terça-feira, 2 de setembro de 2014

O termômetro

Histeria anticomunista dos nostálgicos da ditadura aponta entre seus alvos quem é a melhor opção 

Vou recorrer a um método infalível para tirar nossas dúvidas - mirar o discurso obscurantista dos órfãos da ditadura entreguista e assassina. Discurso ressentido, doentio, neurítico, vingativo, revanchista, míope, nostálgico e um monte de coisas amargas mais.  Não há melhor termômetro: o melhor está entre os pichados pela obsoleta histeria anticomunista.

Quanto mais expõem as vísceras daquele período em que oficiais generais rasgaram a Constituição para entregar o Brasil aos trustes morganizados, espoliadores que pagaram a alguns deles pelos serviços prestados; quanto mais se fala daquilo que não se podia falar antes, e que agora muitos ainda temem falar, que outros não suportam ouvir, mais esses arautos da estupidez destilam seu ódio a quem atribuem a responsabilidade por toda e qualquer disfunção psíquica provocada por tais revelações.

Cada vez que um imbecil mumificado vem com aquela surrada chantagem ideológica, mesmo depois do fim da União Soviética, mesmo depois a revisão capitalista do PC Chinês, da emergência triunfal da nova potência asiática, mesmo diante de um novo ambiente mundial; cada vez que energúmenos primatas vomitam suas neuroses eles acabam nos oferecendo um barômetro preciso que aponta a natureza perversa da pressão atmosférica que tentam.

A legião de trogloditas ataca por que teme que o Brasil ganhe maioridade e encare os sanguessugas de sua economia desfronteirizada, aliando-se a outros países assemelhados num bloco que ameaça o sistema internacional pela sua potencialidade incomensurável, por sua musculatura.  Há, como sempre houve ao longo da história, uma mistura deletéria entre a submissão ao império decadente, ao sionismo bíblico, ao fundamentalismo tacanho e a propaganda reacionária calcada no anticomunismo anacrônico, medíocre, nauseabundo.

Quando um saudoso dos porões do DOI-CODI quer queimar alguém com os mesmos epítetos do dicionário inquisitorial acaba lançando luz sobre a dúvida.

 Aquele ou aquela que for lançado a essa fogueira tem as virtudes que o passado carrasco não engole. Independente de sua própria timidez, de sua prudência desnecessária, quem tem contra si o ódio amargo dos torturadores e simpatizantes há de ser a melhor opção para conduzir os avanços inadiáveis.

Nestes dias tão definitivos não há meias palavras palatáveis. Ou se está no barco do amanhã ou no encouraçado do passado; ou se sonha com o Brasil justo, com oportunidades iguais para todos, indistintamente, os se insiste na pirâmide social inercial malvada, esse monumento à escravidão moderna e ao domínio social exercido por uma minoria de espoliadores do suor alheio.

O primeiro sinal de insanidade e culto à injustiça é o anátema anticomunista. O velho espectro se adiou pelas próprias mãos, mas permanece aterrorizante nos cérebros doentios enferrujados como elemento de propaganda terrorista. Tudo o que a reacionária mediocridade sabe balbuciar é a palavra que herdou do mesmo baú de onde os generais corruptos e entreguistas retiraram o seu discurso mentiroso para justificar o golpe encomendado pelos trustes do império decadente.

Mais não conseguem dizer por que o obscurantismo não tem up grade, nem recall.

Pode ser até um palavrório de pouco eco. Mas é o suficiente para consagrar o alvejado. Dizer que qualquer um desses presidenciáveis tem hoje alguma coisa a ver com o comunismo é revestir-lhe de alguma virtude. Se os caçadores de indignados vêem no vermelho dos figurinos sintomas de visão crítica tão profunda é por que, bem ou mal, esses são, sim, os verdadeiros porta-bandeiras de uma mudança que reconheça o destino comum a todos para os quais o Sol nasceu.

Os que apontam a ameaça comunista gravada em disco de vinil, na forja dos clichês, são os mais eloquentes indicadores dos melhores candidatos. Aqueles que esses  templários empedernidos crucificam, não tenha dúvida, mesmo sem incorporar os melhores sonhos, os mais legítimos sentimentos de mudança e de avanço, são os mais dignos de nossas esperanças.


De onde declaro com a segurança dos cabelos brancos: quem quiser um Brasil melhor acompanhe os alvos da histeria anticomunista, tão isolada como sintomática.

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Quem sou eu

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Jornalista desde 1961, quando foi ser repórter da ÚLTIMA HORA, PEDRO PORFÍRIO acumulou experiências em todos os segmentos da comunicação. Trabalhou também nos jornais O DIA e CORREIO DA MANHÃ, TRIBUNA DA IMPRENSA, da qual foi seu chefe de Redação, nas revistas MANCHETE, FATOS & FOTOS, dirigiu a Central Bloch de Fotonovelas. Chefiou a Reportagem da Tv Tupi, foi redator da Radio Tupi teve programa diário na RÁDIO CARIOCA. Em propaganda, trabalhou nas agências Alton, Focus e foi gerente da Canto e Mello. Foi assessor de relações públicas da ACESITA e assessor de imprensa de várias companhias teatrais. Teatrólogo, escreveu e encenou 8 peças, no período de 1973 a 1982, tendo ganho o maior prêmio da crítica com sua comédia O BOM BURGUÊS. Escreveu e publicou 7 livros, entre os quais O PODER DA RUA, O ASSASSINO DAS SEXTAS-FEIRAS e CONFISSÕES DE UM INCONFORMISTA. Foi coordenador das regiões administrativas da Zona Norte, presidente do Conselho de Contribuintes e, por duas vezes, Secretário Municipal de Desenvolvimento Social. Exerceu também mandatos em 4 legislaturas na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, sendo autor de leis de grande repercussão social.