quinta-feira, 23 de outubro de 2014

A verdade sobre o porto cubano

Em sua deliberada má fé, Aécio Neves  e alguns manipuladores da direita costumam dizer na maior cara de pau que o governo brasileiro está construindo um porto para Cuba só para ajudar o governo cubano, como se estivesse desviando dinheiro para a ilha que derrotou o império com a sua revolução invicta.
Os idiotas da fauna obscurantista podem até se compensarem psicologicamente quando repassam essa mentirada pela internet. Mas o tucano, que não é um idiota, mas pretende enganar os menos informados, exerce o mandato de senador e já foi até presidente da Câmara Federal.
Antes de ler esta matéria, sugiro que veja esta entrevista
de um diretor da Federação  das Indústrias de São Paulo.
Basta clicar na imagem.
Investimento beneficiou mais de 400 empresas brasileiras e gerou 156 mil empregos aqui, segundo a Fiesp
"Se o porto de Mariel será de grande importância para o socialismo cubano, foi o capitalismo brasileiro que mais ganhou até agora".

Aécio sabe que o BNDES não pode repassar um centavo para governos estrangeiros: quem a ele recorre é a empresa nacional que vai ganhar em dólares em obras por dezenas de países.

Foi o que explicou didaticamente o presidente do BNDES, Luciano Coutinho, em audiência na Comissão de Fiscalização Financeira da Câmara dos Deputados, em 27 de maio deste ano.

Segundo o presidente do BNDES, não houve empréstimo ao governo cubano e sim para uma empresa brasileira, no caso, o Grupo Odebrecht. Ele lembrou que o BNDES é impedido por lei de emprestar dinheiro para empresas ou governos estrangeiros. “O BNDES libera recursos apenas para empresas brasileiras que tenham sido encarregadas de realizar um serviço no exterior. Nossa relação é com a empresa nacional, para gerar empregos no Brasil.”

Luciano Coutinho lembrou que o investimento foi feito na exportação de serviços de engenharia e que esse tipo de mercado é muito disputado. Destacou que, na América Latina, o Brasil responde hoje por quase 18% da exportação de serviços de engenharia para a região, perdendo apenas para a Espanha, e à frente dos Estados Unidos e da China. “Prestamos serviços a países como Argentina, Venezuela, República Dominicana, Cuba, Peru e Equador”, informou o presidente do BNDES aos deputados.

Num mercado muito disputado, o Brasil é o oitavo maior exportador de serviços de engenharia do mundo. A China desembolsou entre 2008 e 2012 um total de US$ 45,2 bilhões; os Estados Unidos, 18,6 bilhões; a Alemanha, US$ 15,6; e a França, US$ 14,6 bilhões, enquanto o Brasil financiou US$ 2,24 bilhões, ficando atrás ainda da Índia, do Japão e  da Inglaterra.

Cuba paga em dia, segundo construtora brasileira: "a exportação de serviços suporta hoje 1,7 milhão de postos de trabalho no Brasil".

O presidente da Odebrecht, Marcelo, foi mais além. Sua empresa, que tem serviços em23 países e emprega 200 mil pessoas, está muito feliz com Cuba, onde o porto, com um custo enxuto inferior a US$ 1 bilhão (lá não rola propina: não faz muito, em 2011 o ministro Alejandro Roca pegou 15 anos de cadeia por ter recebido um jabá de uma empresa chilena de sucos).

Os pagamentos estão sendo feitos rigorosamente em dia, como escreveu no site 247: o risco de inadimplência apontado por alguns críticos não pode ser contaminado pelo viés ideológico;  "para quem está questionando os riscos quanto ao pagamento, é importante saber que a ocorrência de calotes não está relacionada a alinhamentos ideológicos: os maiores "defaults" recentemente enfrentados pelo Brasil vieram dos Estados Unidos e do Chile".

Ao ponderar que em 2013, a Odebrecht Infraestrutura faturou US$ 8 bilhões no exterior, o presidente do grupo, que completou 60 anos de serviços de engenharia este ano escreveu:

"O BNDES não investiu em Mariel. O BNDES financiou as exportações de cerca de 400 empresas brasileiras, lideradas pela Odebrecht, no valor equivalente a 70% do projeto. Se o porto será de grande importância para o socialismo cubano, foi o capitalismo brasileiro que mais ganhou até agora.

País que não exporta não cresce, não adquire divisas e não se insere na economia internacional. A exportação de serviços suporta hoje 1,7 milhão de postos de trabalho no Brasil, na interação com vários setores produtivos. Promove a inovação e estimula a capacitação de mão de obra altamente especializada.

Entretanto, lemos e ouvimos que o financiamento brasileiro gera empregos no exterior; que os contratos são sigilosos, talvez para encobrir negócios escusos; que drena recursos da nossa infraestrutura; e que o TCU (Tribunal de Contas da União) não fiscaliza.

Nada disso é verdade.

Primeiro: o financiamento à exportação gera empregos no Brasil, porque não há remessa de dinheiro para o exterior. Os recursos são desembolsados aqui, em reais, para a aquisição de 85% dos bens e serviços produzidos e prestados por trabalhadores brasileiros (os demais 15% são pagos à vista pelo importador).

Segundo: informações como o valor, destino e objeto do financiamento sempre foram públicas, como pudemos ouvir e ler em todos os meios que trataram de Mariel. As únicas informações que não são públicas são as usuais das operações bancárias, como o valor do seguro, eventuais contragarantias e as taxas que compõem a operação.

Nos financiamentos feitos pelos chineses, alemães, americanos, enfim, por todos os países, essas informações também são confidenciais. Não foram o Brasil e Cuba que inventaram essa regra.

Terceiro: os recursos que financiam exportações não concorrem com os destinados a projetos no Brasil e são providos por fontes diferentes. Os números falam por si: em 2012, o BNDES destinou cerca de US$ 7 bilhões para apoiar o comércio exterior e US$ 173 bilhões para o mercado interno.

O porto de Cuba não impediu a construção de nenhum projeto no Brasil. Aliás, até ajudou.

Por meio da exportação de serviços, como a de Mariel, a Odebrecht se capacita e gera resultados que aplica aqui, como fez no terminal de contêineres da Embraport, em Santos. É o maior do Brasil e foi construído pela Odebrecht, simultaneamente a Mariel, com investimento próprio de R$ 1,8 bilhão".

Já Mauro Hueb, diretor-superintendente em Cuba da Odebrecht, destacou em outra entrevista:

“É importante ressaltar que US$ 800 milhões foram gastos integralmente no Brasil para financiar exportação de bens e serviços brasileiros para construção do porto e, como consequência disso, gerando algo em torno de 156 mil empregos diretos, indiretos e induzidos, quando se analisa que a partir de cada US$ 100 milhões de bens e serviços exportados do Brasil, por empresas brasileiras, geram-se algo em torno de 19,2 mil empregos diretos, indiretos e induzidos”. (Veja o vídeo em com 3 depoimentos a respeito)

Vendas a Cuba foram incrementadas a partir do governo FHC

A bem da verdade, os primeiros negócios dessa natureza com Cuba foram iniciados ainda no governo Fernando Henrique, como ressaltou o diretor do departamento de relações internacionais e comércio exterior da Fiesp, Thomaz Zanotto, em entrevista ao Record News em 31 de janeiro de 2014.

No caso do porto de Mariel, a principal garantia é a sua própria receita. Toda a operação lá é gerenciada por uma empresa de Cingapura, que faz  o mesmo em outros países do mundo. Segundo o diretor da Fiesp, como você verá no vídeo da Record, desde o tempo de FHC Cuba vem pagando os financiamentos brasileiros rigorosamente em dia. Nesses mais de 16 anos, o Brasil somou US$ 1,8 bilhão em investimentos em Cuba, sem nenhum problema registrado.

Ao inaugurar a obra da empresa brasileira, no início deste ano, a presidenta Dilma Rousseff observou:

"É um processo ganha-ganha, Cuba ganha e o Brasil também ganha. É um bom negócio (…) Nós continuamos fazendo investimentos na área de portos no Brasil. O Brasil hoje é um país líder na América Latina e tem suas responsabilidades. Assim como a gente saúda países desenvolvidos que, ao fazer investimentos, financiam o fornecimento de suas empresas nacionais, por exemplo, o Brasil financiou o Porto de Mariel, agora, no acordo, quem forneceu os equipamentos, os bens e os serviços foram empresas brasileiras. Mais de 400 empresas brasileiras participaram desse esforço, gerando emprego e renda”.

Para entender melhor a importância das exportações de serviços na economia de qualquer país, vale dar uma lida no artigo da superintendente da Área de Comércio Exterior, Luciene Machado, e do chefe do Departamento de Comércio Exterior do BNDES, Luiz de Castro Neves, sobre o apoio do BNDES a projetos de infraestrutura no exterior, publicado no jornal Valor Econômico em 17 de abril de 2014.  " Os principais benefícios da internacionalização são sentidos no Brasil. Para as empresas, a inserção internacional representa não só a oportunidade de ampliar sua produção e obter economias de escala, mas também de diversificar sua carteira de clientes e mitigar riscos. Obter sucesso no mercado externo, onde a competição é mais acirrada requer produtos de qualidade e preços competitivos e capacidade de absorver e desenvolver novas tecnologias. Já o mercado interno se beneficia não só dos impactos favoráveis sobre emprego e renda, mas também dos ganhos na qualidade dos bens e serviços disponíveis aos consumidores, usualmente a preços decrescentes. Basta lembrar dos automóveis comercializados pelo país na década de 80".

Como se vê, age de má fé quem critica uma política de exportação de serviços altamente benéfica para a economia brasileira, movido apenas pela mais obsoleta intolerância ideológica.

11 comentários:

  1. Jileno Sandes.12:09 PM

    É muito suja essa campanha da direita radical que nada mais quer que tomar o poder.
    A imprensa que ainda vive o período da "guerra fria", a tudo destorce de maneira vergonhosa, procurando e atingindo um grande número de pessoas que não tem acesso
    a outros meios de informação.

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  2. Sérgio Amorim4:36 PM

    Porfírio, ao invés de falar das supostas mentiras de Aécio ou do PSDB, que tal você explicar ao que resta de seus leitores como você, um adversário ferrenho do PT e do Lula, tendo, por tantas vezes, enxovalhado aquele Sapo Barbudo, o reduzido a pó, tê-lo denunciado como X-9 da direita - como levantado pelo Tuminha -, vem, agora, defender essa gentalha que roubou e continua roubando o Brasil, além de mentirem descaradamente para o povo que mantêm na base das philantrópicas bolsas-miséria, como sempre fez a direita nos rincões mais distantes desse Brasil.
    A diferença entre as bolsas atuais e as prebendas que a direita sempre distribuiu aos cabrestados é que agora é oficial. Quando acabaria essa esmola?
    Mas Porfírio, não posso falar em torcida do Flamengo, vamos ser realistas, mas em torcida do Bangu: quando ela e a do S. Cristóvão (certamente, representando, em número, muito mais que o de seus leitores - eu sou um dos últimos, um teimoso!) quando saberemos porque você mudou de ideia?

    Não nos obrigue a escrever os esses como cifrões, é baixaria!

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  3. Sérgio Amorim. 1) A Dilma eu conheço pessoalmente. Fundou o PDT, como eu. Ofereceu sua juventude à luta contra a ditadura, como eu. Dou um doce a quem provar que ela é corrupta ou está traindo o seu (nosso) passado de luta contra o regime autoritário) Um homem de esquerda não pode calar diante da possibilidade do Armínio Fraga, homem do especulador George Soros e do JP Morgan, retomar a privataria e a política das elites financeiras. Hoje, os 5 maiores bancos têm 54% do PIB. 3) Jamais votaria no mesmo candidato do capitão Bolsonaro e da direita que quer manter cadáveres ocultos e não admite os crimes do regime militar. A candidata é ELA .2) Aécio está comprometido até a medula com os interesses dos especuladores, através do Armínio Fraga, seu ministro da Fazenda já contratado, conforme entendimentos com o "mercado". Ele é homem do George Soros e do JP Morgan. O que você espera dele? 3) O entulho da ditadura está ouriçado contra Dilma por que não quer que seus crimes sejam expostos pela COMISSÃO DA VERDADE. Estarei sempre do lado oposto ao capitão Jair Bolsonaro, sua prole e seus direitistas rancorosos.

    Quer mais? Não sei de você, mas seria bom que procurasse saber sobre quem tem IDEOLOGIA. Qualquer garoto sabe: primeiro, temos de evitar a volta ao duplo passado - do Estado ditatorial e do do Estado entreguista.
    Tudo bem?

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    1. Sérgio Amorim11:15 AM

      Tudo bem nada, Porfírio! Você quer que eu vá no Google. pesque de diversos excelentes escritos seus contra o Sapo Barbudo trechos e cole aqui? Não me dê esse trabalho. Você e seus ex-leitores (por isso se afastaram) sabem muito bem da sua mudança.
      Só gostaria de ter uma explicação. Mas já perdi as esperanças.
      Leonel Brizola jamais compactuaria com esses bandidos do PT. Mais que os roubos do vil metal que praticaram, roubaram o sonho e a esperança dos seus fiéis eleitores nesses 12 anos de retrocesso, de moleza que deram ao sistema financeiro. Se um tem Armínio Fraga, o outro vai de Henrique Meirelles. Qual a diferença?!
      Se puder, Porfírio, explique ao que sobra de seus leitores (porque eleitores não há mais).
      Vai votar no Clonão, para ficar completo o pacote? Prefiro o Bispo, apesar do nojo que nutro pela IURD.

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  4. Anônimo1:39 PM

    Faço muitas críticas aos Governos do "PT+PMDB" (Lula e Dilma), mas, perto do Aécio e da sua turma da gananciosos, elitistas, aculturados, corruptos, entreguistas e hipócritas, a Dilma é uma "maravilha" ...
    O Aécio é o candidato dos banqueiros Anglo-Americanos, do FMI.
    Com o Aécio seria o fim do BraSil (com S):
    - adeus PETRÓLEO
    - adeus BRICS
    - adeus BANCO dos BRICS
    - adeus MERCOSUL

    Mario,
    de São Paulo, onde as urnas "eletrônicas" elegeram governador, o Geraldo "Pai do Volume Morto e do PCC", e, senador, o ficha-limpa José da "Privataria Tucana".

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  5. Sérgio Amorim1:52 PM

    (continuando)

    Ouvi de um importante advogado de Brasília, acostumado a defender políticos, a frase: “Os eleitores de Dilma devem desde já procurar conhecer o programa de governo de Michel Temer”.

    De fato, se vitoriosa – e na hipótese de um processo de impeachment -, Dilma acha que o PMDB a apoiaria ou preferiria exercer diretamente o poder? A eleição termina hoje, mas a crise ocupará 2015.

    (artigo enviado por Celso Serra)


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    1. Sérgio Amorim. Você também é a favor de um golpe contra o resultado das urnas? Não reconheço autoridade moral a quem sonha com um golpe. Aliás, esse tipo de rancor não cabe neste espaço.

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  6. Anônimo11:31 AM

    Quem acredita num partido de esquerda que tem um Michel Temer de vice? ele é mais Direita que o Aécio. Se duvidar vão ser os primeiros a pedir, nos bastidores é claro, o Impeachment da Dilma.

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    1. Sérgio Amorim1:40 PM

      O "mordomo do Drácula" - copyright para o ACM - já deve estar articulando essa manobra (por sinal, com grande chance de sucesso, tamanhos são os "malfeitos" do governo Dilma). Esperemos o Youssef (que rima com Roussef - rima rara!) botar no ventilador tudo que sabe.

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Quem sou eu

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Jornalista desde 1961, quando foi ser repórter da ÚLTIMA HORA, PEDRO PORFÍRIO acumulou experiências em todos os segmentos da comunicação. Trabalhou também nos jornais O DIA e CORREIO DA MANHÃ, TRIBUNA DA IMPRENSA, da qual foi seu chefe de Redação, nas revistas MANCHETE, FATOS & FOTOS, dirigiu a Central Bloch de Fotonovelas. Chefiou a Reportagem da Tv Tupi, foi redator da Radio Tupi teve programa diário na RÁDIO CARIOCA. Em propaganda, trabalhou nas agências Alton, Focus e foi gerente da Canto e Mello. Foi assessor de relações públicas da ACESITA e assessor de imprensa de várias companhias teatrais. Teatrólogo, escreveu e encenou 8 peças, no período de 1973 a 1982, tendo ganho o maior prêmio da crítica com sua comédia O BOM BURGUÊS. Escreveu e publicou 7 livros, entre os quais O PODER DA RUA, O ASSASSINO DAS SEXTAS-FEIRAS e CONFISSÕES DE UM INCONFORMISTA. Foi coordenador das regiões administrativas da Zona Norte, presidente do Conselho de Contribuintes e, por duas vezes, Secretário Municipal de Desenvolvimento Social. Exerceu também mandatos em 4 legislaturas na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, sendo autor de leis de grande repercussão social.