domingo, 7 de setembro de 2014

A mancha

Acordos que entregam estatais a políticos corruptos são indefensáveis e deixam governos sem moral


Vamos e venhamos: quando um político indica alguém para uma diretoria da Petrobrás ou qualquer estatal, ou qualquer órgão operacional da administração, boa coisa não está querendo.  Não lhe inspira prestar qualquer serviço ao país ou mesmo contemplar um aliado sem segundas intenções. Isso é muito claro. Disso sabiam e sabem todos, por que todos assimilam essas situações nos mais diferentes níveis de governo e nas várias épocas de nossa historia política.

Esse tipo de concessão nos governos do PT, como antes nos governos do PSDB (quando o PMDB era o maior partido da base aliada de FHC) sempre serviu para transformar empresas públicas robustas (o orçamento da Petrobras e maior do que do Estado de São Paulo) em irresponsáveis moedas de troca. Mais dia, menos dia, a casa ia cair, por que a corrida ao ouro público se fazia sem nenhuma reserva.

Esse novo escândalo só é suspeito pela sua divulgação direcionada com a finalidade de influir no processo eleitoral. Por que todo mundo estava careca de saber do uso delituoso das indicações promovidas por políticos notoriamente desonestos, cujas práticas são do conhecimento de todos.

Mas entre os políticos de todos os partidos há um ambiente inercial de cumplicidade compensatória. Uns fazem vistas grossas para os outros e só rompem com esse comportamento quando a disputa eleitoral os libera para jogar pesado, quando há necessidade vital de explorar os podres dos adversários cujos mal feitos foram expostos em operações fora de suas agendas e ganharam o conhecimento geral.

Não sei até que ponto o envolvimento de políticos aliados pode afetar a presidenta Dilma, diante da exploração inevitável dos seus adversários, que controlam a quase totalidade da mídia.  Não sei também como os eleitores passionais de Marina, mais voláteis, receberão a notícia envolvendo o falecido Eduardo Campos. 

Em geral, seguindo uma antiga tradição, a maior parte do eleitorado prioriza outras referências para destinar o seu voto.

Se os eleitores dessem tanta bola para mal feitos que atingem candidatos por tabela, até mesmo quando estes são pegos com a mão na massa, o eleitorado de Brasília, com características bem cosmopolitas, não estaria preferindo o ex-governador José Roberto Arruda, que está léguas à frente dos concorrentes em todas as pesquisas. Não faz muito, ele foi preso por seu envolvimento filmado no chamado Mensalão do DEM. E agora, se não for barrado pela Justiça Eleitoral já pode encomendar o terno de sua posse.

Curiosamente, esse mesmo eleitorado põe na dianteira para o Senado, também com uma boa folga, o deputado Reguffe, cuja imagem é a da anticorrupção e da recusa das mordomias. 
A sabedoria popular é instigante em outras situações. O candidato é sufragado para que outro não entre, segundo a máxima DOS MALES O MENOR. Frente aos entreguistas e assalariados de banqueiros, alguém que parece menos comprometido com o retrocesso e a corrupção internacional acaba ganhando o voto útil dos eleitores que precisam de mudanças para frente e não para trás.

Isso, porém, não livra Dilma (e os demais presidenciais) de um


compromisso com a nova realidade que poderá até pregar uma peça e deixá-la a pé na estrada. Ela tem de reavaliar esse tipo de conchavo para garantir maioria parlamentar. Quando aceita essa prática afeta até mesmo a imagem institucional. Como ela não teve coragem de levar às últimas consequências seu embate com o deputado Eduardo Cunha, carimbado por mau comportamento, o dito cujo ainda aparece como o mais cotado para a Presidência da Câmara, o que tornará dramática a vida de qualquer chefe do governo. Nada andará neste país se não atender aos pleitos nada republicanos que costuma advogar.

Esse episódio da delação premiada do ex-diretor da Petrobrás se não sangrar agora vai deixar sequelas. Mais do que ganhar uma eleição, é preciso ser duro na queda, resistindo a tornar-se refém de uma poderosa maioria parlamentar viciada em chantagens inescrupulosas e  a serviço do que há de pior, pelos caminhos mais criminosos.

9 comentários:

  1. Anônimo7:59 PM

    Vamos deixar claro que não foi petismo que inventou corrupção, sendo quase impossível se conseguir poder no Brasil sem essa. Então, entre essa e morrer de fome de poder, a natureza humana mais comum já decide o que se deve fazer.
    ============


    http://veja.abril.com.br/noticia/brasil/governo-e-incapaz-de-combater-a-corrupcao-admite-ministro

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    1. Anônimo7:59 AM

      De fato não ainventaram, apenas elevaram a prática ao estado da arte.

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  2. P.Porfírio. ALIMENTO meu saudosismo. Creio que você trabalhou um curto espaço de tempo na "finada" radio Continental - Rio de Janeiro. Por volta de 1968/69. Eu era então um jovem locutor - De lá fui para Radio Tupi. Mas o que quero dizer; é que você era uma referencia intelectual para mim. Que bom revê-lo depois desses 46 anos. Quero dizer que a admiração não diminuiu, principalmente ao encontra-lo na mesma trincheira. UM GRANDE ABRAÇO, COMPANHEIRO.

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    1. Valeu, Luiz Rogério. Dê notícias.

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  3. As facções criminosas que se apropriaram da gerência no Brasil foram fomentadas pelo sistema eleitoral que permitiu e permite a diplomação de quadrilhas. Por outro lado, bastaria que o princípio da separação de poderes fosse respeitado. Assim, um parlamentar não deveria ocupar cargos no Executivo e pessoas que ocupam cargos no Judiciário e Executivos deveriam estar impedidos de se candidatarem, por uma questão de princípio, a cargos no Legislativo. Essa prática transforma o país em um prostíbulo cujas portas estão escancaradas, todavia, não há ninguém com coragem para fechar essas "portas giratórias", pelas quais circulam as facções criminosas produzidas pela impunidade de um sistema eleitoral secreto, ditatorial e cínico.

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  4. Anônimo1:43 PM

    A política está contaminada pela troca de favores e pela corrupção. E, na tentativa de se manter no poder essas situação recrudesce e independe de partidos, pois o fisiologismo é intrínseco na política.
    Acho que a reportagens da "Suja" mais é um instrumento para enfraquecer Marina e provocar estragos na Dilma. E, venho acreditar que todos os políticos citados no depoimento de Paulo Roberto estão envolvidos no esquema de corrupção e formação de caixa de campanha, pois assim se estruturam no poder.
    Mas, na verdade, e desde o início, é que existe uma forte campanha para derrubar Dilma. Não só a entrada da Marina no jogo, como essa reportagem e outras insistentemente, contra o Governo.
    A Rede Globo sempre se fez partido político. E, um concessionário de serviços públicos não pode escolher esse ou aquele, tem que atender a todos, mas a Globo está sempre a controlar a opinião para formar seu próprio espectro e, isso e fácil de se comprovar em sua folha corrida.
    Vão a todo custo tentar levar Aécio para o segundo turno.

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    1. Concordo com o comentário acima. Mas insisto em que, se reeleita, Dilma deve rever certas práticas que, na PRÁTICA, acabam minando a autoridade do seu governo. As coligações e composições são lícitas, desde que nos termos REPUBLICANOS.

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Quem sou eu

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Jornalista desde 1961, quando foi ser repórter da ÚLTIMA HORA, PEDRO PORFÍRIO acumulou experiências em todos os segmentos da comunicação. Trabalhou também nos jornais O DIA e CORREIO DA MANHÃ, TRIBUNA DA IMPRENSA, da qual foi seu chefe de Redação, nas revistas MANCHETE, FATOS & FOTOS, dirigiu a Central Bloch de Fotonovelas. Chefiou a Reportagem da Tv Tupi, foi redator da Radio Tupi teve programa diário na RÁDIO CARIOCA. Em propaganda, trabalhou nas agências Alton, Focus e foi gerente da Canto e Mello. Foi assessor de relações públicas da ACESITA e assessor de imprensa de várias companhias teatrais. Teatrólogo, escreveu e encenou 8 peças, no período de 1973 a 1982, tendo ganho o maior prêmio da crítica com sua comédia O BOM BURGUÊS. Escreveu e publicou 7 livros, entre os quais O PODER DA RUA, O ASSASSINO DAS SEXTAS-FEIRAS e CONFISSÕES DE UM INCONFORMISTA. Foi coordenador das regiões administrativas da Zona Norte, presidente do Conselho de Contribuintes e, por duas vezes, Secretário Municipal de Desenvolvimento Social. Exerceu também mandatos em 4 legislaturas na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, sendo autor de leis de grande repercussão social.