segunda-feira, 7 de julho de 2014

Votar pra quê? Pra quê votar?

De lambança em lambança políticos que traem a própria sombra levam o povo perder a confiança no voto

Como a política é o altar da traição e como os episódios do Rio de Janeiro mostram que essa vocação passou de todos os limites imagináveis, vou dar algumas horas para opinar sobre a mais grotesca calça arriada que já testemunhei nesses 71 anos de vida – o pezão na bunda do PDT, obra de dom Picciani, o manda-chuva do PMDB, que deixou os últimos sobreviventes da outrora pujante nação brizolista num mato sem cachorro. 
Para cumprir "acordo" bancado por Aécio Neves, o candidato real da súcia cabralista, Dom Picciani tentou enquadrar o PDT, que havia lançado a candidatura de Carlos Lupi ao Senado, criando embaraços para o Cesar Maia, do DEM (PFL) e fazendo os gostos do prefeito Eduardo Paes, que, embora tenha saído do útero do seu antecessor, como este proclama, era até semana passada seu inimigo visceral, e agora já voltou a  sentar no seu colo,  tudo para cumprir as ordens do seu Cabral, o ingrato que traiu Garotinho e que teve durante sete anos casa, comida e roupa lavada do Lula e da Dilma: nunca rolou tanta grana federal por aqui,  permitindo até brincadeiras de mau gosto, como gastar um bilhão e pico na demolição de um elevado que era a mão na roda de quem atravessava a cidade sem passar pela muvuca do centro.


Por enquanto, fico apenas com nojo de alguns pedetistas que, mesmo apanhando de cabo a rabo, disseram que vão continuar apoiando o Pezão, provavelmente por conta de uma calda presa que deve penetrar reto adentro.

O mais pusilânime dessa turminha sem vergonha, sem auto-estima e sem o mínimo de dignidade é um rapaz de Niterói que tem um estranho apego às sinecuras do Cabral e que se esvaiu em lágrimas ao saber que perdera a vaguinha de vice do Pezão. Sem possibilidade de disputar eleição para deputado, que não está fácil pra ninguém, ele se propôs a ser o Sancho Pança do Pezão e foi lá com ele, na no primeiro "corpo a corpinho" da campanha, no figurino de anão político, pedir pelo amor de Deus para continuar apanhando, mas sem perder as boquinhas jamais.

Expulso da chapa branca Pezão-Aécio, Felipe Peixoto foi
 pedir arrego ao candidato do Cabral.
Não é a primeira vez que esse rapaz demonstra falta de dignidade. Candidato a prefeito de Niterói por que Jorge Roberto estava mal na fita,  chegou ao segundo turno contra o adversário do PT.  Embora os dois partidos estivessem no mesmo saco de gatos do Cabral e de sua máquina irresistível, o governador de então tomou partido do petista, foi fazer campanha para ele, conseguiu algumas pepitas e ajudou a derrotar o agora ex-futuro vice do Pezão.

Apesar disso, no dia seguinte à derrota, o rapaz se apresentou ao Palácio Guanabara pedindo para voltar ao comando de uma Secretaria de  Estado, com a conversa de que o pleito de Niterói já eram águas passadas. E que mágoas não pagam dívidas.

Agora o anão político fez pior. Recusou ser candidato a qualquer coisa para ajudar o PDT, inclusive a governador, e abandonou os correligionários humilhados e espezinhados à própria sorte, ou melhor, ao próprio azar.

Contra o voto obrigatório

Em meio a essas cenas de novela mexicana, o jornal O DIA divulgou pesquisa incontestável: seis em cada dez eleitores fluminenses consideram que o voto deve ser facultativo. Só 34% acham que deve continuar obrigatório.

Isso quer dizer que o povo está perdendo totalmente a confiança nos governantes e prefere abrir mão do seu direito de escolha, direito que, aliás, é outra balela. Ganha quem tenha bala na agulha, ou melhor, grana no cofre e apoio das máquinas oficiais, e fim de papo. Dê uma olhada nos nossos parlamentares e veja quem é quem.

Até mesmo a decisão majoritária do STF de considerar inconstitucionais as doações das empresas aos candidatos que alugam seus mandatos foi para o brejo. O poderoso ministro Gilmar Mendes, o mesmo que acaba de garantir a volta ao Ministério Público do senador cassado Demóstenes Torres, cúmplice do Carlinhos Cachoeira, decidiu sentar em cima da decisão com um pedido de vistas, embora, em tese, por que por ali é tudo em tese, a matéria já foi decidida por maioria.

Nesse ambiente de total desrespeito e cinismo canalha, eu já começo a me perguntar: não seria a hora de considerar a opinião da maioria e deixar que essas corjas provem do fel da indiferença? Já que tudo se resolve na base dos conchavos, das negociatas e dos interesses pessoais de cada político, por que o povo tem de legitimar essa farsa?


A bem da verdade, ainda estou no limbo da dúvida atroz e aberto a conselhos. Mas, neste exato momento, a menos que me convençam do contrário, acho que o voto NÃO, nulo, pode ser a verdadeira revolução capaz de deixar esses político da mão grande num isolamento emblemático e de provocar mais do que uma reforma política: este país precisa mesmo é de uma REFORMA DO ESTADO.

Um comentário:

  1. Jileno Sandes.11:38 AM

    A minha dúvida é cruel.
    O que fazer com o meu voto, quando as opções são tão cruéis?
    Anular? Não votar? Fazer o voto útil? Para quem tem um pingo de vergonha o momento é muito ruim.

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Quem sou eu

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Jornalista desde 1961, quando foi ser repórter da ÚLTIMA HORA, PEDRO PORFÍRIO acumulou experiências em todos os segmentos da comunicação. Trabalhou também nos jornais O DIA e CORREIO DA MANHÃ, TRIBUNA DA IMPRENSA, da qual foi seu chefe de Redação, nas revistas MANCHETE, FATOS & FOTOS, dirigiu a Central Bloch de Fotonovelas. Chefiou a Reportagem da Tv Tupi, foi redator da Radio Tupi teve programa diário na RÁDIO CARIOCA. Em propaganda, trabalhou nas agências Alton, Focus e foi gerente da Canto e Mello. Foi assessor de relações públicas da ACESITA e assessor de imprensa de várias companhias teatrais. Teatrólogo, escreveu e encenou 8 peças, no período de 1973 a 1982, tendo ganho o maior prêmio da crítica com sua comédia O BOM BURGUÊS. Escreveu e publicou 7 livros, entre os quais O PODER DA RUA, O ASSASSINO DAS SEXTAS-FEIRAS e CONFISSÕES DE UM INCONFORMISTA. Foi coordenador das regiões administrativas da Zona Norte, presidente do Conselho de Contribuintes e, por duas vezes, Secretário Municipal de Desenvolvimento Social. Exerceu também mandatos em 4 legislaturas na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, sendo autor de leis de grande repercussão social.