segunda-feira, 23 de junho de 2014

Bacanal à moda da casa

Aécio amarra aliança do PSDB e DEM com Pezão em troca de apoio de Cabral e do PMDB no Rio
Foi a surpresa menos surpreendente desta novela rocambolesca que se desenrola como pano de fundo desse porre que nos enche de bola quase o dia todo. Era um capítulo já escrito de que só não sabia o Carlos Lupi (ou sabia?) e os apegados aos penduricalhos do governo estadual do PDT, partido que emprestará a legenda de Leonel de Moura Brizola à aliança mais cristalizada da direita no Estado do Rio, capaz de receber as bênçãos, os afagos e a ajuda do Olavo de Carvalho, Rodrigo Constantino e da burguesia picareta, a mesma que ia investir na Copa do Mundo e deixou as despesas penduradas em nossa conta.

Sérgio Cabral Filho, o campeão absoluto de rejeição, precisava de uma saída honrosa pra entregar a toalha e recolher-se a uma fortaleza eletrificada, onde se refugiaram seus "compadres" Eike Batista e Fernando Cavendish. 

Cabral já saiu do governo no início do ano por que não conseguia mais botar o pé na rua. E queria tirar o seu Pezão mandado da sarjeta do ostracismo.

Até acreditou na memória fraca da plebe ignara, mas depois viu que ele fez tantas poucas e boas que não havia uma criança que não  quisesse vê-lo pelas costas. Principalmente aqueles, como o adolescente de Manguinhos, a quem destratou e humilhou, ma frente do Lula, como se tivesse o rei na barriga.

Precisava também tirar a máscara sobre seu retorno ao ninho tucano depois da morte de Marcello Alencar, de quem se serviu do bom e do melhor, e depois traiu, no final do seu governo, quando viu que não ia ter nenhum dividendo com a privatização da CEDAE, que acabou abortada, como também abortou a privatização do Maracanã naquela época.

Não o move nessa manobra de formal adesão ao "Aezão", nada senão o olho gordo. Existe é uma baita articulação sistêmica, digamos assim, para evitar que Dilma Rousseff faça um segundo governo, agora mais calejada, já sabendo que tem bala na agulha para avançar. A turma da pesada, sejam as empresas sugadoras das tetas públicas, sejam os políticos padrão Eduardo Cunha, que existem aos borbotões, faz qualquer maracutaia para derrotar à teimosa que, explicitamente, deu um chega pra lá nos malfeitos dos próprios correligionários e aliados.

Cabralzinho ficou órfão de pai e mãe com a debacle dos dois empresários "irmãozinhos" e isso teve implicações também com suas conexões junto aos salões da corte, onde meia dúzia de empreiteiros têm acesso instantâneo aos palácios e singram em águas mansas e próprias para a pesca.

Há uma insatisfação explícita da quadrilha que privatizou o Erário diante das exigências saneadoras da Dilma.  Ela não pode ouvir falar em obras superfaturadas ou tráfico de influência que, comprovadas, manda investigar, doa em quem doer, para o desespero dos autores das emendas parlamentares e dos governadores que fazem a festa com tais subterfúgios legislativos. Não era assim que a banda tocava antes. E se continuar por mais um governo, os paraísos fiscais vão começar a se queixar da falta de freguês.

Mas no Estado do Rio o PSDB ficou mau das pernas desde quando Marcello Alencar perdeu a mobilidade e foi transformado numa figura decorativa de um partido em que ele era o único elo com a alma fluminense. O tucanato aqui se reduz a exatos dois gatos pingados, que ainda tiveram a insanidade de inviabilizar a carreira de uma vereadora guerreira, mas de opinião própria, que se decepcionou e voltou para casa.

Já o DEM (nome envergonhado do PFL) também lambeu com a dissidência puxada por Eduardo Paes, aquele cujas mãos seriam alvejadas se você disparasse sobre a virilha do Cesar Maia. O atual prefeito, reconheçamos, é carne de pescoço, obstinado e tem jogo de cintura desde que não tenha de ceder mais da conta, da sua conta, é claro. De mal com o Cesar, seu pai político, tratou de arrebanhar a própria grei e não precisou ir muito longe: quando o ex-todo poderoso  caiu do cavalo e o antigo pupilo se fez homem, correu todo mundo para o seu sovaco, até os que jejuavam pela saúde do ex-chefe.

A cata de intermediário a qualquer preço

O Estado do Rio de Janeiro é o terceiro colégio eleitoral do país, com 12 milhões de eleitores. Em 2010, Serra já havia levado uma surra, ficando em terceiro, atrás de Marina. E daí para cá, o tucanato evaporou-se de vez: até o Zito, o ex-rei da Baixada, também perdeu a majestade.

A coisa ficou tão sinistra que o PSDB fez sábado sua convenção e decidiu não decidir nada.  Não tinha mesmo o que decidir por suas próprias pernas.

Foi então que Aécio mexeu seus pauzinhos e chamou Cabral, Picciani e Cesar Maia ao seu apartamento de Copacabana.  Sim, o mineiro pode não ter eleitores aqui, mas patrimônio imobiliário, isso ele esbanja. 

Numa manhã dominical em que a brisa fria soprava do mar, o tucano não precisou de  muita lábia para trazer Cesar Maia para o seu ninho, abrindo uma saída honrosa para o pré-derrotado Sérgio Cabral e, mais uma vez, mandando para escanteio o senador Francisco Dorneles,  que vem a ser sobrinho de Tancredo e, reconheçamos, foi um parlamentar competente, principalmente na luta pelos royalties do petróleo.  Na véspera dos 80 anos, que fará em janeiro, ele está surpreendendo os amigos por aceitar tudo calado, mas enfim, como disse o Eduardo Paes, essa reunião que selou a nova aliança, com os encômios  e as pepitas da direita mais rancorosa, não há quem escape a um bacanal, principalmente se isso tem cheiro de poder.

O resultado desse capítulo, em resumo, é que está formada a cadeia de direita mais explícita desses anos abomináveis e agora Dilma não tem mais por que ficar fazendo que acredita na lábia do Pezão. Se até o Eduardo Paes vai ter que distribuir santinhos do Cesar Maia, seu odiado ex-amor, não há como ficar fazendo de conta que não sabe de nada.
Essa leniência com maquinações sórdidas pode parecer covardia. 
E, para terminar por hoje, é preciso desmascarar de vez duas obras de ficção: o excesso do tempo de tv e o palanque local.  Numa campanha em que se disputa a Presidência da República, tudo o mais gira em torno. São os candidatos locais que precisam dos sorrisos dos presidenciáveis. Além disso, tevê demais enche o saco do telespectador - todo mundo sabe disso. É assim tão nociva como tevê de menos, que não dá tempo para dar o recado.


Pezão abre o Jogo: fará campanha também para Aécio Neves


Candidato do PMDB ao governo do Rio, o governador Luiz Fernando Pezão admitiu pela primeira vez nesta segunda-feira que abrirá seu palanque no estado para o senador Aécio Neves, que concorrerá à Presidência da República pelo PSDB. Até então, Pezão sustentava que iria pedir votos exclusivamente para a reeleição da presidente Dilma Rousseff, do PT. O peemedebista oficializou a chapa para as eleições majoritárias do estado com o apoio de DEM, PPS e PSDB. Ele apresentou ainda o ex-prefeito Cesar Maia (DEM) como indicado a disputar a vaga no Senado em sua chapa nas eleições de outubro. O ato fortalece o movimento “Aezão”, criado por peemedebistas fluminenses para pedir votos a Aécio e Pezão.
— Não fomos nós que rompemos a aliança. O PT participou do governo durante sete anos e três meses. Antes, tinha duas prefeituras. Agora, tem onze. Tem o vice-prefeito da cidade do Rio. Tem um senador eleito na nossa aliança (Lindbergh), e rompeu essa aliança depois de sete anos e três meses e abriu essa possibilidade ter outros palanques em nossa coligação — afirmou Pezão para, em seguida, reforçar:

— Tenho o maior carinho pela presidente Dilma. Nós sabemos que na política há esse dinamismo. Meu palanque no Rio de Janeiro vai ser com os três candidatos — disse ele, referindo-se a Aécio, Dilma e pastor Everaldo (PSC), outro candidato à Presidência.

Presente ao evento, o ex-prefeito Cesar Maia revelou que o início das conversas entre o PMDB e o DEM foram iniciadas pelo prefeito Eduardo Paes, que, por sua vez, acusou a aliança de ser um "bacanal eleitoral". Segundo Cesar, Paes procurou o seu filho, deputado federal Rodrigo Maia, para propor uma aliança entre os partidos nas eleições proporcionais. Cesar Maia, no entanto, lembrou que o apoio a Pezão foi consequência de conversas lideradas por Aécio Neves. Perguntado sobre a declaração polêmica de Eduardo Paes, o ex-prefeito ironizou:

— É natural. Ele saiu do meu útero — disse, em uma referência ao fato de ser o padrinho político de Eduardo Paes.


O ex-prefeito explicou que o objetivo de aceitar ser candidato ao Senado foi, em primeiro lugar, fazer uma coligação que reforce, no Rio, a candidatura de Aécio Neves.


PS - Em 2012, Cesar Maia lançou o filho Rodrigo candidato a prefeito do Rio em aliança com Garotinho, que indicou a filha como vice, só para bater em Eduardo Paes. Este foi reeleito no primeiro turno com 2.097.733 (64,60%) dos votos. Já o filho de Cesar Maia teve 95.328 votos (2,94%).


2 comentários:

  1. Anônimo10:58 PM

    isso e uma brigadeira de gato e rato quem fica nau e o povo democracia so para eles

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  2. Jileno Sandes,6:20 PM

    Isso não é um palanque, é sim uma réplica mal feita da Arca de Noé.
    Como reagirão os seus componentes quando as águas do dilúvio eleitoral baixarem?

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Quem sou eu

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Jornalista desde 1961, quando foi ser repórter da ÚLTIMA HORA, PEDRO PORFÍRIO acumulou experiências em todos os segmentos da comunicação. Trabalhou também nos jornais O DIA e CORREIO DA MANHÃ, TRIBUNA DA IMPRENSA, da qual foi seu chefe de Redação, nas revistas MANCHETE, FATOS & FOTOS, dirigiu a Central Bloch de Fotonovelas. Chefiou a Reportagem da Tv Tupi, foi redator da Radio Tupi teve programa diário na RÁDIO CARIOCA. Em propaganda, trabalhou nas agências Alton, Focus e foi gerente da Canto e Mello. Foi assessor de relações públicas da ACESITA e assessor de imprensa de várias companhias teatrais. Teatrólogo, escreveu e encenou 8 peças, no período de 1973 a 1982, tendo ganho o maior prêmio da crítica com sua comédia O BOM BURGUÊS. Escreveu e publicou 7 livros, entre os quais O PODER DA RUA, O ASSASSINO DAS SEXTAS-FEIRAS e CONFISSÕES DE UM INCONFORMISTA. Foi coordenador das regiões administrativas da Zona Norte, presidente do Conselho de Contribuintes e, por duas vezes, Secretário Municipal de Desenvolvimento Social. Exerceu também mandatos em 4 legislaturas na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, sendo autor de leis de grande repercussão social.