domingo, 3 de agosto de 2014

Arrogância como arma de guerra

Com o massacre de Gaza, Israel despreza a opinião pública e sinaliza opção por guerra expansionista


Ao defender o massacre de Gaza, o comediante
Vendo um povo de gênios
norte-americano Bill Maher definiu um conceito que expõe o alcance do projeto ideológico da superioridade étnica predominante em Israel, onde 87% da população apóiam as operações bélicas de corpo e alma:

"Os judeus têm 155 Prêmios Nobel. Os muçulmanos têm dois. Isso parece uma espécie de grande vantagem para a equipe hebraica".

Este tipo de posicionamento está na raiz do sentimento de superioridade racial que hoje inspira segmentos hegemônicos das comunidades judaicas e dá suporte às ações genocidas em Gaza, numa internalização de símbolos dos seus algozes nazistas, o que tem assustado até a sionistas convictos, como Roger Cohen, que expressou essa preocupação no New York Times há alguns dias:

"O que não posso aceitar, no entanto, é a perversão do sionismo que tem visto o crescimento inexorável de um nacionalismo israelense messiânico reivindicando toda a terra entre o Mar Mediterrâneo e o Rio Jordão; que, durante quase meio século, produziu a opressão sistemática de outro povo na Cisjordânia; que levou à expansão constante dos assentamentos israelenses; que isola os palestinos moderados em nome de dividir para reinar; que persegue políticas que tornam impossível continuar a ser um Estado judeu e democrático; que busca vantagem tática ao invés do avanço estratégico de uma paz baseada em dois Estados; que bloqueia Gaza com 1,8 milhão de pessoas trancadas em sua prisão e depois é surpreendido pelas erupções periódicas dos detentos; e que responde de forma desproporcional ao atacar de uma forma que mata centenas de crianças".

Há uma estreita ligação ideológica entre orgulhar-se da "liderança" de judeus no Nobel e a arrogância com que Israel reagiu à atitude corajosa da presidenta Dilma Rousseff, que condenou os massacres recentes com atos concretos, seguida por outros países indignados. Mandar um funcionário do quarto escalão polemizar com a chefe de Estado do Brasil com insultos grosseiros reflete a convicção de Israel de que o Brasil é titica diante da superioridade emanada de um "Estado superior", inflado por uma estratégia colonial que visa o domínio total e absoluto de toda uma região rica em petróleo.   

A arrogância é uma perigosa opção de natureza compensatória, mas é também um calculado posicionamento destinado a informar ao mundo que Israel não está nem aí para a opinião pública internacional, para a ONU e até para Washington.  É como se estivesse mandando um recado sugerindo a existência de um esquema autônomo para dar continuidade ao projeto expansionista da conquista de novas áreas com vistas ao aumento da população israelense. Esquema que tem poderes inclusive sobre os Estados Unidos, que continuam derramando milhões de dólares nos subsídios de guerra ao aliado: na sexta-feira, dia 1, o Congresso norte-americano aprovou por unanimidade um reforço de mais U$ 325 milhões para gastos militares de Tel Aviv.

Essa arrogância calculada se fez sentir mais uma vez neste domingo, dia 3, quando uma terceira escola da ONU foi bombardeada, obrigando o secretário geral da ONU e o governo norte-americano a encenarem reprovações para o consumo da opinião pública.
O mais chocante é que a popularidade de Netanyahu em Israel e nas comunidades judaicas articuladas aumenta na proporção do maior número de vítimas civis entre os palestinos. 
Em sintonia com o massacre, sionistas ocupam as redes sociais de todo o mundo com um bombardeio de postagens destinadas a dar cobertura ao que consideram atos de legítima defesa.  Isto é, apesar de algumas vozes discordantes, é com orgulho e determinação que os apoiadores assumem suas próprias trincheiras de comunicação, indicando o longo alcance dos objetivos do Estado de Israel.

Essa arrogância é responsável por um balanço que pode mudar a cada instante: Até este domingo, o número de mortos em Gaza desde o início da ofensiva chegou a 1.737 e o de feridos a 9.080, segundo Ashraf al Qidra, porta-voz do Ministério da Saúde. Na Faixa de Gaza, mais de 520 mil pessoas foram desalojadas, mais de um quarto da população local (1,7 milhão).

Do lado israelense, 63 soldados e dois civis foram mortos. No último sábado (2), o premier israelense Benjamin Netanyahu afirmou que a ofensiva na faixa de Gaza continuará pelo tempo que for necessário. "Vamos continuar a operação até o objetivo ser atingido", declarou.

Influência irresistível opera apoios

“The Israel lobby”, dos professores
John Mearsheimer e Stephen Walt fez
 estremecer a atuação da ADL nos
 Estados Unidos,com a tese de que
muitos políticos de origem judaica
 têm sido mais fiéis a Israel que ao

 próprio país onde moram e atuam.
Israel está montado num poderoso lobby espalhado pelo mundo, especialmente nos Estados Unidos, onde, apesar de representar menos de 3% da população, tem poder decisório, conforme expressou o cientista político Benjamin Ginsberg, professor da Johns Hopkins University:

"Desde os anos 60 que os judeus têm exercido considerável influência na vida americana nos ramos econômico, cultural e político. Os judeus representaram um papel principal nas finanças americanas durante os anos 80, e eles estiveram entre os principais beneficiários dessa década de fusões e reorganizações comuns. Atualmente, apesar de pouco mais de dois por cento da população nacional ser judaica, perto de metade dos bilionários são judeus. Os diretores de três das maiores redes de comunicações televisivas e quatro dos maiores estúdios de cinema são judeus, assim como os donos da maior cadeia nacional de jornais e do mais influente jornal, o New York Times... Os cargos e a influência dos judeus na política americana são igualmente marcantes..."

Hamas surgiu com apoio de Israel

Israel está chegando ao ápice de sua ambição expansionista e de sua revanche existencial dentro de uma farsa que ele mesmo criou, até chegar à transformação de Gaza no grande laboratório de guerra e no maior campo de concentração da história, em que todos os habitantes são prisioneiros, com o controle oficial de acesso a tudo, inclusive à água e à energia elétrica: hoje, segundo Ana Echevenguá, advogada ambientalista e jornalista, presidente do Instituto Eco&ação e da academia Livre das Águas, cada palestino tem acesso a 30 litros de água por dia, contra 350 dos israelenses: "antes de devolver (apenas simbolicamente) a Faixa de Gaza, Israel destruiu os recursos hídricos da região".

Curiosamente, embora se tente ocultar, foi o próprio regime sionista que apostou numa "direita religiosa islâmica" para dominar a região. É o que afirma Ishaan Tharoor, no The Washington Post, revelando que o grupo Hamas deve sua existência ao apoio que recebeu de Tel Aviv para minar o Fatah de Iasser Arafat:

"Israel começou a apoiar o clérigo Sheikh Yassin, que montou uma ampla rede de escolas, clínicas e biblioteca. Yassin formou o grupo islâmico al-Islamiya Mujama, oficialmente reconhecido pelo governo israelense como uma instituição de caridade e, em seguida, em 1979, como uma associação. O país também aprovou a criação da Universidade Islâmica de Gaza, que agora considera como um viveiro da militância. A universidade foi um dos primeiros alvos atingidos pelos aviões israelenses na Operação Chumbo Fundido, em 2008.

O grupo Mujama se tornaria o Hamas. Israel prendeu Yassin em 1984, condenando-o a uma sentença de 12 anos após a descoberta de esconderijos de armas, mas ele foi libertado um ano depois. Na época, os israelenses deveriam estar mais preocupados com outros inimigos".

O Hamas não é nenhum reduto de heróis, mas um partido religioso que se tornou importante politicamente por causa das condições subumanas dos palestinos de Gaza, aos quais não resta outra alternativa senão fazer coro às catarses armadas. O grupo é o braço palestino da Irmandade Muçulmana do Egito e tem estreitas ligações com o Qatar e a Turquia: na guerra civil síria, como o Al Qaeda, colaborou com os sunitas radicais da Arábia Saudita e com as potências ocidentais (Israel junto) na tentativa de derrubar o governo da coalizão encabeçada por Bashar Al-Assad.

Por conta da ofensiva israelense, começa a recompor-se e a recuperar a simpatia de outros países islâmicos, como o Irã, resolvendo um problema interno: com o acordo de aproximação com o Fatah,  assinado em 23 de abril, havia concordado em ceder tudo ao grupo rival, inclusive o controle da Faixa de Gaza em troca do pagamento dos salários dos seus 40 mil funcionários. Esse acordo, aliás, também foi bombardeado por Tel Aviv,  que aposta nos confrontos entre palestinos. 

Em outras palavras, nada está acontecendo por acaso. Seus motivos são visíveis. O que não se sabe é onde isso vai chegar.


Vereador do PT agride quem pede fim dos bombardeios em passeata sionista


RELATO DE O GLOBO:

A manifestação foi pacífica, mas teve lampejos de tensão. Um dos organizadores pediu que a terapeuta Umaia Ismail guardasse um cartaz contrário às mortes de crianças palestinas, segundo ele, para evitar “pontos polêmicos”. Em outro momento, o vereador Marcelo Arar (PT) rasgou o cartaz do estudante Miguel Tornatolsky, onde estava estampado um apelo pelo fim da ocupação israelense.

— Existe uma parcela judaica contra a ofensiva de Israel. A organização nos deu total apoio para expressarmos a nossa opinião, mas, infelizmente, há pessoas intolerantes no protesto — destacou Tornatolsky, alegando que o vereador, que também é judeu, arranhou suas mãos e agrediu um amigo dele. 

Arar confirmou ter retirado o cartaz mas negou qualquer tipo de agressão:

— Não foi a ação de um político, fui guiado pelo calor do momento, mas não agredi ninguém.

Na rua página no faceboook, o vereador que faz parte da atuante facção  sionista do PT junto com Carlos Minc e outros menos cotados, postou o seguinte comentário:


Lamentavelmente, hoje, na Praia de Copacabana, três jovens inconsequentes estavam na frente do Ato Pela Paz A Favor de Israel, segurando cartazes com os irresponsáveis e absurdos dizeres: “A paz em Gaza só acaba quando Israel fizer a desocupação. Abaixo à Islãmofobia e fora o Netanyahu”. Não tive alternativa e a minha reação impulsiva e natural foi de rasgar os cartazes com os venais dizeres que atacavam Israel.

3 comentários:

  1. Jileno Sandes.11:08 AM

    Hoje a influência de Israel sobre os Estados Unidos é tão grande, que não sabemos, quem coloniza quem.
    Quanto ao vereador, só temos a lastimar por sua ação radical.

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  2. Os Racistas Judeus que dizem na maior cara de pau que são " o povo eleito" por Deus, mas mesmo assim, os alemães e que são "racistas"!

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  3. "Pedrinho" Porfirio, tu é mesmo um Coxinha Socialista vivento no luxo aí no meio da floresta onde moram só Coxinhas Marxistas metidos a comunas como você! Divide a tua mansão com os pobres, "Padrinho"!

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Quem sou eu

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Jornalista desde 1961, quando foi ser repórter da ÚLTIMA HORA, PEDRO PORFÍRIO acumulou experiências em todos os segmentos da comunicação. Trabalhou também nos jornais O DIA e CORREIO DA MANHÃ, TRIBUNA DA IMPRENSA, da qual foi seu chefe de Redação, nas revistas MANCHETE, FATOS & FOTOS, dirigiu a Central Bloch de Fotonovelas. Chefiou a Reportagem da Tv Tupi, foi redator da Radio Tupi teve programa diário na RÁDIO CARIOCA. Em propaganda, trabalhou nas agências Alton, Focus e foi gerente da Canto e Mello. Foi assessor de relações públicas da ACESITA e assessor de imprensa de várias companhias teatrais. Teatrólogo, escreveu e encenou 8 peças, no período de 1973 a 1982, tendo ganho o maior prêmio da crítica com sua comédia O BOM BURGUÊS. Escreveu e publicou 7 livros, entre os quais O PODER DA RUA, O ASSASSINO DAS SEXTAS-FEIRAS e CONFISSÕES DE UM INCONFORMISTA. Foi coordenador das regiões administrativas da Zona Norte, presidente do Conselho de Contribuintes e, por duas vezes, Secretário Municipal de Desenvolvimento Social. Exerceu também mandatos em 4 legislaturas na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, sendo autor de leis de grande repercussão social.