quarta-feira, 30 de abril de 2014

Fogo amigo e chumbo grosso inimigo

Indignidades acirram adversários e mostram mau caráter de quem quer tirar proveito da dúvida
O festival de indignidades para minar a presidenta Dilma Rousseff continua a todo vapor, como nunca se viu neste país. É orquestrado com tanta gana que ofende a inteligência cidadã, já agastada com a falta de recato e ética de quem quer por que quer trazer a direita de volta ao poder para uma nova dilapidação entreguista e privatizante, numa ofensiva de terra arrasada destinada a repor o país na esfera da mais subserviente obediência aos donos do mundo. Uma ofensiva que tem como alvo mais visível a transformação da Petrobrás na sonhada Petrobrax urdida no tucanato das privatarias de mão beijada.

Os estrategistas dessa artilharia de demolição não são amadores.  Eles fazem parte de uma tropa de choque da pesada, com passagem pelas mais sofisticadas escolas de engenharia política da central do poder.  São cobras criadas e dão um banho nos vetustos fabricantes de ditadores militares, arquivados pela fina flor do gangsterismo internacional. E contam com todo o ouro necessário, por que, mesmo na timidez do jogo de cintura, este governo pelo qual não morro de amores negou-se a cumprir todas as ordens e ainda desafiou quando se uniu a outros na ruptura do bloqueio criminoso contra o povo indomável do território livre de América, a ilha invicta.  

Independente dos altos lucros registrados pelo Itaú e pelo Bradesco, o que lhes garante uma segura zona de conforto, mesmo com algumas concessões temerárias, como os leilões do petróleo descoberto pela Petrobras, esse governo assusta muito mais pelo que pode fazer, pelo que pode ser, do que pelo que faz hoje na assimilação  de um modelo de governabilidade de superfície, deteriorado, chantageado, dispensando a mobilização das massas e anuindo políticas compensatórias de pernas curtas, alienantes e conservantes de uma pirâmide social intocável.

Relação fraterna com Cuba invicta: pecado mortal
O fogo cruzado alcança todo tipo de alvo. A uma palavra sincera da presidenta, como sobre o carinho dos médicos cubanos pelas populações atendidas, correm ávidos a ouriçar os brasileiros, cujas elites mercantis já estão engajadas de malas e bagagens no complô pela reserva do rendoso mercado da saúde. Elites que um dia serão apenadas pela deliberada desfiguração do sistema público, cuja deficiência é a maior indutora de fregueses das seguradoras privadas, que hoje cobram os tubos de 40 milhões de brasileiros e não oferecem coisa melhor, obrigando consultas meteóricas e degenerando profissionais mal remunerados, que recorrem aos ardis dos exames terceirizados para completar a renda.

E não fica só nisso. Não precisa ser nem especialista para usar uma classe política primária, que transforma mandatos em picaretas reluzentes, que se elege a custa de rios de dinheiro e só vê o poder público como mina para financiar  a carreira de cada um. Classe contaminada por atitudes indecorosas, que é capaz de qualquer farsa para tirar proveito próprio.

Não é outro o objetivo dos propagadores do "volta Lula", mais que um "fogo amigo", uma encomenda sob medida dos "inimigos".  Quem entra nessa não quer garantir a continuidade, mas solapar na mão grande e, com isso, favorecer os adversários dos quais devem estar ganhando brindes.

Ou então estão mordidos por que não tiveram chances de maiores estripulias e querem um arrego qualquer, uma promessa de casa, comida e roupa lavada para já.  Querem vantagens para parar de tumultuar e, como Dilma arranjou problemas com seu estilo frontal, sem rodeios, logo ali no altar-mor da hipocrisia,  a "turma do deixa disso" vai aparecer querendo que ela faça um cafuné nessa raça sem escrúpulos, doida para mamar em qualquer teta.

O jogo sujo é tão verminoso que uma pesquisa sobre a queda dos índices da presidenta é apresentada como motivo de otimismo na Bolsa de Valores, como se os especuladores estivessem sonhando com uma época de manipulação, responsável por tantas desgraças pessoais. Aos leitores desavisados apontam esse faroeste financeiro como termômetro do sentimento nacional, uma balela: antes do governo do PT, o IBOVESPA jamais chegou a 20 mil pontos, as ações eram subfaturadas e não refletiam os patrimônios negociados. Hoje, quando baixa a 35 mil pontos, como em 2009, acende o alerta de quadro crítico.

Mas a "bala de prata" da articulação de direita é a distorção previsível na cobertura da  CPI da Petrobras. Concentrar o foco no seu espetáculo e pinçar qualquer assertiva que atinja a candidatura de Dilma vai ser a grande tarefa dos contratados para a tentativa do retrocesso. 

Porque, sem dúvida, o que menos querem esses matreiros é esclarecer qualquer mal feito de alguns baronetes que tenha acontecido por baixo dos panos numa empresa de tamanho porte, cujo orçamento é maior do que o do Estado de São Paulo.

Há todas as possibilidades de consequências para essa fornalha forjada em ouro e prata. Pode minar, sim, por que a articulação é dosada com ingredientes venenosos. Pode por que há muito improviso e rareia preparo na fortaleza ameaçada.

Mas como o amanhã a Deus pertence, o caráter palanqueal da exploração dos erros e falhas pontuais é de sustentação duvidosa. E tem um forte componente de vulnerabilidade.

Mais importante do que toda essa trama manipulada será a saliência dos ganhos sociais evidentes, um momento fértil em termos de empregos e oportunidades e a perspectiva de alguma evolução de políticas limitadamente compensatórias para aberturas de acessos ao conhecimento e à sobrevivência digna com o suor do próprio rosto.

Esses dias de pressões e vacilações podem ensinar outros caminhos a quem, como  se posiciona Dilma Rousseff de ontem e de hoje, ainda é o que podemos contar para os avanços corajosos que o processo social impõe.  

7 comentários:

  1. Anônimo9:34 PM

    Esta eleição será uma GUERRA SÓRDIDA elaborada pela "Mídia Amestrada" da Casa Grande Brasileira, aculturada e dependente da Big House Anglo-Americana, que quer um governo totalmente entreguista, para ficar com o nosso PETRÓLEO e demais riquezas.

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  2. Ora, somos brasileiros e falamos português. Amor a seu país e a sua cultura não podem ser dispensados.

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  3. Júlio Curvêllo9:29 PM

    Essa vai ser uma guerra interessante de se ver. A oposição joga quanta lama pode, verdadeira ou inventada, na dupla Dilma/PT. Mas esquece que seus pés são de barro e seu telhado de vidro. O PT nem precisará inventar para atirar suas próprias pedras de volta. Acredito que só ainda não enviaram chumbo grosso de volta, porque Dilma tem a esperança de vencer no 1o turno, e não quer, desnecessariamente, abrir uma guerra que irá radicalizar (ainda mais) posições e inviabilizar eventuais alianças com parte do grupo dos derrotados.
    Mas, se o PSDB começar a fazer marola, penso que o comitê de campanha vai lançar mão desses expedientes menos urbanos, para lembrar das noitadas suspeitas de Aécio na noite carioca, e outras estripulias, incluindo aquelas denunciadas pelo próprio Serra que, em seus estertores de morte política, tentava ainda queimar quem lhe pudesse fazer sombra no ninho tucano.
    O positivo disso tudo é que, em uma guerra suja do PSDB contra o PT, talvez sobre para que partidos ainda pequenos, nascidos do êxodo dos indignados do PT, alcancem massa crítica para, quem sabe, se posicionarem como alternativa ao PT em um eventual segundo turno. Talvez a bala de prata do PSDB consiga ferir o lobisomem governista, mas não traga louros aos seus franco-atiradores, igualmente desgastados pelo fogo petista.
    Aí o jogo fica interessante, porque ainda permitirá um voto ideológico no 2o turno, dispensando os eleitores da Esquerda da obrigação do voto-útil petista, para evitar o mal maior pesedebista.
    Quem sabe, dessa guerra entre a Direita (PSDB) e o Centro-Esquerda (PT), não surja a possibilidade de ascenção de um governo verdadeiramente de Esquerda?
    Júlio Curvêllo

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    1. Júlio Curvêllo9:42 PM

      Errata: Onde lê-se "ascenção", leia-se "ascensão".

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Quem sou eu

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Jornalista desde 1961, quando foi ser repórter da ÚLTIMA HORA, PEDRO PORFÍRIO acumulou experiências em todos os segmentos da comunicação. Trabalhou também nos jornais O DIA e CORREIO DA MANHÃ, TRIBUNA DA IMPRENSA, da qual foi seu chefe de Redação, nas revistas MANCHETE, FATOS & FOTOS, dirigiu a Central Bloch de Fotonovelas. Chefiou a Reportagem da Tv Tupi, foi redator da Radio Tupi teve programa diário na RÁDIO CARIOCA. Em propaganda, trabalhou nas agências Alton, Focus e foi gerente da Canto e Mello. Foi assessor de relações públicas da ACESITA e assessor de imprensa de várias companhias teatrais. Teatrólogo, escreveu e encenou 8 peças, no período de 1973 a 1982, tendo ganho o maior prêmio da crítica com sua comédia O BOM BURGUÊS. Escreveu e publicou 7 livros, entre os quais O PODER DA RUA, O ASSASSINO DAS SEXTAS-FEIRAS e CONFISSÕES DE UM INCONFORMISTA. Foi coordenador das regiões administrativas da Zona Norte, presidente do Conselho de Contribuintes e, por duas vezes, Secretário Municipal de Desenvolvimento Social. Exerceu também mandatos em 4 legislaturas na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, sendo autor de leis de grande repercussão social.