segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Quando o preço da governabilidade é a garantia da impunidade

 Artigo publicado em 3 de julho de 2009

"A aliança com o PMDB é fundamental para o país. Não me peçam um ato oportunista de acabar com a governabilidade." Aloizio Mercadante, líder do PT no Senado. 

José Ribamar Ferreira de Araújo Costa, codinome Sarney, é tudo de ruim que o diabo pôs na Terra para provar que Deus não criou o homem à sua imagem e semelhança, como proclamam em loas antigas canções litúrgicas.

 Não é o único senador da pá virada, antes, pelo contrário. Entre eleitos e suplentes biônicos, cabeludos, bigodudos, carecas e gorduchos, poucos podem atirar a última pedra. Mas o “tzar do Maranhão” que fraudou seu domicílio eleitoral para ganhar mandato pelo Amapá indefeso é o capo. 

Sem tirar nem pôr, é o poderoso chefão, tendo o alagoano José Renan Vasconcelos Calheiros como seu purulento principal escudeiro. Por ser o que é, Lula e seus miquinhos amestrados o consideram o fiador da GOVERNABILIDADE. 

Se ele rodar, o governo vai junto, pensa o presidente. Essa é a razão do humilhante enquadramento imposto aos senadores petistas que, paradoxalmente, bateram chapa com Sarney na eleição para a presidência do Senado. E agora se agacham, pusilânimes, à ordem do chefe Luiz Inácio.  

Mas também, por ser o que é, José Ribamar será o coveiro do príncipe operário, que já o chamou de LADRÃO quando ele presidia a República, cargo a que chegou às custas do cadáver de Tancredo Neves, de quem se fez vice ao trair vinte anos de participação na ditadura, boa parte como presidente do partido oficial.  
Coveiro, sim, como foi do regime militar, a quem serviu de olhos fechados, e de quem se serviu sem cerimônias ou constrangimento, quando os poderosos generais usavam antolhos programados para só enxergarem “a ameaça comunista”. 

A atual ministra Ideli Salvati sela a aliança suja com o velho carreirista
 José Ribamar Ferreira de Araújo Costa, codinome Sarney, ganhou uma boia palaciana com a estrela vermelha. Pior. Quando afundar na lama do Planalto terá ilustres companhias, raposas e canastrões, metidos a besta e impostores ideológicos, porque pelo andar da carruagem os podres poderes estão em adiantado estado de decomposição. Ou você acha que se sustenta por muito tempo um governante que precisa de um notório corrupto para garantir sua governabilidade? 

CLIQUE AQUI e leia matéria publicada em 3 de julho de 2009

domingo, 26 de janeiro de 2014

Um não rotundo às arapucas da copa

Apenas uma pequena minoria ganhará com essa farra perdulária que nos custará os olhos da cara

Tudo o que o povo fizer nas ruas para desmascarar  essa copa de assaltos aos cofres públicos a decência sobrevivente agradece penhoradamente. Por que nunca neste país se vendeu gato por lebre de forma tão cínica e tão irresponsável.
Esse evento manipulado é tudo de ruim num só bote: viola a soberania, agride a dignidade, fabrica mentiras e, o que é mais grave, encobre o mais audacioso esquema de dilapidação do dinheiro público, o nosso, obtido às custas de um dos mais elevados impostos do mundo.

A quem interessa todo esse gasto perdulário que produz uma penca de elefantes brancos a custos exorbitantes, que serve de pretexto para  todo tipo de favorecimento, inclusive a privatização dos aeroportos rentáveis, que beneficia compulsoriamente os apadrinhados de uma máfia alienígena e insaciável?

Ao povo e ao país Brasil não é. O povo mesmo não vai chegar nem perto, nem tem por que fazer sacrifícios exasperados para ver jogos meteóricos. Ao Brasil, só cabe pagar contas superfaturadas e fazer gastos absolutamente inconsequentes, favorecendo grandes construtores e interesses conexos.

Só interessa mesmo a uma indústria de ganância inescrupulosa, que multiplica por quanto puder seus preços já salgados e que ainda força subordinação dos serviços públicos à sua tutela.

Quanto o erário foi sacrificado em renúncias fiscais determinadas pela FIFA? Isto é, quanto da arrecadação desses produtos superfaturados deixará de acontecer, transferindo-a para cada cidadão, cuja tabela de correção do imposto de renda está defasada em 60%? Além de cobrarem muito mais, pagarão muito menos de tributos, tudo por conta da franquia para rolarem a bola aqui.

Até mesmo a já vulnerável legislação de gastos públicos com obras foi sacrificada para facilitar as negociatas. E o pior, para permitir construções de uso efêmero, que em breve só servirão mesmo para acolher desabrigados da incúria.

Quanto de fato custará um ingresso para o novo estádio de Manaus, onde o futebol é muito menos importante do que o Festival de Parintins? Que uso se fará depois desses monumentos à gastança, onde teremos três jogos de nenhum atrativo para as populações locais? E depois veremos portas se fecharem por uso deficitário dos espaços?

Será que alguém imagina desdobramentos compensatórios em cidades que teriam feito melhor se tivessem gastos essas fortunas em redes de água, esgoto, em educação e saúde?

Tudo o que se faz em nome dessa copa de futebol é uma grosseira afronta às necessidades reais de um povo que morre nas portas dos hospitais por falta de médios e de medicamentos, que não tem mais onde aprender o beabá, que paga ninharias aos seus professores e profissionais de saúde, que industrializa em escala nacional a miséria, através da ilusória distribuição da bolsa-ócio.

No Brasil a hipocrisia e o cinismo são tão poderosos que até a própria direção da entidade mafiosa tira o seu da reta ao declarar que não pediu a construção de tantos estádios. Muitos deles, claramente descartáveis, foram encomendados para atender a interesses sujos locais.

E o esquema é tão nocivo que trocou a existência de uma cidade sede por grupos da primeira fase pela farra dos deslocamentos, metendo a mão no bolso dos torcedores única e exclusivamente para inflar o faturamento dos interesses de uma verdadeira quadrilha organizada.

Como se não bastasse uma penca de subordinações das nossas leis e regras aos desígnios dos patrocinadores da copa, ainda aparecem 3 senadores que terão mais 4 anos de mandato (portanto, não correm risco nas urnas em 2014) e propõem uma lei abusiva, que enquadra como terrorismo as manifestações populares contra a farra que nos custará os olhos da cara. Se essa legislação de exceção passar, o que é provável pelas assinaturas de três senadores da base governista, entre os quais um do PT e outro que é ministro do Estado, quem for para as ruas exprimir sua indignação poderá ser condenado em caráter sumário a até 30 anos de cadeia.

Tudo dessa copa é, portanto, uma repugnante orquestração de violações e picaretagens combinadas, tão ignominiosas que até o próprio certame nas quatro linhas se converte em plano de fundo.

Esse acinte não poderia passar em brancas nuvens, e não passará, pois milhares de brasileiros já não aceitam calados os estelionatos políticos a que foram submetidos ao longo desses anos de democracia de fachada.

Pelos primeiros passos, as primeiras manifestações já se vêem os campos de batalha que obrigarão os governos a recorrerem aos mesmos tanques que há exatos 50 anos nos privaram de um governo constitucional, que tentava fazer as reformas sociais que esses impostores de hoje trocaram pela aliança espúria com o oligopólio dos bancos e o grande latifúndio.

Só que nos dias de hoje o monopólio da informação escapou aos grupos mercenários e agora qualquer um tem como passar seu recado, sua convocação, aos milhões de indignados.


Os próximos, assim, serão dias bem diferentes daqueles que semearam o obscurantismo e a derrota do povo, submetido a tantos anos de opressão e sofrimento.

Leia em Rio ur-gente

O destruidor de cidades

Eduardo Paes inutiliza o que restava da Perimetral, cuja demolição é prejuízo irrecuperável


Enquanto a gente paga uma baba, Cabral reduz à metade IPVA dos ônibus no Rio de Janeiro

sábado, 18 de janeiro de 2014

12 mil universitários no olho da rua

Dilma recusa federalizar universidades, enquanto Cabral quer detonar UENF, no norte fluminense

Enquanto o governo da presidenta Dilma Rousseff abandona à própria sorte 12 mil universitários da Gama Filho e da Universidade, no Rio de Janeiro, recusando-se a adotar a única medida que  poderia lhes assegurar a preservação efetiva dos seus cursos, o governador Sérgio Cabral, que se faz de desentendido nesse episódio desastroso, trabalha celeremente para destruir a Universidade Estadual do Norte Fluminense, a primeira do Brasil a ter  100% de professores com doutorado, implantada em 1993 por Leonel Brizola sob a inspiração de Darcy Ribeiro.

No caso das duas universidades privadas descredenciadas, o ministro Mercadante, da copa e da cozinha da presidenta, brande impedimentos constitucionais para não federalizá-las, o que é uma grande falácia. Em 2007 mesmo, a Universidade Federal Fluminense incorporou a Faculdade de Odontologia de Friburgo e hoje a antiga escola privada faz parte de sua estrutura.

Falta mesmo é vontade política. Se essas faculdades fossem do amigão Eike Batista, Dilma e Sérgio Cabral já teriam procedido sua encampação, ao gosto do freguês e pagando preços camaradinhas.

A federalização da Gama Filho e da Universidade não é um pleito corporativo dos seus professores e funcionários, mas a única solução razoável para uma crise gestada  há mais de cinco anos.

Foram os próprios reitores das universidades federais no Estado do Rio que sugeriram a federalização, propondo a adoção da mesma fórmula usada no caso da Faculdade de Odontologia de Friburgo.

“Inconstitucional não é, porque o argumento que o aluno não fez o Enem...Há editais de transferência. Professores seriam temporários e depois haveria concurso público”, argumento o reitor da UFF, Roberto Salles.

Mas o governo parece movido sob inspiração de outros interesses, num cenário semelhante ao do caso VARIG, em 2006, quando a mais tradicional voadora brasileira  a leilão sucateada em leilão por 20 milhões de dólares, desprezando plano dos os próprios empregados para mantê-la. Naquele episódio, a TAM (hoje controlada pela LAN chilena) e a Gol (que hoje vai muito mal das asas) foram descaradamente as grandes beneficiadas.

O Ministério da Educação sabe muito bem que essa "transferência assistida" apresentada como saída é uma balela. “Muito dificilmente nós vamos encontrar capacidade ociosa que sirva sob medida. Todas as escolas hoje estão dimensionadas para atender os seus alunos atuais”, alertou Elizabeth Guedes, vice-presidente da Associação Nacional de Universidades Particulares.

Só mesmo um poderoso esquema de interesses mantém o governo federal na sua postura inflexível. O que está em jogo principalmente é o direito de 12 mil estudantes de concluírem seus cursos, em que se matricularam com as garantias inerentes do Ministério da Educação, que não pode fugir de suas responsabilidades. Afinal, eles não jogaram seu destino em nenhuma faculdade informal ou clandestina.

É profundamente lamentável e nauseante essa atitude hipócrita do governo da presidenta Dilma Rousseff, em conluio com Sérgio Cabral, essa figura incompetente, mesquinha e arrogante que está infernizando a  vida dos fluminenses.

Ofensiva contra a UENF pode levar à greve

Cabral desestabiliza Universidade criada
 por Brizola e Darcy  projetada por Niemeyer
O governador Sérgio Cabral, que encabeça uma penca de partidos de todos os matizes, inclusive da ex-esquerda, não para por ai. Seu alvo existencial é a Universidade Estadual Fluminense, cujo maior dolo é ter sido criada por Leonel Brizola e Darcy Ribeiro, contra quem Cabral Filho descarrega seu indisfarçável ódio doentio.

Neste momento, ele trabalha com todo o seu mau caráter para levar os professores da UENF a uma greve, já que há um ano eles vêm sendo engabelados pelo governo do Estado e pelo próprio reitor quanto ao pagamento do adicional de dedicação exclusiva, como denunciou o professor Marcos Pedlowski em seu blog 

"Após passarem o ano de 2013 numa penosa e infrutífera negociação com a Secretaria de Planejamento e Gestão do (des) governo Sérgio Cabral, em assembleia realizada no dia de hoje (16/01) os professores da UENF demonstram um certo cansaço com essa forma “paz e amor” de cobrar seus direitos" - escreveu o professor, ao noticiar a aprovação de um indicativo de greve diante do impasse criado pelo Estado.

E mais: "a proposta do (des) governo Cabral é tão ruim que propõe oferecer 35% de Adicional de Dedicação Exclusiva (enquanto que na UERJ o valor pago é 65%) para, em troca, quebrar a espinha dorsal do modelo institucional da UENF que é ancorada num quadro docente exclusivamente formado por doutores que se dedicam com exclusividade às suas tarefas acadêmicas dentro da instituição".

Há visível má fé na postura de Cabral, uma demonstração de viés político inegável.  Em 2012, a UENF, com seus 16 cursos, foi reconhecida pelo Ministério da Educação como a melhor universidade do Estado do Rio de Janeiro e a 11ª no país com base no Índice Geral de Cursos (IGC) de 2011, no qual são avaliadas 226 universidades. Isso incomoda os prepostos das faculdades de balcão e os eternos desafetos de Brizola e Darcy.

É deplorável que esses movimentos obscurantistas ocorram com a cumplicidade de figuras que vendem a imagem de defensores da educação pública de qualidade e que transitam lépidas e fagueiras no chamado campo progressista.


Todos esses impostores, que vivem assustados com qualquer movimentação dos jovens, vão pagar por tanta ignomínia, e isso não vai demorar muito. As ruas estão aí para acolher mais uma vez os cidadãos no exercício sublime e corajoso de sua indignação.

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

O manda-chuva e o fundo do poço

O Maranhão de todos os crimes é o emblema de um Brasil onde a vida pública degenerou geral

Ele conseguiu a proeza  de, sendo o acólito-mor da ditadura por todos os seus 20 anos de arbítrio e impostura, converter-se no tutor dos dias seguintes com maiores poderes no emaranhado dos anos civis. Sendo o dono de um Maranhão em que arrancou do cargo, no meio do mandato, o único governador que não rezava por sua cartilha, ele ocupa no Senado uma cadeira do Amapá, estado que mal conhece, numa fraude explícita do domicílio eleitoral.  Sendo por anos qualificado como ladrão de carteirinha por Lula e seus parceiros, é hoje o mais chegado aliado do PT, não por que tenha mudado, mas por que mudaram da água para o vinho, na maior cara de pau, os próceres que se fantasiavam de vestais até o dia que galgaram os píncaros e nele se instalaram de costas para seus palanques.

Essa figura vitoriosa em qualquer cenário é a primeira e última palavra da vida pública brasileira, é o molde dos triunfantes, dos que exercem qualquer comando em qualquer um dos podres poderes. Prova disso é a impunidade do seu clã de usurpadores, em que aparece no pódio sua filha, feita governadora do Maranhão pela quarta vez, para quem a violência domina geral por que, pasmem, "o Estado está mais rico",o que é factível se considerarmos a doutrina de Luiz XIV, segundo a qual "L'État c'est moi  - o estado sou eu".

O Brasil desse todo poderoso é o que consolida em alto relevo a constatação axiomática do escritor peruano Mário Vargas Llosa:  

“A política real, não aquela que se lê e se escreve, se pensa e se imagina — a única que conheci — mas a que se vive e pratica no dia—a—dia, tem pouco a ver com os ideais, os valores e a imaginação, com as visões teleológicas — a sociedade ideal que gostaríamos de construir — e para falar com crueza, com a generosidade, a solidariedade e o idealismo. Ela é composta quase exclusivamente de manobras, intrigas, conspirações, pactos, paranoias, traições, muito cálculo, uma dose não negligenciável de cinismo e de todo tipo de tramóia. Porque o que efetivamente mobiliza, excita e mantém em atividade o político profissional, seja ele  de centro, de esquerda ou de direita, é o poder, chegar a ele, manter—se nele ou voltar a ocupá—lo o mais depressa possível”.

Tenho o desprazer de voltar a falar da influência nefasta, mas protuberante, desse ícone da classe política brasileira ante o noticiário sobre as mazelas impunes que explodem em São Luiz e ganham mais uma vez o benefício da tolerância cúmplice. E o faço com os olhos cheios de lágrimas: o Brasil que deita e rola é o de José Sarney e dos seus pupilos de todos os matizes. Aquele por quem expomos nossas próprias vidas só existiu em nossos sonhos juvenis.

Esses acontecimentos recentes no Maranhão são uma estonteante bofetada na história deste país e a mais ríspida demonstração do grande estelionato político praticado dolosamente nestes tempos abjetos que os descuidados alcunham de regime democrático de direito.

O que o sr. José Sarney  fez e faz de mal a esse país reduz a pequenos delitos tudo o que se pode atribuir aos esquemas de suborno do "mensalão" e até mesmo à vida pregressa do seu colega Paulo Maluf.

São mais de meio século de crimes de toda natureza graças à sua volúpia de poder, à capacidade de trair, de enganar, de fraudar, de envolver, seduzir, cooptar, de apossar-se do alheio e de ser aceito nas altas rodas da politicagem reinante com uma estranhíssima faculdade de passar a borracha no seu passado e no seu presente.

Só a condição de senador pelo Amapá é uma afronta à dignidade da cidadania. Sarney é desde priscas eras o vice-rei do Maranhão, dono de seu cérebro, seus olhos e de sua alma. Se o Brasil tivesse instituições sérias, ou teria sua candidatura no Amapá negada ou se revogaria a manipulada lei do domicílio eleitoral.

Mas essa é apenas uma agressão para expor a delinquência  institucional generalizada. Até o mandato de presidente, com a morte de Tancredo Neves, antes dos dois tomarem posse, foi outra fraude de juristas permeáveis aos encantos do poder. Ele ainda não era o vice e, portanto, não tinha por que assumir.

E por que foi vice numa composição adversária do regime militar, se o próprio, e não outro, foi o principal quadro civil da ditadura? Como de repete, no crepúsculo daqueles 20 anos de chumbo, virou a casaca e foi recebido como poderoso chefão nas hostes da frustrada mudança?

É deprimente, mas é preciso admitir que esse serviçal da ditadura e manda-chuva do seu pós é mais poderoso do que a história.

Ele não foi assimilado e entronizado apenas pela velha classe política: Lula, que surgiu como o novo em nome de um partido que por "escrúpulo" se negou até a assinar a Constituição de 1988, que o chamava de ladrão toda hora, é hoje um de seus irmãozinhos mais apaixonados.

Por que escrevo meu pranto falando dessa figura deletéria?

A resposta é simples: cheguei à patética conclusão de que a política no Brasil degenerou geral, restando-nos no cenário atual brechas mínimas e simbólicas para reverter essa situação aviltante e perigosa, onde o modelo de homem público é esse senhor das artimanhas.

Isto é: José Sarney fez escola e poucos são hoje em dia os homens públicos  brasileiros, de todos esses podres poderes, que se consideram diferentes dele, antes pelo contrário.

Isso nos remete a  conclusões inevitáveis: se quisermos realmente mudar o Brasil, temos de virar a mesa desse jogo de cartas marcadas. A esperança, por ora, está na ocupação esperada das ruas, onde o grito das massas se faça ouvir mais uma vez, de maneira estrondosa, impactante, definitiva.

Se isso não acontecer, o Maranhão continuará sendo a mais vilipendiada capitania hereditária, entregue ao clã e a seus comparsas, enquanto o Brasil se submete a seus sucedâneos de maior ou menor ostentação criminal.

O Maranhão é o mesmo descrito pelo padre Antônio Vieira, quando foi pregar em Portugal, em 1655: "os governadores roubam “nos tempos imperfeitos, perfeitos, mais-que-perfeitos, e quaisquer outros, porque furtam, furtavam, furtaram, furtariam e haveriam de furtar mais se mais houvesse". Enquanto conjugam toda a voz ativa - discursa Vieira -  "as miseráveis províncias suportam toda a passiva, eles como se tivessem feito grandes serviços, tornam carregados de despojos e ricos; e elas ficam roubadas e consumidas”.

“Em qualquer parte do mundo se pode verificar o que Isaías diz dos príncipes de Jerusalém: os teus príncipes são companheiros dos ladrões. E por que? São companheiros dos ladrões, porque os dissimulam; são companheiros dos ladrões, porque os consentem; são companheiros dos ladrões, porque lhes dão os postos e os poderes; são companheiros dos ladrões, porque talvez os defendem; e são finalmente, seus companheiros, porque os acompanham e hão de acompanhar ao inferno, onde os mesmos ladrões os levam consigo”.
É esse velho impostor quem dará o tom dos próximos acontecimentos políticos, no limiar dos seus 84 anos cevados no poder, qualquer poder. Infelizmente, para o sofrimento dos homens de bem, chegamos ao fundo do poço.

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Nem o diabo, nem o coisa ruim

Por cima da copa e de outras jogadas, precisamos repercutir o inconformismo de Cristovam Buarque

"Algo vai mal quando um país que precisa enfrentar seus problemas chama de ano da Copa um ano de eleições presidenciais. É o que está a acontecer com o Brasil".
Senador Cristovam Buarque

Um dos raros indignados desta Brasília sob isolamento acústico, o senador Cristovam Buarque parece ainda condenado a pregar no deserto. A turma cúmplice do deixa disso reina e governa em todos os clãs e faz uso e abuso dos truques dos novos tempos, com dotes mirabolantes e propriedades conservantes cultivadas na salmoura que faz dos dominados agentes proativos de sua própria desgraça. 
Felizmente teimoso, Cristovam tem se debatido furiosamente contra a degeneração política cujo escárnio mais atual é a maximização da Copa do Mundo no Brasil, no status de gloriosa efeméride, monopolizando as atenções e os sentimentos de tal forma que o contencioso paquidérmico de percalços sociais é remetido sagazmente para o arquivo morto de um povo que aceitou sem perceber a terceirização de sua capacidade perceptiva.

Em seu último artigo, sintetizando sua quixotesca peroração numa casa legislativa sem recato, Cristovam escreveu, entre outros lamentos:

"No país, temos 13 milhões de adultos que não diferenciam as letras e outros 40 milhões sem capacidade de leitura; a produção não dispõe de logística eficiente para sua distribuição; e cinquenta milhões de brasileiros vivem graças à (felizmente) ajuda do programa Bolsa Família. Apesar disso, em vez de propostas dos presidenciáveis para 2015, estamos preocupados se os estádios da Copa ficarão prontos em 2014".

CLIQUE AQUI E LEIA O ARTIGO DE CRISTOVAM BUARQUE

E mais disse por que mais havia o que dizer, tal o molambo pictórico que empana a verdade e emascula a turba. Mas o que disse parece um dramático registro de quem foi sentenciado a só dizer, restando-lhe menos espaço do que o permitido ao Quixote Teotônio Vilela, sob aquelas nuvens carregadas de chumbo grosso. Suas possibilidades práticas estão submetidas a um confinamento calculado e sua potencialidade combativa é sistematicamente minada pelo "fogo amigo".

Há todo um vitupério ensaiado num conjunto de conspiratas contra o conhecimento verdadeiro e a informação limpa, de onde a extravagância por conta da copa de futebol se insere sob medida nos moldes de um sopão de fabricadas ilusões.

Não é à toa que gastam os tubos com estádios de destinos ínvios e desuso programado. A mecânica do circo de passagem tem muito a ver com o amesquinhamento das exigências humanas e se assemelha à corrida à praia no réveillon carioca.

Oferecem  às multidões espetáculos reprisados com uma boa dose de desconforto e sacrifício até para o xixi. Mas a fórmula funciona como produto de um diagnóstico preciso: nesses minutos cada um expõe sua essência exibicionista e sua tendência  à rendição épica, ao entendimento do viver como o culto do que mandam cultuar, solenizado com as fotos digitais destinadas à internet da moda.

A elevação do certame de futebol aos píncaros é apenas parte da estratégia de manipulação dos usos e costumes, já que ainda vamos ter outros frutos orgásticos como o carnaval.

O importante é manter o termômetro da alienação na temperatura conveniente de modo a que o juízo das urnas se limite à escolha de sempre entre o diabo e o "coisa ruim".

Em se sabendo da vocação decente do senador Cristovam, os restantes inconformistas e indignados deveriam teimar a seu lado e também cavalgar na contramão dos oportunistas, oferecendo contra o viciado processo eleitoral a alternativa de um NÃO ROTUNDO a todas essas maquinações torpes e malfazejas.  

Como o povo também pode surpreender, como nas manifestações recentes, quem sabe se um sopro do pensamento honesto não pode remover montanhas? Nessas horas, até que compensa usar as redes, cuja capacidade multiplicadora tem inegável serventia.

Para o mal, mas também para o bem.


Quem sou eu

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Jornalista desde 1961, quando foi ser repórter da ÚLTIMA HORA, PEDRO PORFÍRIO acumulou experiências em todos os segmentos da comunicação. Trabalhou também nos jornais O DIA e CORREIO DA MANHÃ, TRIBUNA DA IMPRENSA, da qual foi seu chefe de Redação, nas revistas MANCHETE, FATOS & FOTOS, dirigiu a Central Bloch de Fotonovelas. Chefiou a Reportagem da Tv Tupi, foi redator da Radio Tupi teve programa diário na RÁDIO CARIOCA. Em propaganda, trabalhou nas agências Alton, Focus e foi gerente da Canto e Mello. Foi assessor de relações públicas da ACESITA e assessor de imprensa de várias companhias teatrais. Teatrólogo, escreveu e encenou 8 peças, no período de 1973 a 1982, tendo ganho o maior prêmio da crítica com sua comédia O BOM BURGUÊS. Escreveu e publicou 7 livros, entre os quais O PODER DA RUA, O ASSASSINO DAS SEXTAS-FEIRAS e CONFISSÕES DE UM INCONFORMISTA. Foi coordenador das regiões administrativas da Zona Norte, presidente do Conselho de Contribuintes e, por duas vezes, Secretário Municipal de Desenvolvimento Social. Exerceu também mandatos em 4 legislaturas na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, sendo autor de leis de grande repercussão social.