segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Racismo social e ódio de classe

Rancor das elites contra Dilma e o PT é muito mais pelas suas virtudes do que por seus erros pontuais

Outro dia, num aniversário de um engenheiro de uma estatal, ouvi de alguns convivas da mesma estirpe uma amarga declaração de voto: "estou contra a Dilma por que quero ver o PT pelas costas".
Não foi um, nem dois. Inúmeros convidados daquela bela festa repetiam o mesmo jargão. Alguns falavam com ódio e, como já tinham consumido uns bons vinhos, pronunciavam as sentenças de morte do PT com exacerbado rancor e sede de vingança.

Como não sou petista e, ao contrário, estive quase sempre em trincheiras opostas, sem perder o respeito ao adversário jamais, me senti à vontade para recorrer à metodologia racional a fim de entender por  que aquelas pessoas babavam de ódio da Dilma, do Lula, do PT e de todos os que ousavam admitir que votariam na reeleição da mineira, cuja biografia deveria merecer todos os preitos desses que hoje dizem o que lhes vêm na telha, o que não acontecia na época da ditadura insana que a torturou, como a mim, e que a tantos assassinou.

Vira e mexe, cheguei a uma conclusão provavelmente estapafúrdia: há toda uma motivação racista nesse ódio explicitado com prazer orgástico. Não o racismo sobre a cor da pele, mas um outro, muito mais abrangente e mais furioso, o ódio de classe e a obsessão pela intocabilidade da secular pirâmide social.

Entre aqueles interlocutores de acendrada rejeição a qualquer coisa que possa sugerir melhoria das condições sociais das camadas inferiores, alguns se jactavam de terem tido uma infância pobre (ou quase) e hoje estarem nas camadas superiores por esforço próprio. Ao mesmo tempo em que exibiam esse salto e se reconheciam exceções, não escondiam o desprezo pelos que dependem de qualquer socorro do Estado, como se o governo estivesse sacrificando suas noitadas com pesados impostos para matar a fome do lumpesinato que "não quer trabalhar".
A sensação mais viva que me ocorreu foi braba: de todos os escravagistas sociais o mais mesquinho  é o quase rico que já foi quase pobre.
Pelas diatribes daqueles personagens que faziam questão de exibir roupas de marcas caras, acabei viajando até o aeroporto e me lembrei de um desabafo um professora babaca  da PUC: isso aqui parece uma rodoviária.

Fui mais longe em minhas lembranças e deparei-me com o ódio midiático contra o Brizola por causa do seu projeto dos Centros Integrais de Educação Pública – os CIEPs, que, se não tivessem sido minados por gregos e troianos estariam levando às portas das  faculdades milhares de jovens pobres e bem preparados, em condições de acesso sem depender de cotas.

Como a Dilma brizolista de então, fiz parte daquele sonho, como secretário de Desenvolvimento Social da Prefeitura do Rio e pela proximidade com Brizola. Fiquei chocado ao saber que o todo poderoso Roberto Marinho, com quem o caudilho almoçara algumas vezes, só tinha uma exigência de momento: reduzir a duas ou três escolas a ideia do ensino integral. 
O dono da Rede Globo, refletindo o pensamento das elites, não queria nem ouvir falar da inflação de meninos de escolas públicas às portas das Universidades oficiais, que eram, como ainda são, santuários privativos da burguesia dominante.
Dilma tem o dom de misturar o sangue quente do caudilho, seu primeiro mestre com quem conviveu por 20 anos, ao jogo de cintura do Lula, que vinha de uma militância patrulhada pela ditadura e emergira graças à sua sagacidade e inegável inteligência.

Pode-se dizer que a direita empedernida não contava com sua vitória em 2010. Se não o anátema de ex-guerrilheira iria fazer o sangue das elites dominantes subir à cabeça. E não contava também com seu estilo firme de governar, sua coragem de enfrentar os fantasmas assassinos, que se consideram intocáveis por tratos pretéritos.

Por isso, essa campanha de 2014 salienta diferenças mais nítidas e leva a uma exposição mais ostensiva do racismo social.  Para desbancar Dilma, vale qualquer um, inclusive aquela que foi cria do PT e que só pulou fora pela vaidade ferida com a indicação da colega para o cargo que almejava, embora não tivesse o indispensável perfil de estadista.

O racismo social é mais odiento devido à determinação dos beneficiários dos programas – sejam do bolsa-família, do Prouni ou do Pronatec, sejam dos que tiveram uma valorização real do salário mínimo, de constituírem uma sólida base eleitoral de quem abriu caminhos em suas vidas.

As elites e os emergentes adjacentes fecham as caras ao se depararem nos aeroportos com mulatos e nordestinos que, ao contrário de Lula, já não precisam penduram-se nos paus-de-arara em estradas poeirentas na aventura pelo pão que lhes faltava na terra natal.

É essa síndrome racista que move os ricos e quase ricos contra a estrela vermelha estigmatizada mais pelas suas virtudes do que pelos seus deslizes.  


E que sonha desesperadamente com retorno da chibata social, em que cada um "tem de reconhecer o seu lugar". E só seus filhos possam almejar o canudo de papel de uma universidade paga com o meu, o seu e o suor desses mesmos excluídos, que as elites querem trabalhando de sol a sol para comer o pão que o diabo amassou.

22 comentários:

  1. Parabéns Pedro Porfirio. Seu texto é brilhante e ele ultrapassa a politica e vai no cerne da questão: a natureza humana. Uma sociedade que coloca o egoismo à frente da solidariedade, que não enxerga no semelhante um irmão, mas sim um competidor ( um adversário) pelos recursos que são de todos não pode viver em paz e sem paz, não pode haver sociedade. Isso muito me preocupa, porque o nosso Brasil está sendo "rachado" por forças obscuras que se aproveitam desta natureza egoista de muitos brasileiros para disseminar a discordia e destruir o pouco que conquistamos nesses últimos anos.Quando me formei Engenheiro Civil pela UFPR, eu era um pobre convivendo com os filhos da alta sociedade de minha cidade. Porém, hoje eu não tenho o direito de achar que o filho do pedreiro não pode ser Engenheiro, como eu,, usando o PROUNI para se formar. Tenho sim que parabenizar o Governo que deu a ele esta condição e parabenizar a ele pelo seu esforço, e sem precisar sofrer tanto para conseguir um diploma. Agora as coisas estão nos seus devidos lugares, antes não. Ainda sou um otimista, e acredito que o povo brasileiro vai acordar para a realidade, de que é melhor um país em que todos tenham oportunidade de melhorar suas vidas, do que uma sociedade de poucos privilegiados. Continue nos brindando com suas reflexões.

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    1. Depoimento muito lúcido o seu, caro Paulo

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    2. Anônimo2:45 PM

      Hoje em dia sociedade e burguesia não quer dizer nada. O cerne da questão é o caráter. Tem pobre bom e pobre ruim, tem rico bom e rico ruim, tem empregado bom e empregado ruim, tem empresário bom e empresário ruim. Generalizar é uma grande ignorância e colocar isso como causa partidária é irresponsabilidade total. Não se deve vitimizar os pobres nem culpar os ricos, é estupidez. É que nem nos estádios, pode xingar a mãe mas não pode chamar de macaco? Todos os 2 estão errados: assim como o pobre falar mal de rico e rico falar mal de pobre, não resolve nosso problema.

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    3. Anônimo12:37 PM

      Ok. Xingar a mãe é a mesma coisa que chamar um negro de macaco?

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  2. Olá Pedro, embora não costume responder, sempre leio seus comentários. Este é brilhante em sua análise desta sociedade brasileira que mais se parece com aquelas Castas em que se divide o povo indiano. Você bateu na fonte desse tipo de gente que quando se olha no espelho não sabe bem se é uma coisa ou outra, mas, que adora classificar os outros disto ou daquilo. Por aqui, São Vicente, SP, terra do esperto sr. Marcio França, vice do não menos esperto sr. Xuxu, as coisas não são diferentes, só que muitos não percebem que se hoje estão empregados foi porque ouve uma virada nas prioridades deste país e hoje podem se considerar de "classe media", embora sujando no prato que comem e se esquecem que nos tempos tucanos de governo já não se podia comprar um saco de cimento de tão caro e o arroz nosso de cada dia já estava pela hora da morte.

    abraços

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    1. Armando. Comentários como o seu e o do Paulo mostram que ainda há espaço para aprofundar e elevar o nível das discussões. Vaeu.

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  3. Anônimo1:00 PM

    E se na página do facebook fosse alguém falando mal dos "mauricinhos" com roupa de grife? Não estaria errado? As pessoas são preconceituosas por natureza: falam mal de gordos, carecas do mesmo jeito que falam de pobres dos ricos e vice versa. Ou se defende o ser humano como um todo ou vira guerra de classe como arma de campanha. O Dirceu "guerreiro do brasil" só toma vinho de 800,00 para cima. É burguês? O André Vargas aparece em gravações falando que quer o melhor hotel. É burguês. Morar na Península, é burguês? O brasileiro paga 40% de impostos com o pior retorno do mundo, seja com governo de direita ou de esquerda. Isso é que temos que mudar, por um governo mais eficiente e menos ladrão, o resto é enganação. A página de facebook da mulher da PUC deveria ser entre amigos. O fofoqueiro que divulgou é que deveria ser preso.

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    1. Anônimo1:34 PM

      Todos os países de esquerda pregam essa guerra social. Os políticos roubam, colocam a culpa na imprensa, nos EUA, na mídia, mas os números do país continuam com recordes atrás de recordes negativos: mais mortes violentas que países em guerra, IDH, saúde, educação em últimos lugares, custo de vida altíssimo, desvio de verbas maior que o PIB de muitos países e absolutamente nada funciona no país.

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    2. Senhor ou senhora anônimo (a). Sugiro ler o texto de novo. Ter mais não é crime. O crime, o racismo social, está em fechar os caminhos para que os outros possam também progredir, através de uma boa educação pública, por exemplo..

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    3. Anônimo2:47 PM

      Onde tem educação boa pública no Brasil? Continuamos como o 8º país com mais analfabetos do mundo e entre os últimos em educação.

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    4. Esse é o problema: Brizola e Darcy Ribeiro tentaram há 30 anos implantar o ensino de tempo integral, uma resposta completa para nossos adolescentes. Foi sabotado por uns e bombardeado pela Rede Globo. Agora, curiosamente, depois de tanta violência e falta de perspectiva para a juventude, essa proposta é o principal mote da campanha de todos, com exceção do Aécio Neves., que é contratualmente comprometido com a pirâmide social e não quer nem médicos nos rincões.

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  4. Anônimo1:29 PM

    Os eleitores da Dilma são os mesmo que votam em Collor, Sarney, Calheiros....Têm os piores índices de vida do Brasil enquanto seus governantes nadam em dinheiro. O Brasil é governado pela ignorância. Estamos entre os 8 países do mundo com mais analfabetos e são esses que governam o Brasil. Elegem um Legislativo e Executivo corruptos em troca de promessa de churrasco na comunidade. Enquanto somos a oitava economia do mundo, temos o pior retorno de impostos do planeta, um dos piores IDH e pagamos o maior salário de políticos. Aos pobres bolsa esmola e aos políticos o maior salário do mundo, e todos ficam contentes, o que é pior.

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    1. Sugiro ver quanto ganha um grande empresário, que exagera nos lucros e paga mal aos empregados. Pior: como acionista não paga imposto de renda.

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    2. Anônimo2:51 PM

      Sugiro ver empresas pequenas e médias que pagam mais de impostos que tiram de lucro. Todos encargos no Brasil são em cima da produção. Em países como França, que tem impostos mais altos, a maioria é em cima de patrimônio. Por quê o PT não mudou isso? Por quê nunca ninguém se mexeu por causa disso? Nosso Legislativo cria dia do Saci, da PQP mas nossas leis trabalhistas ainda são da década de 40. As empresas para trabalhar no Brasil precisam de contratar advogados por causa da enrolação das leis. Por que nunca mudam isso? Não interessa nem a direita e nem a direita o país funcionar. Quanto mais impostos pagarmos, mais ricos os políticos e asseclas enriquecem.

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  5. Anônimo2:15 PM

    Acho uma irresponsabilidade exacerbar luta de classes. Com tantos desvios de verbas, de direita e esquerda, o povo deveria se unir e se manifestar em uma só voz. Desviam bilhões por baixo dos panos e depois vem falar de ajudar os pobres na tv? É muita mentira, muita falsidade. O governo quer que o povo se dane. Enquanto andam de jatinhos o povo se espreme na classe Y. Enquanto os governante têm carrões, protegem as montadoras nacionais a terem o maior lucro por carro do mundo. Enquanto falam mal das "zelites" deixam os bancos cobrarem o maior juros do mundo ao brasileiro, "nossos" bancos, como as montadoras, têm o maior lucro do planeta, tudo isso em cima do povo que fingem defender. Olho vivo, procurem dados verdadeiros de instituições mundiais, comparem o lugar do Brasil com outras nações, comparem o custo de vida, salários, preços básicos, impostos pagos x benefícios recebidos e vejam o quanto estamos mal perante o mundo. Olhem o PNUD e vejam que nos últimos 10 anos o Brasil não distribuiu mais renda que o Peru ou Chile por exemplo, que o Brasil não cresceu, que não fomos melhor que ninguém. Olhem o valor de mercado da Petrobras, o que era e o que é. Procurem saber o que acontece nos correios, nos fundos de pensões, nas estatais, vejam que está tudo corrompido, com milhares de novos funcionários que entraram pela janela com indicação política. Vejam o que é o Brasil em números antes de votar. Podem ter certeza que entre direita e esquerda não existe diferença: todos querem roubar e enganar o povo. Porfírio, comenta com números, por favor. Coloca dados que mostrem o Brasil melhor sem interpretações. Mostre que no Brasil o juros do cartão de crédito chega a 400% ao ano enquanto o segundo lugar no mundo é o Peru com 50% no mesmo cartão. O governo dá aval a isso? Enquanto falam de pobres na TV os números mostram que o custo brasil, com aval do governo, nos deixa sempre pobres e dependentes. Mostra como o salário é taxado: para um trabalhador ganhar 1.000,00 brutos, a empresa pagadora desembolsa quase 2.000,00 e o trabalhador só recebe líquido 920,00. Para onde vai esse dinheiro? O que funciona no Brasil? 60% das estradas sem pavimentação enquanto o DNIT desvia pros políticos indicados, temos os aeroportos com a maior taxa de embarque do mundo e por aí vai. Fora os cargos comissionados que cresceram mais de 10.000% nos últimos 10 anos com salários no mínimo de 17.000,00 tudo isso com o dinheiro do povinho que vocês tanto falam que defendem. Coloca em números Porfírio, por favor.

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    1. Boa parte dos problemas citados é responsabilidade dessa falsa democracia em que só quem TEM MUITO DINHEIRO pode disputar e ganhar um mandato parlamentar, com as exceções de praxe. Procure ver o perfil do Congresso: além de larápios só agem em causa própria. Isso com políticos de todos os partidos. E a Justiça? O que o prezado anônimo acha de um axúlia educação de R$ 7 mil para cada juiz e de R$ 4,3 para todos a título de auxílio -moradia?

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    2. Anônimo2:55 PM

      Nosso Judiciário é o pior dos mundos. Eles é que dão respaldo a impunidade de todos os ladrões. O Executivo e o Legislativo mudam mas o Judiciário é indicado e fica ad eternum protegendo a si aos amigos.

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  6. Boa noite Pedro.
    Maroildo, negro,nordestino aposentado INSS e ex´VARIG, é um dos que peço a Deus que o PT desapareça da política brasileira. Fim do mandato FHC, insanamente acreditei no Lula. Nunca vi tanta lama na política. Você conhece a historia do AERUS e graças também a esses dois que a 12 anos governam o país, mais de 1200 aposentados , que não pegaram em armas, não assaltaram bancos, não mataram recrutas do exército fizeram a passagem. Temos dinheiro para alimentar as ditaduras de outros países ,mas não tem dinheiro para pagar a quem direito tem. Você conhece a história sabe que não estou mentindo. saúde e felicidades.

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  7. Anônimo11:43 PM

    Sábias discussões! Votei no Lula, não votei na Dilma, sou servidora pública! Mesmo ciente do caos que assola nosso país, penso que é um raciocino muito simplista atribuir todas as mazelas do Brasil à era PT. Roubos e corrupção existem no nosso país há décadas, séculos! Ou será que é um discurso plausível dizer "Ah... Mas antes roubava-se menos". Então roubar pouco pode? Como professora lecionei durante os governos de FHC e Aécio Neves, em MG, e posso dizer que o sucateamento da educação foi iniciado na era FHC, quando inventaram a aprovação automática e deu-se início às várias gerações de analfabetos funcionais... Países como o Japão reergueram-se após guerras devastadoras porque são países de cultura, disciplina e educação sólidas, o que não é o nosso caso. Nós, brasileiros, não sabemos votar e somos mal conduzidos e muito mal representados. Qual a saída?
    Ela é a longo prazo... E custa caro!
    "Educai as crianças e não será preciso punir os homens". Pitagoras

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Quem sou eu

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Jornalista desde 1961, quando foi ser repórter da ÚLTIMA HORA, PEDRO PORFÍRIO acumulou experiências em todos os segmentos da comunicação. Trabalhou também nos jornais O DIA e CORREIO DA MANHÃ, TRIBUNA DA IMPRENSA, da qual foi seu chefe de Redação, nas revistas MANCHETE, FATOS & FOTOS, dirigiu a Central Bloch de Fotonovelas. Chefiou a Reportagem da Tv Tupi, foi redator da Radio Tupi teve programa diário na RÁDIO CARIOCA. Em propaganda, trabalhou nas agências Alton, Focus e foi gerente da Canto e Mello. Foi assessor de relações públicas da ACESITA e assessor de imprensa de várias companhias teatrais. Teatrólogo, escreveu e encenou 8 peças, no período de 1973 a 1982, tendo ganho o maior prêmio da crítica com sua comédia O BOM BURGUÊS. Escreveu e publicou 7 livros, entre os quais O PODER DA RUA, O ASSASSINO DAS SEXTAS-FEIRAS e CONFISSÕES DE UM INCONFORMISTA. Foi coordenador das regiões administrativas da Zona Norte, presidente do Conselho de Contribuintes e, por duas vezes, Secretário Municipal de Desenvolvimento Social. Exerceu também mandatos em 4 legislaturas na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, sendo autor de leis de grande repercussão social.