sábado, 26 de abril de 2014

Guerra suja e nauseabunda

Manipulação de investigação mostra que não há limite ético para quem quer trazer a direita de volta

"Vou continuar respeitando meus adversários sem qualquer clima de baixaria. E dizer aos meus adversários que não tenho medo de cara feia, arrogância, injúrias. Se tivesse medo, não teria implantado o "Mais Médicos" no Brasil."
Alexandre Padilha, ex-ministro da Saúde.

A manchete do jornal O GLOBO desta sexta-feira, 25 de abril, mostra a má fé de uma campanha desonesta, indigna e perigosamente mal intencionada: ela procura induzir o leitor a concluir que o ex-ministro da Saúde, Alexandre Padilha, teria ligações comprometedoras com o doleiro Alberto Youssef, pois seria dele a indicação de um executivo para o laboratório Labogen, do dito cujo, como se, através dele,  este delinquente esperasse fazer grandes negócios com o Ministério da Saúde.

Padilha indicou
Executivo para
Doleiro, apura PF

Qual leitor terá o discernimento para entender a má fé dessa manchete de encomenda? Se quisesse ser ao mínimo razoável na manipulação de uma peça isolada das investigações, teria escrito pelo menos assim:

PF apura se
Padilha indicou
Executivo a doleiro

Mas nem isso seria suficiente para descaracterizar o propósito de confundir os seus leitores, cada vez mais vulneráveis às maquinações de uma mídia oligopolista e de comportamento absolutamente anti-jornalístico. Mídia que, infelizmente, perdeu o recato e a noção do razoável, aproveitando-se do domínio absoluto do sistema de comunicação formal e recorrendo aos mesmos ardis da velha e conhecida imprensa marrom.

Essa matéria surgiu de mais um factóide com o qual a Polícia Federal também transforma cada investigação num irresponsável jogo sujo de queimação de pessoas citadas, de forma incidental e inconsistente, sem qualquer conexão com as apurações a partir do fio da sua meada e sem que desdobramentos ultrapassem ilações provisórias. Por motivações típicas da personalidade policial, o que poderia ser um trabalho sério ganha uma espetacularidade suspeita, aética e ruinosa. É como não se buscasse esclarecer os fatos, mas usar parte deles com intenções demolidoras, conectadas a um esquema corrosivo, e até mesmo para criar um mito corporativo com alto poder de pressão.

No caso, o deputado André Vargas, um traficante de influências como a quase totalidade dos seus pares e ímpares, teria completado uma frase com a deliberada  citação do nome  do então ministro,  com o presumível objetivo de botar banca e mostrar força e no círculo do poder.

A frase, extraída de 270 mensagens trocadas entre o deputado André Vargas e o doleiro, no dia 28 de novembro,  é a seguinte:

"Sexta ele estará aí. Dá o número do celular e fala que é Marcos, estará em São Paulo no dia seguinte ou segunda e que foi o Padilha que indicou". (Este texto em si já é confuso).

Essas palavras finais (foi Padilha que indicou) parecem gratuitas, por que essa frase já não consta da primeira informação, a principal, num torpedo do dia 27 de novembro:

- Vargas diz: "Achei o executivo".
- Youssef responde: "Ótimo, traga ele para nos reunirmos e contratarmos".

Temos claramente que Youssef faria a contratação apenas pelo executivo ter sido encontrado e indicado por deputado amigo, independente de qualquer outro elemento de referência. Padilha teria entrado nesse papo como Pilatos entrou no Credo.

Quando digo gratuitas, não estou insinuando que foi obra dos investigadores. Apenas que a citação do nome de Padilha não caberia mais na mensagem, tendo em vista resposta definitiva do doleiro, à primeira mensagem do deputado, de 27 de novembro, um dia antes, da mensagem em que o nome do ex-ministro aparece meio "enxertado":

 - "Ótimo, traga ele para nos reunirmos e contratarmos".
A manipulação deliberada desse diálogo de terceiros, sem qualquer necessidade e sem qualquer tipo de nexo casual consistente, saiu do âmbito de uma investigação séria e respeitável para converter-se numa peça política destinada a pesar em um outro contexto, o da disputa eleitoral para o governo do Estado de São Paulo, onde os tucanos, reinantes há quase duas décadas, estão na berlinda por causa, isto sim, do comprovado envolvimento nas negociatas de compras superfaturadas para o Metrô e para a companhia ferroviária.
Da mesma forma que o delegado dessa investigação vasa peças isoladas que se prestam a outras finalidades que não a do inquérito é lícito colocar esse policial sob suspeita de que teria "prestado serviço" aos tucanos em São Paulo, onde o ex-ministro da Saúde tem tudo para desbancá-los, da mesma forma que o então desconhecido Fernando Haddad, sem o seu protagonismo,  vnceu  o presidenciável duas vezes derrotado José Serra para a Prefeitura de São Paulo.

Essa manipulação de algumas palavras gratuitas não tenta alvejar apenas o candidato  petista ao governo paulista.  Ela faz parte de uma concatenada estratégia midiática, que visa solapar a credibilidade da presidente Dilma Rousseff, com amplas possibilidades de ser reeleita ainda no primeiro turno.

E expõe a má fé como arma escolhida pela direita para derrubar Dilma, Lula, PT e aliados e colocar à frente do governo federal alguém que seja mais identificado com as ambições mais apetitosas e os discursos reacionários do sistema internacional.

Não estou dizendo que esse governo aí seja de esquerda. Está longe de confrontos como os corajosos posicionamentos dos governos da Venezuela, Equador, Bolívia e Nicarágua. E é muito mais "prudente" do que os governos da Argentina e Uruguai. É até mesmo, de certa forma, muito mais conveniente para elites econômicas, que ainda são os maiores poderes sobre o Estado, por sua capilaridade e por sua mística junto às máquinas sociais que controla.
Não estou dizendo que o governo Dilma é de inocentes e noviças. Poder é poder e o cachimbo faz a boca torta. 
O seu passivo é muito maior do que teria direito no contexto de governabilidade viciado e torpe, essa necessidade compulsória e compulsiva de juntar-se a picaretas como condição de sobrevivência a seus golpes imorais.

Mas há atitudes da presidente Dilma, tanto quanto seu antecessor, que ferem incisivamente os dogmas do sistema internacional, principalmente sua política externa e a determinação de trazer médicos cubanos, com sua visão não mercantil da saúde, que já estão encantando as populações atendidas onde antes sequer havia um charlatão. O sucesso desse programa é uma ameaça para as elites mercantis de  médicos formados às custas do nosso dinheiro e que depois saem das faculdades públicas para o mais delirante exercício da medicina comercial, sem devolver um níquel à sociedade que pagou seus estudos.

É por estar entendendo a natureza do confronto atual que me inclino cada vez mais não apenas a votar em Dilma, como também a fazer campanha para ela. Até por que ela eu conheço e sei de sua honestidade e do seu respeito pelos valores maiores que apaixonaram nossas gerações.

Para mim, uma coisa está claramente resolvida em minha cabeça: tudo, qualquer coisa,  menos a volta do pior da direita, que é capaz de tudo, como foi de assassinar o coronel que há um mês confessou os crimes da repressão e ainda podia ter muito mais nos computadores que foram levados.

Deixar de considerar todo esse ambiente é um erro em que nenhum brasileiro progressista pode incorrer.

7 comentários:

  1. Anônimo8:10 PM

    O que Padilha precisa deixar claro é essa raça paulista de petista que quer melar sua candidatura nunca produziu m que preste para nobre missão, o que obrigou Lula trazê-lo lá do interior da Amazônia para se projetar no cenário nacional, deixando milhares de ribeirinhos morrerem por falta de médico

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  2. Anônimo9:00 PM

    Quanto mais, a Grande Mídia Amestrada (que defende os interesses do "Império Mundial", para poder manter suas vantagens) injuria o Padilha, mais eu fico convicto de votar nele.
    Por pior que seja, o PT ainda é o "menos pior" dos partidos do nosso Patropí.

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  3. Paulo Gianinni2:05 PM

    Nunca é tarde para se fazer uma REVISÃO, de forma justa e transparente de todos os Poderes do nosso país, incluindo a Igreja e a Imprensa escrita, falada e televisionada.

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  4. Jileno Sandes.6:42 PM

    Corajosa, honesta e isenta de qualquer interesse, o sua análise mostra o desespero e a má fé dos "homens que destruíram o Brasil".
    Eles não querem o nosso bem, querem os nossos bens e o poder para mal fazer.

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Quem sou eu

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Jornalista desde 1961, quando foi ser repórter da ÚLTIMA HORA, PEDRO PORFÍRIO acumulou experiências em todos os segmentos da comunicação. Trabalhou também nos jornais O DIA e CORREIO DA MANHÃ, TRIBUNA DA IMPRENSA, da qual foi seu chefe de Redação, nas revistas MANCHETE, FATOS & FOTOS, dirigiu a Central Bloch de Fotonovelas. Chefiou a Reportagem da Tv Tupi, foi redator da Radio Tupi teve programa diário na RÁDIO CARIOCA. Em propaganda, trabalhou nas agências Alton, Focus e foi gerente da Canto e Mello. Foi assessor de relações públicas da ACESITA e assessor de imprensa de várias companhias teatrais. Teatrólogo, escreveu e encenou 8 peças, no período de 1973 a 1982, tendo ganho o maior prêmio da crítica com sua comédia O BOM BURGUÊS. Escreveu e publicou 7 livros, entre os quais O PODER DA RUA, O ASSASSINO DAS SEXTAS-FEIRAS e CONFISSÕES DE UM INCONFORMISTA. Foi coordenador das regiões administrativas da Zona Norte, presidente do Conselho de Contribuintes e, por duas vezes, Secretário Municipal de Desenvolvimento Social. Exerceu também mandatos em 4 legislaturas na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, sendo autor de leis de grande repercussão social.