quinta-feira, 7 de agosto de 2014

As crianças de Gaza

Morticínio que custou 400 vidas infantis é o corpo de delito de um estado insano,  criminoso e incontrolável

Qual o valor da vida de uma criança em Gaza? É igual a dos seus filhos? É diferente dos filhos dos judeus de Israel? Você é pai? Você é mãe? Qual sentimento teria ao ver-se impotente, fadado tão somente a carregar uma filhinha adorada à sepultura em meio aos escombros do seu lar? Os palestinos não têm lar? É isso? Estão condenados a viverem como prisioneiros de um campo de concentração de 1,8 milhão de seres humanos, sujeitos ao extermínio programado? 
Durante quase um mês a mídia vem notificando mortes de crianças como simples estatísticas. Pareciam informações meramente aritméticas.  Não ocorria à grande maioria dos receptores desse noticiário macabro colocar-se na pele de um pai ou de uma mãe castigados pela morte de um inocente em suas mãos. Um inocente que queria apenas viver, que não tinha nada, absolutamente nada, com foguetes ou túneis.

Que já passava por uma vida amarga pela falta de água para beber, de alimentos: há exatos oito anos, desde que devolveu Gaza, o Estado de Israel bloqueia as suas saídas, impedindo a entrada de alimentos, sob o pretexto de evitar o contrabando de armas. Estas entraram: diz-se que o Hamas disparou menos de 4 mil dos 10 mil foguetes que armazenou. Pão e água, não.

Você já se deparou com filhos inocentes chorando por falta de alimentos? Tem notícia do que isso significa? Imagina que tipo de reação pode provocar uma situação dessas? Estima quantas feras feridas são forjadas por esse quadro de miséria e humilhação?

É profundamente triste que amigos judeus, alguns muito queridos, muito próximos, até quem se converteu por acaso, tenham fechado os olhos para outras crianças com os mesmos sonhos dos seus filhos. Tenham se compensado com a transferência da culpa para os patrícios das vítimas, que teriam atirado a primeira pedra.

Essas pessoas parecem carregar um trauma atávico, um componente diferente dos outros seres humanos, um diferencial étnico de alto teor corrosivo: não importa, para elas, quem terá a vida ceifada, ou melhor, qualquer um pode ser alvejado desde que não seja sangue do seu sangue, não tenha aqueles olhos azuis resplandecentes, aqueles cabelos ruivos cintilantes.

Por algumas horas, por alguns dias, alguns meses, talvez, o genocídio dos inocentes de Gaza vai ser interrompido. Não nos depararemos com lamentos hipócritas das potências como os Estados Unidos, que armam e financiam os generais e os políticos extremistas de Tel Aviv. 

Já se fazem cálculos dos custos da reconstrução – U$ 6 bilhões, pelo menos.

Irônico: se fizerem as contas, esse deve ter sido o custo bélico dos israelenses. Ou mais. Cada disparo de foguete do sofisticado sistema de defesa anti-aérea – o Domo de ferro – saiu por U$ 50 mil. Embora nem sempre tenham sido acionados (são seletivos e não buscam os que cairão em áreas desertas), estima-se que pelo menos 2 mil e 500 detonaram os do Hamas. Só nessa trincheira, US $ 125.000.000. É quase a metade da última ajuda votada pelo Senado dos EUA no dia 1 de agosto. E os quase 100 mil homens mobilizados na operação? E todo o armamento usado por terra, mar e ar?

Valeu? Esse é o único caminho para impor o Estado de Israel e as ambições sionistas de um território muito maior, conforme definiu Jeremias nas escrituras? Será que vão precisar matar outros milhares de inocentes para dar proteção aos 300 mil judeus  assentados como usurpadores na Cisjordânia?

Sejam honestos, pelo menos em relação à história. Essas batalhas que custaram quase 2 mil vidas e 10 mil feridos em menos de um mês são apenas parte de uma guerra pelo controle de uma vasta região petrolífera, como se fosse uma fatalidade bíblica, a vontade de Deus.

O próprio surgimento do Estado sionista é uma fraude, uma grande mentira que iludiu a muita gente, inclusive a Stalin, o ditador soviético que foi um dos seus padrinhos, por que, de fato, queria jogar com a migração e unir o útil ao agradável: a ideia do kibutz, fazenda coletiva que emoldurou a nova colonização tinha conotações socialistas, enquanto as grandes levas de colonos recentes vinham da Europa Oriental.

Ao contrário do que dizem por aí, não foi o livrinho de Theodor Herzl, o Estado Judeu, publicado em 1896, que mobilizou as comunidades judaicas atrás do seu lar nacional. Como escrevi em 15 de janeiro de 2009, após outro massacre, foi, sim, a descoberta do petróleo em Meca, em 1880, relatada pelo judeu lituano Eliezer Ben Yehuda, pai do hebraico moderno, que foi morar em Jerusalém em 1881, e fez chegar ao Barão de Rotshschild informações preciosas sobre os vinhedos da Galileia e sobre uso por lá da mesma substância inflamável descoberta na Pensilvânia em 1859, o petróleo.

Já em 1882 os Rothschilds e o barão Maurice de Hirsh descarregavam a primeira leva de judeus russos e poloneses que se estabeleceriam na região da Galileia com tudo pago por uma organização que se formalizaria em 1900 como a Jewish Colonization Association, uma companhia para o estabelecimento de judeus, criada na Inglaterra pelo Barão Hirsh, dedicada à infiltração programada, principalmente na baixa Galileia.

Os que bancaram a implantação dessas colônias não o fizeram como JUDEUS, mas como homens de negócios de olho no subsolo das terras de onde seu povo seguiu o destino da diáspora há dois mil anos – isto é, mil e quinhentos anos antes da colonização do Brasil e de toda a América.

CRIMINOSO DE GUERRA
Tanto como em sua origem colonial, Israel de hoje passou de cabeça de ponte dos Estados Unidos à condição de potência hegemônica, expansionista insaciável e incontrolável. A menos que o mundo vire de cabeça para baixo, o regime sionista continuará matando civis e dilacerando vidas indefesas como parte de sua própria concepção estratégica, tomada por empréstimo dos nazistas, como contou Roberto Amaral no relato sobre a Tcheco-Eslováquia ocupada, e definida sem constrangimento por seu herói Benjamin Netanyahu: "vamos tornar intolerável a vida em Gaza".

Infelizmente, essa é a triste sina dos meninos de Gaza, frente a uma violência irrefreável; é o destino trágico dos inocentes de toda a Palestina e dos territórios ambicionados por Israel. Inocentes submetidos ao mais terrível dos silêncios, o silêncio das sepulturas.

6 comentários:

  1. Anônimo8:44 AM

    Diante desse horror,mesmo assim,um grupo da bancada evangélica do congresso nacional,fez um protesto junto ao Itamaraty contra a postura do governo brasileiro,a favor de Israel,alegando entre outros motivos uma ofensa a Jesus e ao povo brasileiro,conforme noticiou o site UOL.Eu não me senti ofendido,nem acho que o Cristo também,pois foram os próprios judeus que instigaram os romanos a matá-lo.

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  2. Anônimo1:27 PM

    É terrível toda essa violência e nada justifica tanto ódio contra um povo. Ao que parece o Oriente Médio sofre toda uma usurpação de sua identidade pelas multinacionais do petróleo e pelas indústrias bélica dos EUA. Inventaram uma grande mentira para invadir o Iraque, matar Saddam Hussein e tomar seus recursos naturais. Em seguida a Líbia se vê envolvida no movimento supostamente democrático, onde Gaddafi é capturado e assassinado. No Egito a primavera árabe impões um contra golpe, em que a irmandade muçulmana de partido político eleito democraticamente, passam a perder seus direitos políticos e condenados a ilegalidade como grupo terrorista. Enfim, todo esses conflitos geram lucros as multinacionais do petróleo e militares. O que fica é saber a quem serve esses grupos Hamas, Isis, Al-Qaeda .

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Quem sou eu

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Jornalista desde 1961, quando foi ser repórter da ÚLTIMA HORA, PEDRO PORFÍRIO acumulou experiências em todos os segmentos da comunicação. Trabalhou também nos jornais O DIA e CORREIO DA MANHÃ, TRIBUNA DA IMPRENSA, da qual foi seu chefe de Redação, nas revistas MANCHETE, FATOS & FOTOS, dirigiu a Central Bloch de Fotonovelas. Chefiou a Reportagem da Tv Tupi, foi redator da Radio Tupi teve programa diário na RÁDIO CARIOCA. Em propaganda, trabalhou nas agências Alton, Focus e foi gerente da Canto e Mello. Foi assessor de relações públicas da ACESITA e assessor de imprensa de várias companhias teatrais. Teatrólogo, escreveu e encenou 8 peças, no período de 1973 a 1982, tendo ganho o maior prêmio da crítica com sua comédia O BOM BURGUÊS. Escreveu e publicou 7 livros, entre os quais O PODER DA RUA, O ASSASSINO DAS SEXTAS-FEIRAS e CONFISSÕES DE UM INCONFORMISTA. Foi coordenador das regiões administrativas da Zona Norte, presidente do Conselho de Contribuintes e, por duas vezes, Secretário Municipal de Desenvolvimento Social. Exerceu também mandatos em 4 legislaturas na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, sendo autor de leis de grande repercussão social.