domingo, 22 de junho de 2014

No ataque contra direita e fisiológicos

Lindbergh e Romário unidos levam amigos a sugerirem que Cabral saia de campo para fugir da goleada
 
Tendo o líder socialista histórico Roberto Amaral como fiador, a frente progressista unirá Lindbergh e Romário num ataque  com grandes chances de vitória.
Uma inesperada aliança entre Lindbergh Farias, do PT, e Romário, do PSB, abriu caminho para a união do chamado campo popular no Estado do Rio, provocando, de imediato, uma baixa no esquemão de Sérgio Cabral Filho: o próprio está sendo aconselhado publicamente a desistir de sua candidatura a senador, ante o vexame de uma acachapante derrota para o ex-craque, que tem um grande potencial de crescimento e quase nenhuma rejeição, devido à sua atuação corajosa e independente como deputado federal. Essa aliança foi possível por que Jandira Feghali, do PC do B, abriu mão de sua postulação a senadora e  o ex-pedetista Miro Teixeira desistiu de ser candidato a governador. Vivaldo Barbosa, um dos líderes do Movimento de Resistência Leonel Brizola, que se filiou ao PSB, vai atrair o eleitorado brizolista histórico, como suplente de Romário. Nessa composição, Lindbergh terá Roberto Rocco, do PV, como vice: o cargo havia sido oferecido ao PDT, mas Carlos Lupi preferiu os encantos da máquina do Cabral.
O acordo de caráter regional foi assimilado pelas direções do PT, de Dilma Rousseff, e do PSB, de Eduardo Campos. Ambas consideram que haverá como harmonizar o confronto a nível nacional, até por que os dois partidos estiveram juntos no governo federal por onze longos anos. E o presidenciável socialista está tendo que engolir opções contraditórias de suas bases: em São Paulo, o PSB dará Márcio França como vice do tucano Geraldo Alckmin.

Na convenção do PSB fluminense,  Roberto Amaral, vice-presidente nacional, esteve presente para levar seu apoio à dobradinha Lindbergh/Romário. "No Rio a ideia foi unificar todas as forças progressistas para deter forças da direita". Lindbergh já tinha fechado coligação com o PC do B e o PV. "Os partidos de esquerda estão unidos no Rio e, com a candidatura de Romário, contribuímos para aproximar a esquerda do povo", disse Amaral. Há uma expectativa de que uma frente suprapartidária injete mais energia nessa composição.

Para os petistas, essa articulação foi também uma resposta à decisão de Sérgio Cabral Filho de mandar seus aliados fechar com Aécio Neves, num movimento denominado "Aezão", isso como forma de levar Dilma a forçar a retirada da candidatura do seu correligionário.

Cabral aconselhado a sair fora

A sugestão para que Cabral caia fora da disputa ao Senado partiu de vários íntimos, inclusive o presidente do PMDB, Jorge Picciani que, por sua vez, desistiu de ser o coordenador da campanha de Pezão, sob pretexto de que voltará a disputar um cargo de deputado, juntamente com seus dois filhos.

Segundo Fernando Molica, colunista do jornal O DIA, o próprio marqueteiro do ex-governador, Renato Pereira, defende a imediata retirada de sua candidatura ao Senado, trocando por uma cadeira na Câmara Federal, onde há 45 vagas em disputa. Já o secretário de governo Wilson Carlos vai mais longe: ele deveria "descansar sua imagem" para eventualmente disputar a prefeitura do Rio em 2016. Nesse caso, o atual senador Francisco Dorneles, do PP e um dos cabeças do "Aezão" voltaria ao páreo.

Todos os analistas são unânimes em apostar que, com essa aliança, Lindbergh irá para o segundo turno e Romário será imbatível para o Senado.

Até agora, os quatro principais candidatos a governadores têm chances, segundo esses analistas. Embora tenham sido protagonistas dos maiores embates até agora, Pezão e Lindbergh não são os favoritos. Pesquisa Ibope encomendada pela Federação das Indústrias do Rio de Janeiro(Firjan), realizada entre 7 e 11 de junho, mostra o pré-candidatodo PR, o ex-governador Anthony Garotinho, na liderança, com 18% das intenções de voto. O senador e ex-ministro Marcelo Crivella (PRB) tem 16%. Pezão tem 13% e Lindbergh, 11%. Em quinto aparece o ex-prefeito Cesar Maia (DEM), com 8%. MiroTeixeira (PROS) e Tarcísio Motta (PSOL) tiveram 1% cada. 


Na tarde de quinta-feira, Miro abriu mão da pré-candidatura aogoverno e, em carta à direção do PROS, disse que não havia “ambiente” para uma coligação com o PSB. O diretório local do partido de Eduardo Campos resistia à aliança, alegando que a pré-candidatura de Miro não decolou, o que ameaçaria a campanhados deputados da sigla. Após a desistência de Miro, o diretório estadual do PT no Rio anunciou aliança com o PSB. Convenção realizada sexta-feira que confirmou a candidatura de Lindbergh também aprovou a candidatura do deputado Romário (PSB) aoSenado na chapa do petista.


Apesar de todas as atenções deliberadamente atraídas para os jogos da Copa do Mundo, as articulações prometem novas surpresas,  até porque  Estado o Rio, com 12 milhões de eleitores, vai ter um peso decisivo na disputa presidencial. E o PSDB local evaporou-se: fez sua convenção estadual também no sábado e deixou de indicar candidato a governador por diagnosticada inanição.   

Reencontro inesquecível

Estive lá na convenção do PSB, a convite do vereador Rubens Andrade, secretário geral do Diretório Municipal do partido.

Foi bom, por que encontrei companheiros de velhas lutas, que se mantêm firmes e fortes nas mesmas trincheiras de sempre.  Foi muito emocionante, para mim, reencontrar a figura legendária de Vladimir Palmeira, o grande líder das manifestações estudantis de 1968, que hoje está filado ao PSB, depois de uma longa militância no PT e um período em que ele preferiu ficar fora de tudo. Só por ter reencontrado-o com a coerência de sempre valeu ter ido lá. 

2 comentários:

  1. ELISA BRUM4:39 PM

    DOIS LUTADORES, VLADIMIR FOI MEU CONTEMPORÂNEO NO CURSO DE CIÊNCIAS POLÍTICAS E SOCIAIS DA UFRJ. BOM SABER QUE CONTINUAMOS TODOS NA LUTA!

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  2. Jileno Sandes.12:52 PM

    Romário como neopolítico é um dos melhores dessa safra.
    Com ele ganga a candidatura do Lindbergh.

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Quem sou eu

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Jornalista desde 1961, quando foi ser repórter da ÚLTIMA HORA, PEDRO PORFÍRIO acumulou experiências em todos os segmentos da comunicação. Trabalhou também nos jornais O DIA e CORREIO DA MANHÃ, TRIBUNA DA IMPRENSA, da qual foi seu chefe de Redação, nas revistas MANCHETE, FATOS & FOTOS, dirigiu a Central Bloch de Fotonovelas. Chefiou a Reportagem da Tv Tupi, foi redator da Radio Tupi teve programa diário na RÁDIO CARIOCA. Em propaganda, trabalhou nas agências Alton, Focus e foi gerente da Canto e Mello. Foi assessor de relações públicas da ACESITA e assessor de imprensa de várias companhias teatrais. Teatrólogo, escreveu e encenou 8 peças, no período de 1973 a 1982, tendo ganho o maior prêmio da crítica com sua comédia O BOM BURGUÊS. Escreveu e publicou 7 livros, entre os quais O PODER DA RUA, O ASSASSINO DAS SEXTAS-FEIRAS e CONFISSÕES DE UM INCONFORMISTA. Foi coordenador das regiões administrativas da Zona Norte, presidente do Conselho de Contribuintes e, por duas vezes, Secretário Municipal de Desenvolvimento Social. Exerceu também mandatos em 4 legislaturas na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, sendo autor de leis de grande repercussão social.