domingo, 20 de julho de 2014

Quanta hipocrisia

Aécio cala diante de irregularidades na contratação de   médicos brasileiros terceirizados por "cooperativas" e "OS"

Há mais de 30 mil profissionais da saúde terceirizados por "cooperativas" e "Organizações Sociais" em conflito com a própria Constituição. E Aécio não só cala. É um dos responsáveis por este sistema..

Quanta hipocrisia: os médicos cubanos estão no Brasil, como em outros 70 países, através de um convênio intermediado pela Organização Mundial da Saúde e firmado entre dois Estados soberanos. Mal comparando, o contrato se assemelha aos de empresas que fornecem mão de obra terceirizada, pela qual recebem determinados valores e remuneram  muitas vezes por um terço do faturado, a seu critério.

É curioso que os críticos do convênio com Cuba, que põe o dedo na ferida pútrida da medicina pecuniária, também não se posicionem  contra os cálculos dos contratos terceirizados, principalmente das organizações que burlam as leis trabalhistas. E calam, em muitos casos, por que sempre rola uma propina gorda nessa forma de dispor de mão de obra.

Na área da saúde, mesmo, os governos de São Paulo e de outros Estados contratam milhares de profissionais terceirizados através de empresas, das chamadas "OS", organizações sociais e "cooperativas" criadas para tornar a terceirização protegida do rigor da legislação social e da exigência constitucional de concursos públicos.

Aécio Neves pensa que o povo é desmiolado como ele.  Tem alguma moral para criticar o convênio internacional entre Estados soberanos se cala solenemente diante da farra das terceirizações e das burlas das leis trabalhistas praticadas por grandes esquemas, tanto na área pública como privada?
O mais grave é sua pretensão de interferir nos assuntos internos de outro país. A natureza da relação entre o governo e os cubanos envolvidos no programa vitorioso é prerrogativa deles. Nenhum país tem o direito de impor regras e relações sociais a outros.
Esse era o quadro antes do programa
Mais Médicos.
Clique no gráfico para ampliá-lo
O certo seria que não precisássemos trazer médicos de fora para atender aos brasileiros de rincões distantes, onde a indústria de saúde não consegue auferir tanto lucro como nas grandes cidades. O certo seria que não houvesse tanta disparidade entre o número de médicos em Brasília, mais de 4 por mil habitantes, e do Maranhão, com menos de 1.

Mas embora tenhamos cerca de 40 faculdades públicas de medicina, onde cada aluno custa aos cidadãos mais de 1 milhão de reais, poucos deles são os que se sentem obrigados a retribuir o dinheiro gasto para a sua formação.

Há um projeto no Senado de autoria de Cristovam Buarque prevendo dois anos de serviços n o interior para os recém-formados.  Esse projeto não anda por que o lobby da medicina mercantil fala grosso e os senadores são uns vacilões, em sua quase totalidade.

Todo mundo sabe que, antes de pensar nos estrangeiros, o governo federal fez várias tentativas de motivar jovens médicos brasileiros. Houve uma prefeitura do Maranhão que ofereceu R$ 35 mil de remuneração para um ortopedista. E só conseguiu contratá-lo fora do Estado.

Isso o Aécio não questiona. Por que o que ele menos se preocupa é com a sorte do povo brasileiro. Ele nunca precisou de um atendimento público, não sabe o que é bom pra tosse. É mais um carreirista que faz qualquer acordo para ganhar uma eleição.

Acordo como esse, que promete mandar os cubanos de volta por que eles estão praticando uma medicina inteligente, preventiva, modesta e eficiente. Que abala os tentáculos do monstro criado pelo complexo industrial-financeiro que aufere lucros exorbitantes, segundo os padrões da medicina de mercado..

9 comentários:

  1. Anônimo4:13 AM

    É isso, toda vez que se acha que petismo faz alguma bandalheira, pode-se ir atrás que achará o mesmo acontecendo por culpa do lado. Basta dizer que a bandalheira da tercerização no serviço público, nas empreiteiras sempre foi a praxe, foi FHC. Além do petismo não ter criatividade para criar bandalheira nova, tudo que FHC fez de bandalheira o petismo não mais como fazer diferente

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  2. Jileno Sandes.11:01 AM

    O que me doei e o que me roei é a inercia do Governo, que em um ano eleitoral não combate esse tipo de comportamento e procedimento desse grupo, o mais radical e mais comprometido com tudo que é contra o povo pobre do mundo.

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  3. Há muito tempo venho me referir aos médicos (a maioria) brasileiros pelo mercantilismo que aplicam a população. O SUS não atende paciente ele repassa recursos para o atendimento e quando alguém se refere a negligência dizem que é o SUS. Os médicos das grandes cidades receitam drogas de laboratórios para aumentar o faturamento destes com passagens e estadias a título de congressos no exterior. Tive um amigo médico, o saudoso Dr. Marcos que residia em BH e o seu primeiro congresso foi em CUBA incentivado por mim, eu havia participado de um congresso na área econômica lá, e depois participou de mais dois e tudo com suas custas, nenhum laboratório deu alguma ajuda e foi lá nesses congressos que ele se inspirou em se formar em Mestrado e depois dois PHDs. Doutor sim como são os médicos cubanos no Brasil. As OS estão tirando dinheiro do SUS para os bolsos de espertalhões como o do senhor Aécio e sua quadrilha. Parabéns pela matéria.

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  4. Paulo Gianinni11:27 AM

    Acredito que nas próximas eleições, o eleitor trabalhador e honesto do Brasil irá demonstrar com o seu voto, o repúdio as mentiras da burguesia hipócrita brasileira.

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  5. Sérgio Amorim1:56 PM

    O pior é que o povo brasileiro não tem para onde correr. Esses três que estão na frente da corrida eleitoral são farinha do mesmo saco. O passado deles poderia fazer a diferença. Mas, premidos pela legislação eleitoral e pelo espírito de sacanagem que domina o povo brasileiro, discípulo natural da Lei de Gérson, no momento das eleições se unem até ao demônio, em busca de votos. Também, se não o fizerem, não são eleitos; fica apenas o discurso.

    E, após as eleições, por força delas, as coalizões se tornam cegas para o anseio popular. Às favas com os compromissos assumidos com o povo. O importante é honrar os compromissos assumidos com os seus pares. E cargos são distribuídos.

    A festa da distribuição dos cargos não esconde a briga pela sua ocupação. Longe de ser por vaidade que Fulano ou Sicrano quer ser ministro disso ou daquilo ou secretário ou subassessor do subacessado! Tudo se justifica pelo orçamento da pasta, do cargo, da seção, etc.
    E se sucede um festival de benesses aos amigos, em cascata. Assim se cumprem as alianças. Não é estranho nossos ridículos níveis de índices sociais. Eles não preocupam os governantes, São apenas um detalhe. E servem de combustível para distribuir migalhas ao povo, satisfeito com muito pouco.
    No plano do Estado do Rio de Janeiro, melhor sorte não nos acode. Cabral, digo, Pezão, Garotinho, Lindberg e Crivella (argh!), em que diferem? Uns são ladrões antigos, quase aposentados, voltando (voltando?) à atividade; outros permanecem em estado de roubo; e há ainda os que, não satisfeitos de roubarem almas e dinheiro de seus pobres fiéis, pretendem ampliar o horizonte de sua roubalheira.

    Antes perdêssemos de 7 X 1 só no futebol. Perdemos, todo dia, na política de 7000 X 0. E quase ninguém chia!

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Quem sou eu

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Jornalista desde 1961, quando foi ser repórter da ÚLTIMA HORA, PEDRO PORFÍRIO acumulou experiências em todos os segmentos da comunicação. Trabalhou também nos jornais O DIA e CORREIO DA MANHÃ, TRIBUNA DA IMPRENSA, da qual foi seu chefe de Redação, nas revistas MANCHETE, FATOS & FOTOS, dirigiu a Central Bloch de Fotonovelas. Chefiou a Reportagem da Tv Tupi, foi redator da Radio Tupi teve programa diário na RÁDIO CARIOCA. Em propaganda, trabalhou nas agências Alton, Focus e foi gerente da Canto e Mello. Foi assessor de relações públicas da ACESITA e assessor de imprensa de várias companhias teatrais. Teatrólogo, escreveu e encenou 8 peças, no período de 1973 a 1982, tendo ganho o maior prêmio da crítica com sua comédia O BOM BURGUÊS. Escreveu e publicou 7 livros, entre os quais O PODER DA RUA, O ASSASSINO DAS SEXTAS-FEIRAS e CONFISSÕES DE UM INCONFORMISTA. Foi coordenador das regiões administrativas da Zona Norte, presidente do Conselho de Contribuintes e, por duas vezes, Secretário Municipal de Desenvolvimento Social. Exerceu também mandatos em 4 legislaturas na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, sendo autor de leis de grande repercussão social.