Pezão (17,1%), Crivella (8,7%), Lindberg (8,1%), Tarcísio (2,2%), Ney (1,2%) e Dayse (0,6%). Os que não sabem ou não responderam chegaram a 29,6%.
Dilma em primeiro
Candidata à reeleição, Dilma Rousseff (PT) tem liderança tranquila no Estado do Rio: 38,4% das preferências contra 17,9% de Aécio Neves (PSDB), 6,6% de Eduardo Campos (PSB) e 4% de Pastor Everaldo (PSC). Outros candidatos tiveram 2,1% das preferências; votos brancos e nulos chegaram a 19,8%; 11,02% não sabiam ou não revelaram em quem votariam.
Romário na frente
Para o Senado, 32,2% dos eleitores estão com Romário (PSB), 25% preferem Cesar Maia (DEM). Eduardo Serra (PCB) recebeu 4,7% das intenções de voto; Lupi (PDT), 2,9%; Liliam Sá (Pros), 1,9%.
Registrada
A pesquisa ouviu 2 mil eleitores nos últimos dias 9 e 10. Registrada no TRE, recebeu o número RJ 00018/2014.

terça-feira, 12 de agosto de 2014

Qual é a de Israel sobre o Brasil?

"Fatos de tamanha gravidade, que tornam inviável ao governo do Brasil querer ser juiz de quaisquer questões externas, com uma situação interna tão deteriorada, legal e moralmente".
Da nota da chancelaria de Israel divulgada por Cesar Maia


 Em quem acreditar? Pela manhã, Cesar Maia, candidato do Cabral e do Aécio ao Senado no RJ, postou em sua newsletter uma nota atribuída ao chancelar israelense Luciano Levinzon, na qual ele desce o cacete no governo brasileiro, numa linguagem absolutamente indigna e fora de propósito, incursionando inclusive sobre assuntos de política interna,  como se estivesse assumindo as bandeiras da oposição de direita. À noite, os jornais publicaram um pedido de desculpas do presidente israelense sobre aquelas grosserias anteriores, quando chamaram o Brasil e "anão diplomático". 
Fiquei muito indignado e pus essa nota na conta da arrogância ameaçadora que faz de Tel Aviv um centro de guerras e agressões sem limites. Tive o cuidado de verificar pelo Google se tal nota aparecia em outras publicações. Nos jornais diários, não. Alguns blogs de baixo nível reproduziram a nota, sempre com o objetivo de lançar a comunidade judaica contra Dilma.

Na pesquisa, deparei-me com umas declarações do rabino Henri Sobel, condenando o bombardeio das escolas de Gaza por Israel, num documentário da Tv Cultura de São Paulo. "O Oriente Médio precisa é acabar com o fundamentalismo, o pensamento religioso radical que está predominando na região. É preciso negociar, negociar. Uma criança não é palestina ou israelense. Uma criança é uma criança".

Ele afirmou ainda que o primeiro-ministro Binyamin Netanyahu faz mal para Israel. “Mas felizmente o Estado é maior do que sua pessoa, não podemos confundir o Estado com o governo."

Á noite, ao abrir os sites dos jornais na internet, vi a notícia de que o novo presidente de Israel, Reuven Rivlin, tão direitista como Netanyahu, ligou para a presidenta Dilma pedindo desculpas pelas grosserias do assessor da sua chancelaria, que fez escândalo ao considerar o Brasil como um anão diplomático.

Em quem acreditar? volto a perguntar. O texto da nota do Ministério do Exterior de Israel divulgado por Cesar Maia seria falso? Veja o seu inteiro teor:

 Assinado pela Chancelaria de Israel, Luciano Levinzon - Resposta da Chancelaria de Israel ao governo do Brasil.
           
O Governo de Israel, que vem exercendo seu legítimo direito à autodefesa, expressa profunda estranheza face à postura crítica do governo do Brasil, por sua ingerência, indevida e ilegítima, em seus assuntos internos, tais como o são a proteção à sua população, vítima de ataques terroristas diários, pelas razões a seguir expostas:

1) O governo do Brasil tem aliança com governos autoritários, totalitários e repressivos, que não permitem eleições nem o pluripartidarismo, chegando inclusive a financiá-los, e por consequência financiando a repressão e morte de opositores a tais governos;

2) O governo do Brasil tem contra si inúmeras denúncias de atos de corrupção comprovados, o que atenta contra seu próprio povo, em última análise;

3) O governo do Brasil é exercido por um partido que tem membros fundadores hoje na prisão, envolvidos diretamente em escândalos de corrupção mundialmente conhecidos;

4) Se o governo do Brasil supostamente preocupa-se tanto com vítimas de conflitos, que atente para os milhões de brasileiros mortos, vítimas de roubos, assaltos e de uma criminalidade fora de controle.

Por tais razões e muitas outras, causa estranheza profunda a ingerência brasileira nos assuntos internos do Estado de Israel, que, sabedor de gravíssimos fatos envolvendo o governo do Brasil, ainda assim não comete ingerência, em relação a este país, mas apenas vem a público externar seu repúdio e apontar alguns fatos de tamanha gravidade, que tornam inviável ao governo do Brasil querer ser juiz de quaisquer questões externas, com uma situação interna tão deteriorada, legal e moralmente.

Se o candidato do Cabral e do Pezão  e do Aécio está divulgando uma mentira, como ficam todos aqueles que se dizem defensores da ética? Se for verdade, como vai reagir o governo da presidenta Dilma, enxovalhado nesta nota atribuída à chancelaria de Israel?

Propinas por precatórios


Contadora do doleiro Youssef abriu o bico e entregou esquema que deixa Roseana Sarney mal na fita

Montagem com imagens da reportagem do Jornal |Nacional da Globo

Imagem tirada da matéria do Jornal Nacional
O Jornal Nacional divulgou nesta segunda-fera, dia 11,   depoimento de Meire Poza, contadora do doleiro Alberto Youssef, que foi um dos presos na operação Lava Jato. Segundo a Polícia Federal, a contadora revelou um esquema de suborno, envolvendo pagamentos judiciais, o doleiro, uma construtora e integrantes do governo do Maranhão.

O depoimento foi prestado na quinta-feira (7) à Polícia Federal, em Curitiba. Meire Poza é contadora da GFD que, segundo a Polícia Federal, é uma das empresas de Alberto Youssef. Ela decidiu contar aos investigadores o que sabe sobre as operações financeiras do doleiro e de suas empresas.

Segundo a contadora, a construtora Constran pediu que Alberto Youssef subornasse o governo do Maranhão oferecendo R$ 6 milhões. Em troca, a empresa furaria a fila desses pagamentos judiciais e receberia, antecipadamente, R$ 120 milhões em precatórios, que são dívidas de governos reconhecidas pela Justiça. Por ter negociado o acordo, Youssef receberia R$ 12 milhões.

Depois da suposta combinação, o governo estadual começou a liberar as parcelas do precatório, no valor de R$ 4,7 milhões cada uma.  Até agora, foram pagos R$ 33 milhões. A última parcela, de acordo com o portal da transparência do Maranhão, foi paga no dia seis.

Segundo a contadora, para combinar os detalhes da operação, houve uma reunião no dia 10 de setembro do ano passado, da qual participaram João Guilherme, da Casa Civil do Maranhão; um assessor identificado por ela como Bringel; a presidente do Instituto de Previdência do Estado, que arcaria com os riscos da operação, Maria da Graça Marques Cutrim; e uma procuradora do estado chamada Helena Maria Cavalcanti Haickel.

No depoimento, a contadora afirmou que o governo do Maranhão mantinha Alberto Youssef sob pressão para receber a propina. E que, se o suborno não fosse pago integralmente, as parcelas do precatório seriam suspensas. Youssef foi preso, em São Luís, em março deste ano. Segundo Meire, ele esteve na cidade no dia 17 de março para pagar propina a pessoas da alta administração do governo estadual.

Fotos do relatório da Polícia Federal, do mesmo dia, mostram Youssef em um hotel com um homem identificado como Marco Antônio de Campos Ziegert. Youssef chegou com duas malas. Marco Ziegert, com uma. Os dois se hospedaram em andares diferentes. Às 3h29 da manhã, Youssef foi ao andar de Marco levando uma mala. E às 3h39, entrou no elevador sem a mala. Às 10h47 do dia seguinte, Marco deixou o hotel, segundo a Polícia Federal, com a mala entregue pelo doleiro.

A contadora disse que Youssef estava naquele dia com parte da propina, R$ 1,4 milhão em dinheiro vivo. E que, segundo a PF, foi entregue a uma pessoa identificada como Marcão.

Segundo o relatório da PF, Marcos Ziegert deixou uma caixa na recepção do hotel para ser entregue a Milton Braga Durans, assessor da Casa Civil do governo Roseana Sarney. Ainda segundo a PF, Milton esteve no hotel dias depois para pegar a caixa.

Além do doleiro, a contadora também cita Adarico Negromonte, irmão do ex-ministro das Cidades Mário Negromonte. Ela diz que Adarico contou que foi ao governo do Maranhão entregar R$ 300 mil, que seriam parte do acordo. Segundo Meire, um assessor teria dito a Adarico que o valor era pouco e que teria que consultar a governadora Roseana Sarney.

A impunidade nos quartéis do Cabral

PMs condenados por morte de juíza no Rio não foram expulsos e continuam recebendo seus vencimentos



Os 11 policiais militares condenados pelo Tribunal do Júri de Niterói, na Região Metropolitana do Rio, por participação no assassinato da juíza Patrícia Acioli, morta em 11 de agosto de 2011, ainda não foram expulsos da PM e continuam recebendo salário. O tenente-coronel Cláudio Oliveira, considerado mandante do crime, recebe R$ 26.295,09, segundo informa o Portal Transparência, mantido pelo governo do Estado do Rio.
Embora o processo ainda não tenha se encerrado (houve apelação e os réus pedem redução das penas), um dos efeitos da condenação pelo Tribunal do Júri é a perda imediata do cargo. No entanto, a Polícia Militar informou que ainda não foi notificada oficialmente pela Justiça a respeito da decisão tomada pelo Tribunal do Júri e que por isso os PMs não foram expulsos.

 Cláudio Oliveira, detentor do maior salário dentre os 11 PMs condenados, era o comandante do 7º Batalhão da Polícia Militar, sediado em São Gonçalo, município vizinho a Niterói, quando o crime ocorreu. Patricia Acioli era juíza da 4ª Vara Criminal de São Gonçalo quando foi morta, com 21 tiros, na frente da casa onde morava, em um condomínio de Niterói.

A magistrada atuava em vários processos em que os 11 policiais militares acusados de tramar sua morte estavam envolvidos em supostos autos de resistência, como são registrados os casos em que há troca de tiros e policiais matam seus oponentes.

Oliveira foi condenado a 36 anos de prisão por homicídio triplamente qualificado e formação de quadrilha. Entre os 11 condenados, a menor pena foi imposta ao soldado Handerson Lents da Silva: quatro anos e seis meses, por violação de sigilo funcional. Ele continua ganhando R$ 2.655,89, segundo o Portal Transparência.

Fonte: UOL

domingo, 10 de agosto de 2014

A conexão Behtlem

TV Globo exibe contratos do "pai dos taxistas" na Câmara, beneficiando empresa que doou para a campanha do ex-genro
CLIQUE NA FOTO E VEJA A REPORTAGEM DA TV GLOBO


Como todo mundo esperava, já começam a aparecer as jogadas de Jorge Felipe na Câmara em conexão com seu ex-genro Rodrigo Behtlem, cujas maracutaias só apareceram por que a ex-mulher, filha do dito cujo, jogou no ventilador revelou parte do que sabia por que se achava sacaneada.
Parte, sim. Ela só queria dar um susto. Além disso, ela sabia de muito pouco. Behtlem era mesmo da pá virada, como estão descobrindo agora. E não agia sozinho, como se sabe a boca pequena. É possível  que o ex-sogro saiba muito mais, ou melhor suspeita-se de que Jorge Felipe não ficava atrás nessas jogadas que todo mundo conhece, mas muitos vereadores calam por conveniência.

No RJ-TV das 7 da noite desta quinta-feira, o "pai dos taxistas" aparece muito mal na fita. Entre outras pérolas, assinou contrato com uma empresa de limpeza para operar a TV Câmara. E pagou mais de R$ 4 milhões para desratizar o prédio do legislativo. Esse dinheiro é quanto custa a construção de uma escola para 400 alunos.

Na volta do recesso, Jorge Felipe estava tão nervoso que pediu licença de três dias, que poderá prorrogar, a menos que seja melhor ficar ligado para que não vazem informações comprometedoras.

De qualquer forma, a boataria corre solta. Dizem que Behtlem ameaçou delatar outros possíveis envolvidos em mutretas na administração de Eduardo Paes, entre eles o pai daquela que arruinou sua vida política e o transformou no mais abandonado cachorro morto da cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro.

Quando a Tv Globo exibiu a reportagem sobre as generosidades de Jorge Felipe, alguns vereadores se tomaram de pânico, imaginando que aí vem chumbo grosso.

Uma coisa parece inevitável: Jorge Felipe saiu fora do páreo para o cargo de conselheiro do Tribunal de Contas, que ele considerava uma barbada até a filha implodir seu ex-genro.

Esperemos os próximos capítulas. Essa novela vai dar samba.
Os apoios sumiram e Behtlem caiu em desgraça. E o parceiro, como fica?
CLIQUE NA FOTO E VEJA A GRAVAÇÃO DE PEZÃO DE APOIO A BEHTLEM. LÁ ESTAVAM TAMBÉM FELIPE E FERRAZ. É MOLE OU QUER MAIS?

sábado, 9 de agosto de 2014

Hoje é dia de festa

 BLOG DO PORFÍRIO comemora 1 milhão de visualizações; Correio da Península soma 785 mil e o do Taxista, 423 mil
           



Pouco antes das 3 horas da manhã deste sábado, 9 de agosto de 2014, o BLOG DO PORFÍRIO ultrapassou a 1 milhão de visualizações. No ar há 5 anos, em substituição às colunas que publicávamos na TRIBUNA DA IMPRENSA, teve maior incremento a partir de fevereiro deste ano e hoje a média diária de visualizações gira em torno de 10 mil.  Esse aumento de acessos se deve a uma maior frequência nas postagens. Até alguns meses, havia uma relação entre o envio da newsletter, enviada a 9 e 900 destinatários e os acessos. Hoje, pelo que constatamos, já não há mais essa dependência. As pessoas passaram a acessar ao blog por hábito, embora também exista uma parcela levada a ele pelo Google.

Esse crescimento nos impõe maior responsabilidade. Imaginamos um espaço independente, comprometido tão somente com a defesa dos interesses do povo brasileiro, dos seres humanos de todo o mundo e, sobretudo, com a verdade.

Acreditamos que estamos dando o melhor de nós com a disposição de estar presente na vida dos brasileiros, com nossa experiência de quem entrou na primeira redação – da legendária ÚLTIMA HORA – ainda de calças curtas: a carteira de trabalho foi assinada como repórter em fevereiro de 1961, antes mesmo dos 18 anos, completados em março.

Aos 71 anos, depois de passar por um primeiro desafio sério na saúde,  temos a esperança de continuar oferecendo nossas informações e, principalmente, nossas opiniões. Pelo amadurecimento natural, escrevemos cada palavra com a mais pura das intenções. Nem sempre acertamos, mas dispomos nossos textos com a preocupação de continuar merecendo sempre a confiança de cada parceiro, com todo o respeito que os cidadãos merecem.

Além desse blog, editamos outros, segmentados e temáticos,  entre os quais  se destacam o CORREIO DA PENÍNSULA (785.213  visualizações em 2 anos e 4 meses) e o CORREIO DO TAXISTA (423.271 visualizações em um ano e 9 meses).

Fica aqui o nosso muito obrigado pelo carinho e o apoio que sempre nos estimularam.

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Está difícil cooptar os cubanos

Apesar do assédio da AMB e das vantagens de um programa dos EUA, os 11 mil cubanos permanecem fiéis ao "MAIS MÉDICOS"

As crianças de Gaza

Morticínio que custou 400 vidas infantis é o corpo de delito de um estado insano,  criminoso e incontrolável

Qual o valor da vida de uma criança em Gaza? É igual a dos seus filhos? É diferente dos filhos dos judeus de Israel? Você é pai? Você é mãe? Qual sentimento teria ao ver-se impotente, fadado tão somente a carregar uma filhinha adorada à sepultura em meio aos escombros do seu lar? Os palestinos não têm lar? É isso? Estão condenados a viverem como prisioneiros de um campo de concentração de 1,8 milhão de seres humanos, sujeitos ao extermínio programado? 
Durante quase um mês a mídia vem notificando mortes de crianças como simples estatísticas. Pareciam informações meramente aritméticas.  Não ocorria à grande maioria dos receptores desse noticiário macabro colocar-se na pele de um pai ou de uma mãe castigados pela morte de um inocente em suas mãos. Um inocente que queria apenas viver, que não tinha nada, absolutamente nada, com foguetes ou túneis.

Que já passava por uma vida amarga pela falta de água para beber, de alimentos: há exatos oito anos, desde que devolveu Gaza, o Estado de Israel bloqueia as suas saídas, impedindo a entrada de alimentos, sob o pretexto de evitar o contrabando de armas. Estas entraram: diz-se que o Hamas disparou menos de 4 mil dos 10 mil foguetes que armazenou. Pão e água, não.

Você já se deparou com filhos inocentes chorando por falta de alimentos? Tem notícia do que isso significa? Imagina que tipo de reação pode provocar uma situação dessas? Estima quantas feras feridas são forjadas por esse quadro de miséria e humilhação?

É profundamente triste que amigos judeus, alguns muito queridos, muito próximos, até quem se converteu por acaso, tenham fechado os olhos para outras crianças com os mesmos sonhos dos seus filhos. Tenham se compensado com a transferência da culpa para os patrícios das vítimas, que teriam atirado a primeira pedra.

Essas pessoas parecem carregar um trauma atávico, um componente diferente dos outros seres humanos, um diferencial étnico de alto teor corrosivo: não importa, para elas, quem terá a vida ceifada, ou melhor, qualquer um pode ser alvejado desde que não seja sangue do seu sangue, não tenha aqueles olhos azuis resplandecentes, aqueles cabelos ruivos cintilantes.

Por algumas horas, por alguns dias, alguns meses, talvez, o genocídio dos inocentes de Gaza vai ser interrompido. Não nos depararemos com lamentos hipócritas das potências como os Estados Unidos, que armam e financiam os generais e os políticos extremistas de Tel Aviv. 

Já se fazem cálculos dos custos da reconstrução – U$ 6 bilhões, pelo menos.

Irônico: se fizerem as contas, esse deve ter sido o custo bélico dos israelenses. Ou mais. Cada disparo de foguete do sofisticado sistema de defesa anti-aérea – o Domo de ferro – saiu por U$ 50 mil. Embora nem sempre tenham sido acionados (são seletivos e não buscam os que cairão em áreas desertas), estima-se que pelo menos 2 mil e 500 detonaram os do Hamas. Só nessa trincheira, US $ 125.000.000. É quase a metade da última ajuda votada pelo Senado dos EUA no dia 1 de agosto. E os quase 100 mil homens mobilizados na operação? E todo o armamento usado por terra, mar e ar?

Valeu? Esse é o único caminho para impor o Estado de Israel e as ambições sionistas de um território muito maior, conforme definiu Jeremias nas escrituras? Será que vão precisar matar outros milhares de inocentes para dar proteção aos 300 mil judeus  assentados como usurpadores na Cisjordânia?

Sejam honestos, pelo menos em relação à história. Essas batalhas que custaram quase 2 mil vidas e 10 mil feridos em menos de um mês são apenas parte de uma guerra pelo controle de uma vasta região petrolífera, como se fosse uma fatalidade bíblica, a vontade de Deus.

O próprio surgimento do Estado sionista é uma fraude, uma grande mentira que iludiu a muita gente, inclusive a Stalin, o ditador soviético que foi um dos seus padrinhos, por que, de fato, queria jogar com a migração e unir o útil ao agradável: a ideia do kibutz, fazenda coletiva que emoldurou a nova colonização tinha conotações socialistas, enquanto as grandes levas de colonos recentes vinham da Europa Oriental.

Ao contrário do que dizem por aí, não foi o livrinho de Theodor Herzl, o Estado Judeu, publicado em 1896, que mobilizou as comunidades judaicas atrás do seu lar nacional. Como escrevi em 15 de janeiro de 2009, após outro massacre, foi, sim, a descoberta do petróleo em Meca, em 1880, relatada pelo judeu lituano Eliezer Ben Yehuda, pai do hebraico moderno, que foi morar em Jerusalém em 1881, e fez chegar ao Barão de Rotshschild informações preciosas sobre os vinhedos da Galileia e sobre uso por lá da mesma substância inflamável descoberta na Pensilvânia em 1859, o petróleo.

Já em 1882 os Rothschilds e o barão Maurice de Hirsh descarregavam a primeira leva de judeus russos e poloneses que se estabeleceriam na região da Galileia com tudo pago por uma organização que se formalizaria em 1900 como a Jewish Colonization Association, uma companhia para o estabelecimento de judeus, criada na Inglaterra pelo Barão Hirsh, dedicada à infiltração programada, principalmente na baixa Galileia.

Os que bancaram a implantação dessas colônias não o fizeram como JUDEUS, mas como homens de negócios de olho no subsolo das terras de onde seu povo seguiu o destino da diáspora há dois mil anos – isto é, mil e quinhentos anos antes da colonização do Brasil e de toda a América.

CRIMINOSO DE GUERRA
Tanto como em sua origem colonial, Israel de hoje passou de cabeça de ponte dos Estados Unidos à condição de potência hegemônica, expansionista insaciável e incontrolável. A menos que o mundo vire de cabeça para baixo, o regime sionista continuará matando civis e dilacerando vidas indefesas como parte de sua própria concepção estratégica, tomada por empréstimo dos nazistas, como contou Roberto Amaral no relato sobre a Tcheco-Eslováquia ocupada, e definida sem constrangimento por seu herói Benjamin Netanyahu: "vamos tornar intolerável a vida em Gaza".

Infelizmente, essa é a triste sina dos meninos de Gaza, frente a uma violência irrefreável; é o destino trágico dos inocentes de toda a Palestina e dos territórios ambicionados por Israel. Inocentes submetidos ao mais terrível dos silêncios, o silêncio das sepulturas.

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

O exemplo que vem de Cuba


É isso que leva ao desespero e ao ódio o complexo de negócios de saúde no Brasil.

Cuba: um modelo, aponta a Organização Mundial da Saúde

Salim Lamrani | Paris - 29/07/2014 - 15h07

De acordo com o organismo das Nações Unidas, o sistema de saúde de Cuba serve de exemplo para todos os países do mundo

O sistema de saúde cubano é mundialmente reconhecido por sua excelência e eficiência. Apesar de recursos muito limitados e do impacto dramático causado pelas sanções econômicas impostas pelos Estados Unidos há mais de meio século, Cuba conseguiu universalizar o acesso à saúde para todas as categorias da população e obteve resultados semelhantes aos das nações mais desenvolvidas.


Durante sua visita recente a Havana, Margaret Chan, diretora-geral da Organização Mundial da Saúde, elogiou o sistema de saúde cubano e se declarou impressionada com as conquistas nessa área. “Cuba é único país que eu vi que tem um sistema de saúde estreitamente relacionado com a pesquisa e o desenvolvimento em um circuito fechado. Essa é a direção certa porque a saúde humana não pode melhorar se não há inovação”, enfatizou. Destacou “os esforços da administração desse país em colocar a saúde como pilar essencial do desenvolvimento”.

Cuba baseia seu sistema na medicina preventiva e os resultados são excepcionais. Segundo Margaret Chan, o mundo deve seguir o exemplo da ilha nesse campo e substituir o modelo curativo, pouco eficiente e custoso, por um sistema baseado na prevenção. “Desejamos ardentemente que todos os habitantes do planeta possam ter acesso a serviços médicos de qualidade, como em Cuba”, destacou.

A OMS lembra que a falta de atenção médica no mundo não é de nenhuma maneira uma fatalidade advinda de falta de recursos. Traduz, em vez disso, a falta de vontade política dos dirigentes de proteger as populações mais vulneráveis. A organização cita o caso da ilha do Caribe como o perfeito exemplo contrário. Por isso, em maio de 2014, Cuba presidiu a 67ª Assembleia Mundial da Saúde, como reconhecimento pela excelência em seu sistema de saúde.

Elite mercantilista confirma apoio a Aécio  Neves  contra o "Mais Médicos"

Aécio Neves recebeu formalmente o apoio da elite mercantil da Associação Médica Brasileira com a promessa de mandar embora os médicos cubanos que estão indo aos cafundós do Judas, onde os "mauricinhos de mercado", formados no 0800 às nossas custas, se recusaram a ir. 

Mas cometeu uma gafe: disse que gostaria de "criar uma carreira nacional de médicos, qualificados e atendendo na periferia das grandes cidades e nas cidades mais remotas". Esqueceu que isso foi oferecido por anos, mas que nem os formados em Universidades Públicas, que custam mais de 1 milhão aos eleitores-contribuintes, toparam trabalhar onde não tem planos de saúde e esquemas de exames. Aécio e os médicos de mercado se merecem: eles querem é que o povo dos rincões e das periferias SE EXPLODA!


Leia também: 


Com uma taxa de mortalidade infantil de 4,2 por mil, Cuba tem o melhor indicador do continente e do Terceiro Mundo, refletindo assim a qualidade de seu sistema e o impacto sobre o bem-estar das crianças e das mulheres grávidas. A taxa de mortalidade de Cuba é inclusive inferior à dos Estados Unidos e se encontra entre as mais baixas do mundo.
Com uma expectativa de vida de 78 anos, Cuba é um dos melhores alunos do continente americano e do Terceiro Mundo, com um indicador semelhante ao das nações mais desenvolvidas. Em 2025, Cuba terá a maior proporção de pessoas de mais de 60 anos da América Latina.

Quem sou eu

Minha foto
Jornalista desde 1961, quando foi ser repórter da ÚLTIMA HORA, PEDRO PORFÍRIO acumulou experiências em todos os segmentos da comunicação. Trabalhou também nos jornais O DIA e CORREIO DA MANHÃ, TRIBUNA DA IMPRENSA, da qual foi seu chefe de Redação, nas revistas MANCHETE, FATOS & FOTOS, dirigiu a Central Bloch de Fotonovelas. Chefiou a Reportagem da Tv Tupi, foi redator da Radio Tupi teve programa diário na RÁDIO CARIOCA. Em propaganda, trabalhou nas agências Alton, Focus e foi gerente da Canto e Mello. Foi assessor de relações públicas da ACESITA e assessor de imprensa de várias companhias teatrais. Teatrólogo, escreveu e encenou 8 peças, no período de 1973 a 1982, tendo ganho o maior prêmio da crítica com sua comédia O BOM BURGUÊS. Escreveu e publicou 7 livros, entre os quais O PODER DA RUA, O ASSASSINO DAS SEXTAS-FEIRAS e CONFISSÕES DE UM INCONFORMISTA. Foi coordenador das regiões administrativas da Zona Norte, presidente do Conselho de Contribuintes e, por duas vezes, Secretário Municipal de Desenvolvimento Social. Exerceu também mandatos em 4 legislaturas na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, sendo autor de leis de grande repercussão social.