quinta-feira, 2 de outubro de 2014

A hora de fazer história

Está em nossas mãos derrotar a direita, os nostálgicos da ditadura e as elites já no primeiro turno

Assim como no futebol uma torcida determinada ajuda a definir um placar, o mesmo pode acontecer numa disputa eleitoral. Neste caso, militantes, simpatizantes e eleitores convictos fazem a diferença e produzem resultados que vão além das conjecturas matemáticas.
Pelo rumo que as eleições presidenciais deste ano tomaram, é perfeitamente possível que a mobilização espontânea antecipe a vitória de Dilma Rousseff já no primeiro turno.  Essa que seria uma goleada histórica já está nos cálculos dos analistas: com 47% dos votos válidos já declarados, ela dependeria de apenas mais 3% dos eleitores para vencer já no próximo dia 5.

Independente das estimativas numéricas, do carisma de Dilma, do envolvimento apaixonado de Lula na campanha e dos desejos de mudança para frente que só ela inspira, há um cenário igualmente determinante: a direita e as articulações do retrocesso estão desesperadamente mais perdidos do que cego em tiroteio.

Hoje, ninguém pode dizer em qual dos opositores esses valhacoutos reacionários vão apostar suas últimas fichas. O contrato inicial era com Aécio Neves, que entrou de mala cheia na campanha, ao ponto de levar o PMDB fluminense a uma traição abominável, que não respeitou sequer as ziquiziras entre o prefeito Eduardo Paes e seu desafeto visceral de hoje, Cesar Maia, levado a uma humilhante derrota pelos pés adorados de um jogador de futebol.
Marina, que embiocou na disputa pela porta dos fundos, depois de um nebuloso acidente aéreo, considerava-se a própria providência divina, com a celestial ajuda de dois poderosos anjos da guarda – a herdeira do Itaú e o dono da Natura.
Quando ela surgiu das nuvens carregava ares de uma enviada de Deus. Em uma semana, já tinha passado para trás o arrogante Aécio Neves, desmantelando a nave tucana, que entrou em parafuso e quase leva a uma decisão trágica: metade dos prestadores de serviço de sua candidatura propunha sua desistência, para garantir a derrota de Dilma já no primeiro turno.

Às primeiras procelas, sua nave anfíbia foi a pique. Pega na mentira e no repicar do desdizer-se a toda hora, foi se desmilinguindo em marcha à ré, com o que acabou revelando a natureza dos seus desvios de caráter e dos compromissos íntimos, tratados entre quatro paredes, mas difícil de  manter a sete chaves. Viu-se então que ela estava na mão da banca insaciável e que bem poderia trocar seu sobrenome de Silva para Setúbal.

A casa caiu na sua cabeça e dos seus patrocinadores, levando a uma tresloucada dúvida shakespeariana: o ser ou não ser agora tem o relógio contra si e uma trágica constatação: nem a vociferação raivosa de Aécio, nem a simulada candura de Marina pegam mais. O movimento das tendências é ascendente para Dilma e isso não é adivinhação de horóscopo.

Mas a máquina mortífera dos podersosos interesses das elites recalcitrantes não vai se render. Como uma metralhadora giratória vai atirar para todos os lados, servindo-se de qualquer factóide para tirar de Dilma o que não pode acrescentar aos dois desvairados prepostos, que correm desesperados, cada um por si,  em busca de um lugar numa eventual segunda rodada.

O projeto da direita é levar  a eleição para o segundo turno, como parecia inevitável, e aí redobrar o arsenal, com os canhões da mídia  amiga, que vai cair na maior depressão se Dilma for reeleita com toda a simbologia histórica que isso representa e a cristalização de uma proposta de mudança de verdade.
Há ainda um outro dado significativo: a ação orquestrada da direita está levando milhões de não militantes, de simpatizantes de outras siglas, das esquerdas e adjacências, a reunirem-se em torno de Dilma, que é o grande legado histórico de uma geração que sacrificou sua juventude para derrubar a ditadura. Até mesmo os dirigentes autênticos do PSB estão convencidos de que o partido está acolhendo uma quinta coluna que poderá detoná-lo sob o comando de quem nunca teve a ver com suas bandeiras.
Imagino que a esta altura milhões de multiplicadores estão batendo de porta em porta na grande mobilização popular para garantir essa  decisão definitiva já no primeiro turno: se ela acontecer, terá prevalecido a sabedoria do povo e a lucidez de todos os que desejam os avanços  que terão a incontestável legitimidade de uma vitória de lapada.

Teremos reeditada assim a união do povo e das correntes  progressistas em duas lutas inesquecíveis: na resistência à ditadura e nas manifestações pelas diretas.

11 comentários:

  1. Anônimo9:02 AM

    Mestre Porfírio
    Você, com sua coragem, lucidez e erudição, traduz o sentimento de uma parcela de órfãos da luta de Brizola e Darcy Ribeiro. Embora desvelando o lado podre do bicho homem (e mulher), ao compartilhar sua fé no povo e nos valores mais elevados, dissemina em nós a vontade de lutar pelo nosso país. Obrigada por fazer de nós pessoas melhores.
    Tânia Franco


    ResponderExcluir
  2. Caro Porfírio, pelo acordo de delação Paulo Roberto Costa vai devolver aos cofres públicos R$ 74 milhões mas o roubo na Petrobras nos últimos 10 anos atinge R$ 20 bilhões. Onde estará o resto da grana? Será que os políticos envolvidos, dirigentes e ex dirigentes da estatal, como a Dilma, vão devolver algo? Lembrando que somente uma empreiteira depositou US$ 23 milhões na Suiça para Costa e essa empreiteira é uma das grandes doadoras da campanha de Dilma.

    ResponderExcluir
  3. Hoje, a direita domina todos os partidos. Na política do PT, ela manda e desmanda.

    ResponderExcluir
  4. Anônimo11:36 AM

    Prezado sr Porfírio,
    Tenho o maior respeito pelo senhor e, da mesma forma, quero o bem do Brasil e do povo brasileiro. O sr demonstra ser bem inteirado da política brasileira. Já no meu caso, nem tanto, pois estou farto de ver tanta sujeira nisso que chamam de "política". A sua extrema e fervorosa defesa da sra Dilma e, consequentemente, de Lula e PT, me parece exagerada e quase ingênua. O que o sr pensa do Mensalão ? E do sistema de corrupção dentro da PETROBRAS ? Nem Lula nem Dilma sabiam, certo ? Será que o sr também acredita que os fins justificam os meios ? Que eu saiba, a sra Marina, a exemplo do sr Lula, também vem de origem humilde e passou fome. Só tem uma diferença entre eles: ela leu e lê muito, se instrui e não tem nem metade das posses que o lider máximo do PT possui. Não nego que o governo PT tenha feito avanços sociais, mas a que custo para o Brasil em geral ? Faça uma análise profunda e veja quem realmente se esconde atrás de um véu de boa alma ... Para falar a verdade, nunca acreditei em partidos políticos; tento acreditar nas pessoas. Por isso, votei em Lula na sua primeira candidatura (e para nunca mais !). Hoje, digo em alto e bom som: VOTAREI EM MARINA E SEJA O QUE DEUS QUISER porque, se o eleito for um dos outros, já sei no que vai dar.
    Abraço.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Anônimo10:24 AM

      Concordo com você, votei no Lula na primeira vez e depois nunca mais. Não dá para acreditar em partido que beijou a mão do Barbalho e defendeu a biografia do sarney. Se aliou ao que há de pior e consequentemente se aproveitou da roubalheira fácil também. Não temos que defender partidos, temos que defender caráter e idoneidade, o partido não está acima. Defender o Dirceu, o vacareza ou o andré vargas é achar que tudo pode. Parece que na verdade estão se lixando para o povo brasileiro e se agarrando ao poder a qualquer custo. O PT perdeu a vez, insistir no erro ou ganha junto, ou é inocente, ou analfabeto, como os eleitores de sarney e companhia.

      Excluir
  5. Anônimo12:17 PM

    Voto na Dilma, pois, com todos os seus defeitos, ela é ótima, quando comparada com o Aécio e com a Marina.

    ResponderExcluir
  6. Marco Curado9:04 AM

    A vitória da Dilma é a vitória do povo e é também um não rotundo as manobras escabrosas dos reacionários.

    ResponderExcluir
  7. Anônimo9:43 AM

    Vitória da Dilma é aparelhar de vez o Brasil. É defender os pobres na tv e desviar bilhões por baixo dos panos. É fechar o olho para o desenvolvimento e ficar esperando bolsa alguma coisa. É político andar de jatinho de doleiro amigo enquanto o povo se espreme na lama de baixo. Todos meus amigos que trabalham em órgãos públicos estão estarrecidos com a quantidade de diretores que entraram pela janela nos últimos 10 anos, ganhando mais, trabalhando menos e manipulando tudo. Os índices brasileiros não melhoraram frente ao mundo (vejam PNUD, OEA e outras fontes isentas). Estamos entre os 10 países com mais analfabetos, entre os últimos em educação, maior juros bancários, energia mais cara. Até as montadoras de automóveis que o Mantega e o Lulla sempre dão um jeito de promover, têm o maior lucro do planeta por carro vendido. Tudo às custas do povo trouxa que compra carro popular com preço de esportivo americano. E se comprar à prazo ainda paga mais um para o banco. Era isso que o PT deveria combater. Aumenta o custo brasil com falcatruas, roubalheiras, mantém os parlamentares com o maior salário do mundo e depois vem falar de bolsa família para os pobres. Nunca gostei do Aécio mais ele falou a coisa certa ontem: o PT gosta de manter a pobreza, pois assim, como Calheiros, Collor e Sarney, manter os estados pobres é mais barato para ganhar eleição. Levar um carro pipa ou fazer um churrasco na comunidade é mais barato que capacitar e incentivar as empresas crescerem, empregarem mais e pagarem melhores salários. Tudo que o PT não quer. Para votar no PT tem que ser ignorante ou está ganhando junto. A matemática não mente.

    ResponderExcluir
  8. ELISA BRUM4:42 PM

    Na minha maneira de pensar, temos que parar de votar pensando em pessoas ou partidos, mas no que é melhor para o país. Colocar na balança o que foi feito e o que falta fazer. Deixar os antagonismos partidários e as simpatias pessoais e olhar friamente para o desenvolvimento que pretendemos. E, sem paixões, resolver se queremos continuar como estamos ou queremos mudar. Se chegamos à conclusão de que o caminho atual foi melhor do que o anterior, continuamos. Se não, mudamos. Não quero retroceder aos tempos do Collor, do Fernando Henrique. Não vou votar em Aécio. Também não quero me atirar no buraco escuro que representa a Marina. Sei que a saúde está uma m....., a educação anda capenga, a violência está a toda. Mas estamos avançando em outras áreas, vou dar mais crédito a quem levou o país a um desenvolvimento social e econômico maior do que o dos governos anteriores. Não sou PT nem Dilma, sou Brasil.

    ResponderExcluir

Quem sou eu

Minha foto
Jornalista desde 1961, quando foi ser repórter da ÚLTIMA HORA, PEDRO PORFÍRIO acumulou experiências em todos os segmentos da comunicação. Trabalhou também nos jornais O DIA e CORREIO DA MANHÃ, TRIBUNA DA IMPRENSA, da qual foi seu chefe de Redação, nas revistas MANCHETE, FATOS & FOTOS, dirigiu a Central Bloch de Fotonovelas. Chefiou a Reportagem da Tv Tupi, foi redator da Radio Tupi teve programa diário na RÁDIO CARIOCA. Em propaganda, trabalhou nas agências Alton, Focus e foi gerente da Canto e Mello. Foi assessor de relações públicas da ACESITA e assessor de imprensa de várias companhias teatrais. Teatrólogo, escreveu e encenou 8 peças, no período de 1973 a 1982, tendo ganho o maior prêmio da crítica com sua comédia O BOM BURGUÊS. Escreveu e publicou 7 livros, entre os quais O PODER DA RUA, O ASSASSINO DAS SEXTAS-FEIRAS e CONFISSÕES DE UM INCONFORMISTA. Foi coordenador das regiões administrativas da Zona Norte, presidente do Conselho de Contribuintes e, por duas vezes, Secretário Municipal de Desenvolvimento Social. Exerceu também mandatos em 4 legislaturas na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, sendo autor de leis de grande repercussão social.