domingo, 29 de junho de 2014

A Costa Rica que desconhecemos

Com 4,3 milhões de habitantes, ocupa o primeiro lugar no mundo no índice de população mais feliz e o primeiro da AL em desempenho ambiental
Foto da reportagem do jornal português PÚBLICO, editada em dezembro passado

"Já faz mais de 60 anos que a Costa Rica não tem exército próprio. Cerca de 20% do território são parques nacionais e áreas protegidas.  Os cardápios são bilingues em muitos restaurantes. Muitos falam inglês. Possuem moeda própria, o Colon, mas o USD é aceito em diversos lugares, sendo possível até sacar no caixa eletrônico.  É um país lindo, onde se pode ir do atlântico até o pacifico em algumas horas. Cheio de praias bonitas, florestas, vida selvagem e vulcões. Um destino com turismo bem desenvolvido. Não é em qualquer lugar do mundo que se pode parar um carro, comprar uma galinha para jogar para crocodilos em baixo da ponte. Fácil de viajar, recebem milhares de turistas em busca dos “animais exóticos”  ou do turismo de aventura. Cheio de coisas para fazer, mas nem tantas para se viver".
Site Saíporaí

Mesmo se a seleção de futebol da Costa Rica não passar das oitavas de final nesta copa  (pelas campanhas na primeira fase é favorita no jogo de hoje contra a Grécia), ela já terá dado visibilidade a uma autêntica "civilização", graças à qual  os costa-riquenhos são o povo mais feliz do planeta, de acordo com o Happy Planet Index. “Parece algo tirado da lista de desejos da música Imagine de John Lennon”, como escreveu a revista Diplomat.

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Na discrição de uma vida tranquila numa área historicamente envolvida em conflitos e golpes militares, este país centro-americano de apenas 51 mil K² e uma população de 4 milhões 301 mil habitantes, deve seu progresso e sua estabilidade a uma decisão tomada há 65 anos, ano de sua atual Constituição:

Na manhã de 1 de Dezembro de 1948, o Presidente, José Figueres Ferrer, declarava “oficialmente dissolvido o Exército Nacional, por considerar suficiente para a segurança do país a existência de um bom corpo de polícia.”  Nesse dia, o Exército Regular da Costa Rica (…) entregou a chave do seu Quartel General para transformar-se em escola, providência tomada em todas as demais guarnições.
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Bem antes de Cuba declarar-se território livre do analfabetismo em 1962, o país que se recusa até hoje a ter Forças Armadas já havia chegado a índices educacionais relevantes e hoje apenas 3% de sua população é de analfabetos. Seu IDH é melhor do que o do Brasil (0,773 contra 0,730) e próximo de Cuba (0,780), Uruguai (0,792), Argentina (0,811) e Chile (0,819). E tem a maior expectativa de vida da América Latina: 78,8 anos (dados de 2009), seguida por Cuba (78,6) e Chile (78,5). Nesse levantamento do Banco  Mundial, o Brasil está em 14º, com 72,3.

Segundo reportagem do site Público, de Portugal, o segredo dos avanços da Costa Rica está na inexistência de gastos militares. "O investigador do Instituto de Ciências Sociais (ICS) Andrés Malamud sintetiza os ganhos que a Costa Rica obteve nas últimas décadas: “Em contraste com a maioria da América Central, não teve mais guerras civis e, em contraste com a maioria da América Latina, não teve mais golpes de Estado.”

"Para além disso, a falta de forças armadas permitiu que os orçamentos para a educação e para a saúde fossem mais generosos. Não é por acaso que a Costa Rica é conhecida como a Suíça da América Latina. A esperança média de vida tem um valor quase nipônico, de 78 anos, e a taxa de alfabetização é de 96,3%, valores que fariam corar muitos países europeus".

 Uma vitória emblemática

Desculpem, mas eu fiquei muito feliz com a vitória da Costa Rica num jogo em que o juiz australiano Benjamin Williams favoreceu ostensivamente a Grécia: deixou de marcar um pênalti claro (o zagueiro defendeu com o braço) e expulsou um zagueiro costarriquenho (segundo amarelo, num lance que não daria cartão). Agora, só falta fazerem o que fizeram quando a Costa Rica derrotou a Itália: chamaram sete jogadores da modesta equipe centro-americana para o exame antidoping. Minha alegria está em que subestimam os "pequenos" e não aceitam que eles possam derrotar os donos do mundo, numa área em que se disputa muito mais negócio do que futebol.Para o seu conhecimento, eis ao lado  a ficha dos atletas daquele pequeno país de 4,3 milhões de habitantes, por acaso à frente do índice mundial de satisfação com a vida. 

Um comentário:

  1. Essa eu não sabia: foi postada na minha página do Facebook:
    Cesar Augusto Molenda
    Lá não é permitido andar em pé nos ônibus e muito menos não se paga passagens

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Quem sou eu

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Jornalista desde 1961, quando foi ser repórter da ÚLTIMA HORA, PEDRO PORFÍRIO acumulou experiências em todos os segmentos da comunicação. Trabalhou também nos jornais O DIA e CORREIO DA MANHÃ, TRIBUNA DA IMPRENSA, da qual foi seu chefe de Redação, nas revistas MANCHETE, FATOS & FOTOS, dirigiu a Central Bloch de Fotonovelas. Chefiou a Reportagem da Tv Tupi, foi redator da Radio Tupi teve programa diário na RÁDIO CARIOCA. Em propaganda, trabalhou nas agências Alton, Focus e foi gerente da Canto e Mello. Foi assessor de relações públicas da ACESITA e assessor de imprensa de várias companhias teatrais. Teatrólogo, escreveu e encenou 8 peças, no período de 1973 a 1982, tendo ganho o maior prêmio da crítica com sua comédia O BOM BURGUÊS. Escreveu e publicou 7 livros, entre os quais O PODER DA RUA, O ASSASSINO DAS SEXTAS-FEIRAS e CONFISSÕES DE UM INCONFORMISTA. Foi coordenador das regiões administrativas da Zona Norte, presidente do Conselho de Contribuintes e, por duas vezes, Secretário Municipal de Desenvolvimento Social. Exerceu também mandatos em 4 legislaturas na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, sendo autor de leis de grande repercussão social.