quarta-feira, 31 de julho de 2013

Nó em pingo de lama

Paes anuncia desapropriação do pântano de Guaratiba. Foi tudo  que o amigo Jacob Barata pediu a Deus

Para o prefeito Eduardo Paes tudo "acaba em samba" e a população carioca que pague a conta
Enquanto o prefeito Eduardo da Costa Paes insistir em dizer que não sabe de quem é  o terreno pantanoso que virou o mico mais suspeito da temporada do Papa no Rio de Janeiro é impossível levar a sério qualquer coisa que ele diga sobre o crime urbano que estava apadrinhando.
Ou melhor, é aconselhável pensar muito sério sobre todo e qualquer ato de sua lavra,  por que nunca incompetência e má fé se deram tão bem como em sua administração, páreo duro com a de Sérgio Cabral, numa macabra competição sobre quem é mais capaz de fazer mal no afã de PRIVATIZAR O ESTADO numa ação entre amigos.

Depois que algumas chuvas finas (que não produziram um só desabrigado na beira do rio Piraquê, nem provocaram qualquer aviso de alerta da DEFESA CIVIL)   expuseram as vísceras do chamado Campus Fidei, uma área que seria “abençoada” pelo simpático chefe da Igreja Católica como passaporte para um irresponsável empreendimento imobiliário, o prefeito da cidade do Rio de Janeiro tenta literalmente DAR NÓ EM PINGO DE LAMA para salvar as aparências e, mais grave, a miragem que envolveu o seu dileto amigo Jacob Barata, uma espécie de Eike Batista mais sambado, mais grotesco e menos ladino.

Falso pulo do gato

A última do prefeito é o falso pulo do gato que está mais para pulo da onça. Anunciou a desapropriação do latifúndio para a construção de um enorme conjunto habitacional na área que, segundo disse em sua semântica de botequim, só serviu para beneficiar os seus “generosos” donos, que o receberam de volta com uma boa guaribada, depois de  “emprestado” à Cúria Metropolitana do Rio de Janeiro, onde também transitam personagens com a mesma volúpia dos sabidinhos do Banco do Vaticano.

Eduardo da Costa Paes insiste em sinalizar uma incompetência cavalar, essa de desconhecer quem são os proprietários desse latifúndio urbano quase sacro, para escamotear seu envolvimento no forçado direcionamento do ato maior da jornada papal para tal área, que teve de ser aterrada, que invadiu manguezais de preservação permanente, e, mesmo assim, não tinha a menor condição de garantir um copo d’água para os peregrinos que podiam ser jovens, mas não haviam feito treinamento de guerrilha na selva.

Desapropriação, uma indústria de favorecimentos

E agora enche a boca para anunciar um ato “heróico” que está muito mais para “plano b” dos ex-futuros incorporadores. Desapropriar é o mesmo que comprar. Os donos (o prefeito é o único carioca que desconhece suas digitais) vão ganhar uma grana preta que, provavelmente, compensará a inviabilização comercial desses terrenos ostensivamente inóspitos, mas cujo pregão já estava na ponta da língua.

A única diferença é que o poder público obriga a concretização do negócio, arbitra um preço e pode requerer a imediata imissão de posse, mesmo que os proprietários da área desapropriada decidam contestar o valor na Justiça.

Desapropriações de favorecimento são comuns neste país em que cada um puxa a brasa pra sua sardinha e faz seu pé de meia às custas do erário.  Aí estão dezenas de fazendas sem condições de plantio, algumas quase submersas,  que o INCRA desapropriou a peso de ouro para fins de reforma agrária, em muitas das quais não teve nem como jogar as levas de sem-terras engabelados pelo sonho do eldorado redentor.

Como insiste em dizer que não sabe quem são os proprietários desse pantanal mal assombrado – ou melhor, mal aterrado – parece claro para qualquer burro manco que boa intenção não lhe move nesse atoleiro de mau cheiro.

Tanta pressa boa coisa não é
E essa corrida contra o tempo, essa pressa aloprada em anunciar a desapropriação, não é de bom conselho. Pra que botar a carroça diante dos bois, num  procedimento tão sumário, se o quase sacro latifúndio é um atoleiro de controvérsias? 
É absolutamente inacreditável que ele alimente essa avidez tão sôfrega quando sequer se sabe quem seria jogado nessa área de possibilidade construtiva improvável. Se não deu nem para um ato a céu aberto, suportando apenas o peso das pessoas, quem dirá na hora da construção com dinheiro nosso de habitações que teriam de ser anfíbias, no mínimo.

O Jardim Maravilha foi um loteamento privado
 que foi construído em área alagadiça.
Não precisa consultar o sistema de espionagem do presidente Obama para imaginar a engenharia do “morro do Bumba” (aquele de Niterói) numa área semelhante ao vizinho Jardim Maravilha, o macro-loteamento da região, na Estada do Magarça, que levou a outrora pujante Caderneta de Poupança Morada à bancarrota e ainda obrigou a Prefeitura a gastar rios de dinheiro para tornar habitáveis as casas construídas ali.

Terras cadastradas na prefeitura como alagadiças

Segundo a bióloga Rita Montezuma, professora do Departamento de Geografia da UFF e principal especialista da bacia hidrográfica da região, a prefeitura sabia que á área da missa apoteótica era “naturalmente alagável”.
 "A prefeitura tem essa informação, tem esse mapeamento - sobre áreas alagáveis. Se ela ignorou, ela é muito responsável pelo que está acontecendo agora." – declarou de forma enfática, dando nome aos bois.
Esse terreno aparece em mapas do IPP (Instituto Pereira Passos, da prefeitura) como área alagadiça.  Segundo Rita Montezuma, essa característica se deve à combinação entre terrenos com depressões abaixo do nível do mar e confluência de rios. Uma das principais incidências é a presença de manguezais.

"Em Guaratiba, há manguezais bem extensos. Não à toa que se comia nos restaurantes dessa área caranguejos e siris. A área é naturalmente alagável", acentuou a especialista.

Esse mico que expôs situações desconfortáveis para o prefeito Eduardo da Costa Paes não é a única arapuca de uma coleção que os eventos internacionais poderão encobrir.  E, como daqui a pouco o assunto será esquecido na mídia, ainda vamos ter muito mais o que lamentar, até por que Eduardo e seu séquito de mauricinhos não são os únicos dados a aventuras urbanas: o arcebispo Orani Tempesta (que não se perca pelo sobrenome) disse que a culpa de toda essa pasmaceira mundializada é da meteorologia, que havia previsto uma semana de sol. Quer dizer: desse para o espetáculo litúrgico, o resto que se virasse depois.


E ainda dizem que eventos de tal porte trarão benefícios à cidade para além do seu calendário.

sábado, 27 de julho de 2013

Em meio a tanta lama e tanto vexame só resta ao prefeito pedir para sair

Trapalhadas na jornada católica revelam erros  por escolhas que só serviram a interesses imobiliários


Cercado de mauricinhos incompetentes, Eduardo Paes incluiu o Rio no folclore das chacotas
Basta!
A cidade do Rio de Janeiro está passando por vexames de efeitos negativos dramaticamente irreversíveis.
O que vem acontecendo neste evento religioso é coisa do diabo. Fora o desempenho simpático do Papa, que ainda está em lua de mel com o trono, tudo cheira mal.

Esse cancelamento do grandioso ato final no terreno do empresário de ônibus Jacob Barata Filho, em Guaratiba, é a própria exposição explícita de um crime continuado: Estado e Município gastaram dinheiro na dragagem do rio Piraquê, construção de passarelas e ainda deram uma mãozinha no aterramento do terreno de manguezais em área DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE, programado para ser comercializado em 2014 num grande loteamento de 3 milhões e meio de metros quadrados.

Tudo para unir o “útil ao agradável”, em mais uma trapaça cujo truque é usar os eventos internacionais para favorecer interesses particulares, sabe Deus em troca de que. E tudo apesar dos questionamentos do Ministério Público, que previa uma tragédia caso uma porção de medidas não fossem adotadas naquela área, onde até água potável poderia faltar para os participantes da missa seguida de uma marcha de 8 Km a pé.

Incompetência como cartão de visita
Deu no GLOBO
A Jornada Mundial da Juventude trouxe muito menos peregrinos do que se esperava e muito menos do que divulgam seus propagadores. Mas é uma gente de paz, com a alma cordeira, deslumbrada pela presença do chefe da Igreja Católica, pelo intercâmbio com crentes de outros países e pela festa que tudo isso representa.

Se não fosse um "rebanho" dessa têmpera já teríamos presenciado o “estouro da boiada”.  Por que esses visitantes se tornaram personagens de uma semana de caos, de sacrifícios  pessoais,  que está tirando do sério também a população hospedeira, parte da qual aproveitou o “feriadão” e se mandou para longe, mesmo onde o frio é maior.

Desde o primeiro momento da chegada do Papa a prefeitura da cidade mostrou sua clamorosa incompetência. Como de propósito, meteram o seu Fiat Idea  na pista engarrafada,  desprezando a reservada para o trajeto, embora tivessem tido vários oportunidades de corrigir o erro. Por pouco o Papa não foi arrancado do carro.

No dia seguinte, foi o metrô que ofereceu sua contribuição ao desmazelo geral.  Parou e não havia ônibus para substituí-lo na emergência. Os visitantes ficaram no sereno, rezando a Deus para que uma alma do outro mundo viesse resgatá-los.

Prefeito cara de pau “não sabia” de quem é o terreno

Agora, a constatação de que o terreno do último ato era de fato um manguezal,  cuja escolha aconteceu burlando normas ambientais, favorecia  a um amigo e financiador de políticos corruptos, virou um charco e não tem como sediar a apoteose deixou meio mundo mal na fita. Essa área não tinha condições para nada, como vinha alertando o Ministério Público, mas ganhou aterro a custo zero (para seus donos) e seu metro quadrado seria valorizado para a comercialização prevista para 2014, ao ganhar visibilidade internacional.

Jornal O DIA  flagrou caminhão da Prefeitura dando uma mãozinha no aterro do Jacob 
Todo mundo sabia, conforme revelou o jornal O DIA no último dia 3 de julho, que esse manguezal pertence ao todo poderoso Jacob Barata, o  generoso chefão do sistema de transportes, amigo, irmão, camarada de uma fieira de políticos corruptos. Só o prefeito Eduardo da Costa Paes teve a cara de pau de dizer em entrevista coletiva que não sabe quem é seu proprietário, com que tenta encobrir o ato de favorecimento com confissões de incompetência.
Isto por que agora parece clara a razão do investimento de 1 bilhão de reais no tal BRT, ligando a Barra da Tijuca à Santa Cruz, e passando por Guaratiba, onde ainda é baixa a demanda de transportes, enquanto o viaduto do Joá, principal via de saída da Barra para a Zona Sul, era condenado pelo COPPE/UFRJ por sua “degradação estrutural”.
A escolha do terreno do Jacob Barata aconteceu apesar de sugestões sensatas para que essa missa final acontecesse ao longo da Presidente Vargas, com palanque na Candelária, tal como aconteceu no maior comício das "diretas" na década de 80.

Livrai-nos Deus desse senhor quando o Papa for embora

Eduardo da Costa Paes não tem nem preparo, nem estatura para responder por uma cidade de prestígio internacional,  que já não se resolve nem na sua rotina doméstica, quanto mais diante da responsabilidade de sediar eventos como essa jornada religiosa, a copa do mundo de futebol e os jogos olímpicos mundiais.

É prefeito lá por que usou do recurso primário da pior politicagem. Depois de ganhar a primeira eleição, apadrinhado pelo governador Sérgio Cabral,  à custa de manobras torpes, como um feriadão sob encomenda no domingo do pleito, cooptou um a um dos partidos concorrentes, oferecendo secretarias, prebendas e outras coisas mais.

Sua coligação de 17 partidos é sustentada por uma penca de arrivistas, clientelistas, carreiristas, lobistas, patrimonialistas, negocistas, uma turma sem vocação para a vida pública, na qual se incluem até partidos de discursos sofismáveis, a começar pelo PT, que está infestado de anões políticos, entre os quais o vice-prefeito Adilson Pires, supra-sumo da mediocridade, passando por PC do B. PDT e PSB, de históricos compromissos ideológicos.

Com a entrega de secretarias chaves a um entourage de mauricinhos amigos, esse incompetente forjado no forno do Cesar Maia tem tudo para incluir o Rio de Janeiro no folclore internacional das chacotas, como agora com essa do jornal de Chicago, afetando dramaticamente a auto-estima dos cariocas.
Quando o Papa for embora, espera-se que Eduardo da Costa Paes tome uma dose de “semancol” e peça para sair, por que de PEDIDOS DE DESCULPAS a população já está de saco cheio.
Quando o Papa for embora, espera-se que, em permanecendo como alcaide desta cidade inquieta, alguns partidos se deem conta da “furada” em que se meteram em troca de algumas sinecuras e de alguns favores,  pulem fora dessa embarcação desgovernada e tratem de se recompor com seus históricos e com uma população que cansou de imposturas.

Quando o Papa for embora, espera-se que as ruas voltem a clamar não só o “fora Cabral”, mas também o “fora Eduardo Paes”, azucrinando-lhes os ouvidos até que eles se manquem e se mandem com suas baratas tontas e seus malefícios insanáveis.

Basta!

O prefeito Eduardo da Costa Paes está nu. Não tem mais o que esconder. E nem onde se esconder.
O Rio de Janeiro não é brinquedinho de amiguinhos deslumbrados, incompetentes e mal-intencionados. Não aguenta mais esses descaminhos que essa jornada de fé acabou expondo além de nossas fronteiras,  como prova exuberante dos maus lençóis em que envolveram a cidade mais internacional do Brasil.

Deu no GLOBO


RIO - O terreno de 1,8 milhão de metros quadrados, em Guaratiba, na Zona Oeste, onde a prefeitura e a organização da Jornada Mundial da Juventude ergueram o Campus Fidei, é considerado uma Área de Preservação Permanente (APP). De acordo com a promotora Christiane Monnerat, da Promotoria de Meio Ambiente, peritos do Instituto de Criminalística Carlos Éboli (ICCE) constataram em laudo que a região era um manguezal e não poderia ter sido aterrado. Na tarde desta sexta-feira, uma equipe da Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente (DPMA) voltou ao local para realizar uma perícia complementar e verificou que a licença de instalação concedida pelo Instituto Estadual do Ambiente (Inea) venceu no último dia 19.
A investigação conjunta da DPMA e da Promotoria de Meio Ambiente apura, ainda, denúncias de que o terreno já vinha sendo aterrado irregularmente antes da autorização do Inea:
— Há denúncias de que integrantes de milícias que atuam naquela região já estariam promovendo o aterro e o loteamento irregular de parte da área de manguezal. O laudo feito no início do ano mostra que havia um acúmulo de aterro de construção sobre trechos da vegetação. Além disso, dezenas de árvores foram cortadas, aumentando os danos ao ecossistema — disse.
Christiane Monnerat ressalta que o inquérito policial também vai apurar responsabilidades na concessão da licença para o aterro e terraplanagem na APP.
Iniciada em dezembro passado, a investigação identificou sete empresas que figuram como proprietárias do terreno. Apesar de uma das denúncias apontar que o local pertenceria ao empresário Jacob Barata, seu nome não consta da composição societária de nenhuma das firmas. Na próxima semana, os sócios das empresas e o responsável pela concessão de licença do INEA serão chamados para prestar esclarecimentos na DPMA.

segunda-feira, 22 de julho de 2013

Sem clima só resta a Cabral pedir as contas e se mandar para Paris

Governador do Estado do Rio personifica como  ninguém tudo o que o povo indignado quer ver pelas costas


Na manhã de quinta-feira, 18 de julho de 2013, comerciantes do Leblon e Ipanema, na Zona Sul do Rio de Janeiro, contabilizavam os prejuízos de mais uma noite de fúria de  milhares de pessoas que mantinham viva em frente e nos arredores da casa do governador Sérgio Cabral a cólera da turba contra os favorecimentos, negociatas, corrupção e mau uso dos recursos públicos.

Dono da Toulon em lágrimas
Eduardo Balesteros, dono da Toulon, uma loja tradicional de roupas na Ataulfo de Paiva, chorava: todo o seu estoque tinha sido saqueado pelos vândalos que haviam elevado os protestos à sua temperatura máxima depois que a tropa de choque da PM isolou a quadra onde mora o governador, na qual, por semanas, manifestantes permaneceram acampados pacificamente. 

PM que, de forma calculada, deixou correrem soltas as depredações, sob pretexto de um acordo com o Ministério Público e a OAB para não usar balas de borracha e gás lacrimogênio contra os manifestantes.

O Leblon é o bairro do metro² mais caro do Brasil – na verdade,  um dos mais caros do mundo. É lá que o Sr. Sérgio Cabral Filho mora com esposa atual,  a  ex-assessora Adriana Ancelmo, cujo escritório de advocacia representa algumas concessionárias, como o Metrô e a Supervia,  que tiveram suas concessões prorrogadas por 25 anos por ele, mais de dez anos antes da data prevista para a renovação, num favorecimento explícito e injustificável.

O que seria um benefício para a vizinhança tornou-se um tormento diário: ali em frente e nas proximidades do seu prédio na rua Aristides Espínola ninguém tem mais sossego. Embora  os protestos iniciados em junho tenham arrefecido na maioria das cidades, a pressão dos manifestantes parece cada vez maior sobre o governador do Estado do Rio de Janeiro. Maior e mais radicalizada.
De fato, não há mais clima para Sérgio Cabral permanecer à frente do governo do Estado. Por impulsos incontroláveis, ele continua repetindo as velhas práticas abomináveis, como se nada tivesse acontecido, num conjunto de atos tão abusivos que revolta o mais pacífico dos cidadãos.
Não seria exagero dizer que o mau comportamento desse governador de 50 anos supera em muito o de velhas raposas que poderiam ser seus pais. Faz pouco mais de uma semana, mesmo em meio à onda de protestos, a revista ÉPOCA divulgou superfaturamentos e direcionamentos em duas licitações para obras que somariam mais de R$ 1 bilhão no âmbito da Secretaria do Ambiente. Tal foi a repercussão da denúncia que o seu secretário, Carlos Minc, petista de alto coturno, se viu obrigado a revogá-las 48 horas depois de publicada a reportagem.

Uma trajetória de malfeitos desde a sua posse

Desde o primeiro dia em que se fez governador pelas mãos de Garotinho, de quem se livrou antes mesmo da posse, Cabral se transformou no pior exemplo de administrador, tornando ostensivo o desprezo pelos deveres do ofício e notabilizando-se pela ponte aérea para Paris, que fez com que em um ano passasse 1 terço do calendário fora do Brasil.

Cabral e secretários em noitada de farras em Paris
na companhia do empreiteiro Fernando Cavendish
Seu envolvimento direto e pessoal com empresários com quem trocava favores sempre foi do conhecimento público. Assim foi com Eike Batista, para quem fez todos os gostos, desde as desapropriações arbitrárias na área para a construção do Porto do Açu, em São João da Barra, sacrificando milhares de agricultores, até a provatização do Maracanã, no mesmo instante em que o Estado havia concluído sua reforma, ao custo de mais de R$ 1 bilhão de recursos públicos. 

Assim foi com  a transformação da empreiteira Delta, de Fernando Cavendish,  seu parceiro de farras, em beneficiária de recheados contratos suspeitos de grandes obras, com tratamento privilegiado, inclusive pagamentos por serviços antes de sua medição.



De traição em traição, sempre por cima da carne seca

Ao chegar ao executivo do Estado, Cabral já havia entrado para a crônica dos políticos sem recato quando exerceu a presidência da Assembléia Legislativa. Primeiro, na cobertura ao governador Marcello Alencar, a quem escorou na farra das privatizações até o dia em que rompeu, numa briga de bastidores, no crepúsculo do seu governo, quando  ocorreria a última privatização, a da  CEDAE, após as eleições em que a oposição venceu.

Semanas depois já era aliado íntimo de Garotinho e de Rosinha, aos quais juntou-se  quando o comando do Executivo mudou, passando a usar seu cargo de presidente da Assembléia no troca-troca  do jogo pesado dos interesses espúrios.

Á época, circularam pela internet relatos circunstanciados da transformação das inspetorias da Secretaria de Fazenda em tomadoras de dinheiro para ele e para vários deputados da “base aliada”. Tais acusações, por anônimas, nunca foram apuradas pelo Ministério Público. Portanto, não podem ser apontadas como verdadeiras.

Uma mansão de luxo a "preço de banana"

Sérgio Cabral Filho figura até hoje no folclore das fraudes escriturais quando declarou  ter pago apenas R$ 250 mil por uma luxuosa mansão  avaliada em R$ 5 milhões,no Condomínio Porto Bello, em terreno de 5 mil m², numa paradisíaca praia de Mangaratiba.
Reeleito graças a uma coligação de 17 partidos, que incluía antigos rivais, como o PT e o PDT, Cabral ficou em palpos de aranha após um acidente de helicóptero em Trancoso,  Bahia, no dia 17 de junho de 2011.

Naquela noite fatídica, além de perder pessoas queridas, como a namorada do filho, a esposa do empreiteiro Fernando Cavendish, e sua irmã, muito amiga do governador, viu tornadas públicas, de forma escandalosa, suas promíscuas relações com empresários que mantêm relações de negócios com o Estado, inclusive Eike Batista, em cujo jatinho viajou com os convidados que iam à festa de aniversário do empreiteiro, logo em seguida apontado como sócio de Carlinhos Cachoeira, escroque  cujos tentáculos abrangem muito mais do que o jogo do bicho, seu primeiro ramo.

Além de pilhado em malfeitos indefensáveis, o governador fluminense que exige da presidenta Dilma Rousseff e do PT exclusividade na apresentação do candidato a seu sucessor, é também campeão da impunidade.

O procedimento aberto no âmbito do Ministério Público estadual para configurar a falta de decoro explicitado pelo episódio do helicóptero foi arquivado pelo ex-chefe do Ministério Público, Cláudio Lopes, que não viu  nenhuma transgressão, da mesma forma que ninguém viu nada demais numa farra em Paris documentada em fotos de Cabral, alguns sequazes e do mesmo  Cavendish, hoje em desgraça e abandonado por ele, de onde se supõe que fotografias tão íntimas poderiam ter saído dos  arquivos do empresário, num rompante de raiva incontida.

Fora disso, são públicos e notórios os atos de favorecimentos aos empresários de ônibus, apontados em reportagens de Luiz Ernesto Magalhães em O GLOBO, de onde circula pela internet até a notícia de que sua esposa Adriana Ancelmo seria filha de Jacob Barata, o poderoso chefão do sistema de transportes rodoviários do Rio de Janeiro.

Quem quiser, poderá transformar em um best-seller o dossiê sobre a variedade de estripulias do governador fluminense,  cujos tentáculos se estendem a Brasília.  Foi graças aos seus métodos articulatórios que o deputado Eduardo Cunha, um político que cultiva maus hábitos sem qualquer cerimônia, se fez líder da bancada federal do PMDB, transformada no mais poderoso antro de pressão e lobismo da República, ao ponto de manter acuada e tirar o sono da presidenta de cujo governo participa.
Tudo isso explica a concentração e permanência dos protestos cada vez mais quentes na figura de Sérgio Cabral, sugerindo que eles poderão continuar a acontecer em situações cada vez mais desconfortáveis para ele.
Manifestante preso nos protestos do Leblon. A foto fala por si.
Além das manifestações de rua, a internet repete peças acusatórias em milhões de e-mails, o que cria uma situação insustentável para o governador, respingando para todos os lados e atingindo autoridades amigas.

Pode ser que essa onda nacional, com repercussão internacional, aponte como única alternativa lúcida a realização de uma investigação independente  sobre os malfeitos arquivados ou a própria renúncia do governador.
Ninguém de sã consciência admite que ainda exista clima para que Sergio Cabral permaneça à frente de um dos Estados mais importantes do país, com inevitável e desagradável fragilização de todo o arcabouço político nacional.

quarta-feira, 17 de julho de 2013

A medicina e o Brasil real


Roberto Amaral 
publicado em 17/07/2013 na revista CARTA CAPITAL 

 A sociedade de classes se manifesta no serviço médico: para os muito  pobres, nenhum médico; para os muito ricos, hospitais de ponta

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 Ex-ministro de Estado e vice-presidente nacional do PSB, Roberto Átila Amaral Vieira, cearense, 73 anos, é um dos pensadores mais lúcidos do país. Conheço sua trajetória  e sua coerência  desde quando militantes juntos no movimento estudantil em Fortaleza.

Na montagem do blog, o Brasil real que ninguém pode desconhecer


A furiosa campanha corporativista dos médicos contra a vinda de colegas estrangeiros procura alarmar o país. No entanto, a atração de profissionais do exterior é prática antiga a que muito devem os Estados Unidos, a Rússia e muitos outros países. Não podemos ceder a essa manifestação de egoísmo classista, sob pena de ofender os direitos básicos da grande maioria de nosso povo, principalmente quando se sabe que um dos gargalos do nosso desenvolvimento é a carência de mão-de-obra qualificada.

Pesquisa do Ipea, realizada com 2.273 pacientes do SUS, mostrou que a falta de médicos é o principal problema de 58% dos brasileiros dependentes da rede pública. Temos algo como 300 mil médicos no exercício da profissão e 700 municípios (15% do total) sem um único profissional de saúde. Em outros 1,9 mil municípios, “3 mil candidatos a paciente disputam a atenção de menos de um médico por 30 segundos por pessoa”! (IstoÉ,10/07/2013).

O Brasil possui a vergonhosa média de 1,8 médicos por mil habitantes. Nossa vizinha e sofrida Argentina, 3,2; Portugal e Espanha, em crise, 4. Não citarei cifras de Cuba. Mesmo essa média é enganosa, pois, se o RJ possui 3,4 médicos por mil; SP 2,49 e MG 1,81; o Acre tem 0,94 médico por mil; o Amapá, 0,76; o Pará, 0,77; o Piauí, 0,92; o Maranhão, 0,58 (!); Amazonas, Bahia, Ceará e Tocantins têm 1 médico por mil habitantes (IBGE. 2012, CFM), o que evidencia a má distribuição dos médicos pelo nosso território. A propósito, das 130.000 vagas oferecidas a médicos pelo serviço público nos últimos 10 anos, apenas 90.000 foram preenchidas.

Mas o dr. Kalil, o médico da Corte e dos afortunados, é “terminantemente contra” a vinda de médicos estrangeiros porque, para haver medicina, é preciso haver “hospital bem estruturado” (FSP, 10/07/2013). Mas o que é, na realidade brasileira, ‘um hospital bem estruturado”? Não explica e ficamos sem saber.

O cerne da crise da assistência médica, no Brasil, não está, lamentavelmente, apenas, no minguado número de médicos, e na sua precária distribuição. Está, antes, na própria qualidade da formação médica, a começar pela ausência das cadeiras de ética e deontologia na grande maioria dos cursos. O formando de hoje é  ‘treinado’ para transformar a residência em especialização da subespecialização ditada pelo mercado, e ter seu consultório particular, se possível fechado aos que ainda podem pagar planos de saúde. SUS, ora isso é nome feio.

Na verdade, a sociedade de classes se manifesta em sua dramática injustiça no serviço médico de um modo geral: para os muito pobres, médico nenhum; para os pobres, os médicos formados em cursos privados, muitos deles ‘cursos de fim de semana’. Para a classe média os médicos com residência e especialização, os que aceitam os planos de saúde. Para a alta classe-média e a pequena burguesia, os médicos formados nas escolas públicas, quase sempre com bolsa de iniciação científica pública, com residência (com bolsa de estudos fornecida por entidade pública) em bons hospitais (embora os hospitais-escola estejam em crise e os, demais, como as Santa Casas e quejandas sejam péssimos), e mestrado, especialização e doutorado (com bolsa de estudos do CNPq, da Fapesp ou da Faperj ou de alguma outra agência estadual) no exterior, de preferência. Para os ricos ou membros da ‘nova classe’, os Sírio Libanês, os Einstein ou... Boston.

O leitor se deu conta de que entre os hospitais brasileiros de excelência não se mencionam mais os públicos? Talvez a única exceção sejam o Incor em São Paulo (hoje uma fundação) e o Inca no Rio, ambos sempre a braços com crises financeiras.)

O formando em medicina, principalmente em universidade pública, nas quais, em regra, os cursos são bons, é preparado psicológica e eticamente para trabalhar num Sírio Libanês, tendo ao seu lado equipamento de última geração e alimentando a expectativa de fama profissional. Eles vivem nos seriados tipo Dr. Kildare ou House. Não é só Brasília que ignora o Brasil real. Do alto de seu prestígio, o cardiologista oficial da Corte, com a bata de doutor do Sírio, nos diz que o mais importante não é médico, mas equipamentos. Mas, de que servem equipamentos sem médicos? E diga-nos esse doutor, qual país do mundo, incluindo os EUA e as maravilhas sociais dos países escandinavos, pode oferecer condições ideais de trabalho para seus médicos e atendimento médico universal gratuito fundado na parafernália eletrônica? E quando poderá este país de 200 milhões de habitantes e mais de 8,5 milhões de quilômetros quadrados assegurar hospital para todos os brasileiros e para todos os brasileiros a ciência médica praticada no Sírio? Condições de trabalho, queremos todos, não só os médicos, querem os motoristas de ônibus, os advogados que enfrentam uma Justiça que não funciona, os enfermeiros que sofrem nas mãos de médicos, os engenheiros, os agrônomos, os operários de chão de fábrica, os professores, sem salários, sem laboratórios, sem transporte, toda gente. Melhoria do transporte coletivo é também melhoria das condições de trabalho. Isto não é pleito de uma classe, mas exigência de uma sociedade em busca de progresso que depende de seu enriquecimento e simultânea distribuição de renda.

Pergunto ao dr. Kalil: quem foi esse senhor dos fatos que decidiu que só uns poucos, essa minoria da minoria privilegiada, tenham direito à sua clínica cardiológica, e os outros não tenham direito a clínica nenhuma, porque seus médicos esperam hospitais “adequadamente aparelhados” etc. etc.? No sertão, um estetoscópio e um aparelho de tomada de pressão arterial já salvam vidas.

Afinal, o dr. Kalil, bom médico que é, deve ter cedo aprendido que medicina é diagnóstico, e que, mesmo sem dispor do precioso auxílio de equipamentos (não que os dispensemos) e de exames (que não que os dispensemos), o bom médico é capaz de, ao menos, dar conforto aos seus pacientes e, sempre que possível, levá-los à cura. A alternativa ao médico nenhum é o curandeirismo, a indicação do balconista da farmácia, a indicação do vizinho…

O Brasil real não é aquele oferecido pelos hospitais Sírio Libanês ou Einstein, que não são, sequer, a realidade da capital paulista. O  Brasil real é o Brasil da periferia de Rio, de São Paulo e de todas as capitais, para não falar do Norte de Minas Gerais, do semi-árido nordestino, do vazio do Centro-Oeste, da Amazônia inóspita. 

Tabelas adicionadas pela editorial do blog mostra os contrastes injustos

O Brasil real não pede especialistas em subespecialidades, nem carece de ‘máquinas de última geração’ para fazer partos, tratar disenteria, consertar uma perna quebrada, aliviar um mal-estar, diagnosticar uma tuberculose, uma cardiopatia, uma ‘barriga d’água’... Precisa, sim, de clínicos, milhares de clínicos e generalistas, que tenham tempo de conhecer seus pacientes. Pergunta-nos para em seguida responder o dr. Adib Jatene: O que queremos de um médico? Que ele saiba diagnosticar o que você está sentindo. Que ele saiba analisar a sua dor, a febre, sem precisar de tecnologia (OESP, 09.07.13). O resto é o resto: corporativismo de quinta categoria.

Diz ainda o dr. Jatene, a quem devoto respeito, que, onde tem hospital tem médico. Invertendo o juízo ficamos sabendo: onde não há hospital, não há médico. Donde a solução ser construir hospitais e tê-los, e mantê-los de alta qualidade em todos os municípios do Brasil. Evidentemente, se possível privados, e se possível de padrão próximo ao do Sírio Libanês. Quando isso será possível? Digamos, otimisticamente, que daqui a 50 anos. E até lá? Admitamos, só para raciocinar com os doutores, que já tivéssemos hoje esses hospitais. Onde iríamos buscar os médicos? Hoje, formamos 18 mil médicos ao ano, o que não atende nem à demanda, nem à qualidade, nem assegura distribuição para o interior.

Saberá o dr. Kalil que o Brasil possui 5.570 (número que vai aumentar brevemente) municípios, alguns com população maior que a de vários países do mundo (SP capital tem 12 milhões de habitantes), e alguns, como Altamira, no Pará tem território quase duas vezes maior que o de Portugal? Saberá que Roraima tem 15 municípios e Minas Gerais 853? Saberá de que Brasil está falando?

Que fazer?

O Dr. Jatene responde. Investir, no curto prazo, na ‘importação’ de jovens médicos estrangeiros, submetidos a reavaliação, e na formação complementar de dois anos, porque hoje formamos apenas médicos candidatos à residência médica - que formam especialistas - e esses médicos não vão atender às nossas necessidades, pois precisamos de médicos para atender à população sem necessariamente ter de usar a tecnologia. Essa formação complementar seria focada em urgência e emergência. É preciso investir na formação para que esse profissional vá trabalhar dois anos no atendimento básico da população do Estado em que se formou. Temos faculdades de Medicina em todos os Estados. Todos. Só que os médicos se formam e não ficam em suas cidades, eles vêm fazer residência no Sul e no Sudeste (OESP, idem.).

E no Sudeste ficam.


A medida, vou mais adiante, deveria valer para todos os profissionais formados em escolas públicas ou, se em escolas privadas, com bolsa de estudo público. O concludente ou saldaria o custo do investimento público ou permaneceria dois anos à disposição do Estado, que indicaria, atendendo evidentemente à sua formação acadêmica, onde iria trabalhar. Depois disso, vá ser rico onde quiser.
 

terça-feira, 16 de julho de 2013

Sequestraram nossos sonhos e pt saudações

Na real, cada um tratou de si e o Poder Público continua exposto aos malfeitos de outros carnavais



"A militância participa no limite da sua disponibilidade. Tem muita gente que, felizmente, está empregada agora depois de 10 anos do governo Lula. (A manifestação) Foi durante a semana, não era feriado, boa parte da nossa militância está empregada".
Rui Falcão, presidente nacional do PT

Pilhado numa reportagem documentada da revista Época, o secretário de Ambiente do Estado do Rio de Janeiro, Carlos Minc, do PT, teve de anular duas licitações superfaturadas e de cartas marcadas no valor de R$1,2 bilhão para a contratação das obras de despoluição das lagoas da Barra da Tijuca, bairro da Zona Oeste do Rio, e para contenção das cheias da região noroeste do Estado.

Eike Batista deu o maior golpe no mercado com mentiras repetidas, mas como bancou meio mundo, na política e na mídia, não corre risco nem de ter os bens bloqueados, muito menos do xilindró.

Há uma terrível vocação entre os seres humanos -  a inexplicável volúpia de entregar o ouro ao bandido. Pode até ser por impulsos inconscientes, mas essa é a constatação mais evidente que se observa nesse infortúnio de atitudes kamikazes.

Essa inclinação masoquista é tanto maior quando esse ser humano está por cima de uma carne seca que jamais imaginou tão farta.

A exacerbação dos apetites e a velocidade dos desejos desregraram o comportamento. O triunfo da mediocridade arrivista incensou a fogueira autofágica e abriu as comportas para se botar tudo a perder.

O caos do despudor e da brasa pra minha sardinha
É o caos sem tirar, nem por. O caos do despudor e da miopia. Da brasa pra minha sardinha. Quem antes vituperava contra o mar de lama  nele afogou-se agora na nudez de seus instintos. 
Faz até pior por ser marinheiro de primeira viagem e por ter trocado a virtude crítica por umas prebendas e uns níquéis reluzentes, num desvio de caráter tão nojento que já não  sabe nem como pôr a cara na rua, nem nas paradas dos miquinhos amestrados.

Definitivamente, o Brasil vai de mal a pior e não há para quem apelar. Todos os próceres, os titulares dos podres poderes, embarcaram na nau dos insensatos. Querem moleza, querem usufruir do bom e do melhor, querem tirar proveito de tudo e de cada momento, por que, desgraçadamente, têm os olhos maiores do que as barrigas.
O noticiário fala por si. Todo hora é um escândalo, na repetência de hábitos seculares, já apontados pelo humor do Marquês de Maricá. Perderam a contagem do tempo de uma nação na precipitada abreviação da própria hora.

É a era mais pujante do império da politicagem de interesses, da “governabilidade comprada no “dá lá toma cá”, das negociatas, das roubalheiras, da pilhagem escancarada, do sepultamento das ideologias e dos valores essenciais.

Nas ruas, perdidos cordões sem elos e sem raízes
O povo que foi às ruas não criou raízes, nem elos.  Vai se dispersando depois do mero exercício da catarse. Tirou a espinha entalada na garganta e se deu por satisfeito ao ver os protagonistas tremerem nas bases.
Mas se sabia o que doía, não sabia o que queria. Acabou sendo usado para meia dúzia de peripécias de fancaria que não deram em nada.  Por que o valhacouto visado tem jogo de cintura.

Tiram sarro na Pátria amada e fica por isso mesmo

Triste é ver um país quedo, arrastando-se trôpego diante de graves ofensas, como essas revelações escabrosas sobre o controle dos nossos atos, a violação testicular da nossa intimidade  presumidamente soberana.
Governantes e cidadãos não entenderam ou não quiseram entender a gravidade dessa espionagem de alto teor corrosivo. 
Notinhas aqui e ali e nada mais, palavras ao vento mostrando um país vulnerável,  de cócoras, que não terá como peitar essa invasão estrangeira.
Nesse capítulo sujo, o mínimo que  a soberania clama seria chamar o nosso embaixador para "consulta", suspender as relações já desiguais até repactuá-las com base no mútuo respeito.  Porque foi uma GRAVÍSSIMA invasão de nossas sagradas fronteiras. Se eles estão tão à vontade para bisbilhotar nossas conversas, imaginem como andam no mapeamento de nossas riquezas. 
Ou então se oferecia asilo a quem expôs sua pele para denunciar a trama. Mas não.  Nem a humilhação imposta ao presidente de um país irmão levou à indignação altíssona. Nada. Vai ficar por isso mesmo, na troca de lamentos parfa a platéia. É de praxe.

A degeneração das elites mandantes produziu um cipoal de rabos presos. Tudo o que fizeram e compromete está nos arquivos implacáveis da central única de informações cibernéticas.

Quem vai ousar bater de frente com quem armazenou sua ficha suja e suas peraltices?

Nossos paradigmas são a fina flor da matreirice

Bem que a gente chegou perto do sonho. Podiam ter tido o comportamento franciscano  dos barbudos do Caribe que se tornaram invictos por não abrirem mão do idealismo da montanha.

Mas aqui entre nós, nesta leniente terra sul-americana,  o planalto se abriu em flor na festa de suas misteriosas noites de desvario. Não houve mudanças, mas trocas e na linguagem da farsa, com o aproveitamento dos mesmos personagens, de onde o sonho juvenil, pra valer, com o culto das vocações sacerdotais, foi para as calendas. E não se fala mais nisso.
Os paradigmas dos nossos dias são a fina flor da matreirice. Meteram a mão na massa e não perceberam que estavam fazendo o jogo dos nostálgicos da longa noite de agonia.
Anote o que escrevo nesta madrugada friorenta sem lampejos de um julho em férias, sem eira nem beira. Este país está à deriva, num mar de lobistas, vigaristas, corruptores e corporativistas, sem uma bússola, uma proposta de nação soberana, de sociedade justa, de progresso consistente, movido por suas próprias pernas.

Se eram as últimas, as esperanças estão definhando até o suspiro final. Pelo menos quanto a este escriba setentão, que fez das tripas coração para um novo dia, não há uma única réstia de luz no horizonte.

Os meus parceiros de utopia esmagaram os passos insurretos e decidiram que suas vidas valiam ouro, que é a vida de cada um que conta, é o prazer insaciável de cada vencedor que determina.

E nessa opção desastrosa pelo atalho pessoal, renderam-se a acordos de conveniência e as alianças espúrias, na celebração da impostura que se tornou um tiro pela culatra.
Estou vendo a olho nu que estão fazendo de tudo por tudo para entregar o ouro ao bandido.
Ou melhor, a um bando de malfeitores dispersos, num ambiente dilacerado, sem uma fortaleza capaz de preservar a integridade do Estado, a dignidade dos cidadãos e a soberania da nação.

Quem sou eu

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Jornalista desde 1961, quando foi ser repórter da ÚLTIMA HORA, PEDRO PORFÍRIO acumulou experiências em todos os segmentos da comunicação. Trabalhou também nos jornais O DIA e CORREIO DA MANHÃ, TRIBUNA DA IMPRENSA, da qual foi seu chefe de Redação, nas revistas MANCHETE, FATOS & FOTOS, dirigiu a Central Bloch de Fotonovelas. Chefiou a Reportagem da Tv Tupi, foi redator da Radio Tupi teve programa diário na RÁDIO CARIOCA. Em propaganda, trabalhou nas agências Alton, Focus e foi gerente da Canto e Mello. Foi assessor de relações públicas da ACESITA e assessor de imprensa de várias companhias teatrais. Teatrólogo, escreveu e encenou 8 peças, no período de 1973 a 1982, tendo ganho o maior prêmio da crítica com sua comédia O BOM BURGUÊS. Escreveu e publicou 7 livros, entre os quais O PODER DA RUA, O ASSASSINO DAS SEXTAS-FEIRAS e CONFISSÕES DE UM INCONFORMISTA. Foi coordenador das regiões administrativas da Zona Norte, presidente do Conselho de Contribuintes e, por duas vezes, Secretário Municipal de Desenvolvimento Social. Exerceu também mandatos em 4 legislaturas na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, sendo autor de leis de grande repercussão social.