sexta-feira, 4 de julho de 2014

Por que as Forças Armadas de hoje defendem a ditadura?

ROBERTO AMARAL

Ao negar a tortura, nossa oficialidade permanece ligada ao seu pior passado e se revela despreparada para o papel que lhes reserva a democracia.

Os comandantes do Exército, da Marinha e da Aeronáutica, respondendo a pedido de informações da Comissão Nacional da Verdade, declararam, em três relatórios, autônomos mas aparentemente escritos pelo mesmo redator, que não houve desvio de finalidade no uso de instalações militares durante a ditadura. Uma de duas: ou a declaração, pronunciamento oficial atendendo a pedido oficial de informações, é simplesmente cínica (portanto institucionalmente inaceitável), ou, pior ainda, é a aterradora confissão de que as torturas e os assassinatos não são considerados ‘desvio de finalidade’. Por uma razão muito simples: até as pedras do deserto sabem que houve tortura e assassinatos contra perseguidos políticos da ditadura. Torturas, assassinatos, ocultação de cadáveres levados a cabo em dependências do Exército, da Marinha e da Aeronáutica.

Para refrescar a memória dos desmemoriados, cito, entre dezenas, três sítios militares do Rio de Janeiro nos quais a tortura e o assassinato de presos campeou: a Ilha das Flores, a Base Aérea do Galeão e a Polícia do Exército, o famigerado quartel da rua Barão de Mesquita nº 425, na Tijuca. Neste, entre outros, sequestrado, espancado, torturado até o último vagido e, afinal, empalado, morreu, assim assassinado, o meu amigo Mário Alves de Sousa Vieira, dirigente do Partido Comunista Brasileiro Revolucionário. Deixou de gemer no dia 17 de janeiro de 1970, ano da graça do tricampeonato e do ‘Pra frente Brasil’, do ‘milagre econômico’ e da regência do general Médici, o presidente luciferino que (dizia ele) descansava ao final do dia ouvindo as sempre boas notícias do Jornal Nacional da Rede Globo então (isto é muitos anos antes da autocrítica) a emissora oficial do regime.

Antígona moderna, Dilma Alves, a companheira de Mário, não teve o direito de enterrar o marido. Até hoje – passados 44 anos! –sua família e seus amigos aguardam o corpo que lhes é devido.

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2 comentários:

  1. Prezado Porfírio
    Há 50 anos o Brasil não forma verdadeiros MILITARES para as nossas FFAA. Forma MILICANALHAS. Jovens que ao sair das Academias Militares aprendem que Movimentos Sociais é coisa de "CUMUNISTA". Que o golpe MILICANALHA de 1964 foi CONTRAGOLPE, pois Jango ia dar um golpe "cumunista" e outras MENTIRAS já historicamente comprovadas. Os oficiais generais da época são TRAIDORES DO POVO BRASILEIRO e alguns aceitaram SUBORNO (em US$), milhões e milhões para TRAIR seu juramento de fidelidade à CONSTITUIÇÃO. Esse é o BANDO DE CANALHAS CORRUPTOS que até hoje "canta de galo" no Brasil com a cumplicidade do PODER JUDICIÁRIO, que é tão ou mais CORROMPIDO que os MILICANALHAS golpistas. Enquanto não forem DENUNCIADOS e exemplarmente PUNIDOS o Brasil corre o risco de um "revival", pois os ATUAIS oficiais das nossas FFAA são, por formação, TÃO CANALHAS quanto os golpistas de 1964.
    Abração
    Castor
    Enquanto houver um único MILICANALHA haverá golpe militar

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    1. É isso Aí, Castor. Mais do que uma reforma política, precisamos de uma reforma do Estado que seja mais condizente com a realidade de hoje. Que acabe com algumas redundâncias, como o Senado, e que racionalize as ferramentas de defesa nacional.

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Jornalista desde 1961, quando foi ser repórter da ÚLTIMA HORA, PEDRO PORFÍRIO acumulou experiências em todos os segmentos da comunicação. Trabalhou também nos jornais O DIA e CORREIO DA MANHÃ, TRIBUNA DA IMPRENSA, da qual foi seu chefe de Redação, nas revistas MANCHETE, FATOS & FOTOS, dirigiu a Central Bloch de Fotonovelas. Chefiou a Reportagem da Tv Tupi, foi redator da Radio Tupi teve programa diário na RÁDIO CARIOCA. Em propaganda, trabalhou nas agências Alton, Focus e foi gerente da Canto e Mello. Foi assessor de relações públicas da ACESITA e assessor de imprensa de várias companhias teatrais. Teatrólogo, escreveu e encenou 8 peças, no período de 1973 a 1982, tendo ganho o maior prêmio da crítica com sua comédia O BOM BURGUÊS. Escreveu e publicou 7 livros, entre os quais O PODER DA RUA, O ASSASSINO DAS SEXTAS-FEIRAS e CONFISSÕES DE UM INCONFORMISTA. Foi coordenador das regiões administrativas da Zona Norte, presidente do Conselho de Contribuintes e, por duas vezes, Secretário Municipal de Desenvolvimento Social. Exerceu também mandatos em 4 legislaturas na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, sendo autor de leis de grande repercussão social.