segunda-feira, 30 de junho de 2014

O abominável extermínio de irmãos

Companhias petrolíferas, indústria bélica, EUA, Israel, Turquia e monarquias árabes patrocinam esse genocídio

Há alguns dias, uma foto me abalou profundamente. Essa imagem assustadora foi difundida pelos próprios assassinos, de um grupo chamado Estado Islâmico do Iraque e do Levante. O genocídio de árabes, praticados por árabes no contexto de uma guerra pelo petróleo patrocinada por interesses não árabes e envolvendo diretamente os Estados Unidos, Israel,  Turquia, as companhias petrolíferas e a indústria bélica, que tem no Oriente Médio sua maior e mais rentável freguesia. Neste momento, aliás, Obama está pedindo mais 500 milhões de dólares ao Congresso para armar os terroristas que levaram à guerra civil na Síria desde 2011.

Civis sírios vítimas dos mercenários ditos jihadistas
Fico pensando onde está a ONU, as badaladas entidades dos direitos humanos e a própria Liga Árabe, infelizmente hoje controlada pelas monarquias ditatoriais, ligadas diretamente aos interesses norte-americanos.

Conheci o povo sírio em tempos de paz e enorme progresso em 2002, quando estive também na Palestina e no norte de Israel, que é formado por populações árabes. Jamais podia imaginar que me depararia com uma guerra fratricida sob o manto de divergências religiosas, mas, de fato, envolvendo altos interesses econômicos.

Voltarei a escrever a respeito, mas por hoje gostaria apenas de sugerir a leitura do artigo de Thierry Meyssan, publicado no site Oriente Mídia:


"Enquanto os média ocidentais apresentam o Emirado islâmico no Iraque e no Levante como um grupo de jihadistas recitando o Corão, este iniciou a guerra do petróleo no Iraque. Com a ajuda de Israel, o EIIL cortou o aprovisionamento da Síria e garantiu o roubo do petróleo de Kirkuk pelo governo local do Curdistão. A venda será assegurada pela Aramco, que camuflará este desvio aumentando a produção "saudita".

domingo, 29 de junho de 2014

A Costa Rica que desconhecemos

Com 4,3 milhões de habitantes, ocupa o primeiro lugar no mundo no índice de população mais feliz e o primeiro da AL em desempenho ambiental
Foto da reportagem do jornal português PÚBLICO, editada em dezembro passado

"Já faz mais de 60 anos que a Costa Rica não tem exército próprio. Cerca de 20% do território são parques nacionais e áreas protegidas.  Os cardápios são bilingues em muitos restaurantes. Muitos falam inglês. Possuem moeda própria, o Colon, mas o USD é aceito em diversos lugares, sendo possível até sacar no caixa eletrônico.  É um país lindo, onde se pode ir do atlântico até o pacifico em algumas horas. Cheio de praias bonitas, florestas, vida selvagem e vulcões. Um destino com turismo bem desenvolvido. Não é em qualquer lugar do mundo que se pode parar um carro, comprar uma galinha para jogar para crocodilos em baixo da ponte. Fácil de viajar, recebem milhares de turistas em busca dos “animais exóticos”  ou do turismo de aventura. Cheio de coisas para fazer, mas nem tantas para se viver".
Site Saíporaí

Mesmo se a seleção de futebol da Costa Rica não passar das oitavas de final nesta copa  (pelas campanhas na primeira fase é favorita no jogo de hoje contra a Grécia), ela já terá dado visibilidade a uma autêntica "civilização", graças à qual  os costa-riquenhos são o povo mais feliz do planeta, de acordo com o Happy Planet Index. “Parece algo tirado da lista de desejos da música Imagine de John Lennon”, como escreveu a revista Diplomat.

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Na discrição de uma vida tranquila numa área historicamente envolvida em conflitos e golpes militares, este país centro-americano de apenas 51 mil K² e uma população de 4 milhões 301 mil habitantes, deve seu progresso e sua estabilidade a uma decisão tomada há 65 anos, ano de sua atual Constituição:

Na manhã de 1 de Dezembro de 1948, o Presidente, José Figueres Ferrer, declarava “oficialmente dissolvido o Exército Nacional, por considerar suficiente para a segurança do país a existência de um bom corpo de polícia.”  Nesse dia, o Exército Regular da Costa Rica (…) entregou a chave do seu Quartel General para transformar-se em escola, providência tomada em todas as demais guarnições.
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Bem antes de Cuba declarar-se território livre do analfabetismo em 1962, o país que se recusa até hoje a ter Forças Armadas já havia chegado a índices educacionais relevantes e hoje apenas 3% de sua população é de analfabetos. Seu IDH é melhor do que o do Brasil (0,773 contra 0,730) e próximo de Cuba (0,780), Uruguai (0,792), Argentina (0,811) e Chile (0,819). E tem a maior expectativa de vida da América Latina: 78,8 anos (dados de 2009), seguida por Cuba (78,6) e Chile (78,5). Nesse levantamento do Banco  Mundial, o Brasil está em 14º, com 72,3.

Segundo reportagem do site Público, de Portugal, o segredo dos avanços da Costa Rica está na inexistência de gastos militares. "O investigador do Instituto de Ciências Sociais (ICS) Andrés Malamud sintetiza os ganhos que a Costa Rica obteve nas últimas décadas: “Em contraste com a maioria da América Central, não teve mais guerras civis e, em contraste com a maioria da América Latina, não teve mais golpes de Estado.”

"Para além disso, a falta de forças armadas permitiu que os orçamentos para a educação e para a saúde fossem mais generosos. Não é por acaso que a Costa Rica é conhecida como a Suíça da América Latina. A esperança média de vida tem um valor quase nipônico, de 78 anos, e a taxa de alfabetização é de 96,3%, valores que fariam corar muitos países europeus".

 Uma vitória emblemática

Desculpem, mas eu fiquei muito feliz com a vitória da Costa Rica num jogo em que o juiz australiano Benjamin Williams favoreceu ostensivamente a Grécia: deixou de marcar um pênalti claro (o zagueiro defendeu com o braço) e expulsou um zagueiro costarriquenho (segundo amarelo, num lance que não daria cartão). Agora, só falta fazerem o que fizeram quando a Costa Rica derrotou a Itália: chamaram sete jogadores da modesta equipe centro-americana para o exame antidoping. Minha alegria está em que subestimam os "pequenos" e não aceitam que eles possam derrotar os donos do mundo, numa área em que se disputa muito mais negócio do que futebol.Para o seu conhecimento, eis ao lado  a ficha dos atletas daquele pequeno país de 4,3 milhões de habitantes, por acaso à frente do índice mundial de satisfação com a vida. 

sábado, 28 de junho de 2014

Decisão arbitrária para encobrir o mar de lama em que a Fifa chafurda


Punição extrema ao jogador do Uruguai foi um jogo sujo de marketing e violou rituais do direito
Eu não queria discutir agora nada dessa Copa de tantas e tão variadas trapaças por muitas razões: estamos no seu desenrolar, com mais de 50% dos espaços midiáticos dedicados a todos os seus momentos, e há uma malta de abutres torcendo pelo seu fracasso por interesses políticos menores. Não serei eu quem vai entrar nessa dividida quando a posteriori haverá muito que comentar e o próprio governo brasileiro, que pegou esse rabo de foguete na unha, já está elaborando um relatório crítico consistente para que o próximo país sede não caia em arapucas tão constrangedoras, que só serviram e servem para um encher as burras de uma das mais insaciáveis quadrilhas internacionais.
Mas essa arbitrária exclusão do jogador Luís Alberto Suárez, do Uruguai, tem todos os elementos de um tribunal inquisitorial e faz lembrar O Estrangeiro, obra prima que deu o Prêmio Nobel de Literatura ao escritor franco-argelino Albert Camus.

Mesmo sem ser advogado, recuso-me a aceitar que um fato registrado por uma câmera posicionada aleatoriamente seja a única peça que levou à decisão sumária, como se adotada em plena guerra. No direito esportivo, a primeira peça de acusação, o ponto de partida, é a súmula assinada pelo juiz, que não registrou a ocorrência a não ser a partir da queixa do adversário italiano, até por que nem ele, nem seus auxiliares, nem as câmeras oficiais da Fifa, que cobrem todos os ângulos, viram a tal mordida. Se ela existiu, o seu registro pericial não foi suficiente para, considerando o princípio do flagrante, ter cobertura documental consistente e incontestável.

Mas se, mesmo assim, houve a mordida não consta que esse "delito" seja capitulado nos regulamentos e normas legais com previsão de uma pena tão extrema, proferida em 48 horas, como se tão monstruoso fosse o seu dolo, algo muito maior do que uma entrada violenta com o propósito de quebrar a pena do adversário ou um soco na cara, como o que levou o juiz a dar cartão amarelo ao nosso Neymar.

O direito é sustentado no contraditório e nos vários elementos intencionais em julgamento que dimensionam o grau de sua motivação. Direito é direito, inclusive no futebol. Tem um ritual que protege os cidadãos de decisões afoitas e com alguma sombra de dúvida. Há até um aforismo latino que monitora o direito penal: IN DUBIO PRO REO.

No caso, alguns verdugos da Fifa decidiram sem ouvir as partes, sem que a própria "vítima" tenha reafirmado "em juízo" sua queixa. Foi um ato administrativo com severos prejuízos para a seleção de futebol do Uruguai, que tinha em Luís Soares seu atacante decisivo. Ela perdeu no único jogo em que ele não participou.

Por mais que a competição exija velocidade nos procedimentos disciplinares, essa era uma situação bem diferente de um jogador que tenha recebido cartão vermelho e que é suspenso automaticamente por um jogo até seu julgamento, conforme regulamento expresso. Não houve nenhuma medida disciplinar da parte do árbitro, de onde o inusitado de uma punição de escopo absolutamente midiático.

A Fifa, como é público é notório, está envolvida em crimes de toda natureza e usou o episódio para bancar a guardiã da disciplina e dos bons costumes. Quis aparecer como uma vestal rigorosa que atendia ao clamor de uma certa mídia, em especial ao sentimento de revanche de seleções bilionárias, como a Itália, a Espanha e a Inglaterra,  que foram vergonhosamente excluídas na primeira fase da Copa, com notórios prejuízos para seus negócios.

A seleção uruguaia já havia feito bonito na Copa da África do Sul, onde ficou entre as quatro primeiras e ainda deu com Furlan o melhor jogador. É (ou era) candidata em potencial a chegar perto da taça, o que afronta as nações mil vezes mais caras e ainda mostra o valor de um país com menos de 3 milhões e meio de habitantes, situado em uma área de 177 mil  k² lá no fim do mundo, como definiu o Papa Francisco a sua Argentina, quando foi eleito no Vaticano.

O vexame das grandes potências futebolísticas européias vai repercutir em sua própria economia, eis que o futebol movimenta cada vez mais dinheiro, por dentro e por fora. Na Itália, onde os times têm donos privados, assim como na Inglaterra, onde até um sultão árabe e um mafioso russo são donos de equipes de futebol, o trauma do fiasco vai, portanto, muito além das paixões de seus torcedores incautos.

Já na derrota contra a pequena Costa Rica, ainda menor sob todos os aspectos do que o Uruguai (exceto a população, que é de 4 milhões e 300 mil) a Fifa cometeu uma abominável tentativa de melar o resultado ao convocar 7 costarriquenhos para o exame antidoping, contra 3 italianos, arbitrariedade que só ganhou repercussão por que Maradona denunciou num programa que mantém na televisão venezuelana.

Não é minha intenção defender a impunidade de um jogador que já pagou por outras suas situações semelhantes, que não podem pesar prioritariamente numa nova sentença. Mas me assusta e me ameaça esse tipo de ritual punitivo, sem condição de recursos e com todos os efeitos perversos colaterais que enseja, com os prejuízos e danos que irradia para toda a seleção do seu país, deixando claro que os elementares princípios dos códigos de processos do direito não existem numa arena esportiva.

Antes, o que vale é o mafioso jogo de interesses econômicos e políticos.  O atual presidente da Fifa é capaz de qualquer coisa para recuperar o apoio da Uefa – associação européia de futebol – nas eleições que definirão sua permanência ou não à frente desse monstro todo poderoso.

Se o Uruguai foi derrotado agora, não haverá ninguém que não associe essa desclassificação à punição tão draconiana que assustou até o italiano que foi se queixar ao árbitro durante o jogo.

Péssimo exemplo para quem considera o estado de direito um dogma essencial à própria existência da sociedade humana.

sexta-feira, 27 de junho de 2014

Números alentadores e o nosso muito obrigado a todos os parceiros e amigos

Hoje, excepcionalmente, expomos a vocês as estatísticas registradas pelo Blogspot, onde estão nossos blogs.  Esses números se referem apenas aos 3 principais no dia 27 de junho: BLOG DO PORFÍRIO, 9.206; CORREIO DA PENÍNSULA, 7.396; CORREIO DO TAXISTA, 3044. São realmente estimulantes e justificam todo o sacrifício que estamos fazendo neste momento delicado de nossa vida.  Um grande muito obrigado. Vejam os gráficos:

quinta-feira, 26 de junho de 2014

Campanha pornô

Preocupado em prestar serviços ao prefeito e livrar-se de um vexame, Lupi une  o inútil ao desagradável

Depois da suruba explícita segundo o contrariado Sirkis e do bacanal eleitoral descrito em nota oficial pelo prefeito Eduardo Paes, agora é o politicamente assexuado Carlos Lupi que entra no clima pornô desses dias de sacanagem geral e se presta a coadjuvante em mais uma cena de fazer inveja aos canais "adultos" da tv a cabo.
Só para dar uma mãozinha ao seu dileto Eduardo Paes, Lupi decidiu ser candidato a senador e não mais a deputado federal, abrindo assim uma brecha para o prefeito dar seu voto a outrem e não ao hoje inimigo Cesar Maia, evitando ser atochado a seco pelo dom Picciani, o verdadeiro capo da PMDB-RJ.
É claro que o herdeiro cartorial do PDT tinha dúvida sobre suas possibilidades  para deputado federal. Em 32 anos de eleições, ele só ganhou uma, em 1990, na rabeira da nominata, graças à ajuda do então prefeito Marcello Alencar, a quem servia com a mesma intrépida subserviência do Eduardo nos tempos de amores com Cesar, o dono do útero de onde ele foi abortado.
É muito difícil que no decorrer dessa campanha pornô o prefeito se submeta às ordens de Aécio Neves, responsável pela mistureba que botou a fina flor da direita automática no mesmo balaio. Essas raposas sintéticas de hoje dispensam as máscaras:
Tudo o que Cabral queria era o tempo de tv do DEM e do PSDB para o seu Pezão mandado; tudo o que Aécio queria era um cais dourado pra ter à espera belas moçoilas quando desembarcar por aqui, onde a meia dúzia de três ou quatro tucanos está matando cachorro a grito.

Tudo o que o Eduardo Paes queria era desobrigar-se de votar no seu desafeto íntimo, a quem atribuem dizer cobras e lagartos sobre o ex-filhote, lavando a roupa suja no meio da rua, como naquelas separações belicosas, em que só faltou uma bala na agulha, até por que cada um sabe muito do outro, mais do que o mais enfronhado dos fofoqueiros.
Tudo o que o Carlos Roberto Lupi queria era estar bem com o Cabral e o Eduardo sem se indispor com a Dilma, que já o mandou às favas por conta da campanha insidiosa movida contra ele pela mídia que queria pegar a Dilma pelos ministros mais vulneráveis.
Naquele então eu mesmo me insurgi contra as insídias e as aleivosias em relação a ele. Por que de fato é uma maldade tratá-lo como corrupto de segunda e mau caráter de primeira.
O que esse deslumbrado  dirigente cartorial tem é uma absoluta ausência de escrúpulos e compromisso político. É também míope ao ponto de não ver a cova que está abrindo para a legenda criada com tanta garra e determinação pelo falecido Leonel de Moura Brizola. No que não é nem um tantinho diferente dos demais: só que seus cartuchos são de espingarda e seus tiros costumam sair pela culatra.

Proposta indecente

Especialista em traição - o Serra que o diga - Aécio manda aliados dar uma volta em Dilma, com fez o Cabral
"Vão sugar um pouco mais. E eu digo para eles: façam isso mesmo, suguem mais um pouquinho e depois venham para o nosso lado".
Aécio Neves da Cunha nunca foi um rapaz de bons modos. Todo mundo sabe disso. Sabe e espalha a boca pequena. Mas nesse deserto de homens e ideias ele pôde ser mais um carreirista político, usando o  nome do avô, o velho Tancredo, como ponto de partida. R hoje é simplesmente candidato a presidente da República do Brasil.
Seu desapreço por regras éticas e valores morais só é comparável ao do seu aliado Sérgio Cabral Filho. São da mesma safra: ele nasceu em 1960 e o outro em 1963. Vadiaram juntos, por que o mineiro sempre se homiziou nas praias cariocas, onde as cabrochas endoidam qualquer um.
Nas eleições presidenciais passadas traiu José Serra, o candidato do seu partido. Primeiro, por que podia dar uma zebra, o correligionário ganhar e se transformar em candidato natural à reeleição, deixando-o a ver navios agora, do seu ap em Ipanema. Depois por que precisava desesperadamente fazer o sucessor e, para tal, não teve o menor constrangimento em forjar o "Dilmasia" ,  aliança informal com a presidenciável do PT, que estava muito mais forte nas Minas Gerais do que o próprio.
Para essa figura manjada trair e coçar é só começar. É o que está propondo aos aliados da Dilma, com o agravante do mau caráter: depenem o governo, tirem o máximo de proveito, mas venham para o meu lado, que tenho mais a oferecer.
Aécio Neves da Cunha não fez essa proposta no sapatinho.  Falou em público, crente que estava abafando. E a mídia deu a notícia com carinho e afeto.  Por que o artista é um tucano, da tropa de elite do sistema insaciável que quer retomar o controle do governo federal, onde tem alguma ingerência, mas perdeu a gerência.
Enfim, são tipos dessa estirpe que se apresentam ao distinto público como paladinos da moral e dos bons costumes. Imagine se não se exibissem nesse papel.

Somos nós que pagamos a conta

Esse leilão do horário eleitoral é um crime continuado que expõe privilégios e desfigura o direito de informação dos eleitores

Antes de postar novos comentários, faço questão de chamar sua atenção para o que escrevi há menos de um mês sobre o poder nefasto dos minutos e segundos no horário eleitoral de rádio e tv dos partidos, numa matéria sob o título O Veneno Eletrônico.  De todos os crimes contra a livre manifestação do eleitor este é o mais grave por que atribui maior ou menor espaço aos detentores das mais numerosas bancadas federais no ano da eleição. 

Óbvio que isso mantém o pressuposto da preservação dos partidos de maiores bancadas, ao contrario do que ocorre na França, onde todos os partidos têm tempos iguais. E gera uma tal paranoia que afasta os candidatos do contato direto com os cidadãos, o que permitiria uma relação interativa, quando o eleitor pode dizer o que espera de um postulante a qualquer mandato.

Na prática acabaram com os comícios de periferia e só nos finais das campanhas eles ocorrem, felizmente, agora, sem os artifícios dos shows milionários que eram, de fato, as atrações dos palanques.
O mais grave é que esse chamado horário eleitoral gratuito é uma outra mentira. Embora televisões e rádios sejam concessões públicas, as emissoras recebem uma fortuna, tendo como moeda os impostos devidos. Mesmo com a abundância de financiamentos privados de campanhas "por dentro e por fora", o que se destina dos cofres públicos para campanhas partidárias, privilegiando sempre as maiores legendas, é um acinte só comparável aos gastos superfaturados com os estádios da Copa do Mundo.
Segundo estudos do site Contas Abertas,  essa propaganda gratuita custou a cada cidadão-eleitor R$ 66,54. Veja mais informações sobre essa farra cuja existência  talvez você desconheça.  Esses números exorbitantes eu fui encontrar no site O Progresso, de Dourados, Mato Grosso do Sul.

R$ 9,5 bilhões, o preço das eleições

Números divulgados no site O PROGRESSO, de Dourados, Mato Grosso do Sul

Estudo realizado pelo portal Contas Abertas revela um número estarrecedor: o ciclo eleitoral para presidente, governadores, senadores, deputados, prefeitos e vereadores custou nos últimos quatro anos cerca de R$ 9,5 bilhões. Esse valor inclui doações recebidas pelos partidos, o fundo partidário e a isenção fiscal concedida às emissoras de rádio e TV para a transmissão do horário eleitoral gratuito. Somente o horário eleitoral obrigatório vai custar R$ 840 milhões em impostos para compensar as perdas com publicidade das empresas de rádio e televisão que são obrigadas à divulgação da propaganda partidária e eleitoral. O valor deduzido em imposto de renda corresponde a 80% do que as empresas receberiam caso vendessem o espaço para a publicidade comercial no mesmo horário em que veiculam as peças publicitárias e pro-gramas eleitorais dos candidatos, ou seja, o horário eleitoral gratuito é de graça apenas para os partidos e candidatos, já que a conta ficará mesmo para o contribuinte. Somente as últimas eleições gerais custaram R$ 5,2 bilhões em deduções fiscais para as emissoras de rádio e TV.
Somente 2010 e 2013, contando com a eleição municipal de 2012, deixaram de ser arrecadados quase R$ 2 bilhões em impostos para compensar as perdas com publicidade das empresas de rádio e televisão. Se considerados os últimos quatro anos, 2010 foi o exercício mais caro o contribuinte, quando o governo deixou de recolher R$ 851,1 milhões aos cofres federais. Já a soma dos montantes arrecadados nos anos de 2011 a 2013 ficou em R$ 1,1 bilhão, enquanto neste ano a previsão é que a isenção atinja R$ 839,5 milhões. O fato é que os R$ 9,5 bilhões do ciclo eleitoral superam os R$ 8,1 bilhões reservados para as 45 obras de mobilidade urbana da Copa do Mundo da Fifa e é maior que os investimentos feitos por 38 dos 39 ministérios do governo Dilma Rousseff no ano passado, já que apenas o Ministério dos Transportes investiu mais do que R$ 9,5 bilhões em 2013. O Contas Abertas apurou que a soma das receitas das campanhas eleitorais de 2010 e de 2012 atingiu a marca de R$ 6,3 bilhões, montante referente às doações realizadas para comitês, partidos e candidatos nas duas últimas eleições.
O Fundo Partidário também tem um peso considerável no custo das eleições para o contribuinte brasileiro. Somente no ano passado, os partidos políticos embolsaram R$ 294,2 milhões por meio do Fundo Partidário, dinheiro que foi re-partido de forma desigual entre PMDB, PTB, PDT, PT, DEM, PCdoB, PSB, PSDB, PTC, PSC, PMN, PRP, PPS, PV, PTdoB, PP, PSTU, PCB, PRTB, PHS, PSDC, PCO, PTN, PSL, PRB, PSOL, PR, PSD, PPL, PEN, PROS e Solidariedade. O Fundo Partidário custou R$ 1 bilhão aos cofres públicos nos últimos quatro anos, mas esses valores devem seguir pe-sando cada vez mais no bolso do contribuinte em virtude do aumento constante dos repasses. Nas eleições de 2010, por exemplo, os partidos receberam R$ 160 milhões, quase a metade do montante do ano passado quando as legendas embolsaram R$ 294,2 milhões. Composto por dotações orçamentárias da União, multas, penalidades, doações e outros recursos financeiros atribuídos por lei, o fundo é hoje a principal fonte de receita dos partidos políticos brasileiros e o valor repas-sado à cada legenda é definido de acordo com a votação anterior de cada sigla à Câmara Federal.

Na divisão per capita, o último ciclo eleitoral custou cerca de R$ 66,54 para cada eleitor, mas essa matemática não deve preocupar o Partido dos Trabalhadores (PT), líder em arrecadações com R$ 79,8 milhões, nem o PSDB, que recebeu R$ 20,4 milhões ou o PSB, que amealhou R$ 8,3 milhões. Em 2013, a legenda que mais recebeu recursos públicos foi o Partido dos Trabalhos, que embolsou R$ 47,3 milhões, ou seja, 16,1% do total repassado às agremiações. Em segundo lugar aparece o Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB) com R$ 35,3 milhões, ou 12% do total. A terceira colocação ficou o Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), com R$ 32,8 milhões. Completam o ranking o Partido da República (PR) e o Partido Progressista (PP), que receberam R$ 20,4 milhões e R$ 19,6 milhões, respectivamente. Fica claro, portanto, que o contribuinte brasileiro além de carregar nas costas a mais pesada carga tributária do planeta, ainda é obrigado a sustentar as aventuras eleitorais dos partidos políticos.

Leia também análise de Fernando Rodrigues na FOLHA DE SÃO PAULO

quarta-feira, 25 de junho de 2014

Malabarismo cara de pau

Com tantas incoerências e jogadas explícitas em causa própria, os políticos vão acabar afastando o povo das urnas

Nada mais deprimente, obsceno e vergonhoso do que esse troca-troca de última hora na formação dos times que disputarão o governo e demais cargos no Estado do Rio de Janeiro, algo inimaginável por estas praias tidas e havidas como estelares do voto mais informado, que já viu confrontos históricos como Lacerda versus Sérgio Magalhães e que irradiou plataformas inovadoras de gestão, como a concentração de recursos na educação pública de qualidade e tempo integral, obra que teria mudado o nosso próprio destino se não tivesse sido solapada criminosamente por quem temia uma revolução social irreversível e por quem queria irresponsavelmente a tutela das massas, como quadrilhas que brigam por bocas de fumo bem localizadas. 
Todo dia é uma cena patética, protagonizada por canastrões da boca do lixo que não escondem o único móvel de suas atitudes: tirar algum proveito pessoal, levar alguma vantagem para seu esquema, num desprezo explícito por qualquer coisa parecida com interesses públicos.  

Esses carreiristas inescrupulosos acabam sendo as maiores alavancas de uma tendência cada vez mais visível: o borbulhar de uma rejeição a todos eles, no que poderá ser a mais constrangedora soma de votos brancos e nulos, além da abstenção, numa exposição fétida das vísceras de uma democracia de arapucas e imposturas.

De tal sem-cerimônia é esse jogo de falsos brilhantes que até mesmo eu, nesses 71 anos de testemunha das artimanhas mais cínicas, me choco com tantas indignidades, no ensaio de um processo eleitoral que agride a toda a cidadania, disseminando os maus exemplos que levarão cada titular de um voto a trocar o seu escopo institucional por qualquer migalha:

Essa sociedade heterogênea acaba assimilando por unanimidade a mesma trágica percepção, a de que todos os políticos são iguais e estão se lixando para os desafios de uma modernidade enigmática,  que precisa ser dominada antes que se deteriore e se converta numa grande Chicago de máfias onde  todo mundo rouba todo mundo, sem nenhum abrigo para quem recusar a cobiça do alheio, nos negócios públicos ou privados.

Poderia aqui noticiar as novidades das últimas 24 horas como prova de que, ao fim, ao cabo, o cidadão eleitor verá tão embaralhado o seu cérebro nervoso que terá de recorrer a uma cigana para entender os acontecimentos e para ganhar motivação ilusória que o leve a usar com convicção sua arma disponibilizada sazonalmente por essa farsa que apelidaram de democracia. O mais que a ele ocorre é imaginar que tal arma só estará à mão para que dê um tiro de misericórdia em tudo que povoou o seu imaginário fantasioso.

Mas se falar de qualquer desses movimentos vou acabar contradizendo até mesmo minhas opiniões recentes, quando me deixei influenciar pela boa fé e pela leitura trivial das entrelinhas. A boa fé é o sentimento mais anacrônico e ingênuo em uma sociedade destituída dos compromissos ideológicos, da coerência política e dos valores religiosos. E ficar só na entrelinhas é coisa do passado. Esses meliantes de hoje avançaram mais do que a inteligência honesta: precisam ser submetidos a ressonâncias magnéticas dos seus cérebros maquinadores e a métodos científicos mais precisos. Até seu subtexto já está blindado contra percepções intuitivas.

O diabo é que, pessoalmente, busco elementos no meio dessa zorra total capazes de, pelo menos, dar um chega pra lá na turma da barra mais pesada.  Troco o sono das madrugadas silenciosas pela tentativa de equações capazes de sugerir o melhor caminho, nem que seja igualmente um emaranhado de becos e ruelas. E aí fico inventando para mim mesmo uma réstia de luz que produza algum sinal de basta nessa farra de crimes alienantes, cujo poder de corrosão vai acabar gerando um sentimento nostálgico de alto teor explosivo. Não surpreenderá se, diante de tanto cinismo e de tanta hipocrisia dos políticos, brotar e espalhar-se um desejo de um regime forte que os expurgue.

Não vou dar conselhos e nem sinais de alerta. Tudo o que eu disser será solenemente desprezado pelas quadrilhas que estão por cima da carne seca, fazendo da cara de pau algo tão vulgarizado que já não escamoteiam. 

Já a massa está sem rumo, afetada pela lobotomia midiática e pelo colorido dos pequenos sonhos de consumo. De vez em quando ela até surta, mas quem assume a crista  também não tem noção do seu caráter temporal e acaba pondo a perder o que poderia multiplicar organizadamente o contraditório de toda essa bandalheira abrangente.

Dito isso, com a amargura que cada vez me desanima mais, reafirmo por ora a intenção de posicionar-me contra o retrocesso. Só temo equivocar-me ao imaginar poder separar o joio do trigo. Mas farei das tripas coração para ser útil aos demais, ainda que nos limites de um computador.

segunda-feira, 23 de junho de 2014

Bacanal à moda da casa

Aécio amarra aliança do PSDB e DEM com Pezão em troca de apoio de Cabral e do PMDB no Rio
Foi a surpresa menos surpreendente desta novela rocambolesca que se desenrola como pano de fundo desse porre que nos enche de bola quase o dia todo. Era um capítulo já escrito de que só não sabia o Carlos Lupi (ou sabia?) e os apegados aos penduricalhos do governo estadual do PDT, partido que emprestará a legenda de Leonel de Moura Brizola à aliança mais cristalizada da direita no Estado do Rio, capaz de receber as bênçãos, os afagos e a ajuda do Olavo de Carvalho, Rodrigo Constantino e da burguesia picareta, a mesma que ia investir na Copa do Mundo e deixou as despesas penduradas em nossa conta.

Sérgio Cabral Filho, o campeão absoluto de rejeição, precisava de uma saída honrosa pra entregar a toalha e recolher-se a uma fortaleza eletrificada, onde se refugiaram seus "compadres" Eike Batista e Fernando Cavendish. 

Cabral já saiu do governo no início do ano por que não conseguia mais botar o pé na rua. E queria tirar o seu Pezão mandado da sarjeta do ostracismo.

Até acreditou na memória fraca da plebe ignara, mas depois viu que ele fez tantas poucas e boas que não havia uma criança que não  quisesse vê-lo pelas costas. Principalmente aqueles, como o adolescente de Manguinhos, a quem destratou e humilhou, ma frente do Lula, como se tivesse o rei na barriga.

Precisava também tirar a máscara sobre seu retorno ao ninho tucano depois da morte de Marcello Alencar, de quem se serviu do bom e do melhor, e depois traiu, no final do seu governo, quando viu que não ia ter nenhum dividendo com a privatização da CEDAE, que acabou abortada, como também abortou a privatização do Maracanã naquela época.

Não o move nessa manobra de formal adesão ao "Aezão", nada senão o olho gordo. Existe é uma baita articulação sistêmica, digamos assim, para evitar que Dilma Rousseff faça um segundo governo, agora mais calejada, já sabendo que tem bala na agulha para avançar. A turma da pesada, sejam as empresas sugadoras das tetas públicas, sejam os políticos padrão Eduardo Cunha, que existem aos borbotões, faz qualquer maracutaia para derrotar à teimosa que, explicitamente, deu um chega pra lá nos malfeitos dos próprios correligionários e aliados.

Cabralzinho ficou órfão de pai e mãe com a debacle dos dois empresários "irmãozinhos" e isso teve implicações também com suas conexões junto aos salões da corte, onde meia dúzia de empreiteiros têm acesso instantâneo aos palácios e singram em águas mansas e próprias para a pesca.

Há uma insatisfação explícita da quadrilha que privatizou o Erário diante das exigências saneadoras da Dilma.  Ela não pode ouvir falar em obras superfaturadas ou tráfico de influência que, comprovadas, manda investigar, doa em quem doer, para o desespero dos autores das emendas parlamentares e dos governadores que fazem a festa com tais subterfúgios legislativos. Não era assim que a banda tocava antes. E se continuar por mais um governo, os paraísos fiscais vão começar a se queixar da falta de freguês.

Mas no Estado do Rio o PSDB ficou mau das pernas desde quando Marcello Alencar perdeu a mobilidade e foi transformado numa figura decorativa de um partido em que ele era o único elo com a alma fluminense. O tucanato aqui se reduz a exatos dois gatos pingados, que ainda tiveram a insanidade de inviabilizar a carreira de uma vereadora guerreira, mas de opinião própria, que se decepcionou e voltou para casa.

Já o DEM (nome envergonhado do PFL) também lambeu com a dissidência puxada por Eduardo Paes, aquele cujas mãos seriam alvejadas se você disparasse sobre a virilha do Cesar Maia. O atual prefeito, reconheçamos, é carne de pescoço, obstinado e tem jogo de cintura desde que não tenha de ceder mais da conta, da sua conta, é claro. De mal com o Cesar, seu pai político, tratou de arrebanhar a própria grei e não precisou ir muito longe: quando o ex-todo poderoso  caiu do cavalo e o antigo pupilo se fez homem, correu todo mundo para o seu sovaco, até os que jejuavam pela saúde do ex-chefe.

A cata de intermediário a qualquer preço

O Estado do Rio de Janeiro é o terceiro colégio eleitoral do país, com 12 milhões de eleitores. Em 2010, Serra já havia levado uma surra, ficando em terceiro, atrás de Marina. E daí para cá, o tucanato evaporou-se de vez: até o Zito, o ex-rei da Baixada, também perdeu a majestade.

A coisa ficou tão sinistra que o PSDB fez sábado sua convenção e decidiu não decidir nada.  Não tinha mesmo o que decidir por suas próprias pernas.

Foi então que Aécio mexeu seus pauzinhos e chamou Cabral, Picciani e Cesar Maia ao seu apartamento de Copacabana.  Sim, o mineiro pode não ter eleitores aqui, mas patrimônio imobiliário, isso ele esbanja. 

Numa manhã dominical em que a brisa fria soprava do mar, o tucano não precisou de  muita lábia para trazer Cesar Maia para o seu ninho, abrindo uma saída honrosa para o pré-derrotado Sérgio Cabral e, mais uma vez, mandando para escanteio o senador Francisco Dorneles,  que vem a ser sobrinho de Tancredo e, reconheçamos, foi um parlamentar competente, principalmente na luta pelos royalties do petróleo.  Na véspera dos 80 anos, que fará em janeiro, ele está surpreendendo os amigos por aceitar tudo calado, mas enfim, como disse o Eduardo Paes, essa reunião que selou a nova aliança, com os encômios  e as pepitas da direita mais rancorosa, não há quem escape a um bacanal, principalmente se isso tem cheiro de poder.

O resultado desse capítulo, em resumo, é que está formada a cadeia de direita mais explícita desses anos abomináveis e agora Dilma não tem mais por que ficar fazendo que acredita na lábia do Pezão. Se até o Eduardo Paes vai ter que distribuir santinhos do Cesar Maia, seu odiado ex-amor, não há como ficar fazendo de conta que não sabe de nada.
Essa leniência com maquinações sórdidas pode parecer covardia. 
E, para terminar por hoje, é preciso desmascarar de vez duas obras de ficção: o excesso do tempo de tv e o palanque local.  Numa campanha em que se disputa a Presidência da República, tudo o mais gira em torno. São os candidatos locais que precisam dos sorrisos dos presidenciáveis. Além disso, tevê demais enche o saco do telespectador - todo mundo sabe disso. É assim tão nociva como tevê de menos, que não dá tempo para dar o recado.


Pezão abre o Jogo: fará campanha também para Aécio Neves


Candidato do PMDB ao governo do Rio, o governador Luiz Fernando Pezão admitiu pela primeira vez nesta segunda-feira que abrirá seu palanque no estado para o senador Aécio Neves, que concorrerá à Presidência da República pelo PSDB. Até então, Pezão sustentava que iria pedir votos exclusivamente para a reeleição da presidente Dilma Rousseff, do PT. O peemedebista oficializou a chapa para as eleições majoritárias do estado com o apoio de DEM, PPS e PSDB. Ele apresentou ainda o ex-prefeito Cesar Maia (DEM) como indicado a disputar a vaga no Senado em sua chapa nas eleições de outubro. O ato fortalece o movimento “Aezão”, criado por peemedebistas fluminenses para pedir votos a Aécio e Pezão.
— Não fomos nós que rompemos a aliança. O PT participou do governo durante sete anos e três meses. Antes, tinha duas prefeituras. Agora, tem onze. Tem o vice-prefeito da cidade do Rio. Tem um senador eleito na nossa aliança (Lindbergh), e rompeu essa aliança depois de sete anos e três meses e abriu essa possibilidade ter outros palanques em nossa coligação — afirmou Pezão para, em seguida, reforçar:

— Tenho o maior carinho pela presidente Dilma. Nós sabemos que na política há esse dinamismo. Meu palanque no Rio de Janeiro vai ser com os três candidatos — disse ele, referindo-se a Aécio, Dilma e pastor Everaldo (PSC), outro candidato à Presidência.

Presente ao evento, o ex-prefeito Cesar Maia revelou que o início das conversas entre o PMDB e o DEM foram iniciadas pelo prefeito Eduardo Paes, que, por sua vez, acusou a aliança de ser um "bacanal eleitoral". Segundo Cesar, Paes procurou o seu filho, deputado federal Rodrigo Maia, para propor uma aliança entre os partidos nas eleições proporcionais. Cesar Maia, no entanto, lembrou que o apoio a Pezão foi consequência de conversas lideradas por Aécio Neves. Perguntado sobre a declaração polêmica de Eduardo Paes, o ex-prefeito ironizou:

— É natural. Ele saiu do meu útero — disse, em uma referência ao fato de ser o padrinho político de Eduardo Paes.


O ex-prefeito explicou que o objetivo de aceitar ser candidato ao Senado foi, em primeiro lugar, fazer uma coligação que reforce, no Rio, a candidatura de Aécio Neves.


PS - Em 2012, Cesar Maia lançou o filho Rodrigo candidato a prefeito do Rio em aliança com Garotinho, que indicou a filha como vice, só para bater em Eduardo Paes. Este foi reeleito no primeiro turno com 2.097.733 (64,60%) dos votos. Já o filho de Cesar Maia teve 95.328 votos (2,94%).


domingo, 22 de junho de 2014

Requião é o melhor no Paraná



Não tenho a menor dúvida: Requião é um nome nacional e as vezes que esteve à frente do governo do Paraná realizou administrações exemplares, em todas as frentes e sob todos os aspectos.  Por isso, vibrei muito quando ele ganhou a convenção do PMDB, nesta sexta-feira, apesar das tentativas do governador tucano Beto Richa de cooptar com o uso da máquina muitos delegados do seu partido. Veja a matéria sobre sua indicação:

O senador Roberto Requião (PMDB/PR) venceu a convenção estadual do partido e é o candidato ao Governo do Paraná nas eleições deste ano. Dos 567 votos válidos, Requião fez 319 e garantiu a candidatura própria do partido. O ex-deputado Marcelo Almeida foi eleito para disputar a vaga ao Senado. Os nomes de vice-governador (a), dois suplentes de senador e deputados estaduais e federais serão definidos pelo partido até o final do mês em reuniões internas.
A convenção no Clube Urca, em Curitiba, foi marcada pela presença da militância do PMDB. Cartazes, faixas, bandeiras, camisetas, adesivos e palavras de ordem tomaram o Clube e os arredores. Militantes de todo o Estado estiveram presentes. Requião e os deputados que apoiaram a candidatura própria foram recebidos com muito entusiasmo por todos. “O nosso partido tem história e dignidade. O nosso partido vai renascer desta convenção”, afirmou Requião.
Pela primeira vez na história do partido, a militância e a imprensa foram barradas no salão de votação, que contou com dois observadores nacionais após inúmeras denúncias de compra de votos, aliciamento de delegados (como são chamados os eleitores da convenção) e irregularidades no pleito. Mas nada disso impediu a vitória do PMDB, que apresentou um único candidato ao Governo.
Em seu discurso, Requião disse que o desejo do partido é que os 399 municípios do Paraná tenham candidato a prefeito do PMDB. “Nós estamos defendendo a história do partido. Nós estamos defendendo os nossos programas. O PMDB é um partido nacionalista, de homens e mulheres que trabalham pelo interesse público”, justificou.
“O Beto Richa é o pior governador da história do Paraná”, finalizou Requião, lembrando que o atual governador recebeu R$ 3 milhões em doações para suas campanhas de prefeito e governador das concessionárias de pedágio. E, assim que tomou posse no Governo, desistiu das ações judiciais do Governo do PMDB para baixar ou acabar com as tarifas.

No ataque contra direita e fisiológicos

Lindbergh e Romário unidos levam amigos a sugerirem que Cabral saia de campo para fugir da goleada
 
Tendo o líder socialista histórico Roberto Amaral como fiador, a frente progressista unirá Lindbergh e Romário num ataque  com grandes chances de vitória.
Uma inesperada aliança entre Lindbergh Farias, do PT, e Romário, do PSB, abriu caminho para a união do chamado campo popular no Estado do Rio, provocando, de imediato, uma baixa no esquemão de Sérgio Cabral Filho: o próprio está sendo aconselhado publicamente a desistir de sua candidatura a senador, ante o vexame de uma acachapante derrota para o ex-craque, que tem um grande potencial de crescimento e quase nenhuma rejeição, devido à sua atuação corajosa e independente como deputado federal. Essa aliança foi possível por que Jandira Feghali, do PC do B, abriu mão de sua postulação a senadora e  o ex-pedetista Miro Teixeira desistiu de ser candidato a governador. Vivaldo Barbosa, um dos líderes do Movimento de Resistência Leonel Brizola, que se filiou ao PSB, vai atrair o eleitorado brizolista histórico, como suplente de Romário. Nessa composição, Lindbergh terá Roberto Rocco, do PV, como vice: o cargo havia sido oferecido ao PDT, mas Carlos Lupi preferiu os encantos da máquina do Cabral.
O acordo de caráter regional foi assimilado pelas direções do PT, de Dilma Rousseff, e do PSB, de Eduardo Campos. Ambas consideram que haverá como harmonizar o confronto a nível nacional, até por que os dois partidos estiveram juntos no governo federal por onze longos anos. E o presidenciável socialista está tendo que engolir opções contraditórias de suas bases: em São Paulo, o PSB dará Márcio França como vice do tucano Geraldo Alckmin.

Na convenção do PSB fluminense,  Roberto Amaral, vice-presidente nacional, esteve presente para levar seu apoio à dobradinha Lindbergh/Romário. "No Rio a ideia foi unificar todas as forças progressistas para deter forças da direita". Lindbergh já tinha fechado coligação com o PC do B e o PV. "Os partidos de esquerda estão unidos no Rio e, com a candidatura de Romário, contribuímos para aproximar a esquerda do povo", disse Amaral. Há uma expectativa de que uma frente suprapartidária injete mais energia nessa composição.

Para os petistas, essa articulação foi também uma resposta à decisão de Sérgio Cabral Filho de mandar seus aliados fechar com Aécio Neves, num movimento denominado "Aezão", isso como forma de levar Dilma a forçar a retirada da candidatura do seu correligionário.

Cabral aconselhado a sair fora

A sugestão para que Cabral caia fora da disputa ao Senado partiu de vários íntimos, inclusive o presidente do PMDB, Jorge Picciani que, por sua vez, desistiu de ser o coordenador da campanha de Pezão, sob pretexto de que voltará a disputar um cargo de deputado, juntamente com seus dois filhos.

Segundo Fernando Molica, colunista do jornal O DIA, o próprio marqueteiro do ex-governador, Renato Pereira, defende a imediata retirada de sua candidatura ao Senado, trocando por uma cadeira na Câmara Federal, onde há 45 vagas em disputa. Já o secretário de governo Wilson Carlos vai mais longe: ele deveria "descansar sua imagem" para eventualmente disputar a prefeitura do Rio em 2016. Nesse caso, o atual senador Francisco Dorneles, do PP e um dos cabeças do "Aezão" voltaria ao páreo.

Todos os analistas são unânimes em apostar que, com essa aliança, Lindbergh irá para o segundo turno e Romário será imbatível para o Senado.

Até agora, os quatro principais candidatos a governadores têm chances, segundo esses analistas. Embora tenham sido protagonistas dos maiores embates até agora, Pezão e Lindbergh não são os favoritos. Pesquisa Ibope encomendada pela Federação das Indústrias do Rio de Janeiro(Firjan), realizada entre 7 e 11 de junho, mostra o pré-candidatodo PR, o ex-governador Anthony Garotinho, na liderança, com 18% das intenções de voto. O senador e ex-ministro Marcelo Crivella (PRB) tem 16%. Pezão tem 13% e Lindbergh, 11%. Em quinto aparece o ex-prefeito Cesar Maia (DEM), com 8%. MiroTeixeira (PROS) e Tarcísio Motta (PSOL) tiveram 1% cada. 


Na tarde de quinta-feira, Miro abriu mão da pré-candidatura aogoverno e, em carta à direção do PROS, disse que não havia “ambiente” para uma coligação com o PSB. O diretório local do partido de Eduardo Campos resistia à aliança, alegando que a pré-candidatura de Miro não decolou, o que ameaçaria a campanhados deputados da sigla. Após a desistência de Miro, o diretório estadual do PT no Rio anunciou aliança com o PSB. Convenção realizada sexta-feira que confirmou a candidatura de Lindbergh também aprovou a candidatura do deputado Romário (PSB) aoSenado na chapa do petista.


Apesar de todas as atenções deliberadamente atraídas para os jogos da Copa do Mundo, as articulações prometem novas surpresas,  até porque  Estado o Rio, com 12 milhões de eleitores, vai ter um peso decisivo na disputa presidencial. E o PSDB local evaporou-se: fez sua convenção estadual também no sábado e deixou de indicar candidato a governador por diagnosticada inanição.   

Reencontro inesquecível

Estive lá na convenção do PSB, a convite do vereador Rubens Andrade, secretário geral do Diretório Municipal do partido.

Foi bom, por que encontrei companheiros de velhas lutas, que se mantêm firmes e fortes nas mesmas trincheiras de sempre.  Foi muito emocionante, para mim, reencontrar a figura legendária de Vladimir Palmeira, o grande líder das manifestações estudantis de 1968, que hoje está filado ao PSB, depois de uma longa militância no PT e um período em que ele preferiu ficar fora de tudo. Só por ter reencontrado-o com a coerência de sempre valeu ter ido lá. 

sábado, 21 de junho de 2014

Um país mais pobre sem Brizola



Passei um bom tempo tentando escrever sobre Brizola neste décimo aniversário de sua morte.  Não consegui. Ando mesmo emocionalmente muito fragilizado. Nesta sexta, dia 21, submeti-me a uma nova ressonância magnética para conferir a intervenção no fígado - aquela ablação de que falei.Estava tranquilo, até por que também vibrei com a vitória da Costa Rica sobre a Itália. Mas é muita informação na minha cabeça. Todas conduzem a um dramático questionamento das minhas atitudes políticas recentes, impulsionadas pela emoção, que é a pior linguagem de sua dignidade e de sua coerência.

Resolvi, então, reproduzir o artigo que publiquei aqui em junho de 2011. Li e reli. Considero-o muito atual. Teria pouco a acrescentar.

Leia-o e me ajude a aprofundar as reflexões a respeito deste Brasil mais pobre sem Brizola. Meus nervos estão uma pilha.



Sete anos sem Brizola, 

quanta falta ele faz


Escrito em 18 de junho de 2011

Uns dizem que ele ainda vive. Onde? Como? Quem lhe segue os passos nos confrontos com os senhores do mundo?

Nesta terça-feira, dia 21 de junho, o calendário registra o sétimo ano da morte de Leonel de Moura Brizola. Nesse dia, a igreja católica lembra São Luís Gonzaga, o jovem que recusou o fausto de uma vida aristocrática para dedicar-se à evangelização, tendo morrido com pouco mais de 20 anos. Daí ser o "Patrono da Juventude". Já a literatura lembra o nascimento de Machado de Assis, em 1839.

O 21 de junho é também o Dia da Mídia, que coincidência, e, mais emblemático ainda, é o dia em que começa o inverno em nosso país, quando o frio deita e rola, como pode? Mas para este escriba inconformado, essa data é um marco dramático: depois da morte do caudilho, em circunstâncias surpreendentes, a história do Brasil sofreu um colapso fatal. Parou no tempo e no espaço. E o povo perdeu aquele que mais ousou, que fez da coragem o exemplo infelizmente abandonado.

Como Leonel de Moura Brizola não existirá mais ninguém. Ele não chegou à Presidência da República, como sua ex-pupila Dilma Rousseff, mas e daí?

Fosse o triunfo a qualquer preço o elemento de avaliação não existiria nem o cristianismo. O enviado do Deus todo poderoso foi sacrificado na cruz porque incomodava os “sábios do templo”. E, segundo a Bíblia, quando os sacerdotes judeus pediram sua cabeça a Pilatos, Jesus Cristo foi abandonado por seu povo, que preferiu Barrabás, o zelota que atacava os dominadores romanos, em ações de “guerrilha”.

E não existirá mais ninguém porque o mundo hoje é dos ambíguos e dos transgênicos. É o mundo em que a biruta é a referência única dos profissionais da vida pública, todos, sem exceção: os indignados rabugentos ou estão a sete palmos ou são tratados como loucos desvairados, inconvenientes e jurássicos.

Ninguém nestas terras ousaria mais o embate desigual contra a potência imperial, muito menos contra a mais poderosa rede midiática do mundo, inflada no auge do obscurantismo e feita guardiã implacável da lavagem cerebral massiva e da imbecilidade compulsiva, graças às quais o charme da meninada que ainda podia espernear esmaece no gáudio das prebendas, ou se esvai no delírio ensimesmado ou na fuga dos alucinógenos hodiernos. 

O trágico na lembrança de Leonel de Moura Brizola foi o corte epistemológico que sua morte encerrou, como se a tirania das elites houvesse ordenado a estigmatização de seu dístico. Uma corte inquisitorial oculta vedou as portas do destino a tudo o que lhe dizia respeito: suas idéias, seu modo de ser, seus compromissos, seus sentimentos combatentes.

Lembrar Leonel de Moura Brizola hoje é apenas mandar rezar uma missa. Suas barricadas foram desmontadas, pelo menos nestes dias arrivistas. Seus “continuadores” trocaram as armas da eloquência varonil pelo pires na mão.

Em seu nome, servem a Deus e ao diabo, bastando que se lhes saciem a gula anã. Já não ousam o despojado sonho de um porvir soberano e justo. Cuidam, tão somente, de encherem suas burras com as sobras dos podres poderes.

Não acreditam mais, ou talvez nunca acreditaram, na virtude das idéias. Não diferem dos outros, todos esses empostados que lavam as mãos com alcool depois de cumprimentarem os maltrapilhos. Que se dizem em público vestais dos bons modos, mas que, protegidos pela penumbra dos conluios, se jogam de cabeça na roleta das negociatas em causa própria.

Uns aindam dizem no devaneio ou na má fé que Brizola vive. Onde? Como? Quem lhe segue os passos nos confrontos com os senhores do mundo? Hoje, lamento constatar, o brizolismo que se declara como tal, de propriedade lavrada em cartório, não passa de uma troça eleitoreira destinada tão somente a catapultar os mais espertos de seus restos mortais?

Não pense que falo de um ser  sobrenatural. Longe disso. Alma camponesa, ele próprio se enredou em erros elementares, frutos de um modo de ser desconfiado. Tinha mais olhos para os oportunistas subservientes do que para os divergentes leais. Nem sempre preservou a coerência em seus atos, e olha que a coerência ainda era uma de sas virtudes.

Sua sensibilidade epidérmica o levava a reações passionais. Não era um político, na acepção da palavra. Não gostava de ser questionado em público e falava muito mais do que ouvia. Ouvir, aliás, não era seu forte, a não ser o canto dos bajuladores. Faltava-lhe inclusive visão estratégica na compreensão do processo histórico.

Mas esse ser político tão despreparado para o jogo do poder, era, porém, até por isso, a dignidade em pessoa. O patriotismo que o moldou ainda nos pampas era mais relevante do que tudo o mais. A identificação natural com os oprimidos o fazia mais legítimo defensor das causas sociais do que qualquer teórico do mundo novo ou mesmo qualquer ativista classista.

Leonel de Moura Brizola, enfim, é alguém cujos 82 anos de lutas ainda vão ser lembrados no futuro com o relevo que seus contemporâneos negam. Será uma lembrança rica pelo caráter singular de sua personalidade, por sua combatividade insone e pelo contexto infame desses anos terríveis que a tantos emporcalham.

Será o inventário do mais injustiçado dos brasileiros, cujo destemor contará no resgate de valores incorporados à sua história e enterrados em seu sepulcro. 

Nesse então, palavras como patriotismo, justiça social, soberania nacional, educação decente e respeito à dignidade humana se fundirão numa única legenda: Leonel de Moura Brizola.

Quem sou eu

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Jornalista desde 1961, quando foi ser repórter da ÚLTIMA HORA, PEDRO PORFÍRIO acumulou experiências em todos os segmentos da comunicação. Trabalhou também nos jornais O DIA e CORREIO DA MANHÃ, TRIBUNA DA IMPRENSA, da qual foi seu chefe de Redação, nas revistas MANCHETE, FATOS & FOTOS, dirigiu a Central Bloch de Fotonovelas. Chefiou a Reportagem da Tv Tupi, foi redator da Radio Tupi teve programa diário na RÁDIO CARIOCA. Em propaganda, trabalhou nas agências Alton, Focus e foi gerente da Canto e Mello. Foi assessor de relações públicas da ACESITA e assessor de imprensa de várias companhias teatrais. Teatrólogo, escreveu e encenou 8 peças, no período de 1973 a 1982, tendo ganho o maior prêmio da crítica com sua comédia O BOM BURGUÊS. Escreveu e publicou 7 livros, entre os quais O PODER DA RUA, O ASSASSINO DAS SEXTAS-FEIRAS e CONFISSÕES DE UM INCONFORMISTA. Foi coordenador das regiões administrativas da Zona Norte, presidente do Conselho de Contribuintes e, por duas vezes, Secretário Municipal de Desenvolvimento Social. Exerceu também mandatos em 4 legislaturas na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, sendo autor de leis de grande repercussão social.