domingo, 29 de setembro de 2013

(Quase) a última crônica

"A sabedoria nos chega quando já não serve para nada".
Gabriel Garcia Marques, autor de "Cem anos de Solidão"

Dois momentos juvenis: 1959, aos 16 anos com o ministro da Guerra, general
 Teixeira Lott; 1960, aos 17 anos, a primeira viagem ao exterior: congresso de
estudantes da América Latina em Havana, um anos após o trinfo da revolução.
De uns dias para cá tenho me dado conta de que também sou idoso. Que integro esse universo sob suspeita de minar os orçamentos públicos pelo crime de viver além dos cálculos atuariais, pelo que me flagro sob constante ameaça de amputações "saneadoras" destinadas a abolir velhas conquistas.
Aos 70, pretendia virar as costas para o relógio biológico. Pequeno e barrigudo não costumava ver-me ao espelho, hábito que nunca cultivei mesmo imberbe. Dizia-me e aos demais que a idade está na mente. Pode até ser.

Mas pode não ser. As forças não são as mesmas. Por enfermidades presumíveis checadas em baterias de exames dissipa-se o brilho no horizonte. Pela sensação do tempo perdido em inúteis sacrifícios pretéritos aproximo-me de amargas constatações.

Já não sei nem se vale a pena exprimir o pensamento, pois não me consta que exista realmente alguém disposto a refletir sobre minhas perorações.

De repente, creio, a tela do computador tornou-se o meu espelho. Se há um ou outro interessado nos meus escritos será por exceção.

Até prova em contrário, perdemos o hábito de ler. E se lemos o fazemos por distração, procurando adequar o lido a ditos e valores anteriores.
Definitivamente, somos uma sociedade de descartáveis com obsolescência calculada, como disse na ONU o sábio José Mujica, meu paradigma, presidente uruguaio, do  alto dos seus 78 invernos.
Consola-me o óbvio: eu sou você amanhã. Mas não é de consolos compensatórios que o ser humano vive.

Nesses dias de dúvidas acumuladas, olho para trás e, ao contrário da grande maioria, digo que se tivesse que começar tudo agora não faria (quase) nada do que fiz, andando de um lado para outro em busca dos sonhos perdidos e, infelizmente, sepultados no túmulo das desilusões.  Pensaria, sim, como penso desde tenra idade. Mas seria mais prudente em cada passo.

Não que eu tivesse agido melhor se tivesse me rendido à sofreguidão do sucesso pessoal obsessivo. Não. Mas daí a um despojamento febril há um leque de alternativas.
Se ainda posso escrever no conforto material que me permite a palavra livre, incorrosível, devo mais à sorte do que ao cérebro, de fato formatado por larvas vulcânicas, sem o conhecimento do cálculo e da causa própria.
Podia hoje nem estar entre os vivos, tão afoito fui. Por sorte, não faço parte da lista dos mortos e desaparecidos dos anos de chumbo. Podia ser um daqueles jovens que se entregaram aos sonhos e pereceram na liça. E que hoje só são lembrados como ilustração histórica, lixando-se os pósteros para a essência do seu martírio.

A idade desenvolve uma lente cruel, destituída das ilusões inerentes. É o preto no branco sobrepondo-se às mil cores das frenéticas expectativas pueris, produzindo um foco de exigências antes desprezadas, com uma carga áspera de intolerância.

A autocrítica é inevitável. A que nos oferecemos naqueles idos à incerteza? A essa corrida voraz pelo consumo orgástico de qualquer coisa? À sedução fácil aos truques das aparências ou ao afã da acumulação desmesurada?

O mundo hoje pode até ser mais tecnológico do que antes.  Pode nos permitir todas as travessuras e deleites pela fartura de respostas eletrônicas mágicas à avidez do instinto.

Esse progresso, porém, nos desumanizou. Não são tão profundas hoje as relações de amor, antes, pelo contrário. Por qualquer infortúnio efêmero rompem-se os laços. Rareiam como exceções à regra os sentimentos de fidelidade atávica.

As gerações se distanciam no turbilhão da cobiça, nas tatuagens narcisistas que impregnam corações e mentes. O ambiente é de desconfiança generalizada em que cada indivíduo é um mundo ensimesmado.

Quisera estar errado por não assimilar a moderna fórmula da vida. Ou então por estar vendo as coisas em função de um desapontamento localizado.

Mas, até prova em contrário, essa modernidade de superfície é um beco sem saída para a alma e uma fogueira para o corpo. Aquele ser humano que buscava a virtude como fonte de inspiração sucumbiu na mais insana das guerras - a que transforma cada um em adversário e concorrente de cada um, mesclando competição, ódio e inveja num  coquetel letal.
Opor-me a essa sina é uma determinação que me acompanhará até à última crônica. Mas que poderá ficar só comigo, sem traumas nem cobranças, se não houver companhias pela semelhança na compreensão generosa da vida.

sábado, 21 de setembro de 2013

De volta ao PDT, por opção ideológica

Andei de um lado pra outro em busca do que não existia. E voltei para onde nunca deveria ter saído


Estou de volta ao PDT - de onde nunca deveria ter saído - por uma pensada opção ideológica. Pode parecer exagero ou até ingenuidade, mas foi isso mesmo que me motivou aos 70 anos a fazer o caminho de volta.  

Afigura-se absolutamente claro que nenhuma outra legenda tem um referencial tão indelével e definitivo: ninguém tem o espólio vivo de Leonel Brizola – o nacionalismo e a justiça social  - como baliza intransponível.

Foi o que constatei nas vezes que imaginei o divórcio entre a fidelidade às crenças e a militância partidária. Achava, sim, que o ideário poderia sobreviver fora do seu corpo, preservados os compromissos essenciais. Hoje faço minha autocrítica: lugar de brizolista é no reduto legado, goste ou não do convívio.

Orquestração de má fé

Tomei essa decisão justo na hora de mais uma ofensiva diabólica de uma mídia que não se conforma com a sobrevivência da grande figura histórica no imaginário popular. E que não perde a oportunidade de tentar minar  as fileiras que dão continuidade ao mito por não ter se esfarelado depois de sua morte, como esperavam efusivamente, da mesma forma que contavam com a rendição de Cuba quando Gorbatchov bancou o fim da União Soviética.
O que está acontecendo nesses últimos dias é  sintomaticamente pérfido: pôr as picaretagens dessa ONG pilhada na conta do PDT é de uma má fé cavalar.  Os jornais e a mídia em geral sequer disseram onde funciona a sede central desse Instituto Mineiro de Desenvolvimento da Cidadania – IMDC  – o centro administrativo do Governo de Minas Gerais.
E omitiram o que estão cansados de saber: quem faz a contratação de entidades terceirizadas não é o Ministério federal, mas os governos municipais e, em alguns casos, os estaduais.  

No caso desse escândalo recente, só depois de um pronunciamento incontestável do líder do PDT no Senado, Acyr Gurgacz, o governo de Minas foi citado e saiu da toca para admitir que todos os contratos com essa ONG foram firmados no seu âmbito, a partir de 2003, sob a batuta de Aécio Neves, seu padrinho.

A mídia não se limitou a tentar atingir o ministro Manoel Dias, um quadro histórico da resistência à ditadura, que pode exibir com orgulho seus 75 anos de vida íntegra e inatacável. 

Lupi foi o único ministro do Trabalho a visitar o Jacarezinho,
comunidade nascida na década de 20   no outrora maior
 parque metalúrgico do Rio de Janeiro.

Foi mais além, querendo alvejar também o presidente do PDT, Carlos Roberto Lupi, por identificar nele o grande timoneiro da sobrevivência digna da legenda brizolista. Lupi é de fato uma espécie de amálgama entre passado e futuro e entre correntes e idiossincrasias de um partido tão vulnerável como todos os demais, sem exceção, onde seus expoentes têm mais olhos para seus umbigos do que para os destinos do povo que prometem defender.

Se não fosse pelo seu fôlego e sua inesgotável habilidade a legenda deixada pelo caudilho já teria explodido em pedaços de vaidades, interesses pessoais e sentimentos amargos.

Foi essa orquestração dolosa que me fez entender com maior clareza o jogo sujo da mídia concentradora e monopolista, que só imagina sobreviver se pautando os acontecimentos segundo suas encomendas.

Por que essa insistência ostensiva em atingir o partido fundado por Leonel de Moura Brizola? Por que essa obsessão em relação ao ex-jornaleiro que estava mais próximo do líder quando outros haviam debandado por imaginá-lo na desgraça irreversível?

A hora do reencontro 

Se ao menos houvesse realmente outro lugar onde o pensamento crítico e transformador encontrasse eco. Mas não há. Antes, pelo contrário.

O que vi no contato direto do lado de fora só serviu para mostrar que, independente de posições menos ortodoxas, o PDT é o único que abre espaço para a sua militância – orgânica e inorgânica – botar a boca no trombone. Nos outros, nenhuma decisão passa por qualquer crivo dos pés-de-chinelo. Sabe-se de suas resoluções cupulares pelos jornais ou por quem  priva da intimidade com comandos cartoriais.

Não voltei para o PDT esperando encontrar um mar de rosas. Sei de muitas divergências internas, algumas sob impulsos nada construtivos que se alimentam até de ódios pessoais.  Alguns chegam a ser inconsequentes e não levam em consideração  quem tira proveito de suas catilinárias.

Sei também de pessoas corretas que se sentiram sem espaço e pularam fora, confundindo-se com alguns poucos que agem ou pelo fígado ou pelo olho grande. Tudo isso acontece em todos os partidos, sem exceção.

Eu mesmo me pergunto se não cedi ao emocional, se não supervalorizei os sentimentos de injustiça que me acometeram quando, por mais de uma vez, saí em busca do que não existe: os seres políticos têm em geral o mesmo caráter, a referência seletiva de poder, de onde cada um é medido mais por sua potencialidade eleitoral do que por suas virtudes essenciais, sejam de natureza ideológica ou moral.

Não sei que contribuição ainda posso oferecer ao PDT e ao povo pelo engajamento partidário a esta altura da minha vida, felizmente dotada do capital moral que se não pesa para os caciques e os donos do poder, é pétreo para muita gente  que infelizmente anda descrente com tudo e com todos, devido ao comportamento dos mandatários que permanecem de costas para seu clamor, como lembrou muito bem o senador Cristóvam Buarque,  em seu artigo Estamos Cegos, publicado hoje.


A única coisa que me ocorre é propor a todos os indignados, especialmente à diáspora brizolista,  que façam a mesma reflexão que fiz: estamos provavelmente diante de uma outra era política que sugere a reoxigenação dos partidos e de todos os condutos para que tudo o que aconteceu de recente não sirva apenas aos velhos conspiradores que apostam na criminalização da vida pública.

domingo, 15 de setembro de 2013

Algo de podre no Supremo Tribunal

Lento nos processos contra Maluf, beneficiado pelas prescrições,  STF  mandou mensalão tucano para as calendas
"Assim, como a denúncia foi recebida em 12 de março de 2002, é imperioso reconhecer a extinção da punibilidade do réu Paulo Salim Maluf, pela prescrição, ocorrida em 2006 (crime de responsabilidade) e em 2008 (falsidade ideológica)".
Ministro Joaquim Barbosa, Brasília, 25 de agosto de 2010.


Posto a salvo da Lei da ficha limpa” pelo TSE no último pleitoMaluf coleciona processos que vão prescrevendo num ritual emblemático, sem que nossa exaltada mídia tenha cobrado a celeridade exigida agora nessa fulminante ação penal conhecida como julgamento dos réus do mensalão, que poderá detonar a garantia jurídica do “duplo grau de jurisdição”, assegurado nos incisos LIV e LV do Artigo 5º da Constituição e pela Convenção Americana dos Direitos Humanos ((artigo 8º inciso h), da qual o Brasil é signatário, incorporada à jurisprudência brasileira pelo Decreto 678/92, assinado por Itamar Franco, como presidente, e Fernando Henrique Cardoso, como chanceler.

Uma pesquisa rápida revela que há algo de podre no comportamento da mídia e do próprio Judiciário, numa tentativa perigosíssima de passar por cima de salvaguardas processuais e introduzir em definitivo a ditadura da toga,  tudo em consequência da facciosa condução de um processo de linchamento político cujas causas revanchistas apontam  para um ambiente de insegurança jurídica ameaçadora.

Esse algo de podre é de extrema gravidade e deve ser enfrentado por quem preza o regime de direito, independente da filiação política dos réus. Pois não serão eles os únicos atingidos nesse julgamento direcionado: antes, qualquer um de nós estará exposto aos super-poderes de 11 supremos magistrados nomeados sob o manto de decisões indiferentes à efetiva prova do saber, apesar do estabelecido no artigo 101 da Carta Magna.

Artilharia pesada para constranger ministro

A Convenção dos Direitos Humanos presume o recurso a um primeiro julgamento, independente da votação, numa outra instância e o artigo 530 do  Código do Processo Civil (Lei 5869/73) prevê o embargo infringente em caso de decisão não unânime do plenário do STF.

O milionário Maluf serve como mero exemplo de uma corte suprema que se sente à vontade para meter os pés pelas mãos com a cobertura de uma mídia partidarizada, que não tem ibope na multidão, mas que joga com seu poder de destruição das imagens públicas.

Na crista dessas agressões a direitos pétreos aparece um advogado medíocre catapultado  à nossa Suprema Corte, em 2003, pelo presidente Luiz Inácio apenas por que desejava nomear um afro-descendente para lá.  Joaquim Barbosa, no entanto, como seu colega norte-americano Clarence Thomas, nomeado em 1991 pelo Bush pai em substituição ao primeiro negro da Corte Suprema, Thurgood Marshal (este, sim, um militante contra o racismo), era um quadro da direita que Lula projetou, ou  por descuido ou por que,  sabendo de suas posições, queria ficar apenas na simbologia do ato.
Esta figura, que assusta o mundo jurídico com suas atitudes aparentemente desequilibradas,  mas, antes disso, programadas, tornou-se o “general togado” de um golpe institucional destinado a concentrar no Judiciário as grandes decisões políticas do país.
Tanto que encerrou a sessão do STF na última quinta-feira quando o ministro Celso de Mello ia desempatar uma votação sórdida: Celso de Mello já havia declarado seu entendimento a favor dos embargos infringentes, que permitem um segundo julgamento nas penalidades em que houver quatro votos divergentes (Regimento Interno do STF, artigo 333 parágrafo único), o que por si é insuficiente.



Com essa protelação, uma artilharia de chumbo grosso pretende mudar o entendimento do ministro Celso de Mello, alegando que a admissão dos embargos, que não é nem de longe um segundo julgamento, mas questionamento de penas específicas, seria a consagração da impunidade.
Maluf, o bem amado

Quando se tornou relator da a Ação Penal 458 em 2007, o ministro Joaquim Barbosa tinha consciência das possibilidades de prescrição, por que Maluf, nascido em 1931, gozava das reduções penais asseguradas aos maiores de 70 anos.

No entanto, ele semeou a decisão que tomaria em 2010, ao acolher petição protelatória, determinando que fossem ouvidos como testemunhas de defesa, em São Paulo,  sem fixar prazo, o ex-ministro Delfim Netto e o deputado estadual Antonio Salim Curiati. Em 2008, um ano depois de seu despacho, Maluf ficou inteiramente a salvo pelas prescrições, e as testemunhas ainda não haviam sido ouvidas.

E para completar a farsa, o STF decidiu em março de 2009 converter o julgamento em diligência, para que a Justiça estadual de São Paulo esclarecesse se Delfim Netto e Curiati tinham sido intimados pessoalmente.

Com patrimônio declarado à Justiça Eleitoral de R$ 40 milhões, Maluf em 2011 era réu em mais quatro processos no STF. Dois processos, abertos em 2007, prescreveram ainda naquele ano. Os outros dois processos, abertos em 2008, prescreveram no ano seguinte. Em todas as ações, Maluf respondia por crime contra o sistema financeiro, como sonegação fiscal, evasão de divisas, lavagem de dinheiro, peculato, além de formação de quadrilha.

STF mandou soltar Maluf por “saúde frágil”

Num outro processo, em 2011, envolvendo a família, o STF acolheu denúncia de lavagem de dinheiro. O relator, Ricardo Lewandowski, calculou o "prejuízo ao erário" em quase US$1 bilhão, de acordo com o montante movimentado pela família Maluf no exterior, utilizando contas de empresas offshore.

Além de nunca ter condenado Maluf, o STF ainda determinou sua soltura em 2005, depois que o delegado (e atual deputado) Protógenes Queiroz o prendeu sob a acusação de intimidar uma testemunha.  A base jurídica da corte para tirá-lo da cadeia depois de 40 dias foi inusitada: saúde frágil. No dia seguinte à libertação, em 20 de outubro de 2005, Maluf foi fotografado comendo pastéis num bar de Campos de Jordão.

Dia 20 de outubro de 2005: Maluf solto pelo STF por "saúde frágil". No dia
seguindo tomando cerveja e comendo pastéis em Campos de Jordão.
Este homem cujo sobrenome produziu o neologismo malufar como sinônimo de todos os crimes contra os cofres públicos e afins, inclusive o de Caixa 2 nas últimas eleições, que só foi condenado pra valer numa corte de Jersey, paraíso fiscal britânico, que tem ordem de prisão internacional expedida pela juíza Marcy Friedman, da Corte Suprema de Nova York, permanece lépido e fagueiro no gozo da mais ostensiva impunidade e nem por isso as vestais da mídia querem que o STF rasgue as leis e despreze princípios elementares de direito, como o duplo grau de jurisdição.

“Mensalão tucano” ficou para quando Deus quiser

Mas não é o único caso em que o STF e sua excelência o ministro Joaquim demonstram despreocupação sobre prescrições: os fatos relacionados com o chamado “mensalão” tucano de Minas Gerais são anteriores. Seu processo chegou ao Supremo em 2003, dois anos antes desse que artifícios midiáticos transformaram na grande fogueira da corrupção. E, no entanto, não  há previsão de julgamento.  

Ou melhor, com a oitiva de 90 testemunhas pela Justiça de Minas Gerais, não irá a julgamento antes de 2015, segundo o promotor João Medeiros.



E olha que esteve para entrar em pauta duas vezes em 2012, quando o plenário do Supremo deveria decidir o destino do processo.  A revista CONGRESSO EM FOCO documentou em vídeo como essa matéria saiu de pauta, em maio de 2012, abrindo caminho para o “mensalão do PT” e para o circo em que os protagonistas pareciam rábulas exibicionistas numa encenação que fez do ministro Joaquim Barbosa a grande estrela da moral e dos bons costumes.

É essa montagem que não podemos aceitar, como definiu muito bem o respeitado jurista Carlos Antônio Bandeira de Mello, professor emérito da PUC de São Paulo:

Eu considero que o processo foi todo viciado. Por várias razões. A  começar pelo fato de que ele não respeitou a necessidade de aplicar o duplo grau de jurisdição. O Supremo julgou todos os denunciados como se estivessem incursos no único dispositivo que permite isso — o artigo 101 da Constituição.
Na verdade, a regra dos dois graus de jurisdição é universal, por assim dizer. Os ministros do Supremo passaram por cima dessa regra, eles não quiseram nem saber sua importância. É um absurdo, na minha opinião. Esse é o primeiro ponto.
O segundo ponto é que os ministros do Supremo adotaram um princípio que, a meu ver, é incabível. O princípio de que as pessoas são culpadas até que se prove o contrário. A regra é outra: as pessoas são inocentes até que se prove o contrário.
No caso do José Dirceu, eles partiram do princípio de que o Dirceu era culpado, porque ele era hierarquicamente superior às outras pessoas. E isso bastaria para configurar a responsabilidade dele.  Portanto, uma responsabilidade objetiva”.

domingo, 8 de setembro de 2013

Genocídio à americana na Síria

Ataque irresponsável dos EUA à Síria poderá levar à 3ª Guerra, com pelo menos 250 milhões de mortes
 
Na montagem, Obama e o presidente de Israel brindam a destruição da Síria
Fiquei meio desapontado ao ver as imagens dos protestos pelo país neste 7 de setembro e não entendi por que esses manifestantes não acrescentaram à sua agenda os dois acontecimentos mais brutais que agridem a humanidade como um todo, inclusive à Rocinha do Amarildo: a programação de bombardeiros destruidores contra a Síria e a espionagem cibernética que fez do Brasil uma república bananeira, com indicativos de respostas que poderão levar a uma terceira guerra mundial.

Não vi alusões nem nos atos dessa nova geração de inconformistas, nem nos promovidos por organizações e partidos mais vividos. Aliás, tem sido um rotina de pernas curtas a ação pela ação, o confronto pelo confronto, como se o sacrifício físico nas ruas falasse por si.

Desgraçadamente, a miopia no Brasil é crônica. Por que se essa turba enxergasse mais longe estaria montando acampamento em frente à embaixada e aos consulados dos Estados Unidos e  dispensando a esses representantes da insanidade internacional o mesmo tratamento que mantém Cabral com os nervos à flor da pele. E estariam dando às empresas envolvidas na espionagem e no apoio à guerra o mesmo dispensando às agências bancárias.

Para usar foguetes caros com prazo de validade

Com apoio de tanques israelenses, aviões dos EUA estão prontos para
o ataque nas bases deIncirlik, na Turquia e na Jordânia
Por que perto do que está para acontecer no Oriente Médio, envolvendo os interesses mais criminosos do mundo, esses delinquentes daqui são pimpolhos. Os monstros, os grandes monstros,  os grandes assassinos e ladrões, estão encastelados numa mal assombrada Casa Branca, onde um pirralho político vem mostrando que quem manda naquele valhacouto é um ensandecido grupelho de banqueiros e fabricantes de armas, que só aprendeu manter  o domínio e a opressão dos outros países através de genocídios que justificam o pagamento pelo povo norte-americano e países dominados de 1 bilhão de dólares por um foguete que tem prazo de validade e que de vez em quando precisa ser usada na destruição de um inimigo.

Essa meia dúzia de banqueiros  sempre esconderam suas emissões de moeda numa intocável caixa preta e viveram da fraude, ameaçada com a decisão de alguns países, como o Irã, de dispensar o dólar como moeda de intermediação das transações internacionais. Se a moda pega, a banca norte-americana va pro brejo.

Essa história de bombardeios  punitivos  por causa de suposto ataque com armas químicas feitos pelo governo de Damasco justo na hora que estava recuperando terrenos em várias frentes é uma impostura  mais audaciosa do que aquela que foi alegada para justificar a desastrosa invasão do Iraque em 2003 - o Saddan Hussein teria armas químicas, assim como já guardam no bolso a alegação para uma agressão ao Iran, o próximo passo desse serial killer.

Terroristas confessam uso de armas químicas

O terrorista Balush destalhe ataque com armas qyímicas
Um mercenário chamado  Nadim Balush, membro de um grupo terrorista denominado "Riyadh Al Abdin", que atua na área de Latakia, no noroeste da Síria, jactou-se de que seu grupo, instruído pelos terroristas do Al Qaeda, vem usando "substâncias químicas que produzem gases letais e mortais".

Balush contou em gravação que como o Exército sírio estava se aproximando da área onde o seu grupo opera, "pensamos que esta arma era muito poderosa e eficaz para repeli-los; nos aproximamos do povoado que ia ser retomado e disparamos as armas químicas". E exortou: "Vamos atacá-los em suas casas, vamos transformar o seu dia em noite e a noite em dia".
O total controle das informações pelas agências e a tecnologia de guerra dos Estados Unidos e aliados mantém a população do mundo sob intenso fogo midiático manipulado.
Salafistas expulsam cristãos. Quem não fugir, morre

Os terroristas que querem varrer os cristãos da Síria atacaram Malula


Felizmente no dia seguintes as tropas do governo libertaram esse santuario, Clique na foto e veja a
narração do jornalista Guchacra, para o ESTADO DE SÃO PAULO

Sequer dizem sobre a estranha aliança entre alguns países cristãos ocidentais e os grupos armados pela Arábia Saudita que estão bancando um dos maiores crimes hediondos, o extermínio a minoria católica da Síria, que soma quase 2 milhões de cristãos e que tem seus direitos reconhecidos pelo governo laico de Bashar Al-Assad, com alguns dos seus líderes participando da administração central.

Aliás, o quadro real do confronto é o seguinte: o governo da Frente Progressista, liderado elo Partido Baath Socialista Árabe tem o apoio dos alauitas, drusos e cristãos, bem como dos sunitas não fanatizados pelos fundamentalistas salafistas, uma seita cada vez mais ativa, criada no Egito do Século XIX com o objetivo de restabelecer o islamismo do Século VII, em que viveu Maomé.

Na Arábia Saudita, onde os salafistas têm grande influência, não é permitido o culto de nenhuma outra religião a não ser a islâmica. A posse de uma bíblia católica pode levar até ao cadafalso.  Na Tunísia, acabaram de fechar todos os bares que vendiam bebidas alcoólicas, inclusive dos hotéis, e boicotam músicas não islâmicas. No Egito, estão à direita da Irmandade Muçulmana e bancam a Coalizão Nacional Síria, sob a chefia do xeque salafista Ahmed Moaz Al-Khanaib, instalada no Cairo.

Em consequência desse predomínio altamente sectário, todos os cristãos da Síria moradores nas áreas dominada pelos adversários do Baath receberam ordens de sair do país. Segundo as organizações de refugiados da ONU cerca de 300 mil já foram obrigados a migrar.
Toda a estratégia da aliança agressora - financiada pelos Estados Unidos, Arábia Saudita e Qatar, com a ajuda militar de Israel e da Turquia, tem como objetivo destruir a Síria como nação plural e tolerante, entregando as regiões estratégicas, petrolíferas e litorâneas ao controle dos sunitas salafistas e do Al Qaeda, e deixando uma área pobre, totalmente destruída, para uma nação que reuniria os alauitas, cristãos e drusos.
Nem os americanos sabem o que quer Obama

Nos Estados Unidos, no entanto, decifrar o que pretende realmente o moleque da Casa Branca é o maior desafio dos jornalistas, como escreveu Cláudia Trevisan para o Estado de São Paulo:
"Não está sendo fácil entender a lógica do presidente Barack Obama em relação à Síria. E não apenas porque cheguei a Washington há três semanas. Muitos americanos que acompanham a política externa do país e a situação do Oriente Médio há anos também não entendem. O que Obama pretende alcançar com o ataque? Quem ganha com o enfraquecimento de Bashar Assad - a oposição moderada ou os terroristas da al-Qaeda? Por que a urgência em agir agora se a guerra civil já dura dois anos e meio, durante os quais 100 mil pessoas morreram? Há um plano de contingência para lidar com os imensos riscos que a operação envolve?"
A jornalista brasileira publicou trechos de uma carta do  chefe do Estado Maior das Forças Armadas, general Martin Dempsey, enviada ao Senado já no dia 19 de julho, na qual advertia: “Na hipótese de colapso das instituições do regime na ausência de uma oposição viável, nós podemos, inadvertidamente,fortalecer extremistas e liberar as mesmas armas químicas que buscamos controlar”

De fato, como ponderou um jornalista norte-americano, "os EUA não tem sequer uma noção clara de quem são os rebeldes sírios e qual é a sua agenda.  Se os últimos 12 anos nos ensinaram algo acerca de alguma coisa é que intervenções militares não devem ser feitas de uma forma meia-boca e sem objetivos claros. Resumindo, entrar é fácil, sair é sempre mais complicado".



Aleksandr Dugin, conselheiro de Putin, vê 3ª Guerra

Na leitura dos russos e dos iranianos, a agressão irresponsável ordenada pela quadrilha financeira-belica  através do acanhado títere levará inevitavelmente a um conflito de proporções inimagináveis, como observou  Aleksandr Dugin,   conselheiro do presidente Vladimir Putin.  Para ele, é o ponto de partida da terceira guerra mundial, que poderá ocasionar a morte de 250 milhões de pessoas, contra os 20 milhões da primeira e os 50 milhões da segunda. Quem desejar, pode clicar na foto e ver sua entrevista legendada.  Para ele, a síria é apenas o primeiro dos três grandes alvos:depois  virá o Irã e em seguida a própria Rússia.

A hora é de abrir os olhos para o mundo. Ninguém tem o direito de pensar que essa porra-louquice de Obama não tem nada com a gente. Talvez nem ele saiba o que pode causar ao mundo com essa tentativa de garantir uma boa renda quando sair da presidência e encerrar sua carreira política, como é da tradição norte-americana.

domingo, 1 de setembro de 2013

A Síria que os EUA querem destruir

Ataque com armas químicas foi forjado para dar pretexto à agressão, quando o Exército recupera terreno e acumula vitórias

Séculos de história estão sendo destruídos pela ambição de interesses coloniais. Eu fui lá e  vi o apego dos árabes pela sua história, e a dignidade como enfrenta as agressões.CLIQUE NAS FOTOS PARA VÊ-LAS MAIORES
Num hospital bombardeado na Síria com meu colega Rubens Andrade. A mesma sina no convívio com a destruição  e o mesmo sonho de um tempo em que este povo possa viver em paz.
 "O que me move a escrever é o fato de que muito em breve irão ocorrer acontecimentos graves. Não transcorre em nossa época dez ou quinze anos sem que nossa espécie corra perigos reais de extinção. Nem Obama nem ninguém pode garantir outra coisa; digo isso por uma questão de realismo, já que só a verdade nos poderia oferecer um pouco mais de bem-estar e um sopro de esperança. Chegamos na fase da maior idade em relação a nossos conhecimentos. Não temos direitos de enganar nem de nos enganarmos".

Fidel Castro, Cuba Debate, 27 de agosto de 2013

Confesso que o artigo do líder cubano de 87 anos me fez suar frio. Conheço Fidel desde os tempos da Sierra Maestra. E  conheci a Síria em 2002, embora seja um estudioso do mundo árabe desde a década de sessenta.

De início diria que é profundamente lamentável o que vem acontecendo em toda aquela região, com o sacrifício de milhares de vidas. O povo árabe, ao contrário da  imagem disseminada por uma mídia desonesta, é um povo de paz.

Se tivesse alguns anos de paz esse povo hospitaleiro estaria usufruindo de um progresso invejável. Quando percorri alguns países lá, em companhia do então colega de Câmara, Rubens Andrade, vi o quanto é precioso para aquela gente poder desenvolver-se num ambiente de tranquilidde: a Síria era um mostruário desse potencial, registrando, então, um crescimento econômico em torno do 8% ao ano e apresentando índices surpreendentes de convívio democrático e religioso.

Na  Mesquita dos Omíadas, centro de Damasco, erguida no ano 706 DC.
Naquele ano, lembro, o prefeito de Damasco era cristão e alguns cristãos participavam do governo.  Também não se falava de grandes diferenças políticas entre os segmentos islâmicos.

A mística do Partido Baath Árabe Socialista, formalmente laico, preponderava à frente de uma coalizão de 9 partidos, entre os quais dois comunistas e alguns tradicionais e regionais. Vi e conversei com autoridades que não consideravam relevante o fato de ser da maioria sunita ou das minorias alauitas  e drusas, pilares do islamismo na Síria. Ali as tradicionais diferenças de origem tribal também pareciam superadas.

Curiosamente, a grande divergência que existia era entre a facção síria do Partido Baath, mais à esquerda, e a do Iraque de Sadan Hussein, mais conservadora.

Uma cidade onde se fala aramaico

No santuário católico de Malula, a noroeste de Damasco

Visitei a cidade montanhosa de Malula, uma comunidade católica, onde a Igreja Ortodoxa Síria tem um seminário e onde se conserva  até hoje o aramaico, a língua falada por Jesus Cristo pelo povo da Judeia há dois mil anos atrás.

Com seus quase 20 milhões de habitantes, a Síria sempre foi o país árabe de maior conhecimento político e melhores índices culturais, que teve papel de liderança nas resistências contra o domínio da Turquia e da França.

A guerra civil de hoje tem origem fora do país e faz parte do pacote de intervenções estrangeiras na região do mundo mais rica em petróleo, cuja marca mais gritante foi a derrubada e morte de Kadhafi, na Líbia, em outubro de 2011.


Aliados fortes e determinados

É uma conspiração insana que acontece por coincidência diante de acidentes graves com outras fontes de energia, especialmente a nuclear, que levou a Alemanha a fechar todas as suas usinas. Por pelo menos 60 anos o mundo ainda vai depender desesperadamente do petróleo. E muito do petróleo do Oriente Médio.

Só que o cenário hoje é totalmente diferente do que permitiu a intervenção na Líbia. O  Irã se considera o alvo imediato de um eventual bombardeio à Síria e dispõe hoje de Forças Armadas bem treinadas com um efetivo de  2 milhões.

No mesmo sábado em que Obama anunciaria o ataque à Síria uma delegação parlamentar iraniana foi a Damasco reafirmar seus compromissos com o governo de Assad. Nessa visita,  o chefe da missão, Allaeddine Boroujerdi (foto ao lado), declarou que seu país havia alertado oficialmente aos Estados Unidos, em 2012, que os rebeldes sírios tinham armas químicas.
Em entrevista coletiva, Boroujerdi exortou o governo dos EUA a “avançar pelo caminho da solução política na Síria e não brincar com o fogo”.  E foi bastante enfático: “se for desencadeada uma guerra, ela ultrapassará as fronteiras da Síria e incendiará todo o Oriente Médio”.

Rússia ameaça ataque à Arábia Saudita

A Rússia, por sua vez, enviou uma flotilha, liderada pelo contratorpedeiro Almirante Chabanenko, com destino ao porto sírio de Tartús (foto ao lado).

Um memorando classificado como urgente, segundo fontes militares russas, foi expedido pelo Gabinete do presidente Vladmir Putin, na quarta-feira,  ordenando um ataque imediato da Rússia contra a Arábia Saudita caso forças ocidentais  (por enquanto só EUA)  ataquem a Síria. A informação conteria instruções semelhantes a uma ordem de guerra, expedida há cerca de um mês pelo regime saudita, na qual teria declarado que, caso a Rússia não aceitasse o bombardeio, os sauditas iriam arregimentar militantes na Chechênia para “aterrorizar” os XXII Jogos Olímpicos de Inverno que a Rússia realizará na cidade de Sóchi.
A Rússia tem interesse direto ao posicionar-me militarmente ao lado da Síria. Isto por que  Arábia Saudita, principal aliada do Ocidente no mundo árabe, está bancando as forças insurgentes por que pretende atravessar o território sírio com o seu gasoduto com destino ao mercado europeu, já servido pelos russos, por enquanto, com exclusividade.

China já importa mais petróleo do que EUA

O mais irônico nesse cenário é a posição da China, que há alguns anos vem estreitando relações comerciais com a Arábia Saudita e os demais países reunidas no Conselho de Cooperação do Golfo - clube de seis ricas monarquias do Golfo Pérsico -  Arábia Saudita, Qatar, Omã, Kuwait, Bahrain e os Emirados Árabes Unidos, responsáveis por 25% da produção global de petróleo.

Desde 2011, a China importa mais petróleo da Arábia Saudita do que os Estados Unidos. E a projeção é de que em 2025 essas importações sejam três vezes maiores do que as do império. Enquanto a China vende produtos de bens duráveis, os EUA capricham em negócios bélicos.
O que os chineses mais temem é uma guerra que eleve os preços do petróleo e crie embaraços para seus projetos no Oriente Médio. A China também compra petróleo do Irã e paga em sua própria moeda, o Yuan, desprezando a intermediação do dólar. Com os sauditas ainda tem dólar no caminho.
Em outubro de 2011, Washington fechou vendas de armas de US$ 67 bilhões – o maior negócio bilateral na história dos EUA – para abastecer a Arábia Saudita com monumental coleção de jatos modelos F-15s, Black Hawks, Apaches, bombas explode-bunker, mísseis Patriot-2 e navios de guerra último tipo.

Deir Ezzor bombardeada com armas pesadaspelos terroristas
Arsenais de artilharia e infantaria incluídos no pacote abastecem a heterogênea coalizão oposicionista na Síria, da qual fazem parte desde alguns homens de confiança dos EUA, como o xeque Ahmed Moaz Al-Khanaib, presidente da Coalizão Nacional Síria, baseada no Egito,  até terroristas da Al Qaeda, sob a liderança de Abu Mohammad al-Golani, da Frente al Nusra, um grupo que monta seus próprios foguetes e que estaria de posse de armas químicas, em conexão com a CIA, embora os Estados Unidos o rejeite em público.

Casa Branca sem apoio brinca com fogo

Finalmente, vale lembrar a disposição de luta das forças militares fiéis ao governo Bashar al-Assad, que têm conseguido avançar sobre os redutos rebeldes e vem colecionando vitórias recentemente, o que levou os Estados Unidos a assumir publicamente o que já fazia por baixo dos panos.

Essa história de armas químicas usadas pelo Exército sírio é mero pretexto e muitos especialistas militares consideram que é mais fácil que tenham sido usadas por terroristas, numa farsa para justificar a ação militar norte-americana.

Revista Time relata repúdio aos EUA em mais uma gerra
Pela primeira vez, a Casa Branca está sozinha tanto a nível externo como em relação ao público interno. Os bombardeios seriam mais uma jogada de grana, a serviço da indústria bélica e, curiosamente, a maioria dos republicanos (Sempre belicistas)   se juntou a alguns democratas no Congresso na oposição a uma intervenção militar direta dos EUA na Síria.

A revista Time publicou matéria de capa dizendo que Barack Obama foi eleito para tirar os EUA das guerras e não para envolver-se em novos conflitos. No texto, afirma que em todas as pesquisas o povo norte-americano se manifestou contra a intervenção na Síria, o que cria uma saia justa para os congressistas. A última, divulgada sexta-feira pela Reuters/Ipsos, aponta 53% contra a ação militar e 20% a favor. Os demais disseram não ter opinião.

No plano externo, o parlamento da Grã-Bretanha, principal aliada no Afeganistão, votou contra sua participação na aventura. Já na França, apesar da estranha posição beligerante do desgastado presidente "socialista" François Hollande, as enquetes divulgadas neste sábado, 31 de agosto, não deixam dúvida:

Uma pesquisa da BVA publicada pelo Le Parisien-Aujourd'hui na França, mostrou que 64% da população se opõem a uma ação militar, 58% não confiam em Hollande para conduzir a ação, e 35% temem que isso possa "colocar toda a região (do Oriente Médio) em chamas".

A impressão que o secretário de Estado John Kerry passa é que já foi tudo acertado com a indústria bélica e com o  American Israel Public Affairs Committee, que, segundo a revista Time, está cabalando apoio entre os congressistas para a a agressão.

Obama estaria disposto a bombardear a Síria mesmo sem apoio do Congresso e contra a posição do Conselho de Segurança da ONU. E só não ordenou o ataque no sábado por que quer saber até onde Irã e Rússia podem chegar na defesa do aliado.

Se de fato esse crime se consumar será uma violência contra a história. A bela Damasco - "Cidade do Jasmim" - que já sofre com ações tipicamente terroristas, é a mais antiga do mundo, com seus 10 mil anos de existência e um patrimônio inesgotável.


  Tantos anos não podem ser destruídos por império que não pode passar sem uma guerra...na terra dos outros.


Na Síria que eu vi, as orações uniam e não se falava em conflitos religiosos

Quem sou eu

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Jornalista desde 1961, quando foi ser repórter da ÚLTIMA HORA, PEDRO PORFÍRIO acumulou experiências em todos os segmentos da comunicação. Trabalhou também nos jornais O DIA e CORREIO DA MANHÃ, TRIBUNA DA IMPRENSA, da qual foi seu chefe de Redação, nas revistas MANCHETE, FATOS & FOTOS, dirigiu a Central Bloch de Fotonovelas. Chefiou a Reportagem da Tv Tupi, foi redator da Radio Tupi teve programa diário na RÁDIO CARIOCA. Em propaganda, trabalhou nas agências Alton, Focus e foi gerente da Canto e Mello. Foi assessor de relações públicas da ACESITA e assessor de imprensa de várias companhias teatrais. Teatrólogo, escreveu e encenou 8 peças, no período de 1973 a 1982, tendo ganho o maior prêmio da crítica com sua comédia O BOM BURGUÊS. Escreveu e publicou 7 livros, entre os quais O PODER DA RUA, O ASSASSINO DAS SEXTAS-FEIRAS e CONFISSÕES DE UM INCONFORMISTA. Foi coordenador das regiões administrativas da Zona Norte, presidente do Conselho de Contribuintes e, por duas vezes, Secretário Municipal de Desenvolvimento Social. Exerceu também mandatos em 4 legislaturas na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, sendo autor de leis de grande repercussão social.