segunda-feira, 22 de abril de 2013

Todo o império contra dois chechenos


Como dois jovens imigrantes foram usados para dar uma mãozinha à insaciável indústria bélica dos EUA

 Eles tiraram o sono de 314 milhões de norte-americanos
Imigrantes e muçulmanos, os irmãos Tzanaiev  assombraram os EUA
 Uma população com os nervos à flor da pele. Insegura, como se sujeita a "vingadores" secretos, escondidos em sua própria vizinhança. Ou então um povo manipulado cientificamente pelos meios de comunicação a serviço do complexo industrial-militar.

Essas são algumas ilações que podemos tirar desse episódio espetacularizado que teve Boston como cenário principal e serviu a muitos interesses. Mais do que os percebidos na superfície das informações e que não se resumem exclusivamente a uma pressão contra a proposta de flexibilização das leis de imigração.

200 milhões de armas e o massacre de Newtown

Há uma indústria armamentista que tem no povo dos Estados Unidos o seu centenário e sempre crescente mercado de varejo. São 200 milhões de pistolas e fuzis em poder de 107 milhões (34% da população) de assustados cidadãos norte-americanos, segundo estimativas oficiais. Mais de 300 indústrias produzem esse arsenal nesse país que cultiva a supremacia e a condição de "xerife" do mundo.

Uma semana antes das duas bombas de Boston, o presidente Barack Obama, em discurso na Universidade de Hartford, Connecticut, reiterou sua disposição de levar adiante a promessa de patrocinar uma lei federal sobre controle da venda e porte de armas, lembrando Newtown, cidade daquele Estado onde 20 crianças e 6 adultos, inclusive a própria mãe, foram executados por Adam Lanza, um americano da gema de 20 anos, no dia 14 de dezembro passado.

O impacto desse massacre levou Obama a se posicionar, em lágrimas, contra o poderoso lobby da indústria bélica dos EUA, em meio a uma grande consternação.

Os acontecimentos de Boston não podem ser separados de toda essa sequência. Só em 2012, outros dois morticínios com as mesmas características foram registrados nos EUA, o país cujo orçamento militar de U$ 607 bilhões é maior do que os dos outros 9 do topo somados.  Em abril, um atirador matou 7 jovens e feriu 3 na Universidade Cristã de Oakland, e em julho, um homem mascarado matou 12 pessoas na pré-estréia do filme "Batman - O cavaleiro das trevas ressurge”, no Colorado.

Indústria bélica poderosa vive do medo

E não podem por que a maior tragédia que pode acontecer à sua economia viciada é reduzir gastos bélicos. Foi o que disseram Robert Gates, ex-secretário de Defesa até 2011, e o almirante Michel Mullen, ex-chefe do Estado Maior conjunto, quando o Congresso norte-americano debatia em setembro passado uma redução de U$ 55 bilhões no orçamento dessa área para o ano fiscal de 2013, num corte total de U$ 500 bilhões como primeira providência para enfrentar o insustentável déficit orçamentário.

Tanto Gates como Mullen falaram em nome dos interesses do poderoso complexo industrial-militar, que, junto com o sistema financeiro, integra o vértice do poder no país e não admite perder sequer uma pequena fração da sua receita. Ambos ressaltaram que os cortes seriam “devastadores e deixariam uma força (militar) oca”, incapaz de responder às ameaças à segurança nacional.

A voracidade orçamentária do complexo de segurança estadunidense é de tal monta que o corte pretendido para 2013 apenas faria o orçamento militar recuar aos níveis de 2007. Ademais, tais números se referem somente ao orçamento direto do Departamento de Defesa, que representa uma fração do montante de recursos destinados ao complexo como um todo.

De fato, como comentou Dave Lindorff, um premiado jornalista investigativo, na prática, a os custos de guerra representam 50% de todo o orçamento norte-americano. "No ano fiscal de 2012, além de um total de UJ$ 673 bilhões de dólares para o Pentágono, somam-se mais outros U$ 166 bilhões para atividades militares de outros departamentos governamentais, como o programa de armas nucleares, grande parte do qual é manejado pelo Departamento de Energia, ou o Programa de Veteranos, que paga a assistência e os benefícios do pessoal militar da reserva. Há também cerca de U$ 440 bilhões em juros pagos sobre as dívidas de guerras e gastos militares anteriores. Tudo junto chega a 1,3 trilhão de dólares, que representam quase 50% do orçamento geral dos EUA".

Uma "ameaça" espetacularizada sob medida

No caso desse escândalo internacionalizado pelas duas bombas de Boston, pode-se chegar a uma variedade de conclusões. Não é paranóia nem idéia fixa de um adepto da "teoria da conspiração" imaginar uma grande farsa para reacender nos nervosos norte-americanos o apego pelas armas e pela indústria bélica.

No entanto, os acusadores dos dois jovens chechenos vão ter que suar a camisa para encontrar um motivo para que eles se metessem nessa roubada. O mais velho já foi silenciado pelas balas dos seus caçadores. O outro, de 19 anos, pode sobreviver ou não.  

Mas o que os tornaria perigosos terroristas, alvos da mais gigantesca caçada humana já realizada nos últimos tempos naquele país, com direito a uma grandiosa cobertura cinematográfica via satélite para todo o mundo? Pinçá-los como suspeitos está dentro do manual de segurança do FBI, CIA e assemelhados.

São muçulmanos e os muçulmanos são pintados hoje como eram até bem pouco os comunistas chineses e russos, no imaginário dos 314 milhões de norte-americanos: segundo a lenda, são aqueles cujo orgasmo mais pleno decorre do comprometimento com uma  "guerra santa sanguinária".

Seriam tão monstruosos que prenderam em casa  por dois dias os 5 milhões e 800 mil  habitantes da região metropolitana de Boston, a cidade onde nasceram o dólar e o primeiro sistema de metrô dos EUA. Contra os irmãos Tsarnaev exibiram a tecnologia de última geração da indústria bélica e milhares de homens armados até os dentes, permitindo-se aos cidadãos conhecerem os avanços nessa área e entenderem  por que o ex-chefe do Pentágono não queria o corte de um único centavo dos gastos bélicos do país.

Graças a esse evento protagonizado por dois chechenos, que deu ibope no mundo inteiro, onde a grande mídia está em mãos de robôs repetidores sem qualquer critério crítico, vai ser mais difícil pensar lá em limitar as armas nas mãos dos civis e em mexer nos interesses insaciáveis do intocável complexo de "segurança nacional". De quebra, ainda será possível evitar o reconhecimento de cidadania aos milhões de imigrantes que são mais interessantes como escravos modernos, "clandestinos" baratos aptos a prestarem todo tipo de serviço por uma meia pataca.

Como aqueles dois, podem existir outros quatro ou cinco, suficientes para ameaçar a segurança nacional e a integridade física de cada cidadão dos Estados Unidos da América.

É o que reza a lenda de bem escorado suporte midiático. 

quarta-feira, 17 de abril de 2013

A terça que abortou o golpe na Venezuela


Com a prisão de oficiais comprometidos e serenidade ante as provocações o plano da CIA gorou por hora
A Venezuela viveu nesta terça-feira, 16 de abril, o dia mais tenso de sua vida constitucional desde o frustrado golpe de abril de 2002. Até as quatro da tarde, estava em marcha um plano golpista que foi temporariamente abortado pela maturidade política da militância chavista e pela firme demonstração de autoridade do presidente Nicolás Maduro, com o apoio dos vários escalões das Forças Armadas Nacionais Bolivarianos.

Desde segunda-feira, quando o chefe oposicionista de direita Henrique Capriles Radonski, derrotado nas eleições presidenciais de domingo,  ordenou protestos violentos contra a proclamação de Maduro como vencedor das eleições, com o apoio de mercenários para-militares em pelo menos 15 estados do país, sua expectativa era de criar uma situação semelhante a de 13 anos atrás, que redundou na deposição por dois dias do presidente Hugo Chávez.  

A agitação de rua levaria a uma sedição militar sob a liderança de dois generais e nove oficiais da Guarda Nacional, que operariam a partir do Comando de Apoio Aéreo de La Carlota. No entanto, uma rápida ação da Direção de Inteligência Militar deteve os potenciais sublevados ainda na noite de domingo, no mesmo momento em que Capriles Radonski declarava que não reconhecia o resultado anunciado pelo Conselho Nacional Eleitoral e ordenava as ações violentas de segunda-feira.

No plano internacional, o golpe teve o apoio ostensivo do governo norte-americano, que ainda não formalizou o reconhecimento da vitória de Maduro, e da Espanha, que lançou suspeitas sobre o pleito. Na manhã de terça-feira, enquanto a militância orgânica do Partido Socialista Unido da Venezuela se preparava para o contra-ataque sob o comando de Jorge Rodrigues, Maduro deu um ultimato ao governo espanhol e este reconsiderou sua  postura.

Durante toda a segunda-feira, as agitações de rua ficaram por conta dos grupos ligados a Capriles, que apostava num confronto de grandes proporções com centenas de mortes. Com a ajuda de para-militares armados, esses grupos atacaram repartições públicas, tentaram tomar a estação estatal de TV e forçar uma paralisação  das empresas por ordens dos patrões.

Maduro avisou que poderia radicalizar com a tomada das empresas por seus trabalhadores. “fábrica parada será fábrica ocupada” – advertiu a deputada chavista Blanca Eekhout, em emocionante pronunciamento na Assembléia Nacioal. Mas as organizações sociais chavistas surpreenderam e não reagiram à violência espalhada, apesar das sete mortes registradas, 62 feridos e de mais de mil pessoas atendidas nos hospitais das cidades  onde os grupos de direita incendiavam objetos nas ruas e atacavam inclusive sete  Centros de Diagnóstico Integral, onde trabalham médicos e enfermeiros cubanos dentro de um convênio que já produziu grandes mudanças positivas nos índices de saúde dos venezuelanos.  

Clique na foto e veja imagens da violência na Venezuela 

Esses ataques, que  tiveram requintes de violência e destruição, foram registrados nos Estados de Táchira, Miranda, Anzoátegui, Carabobo e Zulia. O pretexto usado era de que havia propaganda de Maduro nesses centros médicos.

Os sete mortos foram atacados em pontos diferentes do país quando ainda celebravam a vitória de Maduro.  Alguns foram atingidos por balas disparadas pelos para-militares  contratados pelo “Comando Simon Bolívar”, o comitê eleitoral do candidato da direita.  O relato documentado dos crimes, com os nomes das vítimas e as condições em que foram executadas, foi  apresentado no final da tarde de terça-feira pelos ministros do Exterior, Elias Jaua, e Comunicação e Informação, Ernesto Villegas.

A resposta firme contra a tentativa de golpe

Na Assembléia Nacional, o seu presidente, deputado Diosdado Cabello, responsabilizou Capriles Radonski pela violência desencadeada. Coronel da reserva e parceiro de Hugo Chávez desde a insurreição militar de 1992, Cabello escreveu em sua conta no twitter:
“Capriles fascista, eu vou pessoalmente cuidar para que você pague por todos os danos que está causando ao nosso país e ao nosso povo ".

Deputada Blanca Eekhout: a resposta
Na sessão da tarde de terça-feira, a deputada Blanca Eekhout, segunda-vice presidente da Assembléia, depois de emocionado discurso, leu uma resolução aprovada pelos colegas apoiando as investigações do Ministério Público e acusando formalmente Capriles pela onda de violência de segunda-feira.

Com o passar do dia, o líder direitista foi se vendo isolado, apesar do apoio reiterado do governo norte-americano. Ele contava com uma grande marcha hoje à sede do Conselho Nacional Eleitoral, onde fica a memória de todo o processo eleitoral,  numa movimentação que poderia degenerar na invasão de suas instalações e destruição dos seus documentos.

Depois de reunir-se com o comando das Forças Armadas, o presidente Nicolás Maduro anunciou, ao meio dia,  a proibição dessa marcha que teria conseqüências incontroláveis.

O recuo dos golpistas isolados

Até as quatro da tarde, Capriles e seu staff se mostravam dispostos a desafiar a proibição.  Mas a repercussão negativa das ações violentas de segunda-feira, as  dúvidas sobre qual atitude tomaria a militância chavista organizada e a detenção dos 11 oficiais que puxariam o golpe militar o deixaram confuso.

Às cinco da tarde, convocou uma entrevista coletiva, com a presença de jornalistas estrangeiros, e anunciou seu recuo, alegando que fora informado por amigos da inteligência militar que os chavistas infiltrariam provocadores dentro da marcha.  Não era bem isso: ele queria transformar o centro de Caracas numa praça de guerra, más já começava a ver-se ameaçado até de perder o cargo de governador do Estado de Miranda, diante de acusações documentadas de incitação à sublevações.

Ao final da coletiva, mudou totalmente seu discurso inicial, conclamando seus partidários com ênfase a não saírem de casa hoje: “quero dizer aos venezuelanos e ao governo que todos nós aqui estamos prontos para abrir um diálogo para que esta crise possa ser resolvida nas próximas horas".

Informado que a recontagem prevista de 54% das urnas havia sido encerrada sem registrar um único erro, tentou se explicar: “Não se trata de reconhecer ou não os resultados eleitorais de domingo. Estou simplesmente pedindo a recontagem de todos os votos”. Acusado pelo Ministério Público de não haver apresentado nenhum documento que justificasse a incitação à desordem, ele disse que hoje fará chegar ao CNE petição neste sentido.

A ameaça golpista ainda persiste

Apesar do anúncio do próprio presidente Nicolás Maduro de que todos os focos de violência haviam sido neutralizados, com a prisão de mais de 150 pessoas envolvidas diretamente nos ataques de rua, ainda acho cedo para dizer que a intentona golpista foi totalmente debelada.

Esta foi a maior operação já comandada pela CIA, através de algumas ONGs financiadas pelos Estados Unidos, e teve relativo êxito: primeiro, com a morte do líder Hugo Chávez, à semelhança do que aconteceu com o líder palestino Yasser Arafat. Depois com a votação do oposicionista, que derramou muito dinheiro na compra de votos em redutos chavistas, enquanto prometia manter todos os programas sociais do governo.  

Neste caso, houve um deslocamento de 1 milhão de votos dados em outubro a Chávez para Capriles, o personagem sob medida para o golpe: 41 anos,  bilionário, audacioso, carismático, celibatário (foi da TFP da Venezuela) é um fanático da direita bem treinado: já no golpe de 2002, quando era deputado, teve atuação de destaque, inclusive na invasão à Embaixada de Cuba.

Na liderança dos países exportadores de petróleo, a Venezuela tem hoje a maior reserva do mundo e adota um programa de diversificação econômica que tem sido muito interessante para empresas brasileiras e argentinas. Ao contrário do que imaginava a direita e seus monitores da CIA, Maduro, um ex-motorista de ônibus, demonstrou nessas últimas 48 horas que vai ser um osso duro de roer, com a mesma têmpera do coronel Hugo Chávez e uma militância orgânica maior.

Já dia 19, depois de amanhã, estará prestando juramento como novo presidente da República Bolivariana da Venezuela. E isso ainda não foi engolido pelos que conceberam o sofisticado golpe “tecnológico” que tirou a vida do  Comandante Chávez aos 58 anos e quase trouxe a direita de volta ao poder em Caracas.

segunda-feira, 15 de abril de 2013

Capriles não reconhece vitória de Maduro e põe a Venezuela em clima de guerra

Reação está dentro do plano golpista que começou  com o câncer de laboratório inoculado em Chávez


Clique na foto para vê-la maior
Nicolás Maduro é o novo presidente da Venezuela.  Às9h30 da noite, horário de Caracas, a presidente do Conselho Nacional Eleitoral, Tibisay Lucena, anunciou o resultado das eleições, que tiveram a participação de 78,71% dos eleitores, apontoando-o como irreversível. Lá o voto não é obrigatório.

Com 99,12% dos votos apurados, Maduro teve maioria absoluta, com 50,66% da preferência do eleitorado, ou 7.505.338 votos. O oposicionista Henrique Capriles tinha 49,07%, com 7.270.403. A diferença entre os dois candidatos era de 234.935 sufrágios.

O candidato da coligação oposicionista de centro-direita, Henrique Capriles Radonski, se pronunciou às dez da noite (hora de Caracas), afirmando que não reconhece a derrota até que seja feita uma auditoria voto por voto. Sua posição criou um clima de tensão e levou o comando das Forças Armadas a se manifestar, primeiro,  através do comandante militar estratégico, general Wilmer Barrientos, reafirmando seu apoio à manifestação do povo pelas urnas e à Constituição.

Clique na imagem para vê-la maior
Mais tarde, já depois de meia noite, o ministro da Defesa, general Diego Molero, conclamou a todos a respeitarem os resultados eleitorais, reafirmando que as Forças Armadas bolivarianas estão unidas como guardiãs da Constituição e da vontade popular.

A atitude de Capriles de não reconhecer a derrota levou também a uma mobilização da militância chavisata, sob a liderança de Jorge Rodrigues, que lembrou a vantagem de menos de 30 mil votos que fez de Capriles o governador do Estado de Miranda, nas eleições de dezembro, em que os chavistas ganharam em quase todos os Estados. Disse que a atitude de Capriles já era esperada, dentro de um plano que poderia levar a um gesto extremo e que teve grande influência na campanha eleitoral.

Em seu discurso logo após conhecido o resultado oficial, Nicolás Maduro, que enfatizou sua origem proletária como motorista de ônibus, disse que enfrentou todo tipo de sabotagem na campanha, principalmente no corte de energia elétrica nas cidades onde foi fazer campanha. No dia da eleição sua conta no twitter foi invadida, numa sequência de vários ataques de hakers para desestabilizar sua campanha.

Relatou também que no próprio dia das eleições recebeu uma ligação do adversário Caprilles, propondo um pacto para que os resultados só fossem proclamados depois de uma segunda apuração manual.

Lembrou que 54% das urnas eletrônicas, escolhidas aleatoriamente são auditadas, mas se o Conselho Nacional Eleitoral quiser, apóia a auditoria em todas as urnas, sugerida pelo representante da oposição no CNE. Na Venezuela, ao contrário do Brasil, além do eletrônico, o eleitor imprime seu voto, confere e deposita numa segunda urna.

Enfatizou que em 14 anos de governo chavista, houve 18 consultas eleitorais e que em 2007, quando perderam um referendo por pouco mais de 20 mil votos, imediatamente o presidente Hugo Chávez reconheceu a derrota.

Assim, espera que a oposição respeite o resultado eleitoral. Mas já sentiu que não vai ser fácil. Quase todos os jornais da Venezuela e dos países vizinhos deram mais destaque à palavra de Capriles do que ao discurso do candidato vitorioso.

Maduro, líder sindical e ex-motorista de ônibus

O candidato do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) e presidente interino desde a morte de seu mentor, em 5 de março, iniciou sua carreira política longe dos quartéis, ao contrário de muitos dos homens que estiveram perto de Chávez em seus 14 anos de governo. Maduro foi motorista de ônibus e piloto de trem do metrô de Caracas, além de líder sindical. Conheceu o então tenente-coronel Hugo Chávez durante sua prisão, após o levante militar de 1992. Como muitos outros dirigentes de esquerda, buscou aproximar-se do oficial, que começava a surgir como liderança opositora. Foi nessa época que conheceu sua mulher, Cilia Flores, atual advogada-geral da nação e, em 1992, uma das defensoras de Chávez.  


Maduro sempre foi um militante leal à revolução bolivariana. Hoje, atribui a ele tudo o que aprendeu sobre política. O atual presidente venezuelano nasceu em Caracas, numa família humilde que vivia na favela de El Valle. Não tem estudos universitários, e sua falta de formação acadêmica é um dos pontos mais questionados de seu currículo pela oposição. Nos últimos dias de campanha, o candidato do PSUV cometeu alguns erros de geografia, o que redobrou os ataques opositores.

Durante todo o tratamento realizado por Chávez para combater um câncer diagnosticado em junho de 2011, Nicolás Maduro acompanhou o presidente e sua família. O então ministro das Relações Exteriores da Venezuela, cargo para o qual foi designado em 2006, esteve com ele em Cuba e foi um dos poucos que tiveram acesso à intimidade do chefe de Estado. Aos 50 anos, Maduro tornou-se braço-direito do “comandante supremo” da revolução alardeada por Chávez e, em dezembro de 2012, foi escolhido seu sucessor.

Durante a campanha, Maduro recebeu o apoio de líderes como o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a presidente argentina, Cristina Kirchner. O candidato do Palácio de Miraflores tem um excelente relacionamento com muitos governos da região, principalmente de Brasil, Argentina, Bolívia, Peru e Cuba, o que lhe garante um importante respaldo. E, internamente, ganhou o polêmico apoio das Forças Armadas.

De família poderosa, Capriles é um golpista por vocação

Clique na foto para vê-la maior 
 Nascido em 1972, Henrique Capriles Radonsky vem de uma das mais poderosas famílias venezuelanas, que se encontra à frente de vários conglomerados industrial, imobiliário e midiático, além de possuírem o Cinex (Circuito Nacional de Exibições), a segunda maior cadeia de cinemas do país.

 Sua família é proprietária do diário Últimas Notícias, de maior difusão nacional, além de cadeias de rádios e um canal de televisão.

Nos anos 80, militou no grupo de extrema direita Tradição, Família e Propriedade.
Em 2000, fundou o partido político Primero Justicia, com o conservador Leopoldo López, e se aliou ao International Republican Institute, braço internacional do Partido Republicano norte-americano. O presidente norte-americano à época era George W. Bush, que ofereceu um amplo apoio à nova formação política que fazia oposição a Hugo Chávez, principalmente mediante o NED (National Endowment for Democracy).

Uns dias antes do golpe de Estado de 2002, Capriles foi à televisão para exigir a renúncia de Hugo Chávez, dos deputados da Assembléia Nacional, do Procurador-Geral da República, do Defensor do Povo e do Tribunal Supremo de Justiça. Após o golpe de 11 de abril, a primeira decisão da junta golpista foi precisamente dissolver todos esses órgãos da República.

 Em abril de 2002, o Primero Justicia foi o único partido político a aceitar a dissolução forçada da Assembléia Nacional, ordenada pela junta golpista de Pedro Carmona Estanga.


Durante o golpe de Estado de abril de 2002, Capriles também participou do assalto à embaixada cubana de Caracas, organizado pela oposição venezuelana e pela direita cubano-americana.
Por todo esse currículo e considerando que o processo eleitoral na Venezuela está dentro de um sofisticado plano golpista, que começou com a eliminação de Hugo Chávez através de um câncer produzido em laboratório,  tudo  pode acontecer nesse país que tem hoje a maior reserva de petróleo do mundo. E que exerce um grande influência na América Latina e entre os países da OPEP. Para o sistema internacional, Maduro não é o mesmo que Chávez, isto é, é mais vulnerável às pressões de uma elite que não engole o projeto do socialismo bolivariano.

domingo, 14 de abril de 2013

Eike aventureiro é criatura do PT, diz na lata Carlos Lessa, ex-presidente do BNDES

Não é por acaso que o próprio Lula mexe seus pauzinhos para livrar o "bom burguês" amigo do pântano
"O grupo Eike é uma criatura do PT. Digo que a realização do PT no campo social é o Bolsa-Família. E no campo econômico, botar o Eike no pódio internacional das fortunas. A piada é muito boa, mas verdadeira. Doar mais dinheiro para o Eike? Sou contra. Só o porto não paga a dívida dele, não resolve o problema".

Eike foi dos maiores doadores das campanhas desses aí
Esta afirmação, do economista Carlos Lessa, primeiro presidente no BNDES na era petista, é de uma gravidade muito maior do que tudo o que se propagou sobre o suborno de políticos na novela inacabada do "mensalão".

Até bem pouco tempo, "o cara" era Eike Batista.  Disputava freneticamente o topo dos endinheirados do mundo. Ao contrário dos ricaços tradicionais,  numa postura que dava para desconfiar, fazia questão de exibir-se como dono de uma fortuna surpreendente pelo meteórico de sua ascensão. Era o mais rico do Brasil e um dos dez mais do mundo.

Com essa fachada, tornou-se um Midas da modernidade tupiniquim. Em tudo que tocasse, tiraria pepitas de ouro aos montes. Inventasse uma empresa como o seu "X" mágico, logo o mercado corria atrás de suas ações. Era o paradigma do empresário brasileiro de sucesso acachapante.

De repente, na hora da colheita, o gato tinha comido a dinheirama de algumas de suas empresas, verdadeiros blefes. E aí seus "amigos" do poder, comandados pelo ex-metalúrgico Luiz Inácio, começaram a mexer seus pauzinhos.

Isso, sim, daria uma CPI. Mas não se fala nisso

Não era por acaso e isso seria objeto de uma CPI, de uma rigorosa investigação do Ministério Público, de uma devassa da Comissão de Valores Mobiliários.  Mas nem se fala nisso, por que, mais do que investir nos negócios, ele montou uma blindagem inexpugnável e, neste momento, apesar das reservas públicas da presidente Dilma Rousseff, toda a máquina oficial se concentra na salvação da sua lavoura.

O que fizeram para tentar transferir um estaleiro já em fase inicial de instalação do Espírito Santo para o seu quase porto  em São João da Barra, Estado do Rio, foi de uma indignidade sem precedentes.

Embora tenha pernas para além da fronteira pátria, sempre com a cobertura ostensiva dos cardeais petistas, a começar pelo incorrigível José Dirceu, o seu irmãozinho Sérgio Cabral Filho não teve pejo em estimular seus negócios, desde o próprio porto do Açu, que enfrenta ações do Ministério Público local, até o mais forçado dos favorecimentos:  o Estado gasta R$ 1 bilhão  na reconstrução do Maracanã e vai privatizá-lo de mão beijada numa operação em que Eike atuou na formatação do critério de seleção, sendo ao mesmo tempo um dos dois candidatos a ganhá-lo por 35 anos, o que só não acontecerá se agravarem-se as crises  de algumas de suas empresas.
Isso tudo dá uma grande relevância à declaração do economista Carlos Lessa e abre espaço para outras especulações ainda mais "cabeludas".
Um engenheiro amigo meu, desses de uma inteligência e de um volume de conhecimentos exagerados, chegou à conclusão de que Eike Fuhrken Batista, brasileiro de 55 anos, é apenas "operador" de um esquema político, graças a que teve  grande sucesso como "vendedor de castelos de areia com o uso apenas do power point".  

Não há nada mais preocupante do que essa declaração de quem conviveu pessoalmente com essa relação promíscua entre os próceres petistas e o empresário que admitiu numa entrevista à Globo News que "cria riquezas do zero".

O PT tem obrigação de se explicar sobre essa verdadeira revelação do ex-presidente do BNDES, a quem Eike deve hoje mais de R 10 bilhões e de quem sempre vem recebendo "injeções de ânimo".

PT deve explicações sobre esta revelação de Lessa

Já não se pode cobrar coerência ideológica de um partido que jamais foi ideológico e chegou ao poder com um discurso ambíguo que encobre suas íntimas relações com as elites poderosas, que tiveram em Lula, e hoje têm em Dilma, a melhor escora para seus interesses vorazes. Um partido que, como dizia o sábio Darcy Ribeiro, sempre foi "a esquerda que a direita gosta".

Mas na medida em que essa relação irresponsável se dá com o dinheiro público, o silêncio diante da afirmação de Carlos Lessa será a mais explícita confissão de culpa.

Neste exato momento, uma força-tarefa do governo arregaça as mangas na busca de remédios para salvar o seu bom burguês preferido, sob o pretexto de que uma debacle do seu império contaminaria toda a economia brasileira e comprometeria a imagem do país perante investidores estrangeiros.

O mais provável, porém, é que esse desprendimento poderá refluir e afetar a autoridade do governo, expondo-o ao descrédito por empenhar-se tão desesperadamente para salvar um blefe, cujas cartadas, com os mesmos efeitos de uma daquelas "pirâmides" sem lastro, já levou um diretor de um banco de investimento ao desabafo:  "O investidor simplesmente cansou de ser roubado".

Outro empresário, que pretendia arrecadar recursos para projetos de infraestrutura, já não escondia seu pessimismo, ao afirmar que a janela do mercado internacional se fechou: "Eike conseguiu contaminar o Brasil".

E não é para menos: Eike prometia petróleo e entregou poços secos aos seus investidores. Prometia uma nova Vale e entregou morros inoperantes. Prometia o maior complexo industrial e portuário da América Latina e no seu porto do Açu há apenas um píer construído. Prometeu um grande estaleiro e, na prática, é ele quem começa a ficar a ver navios.

Rebaixado no início de abril pela agência de risco Standard &amp Poors para o nível B-, com perspectiva negativa, equivalente ao de um pré-calote,    Eike Batista é também o pivô de um conflito silencioso dentro do governo, aprofundando ainda mais o fosso entre Lula e Dilma. 

Lula quer um socorro de mão aberta e olhos fechados; ela, que já tem outros pepinos pela frente, até admite dar uma mãozinha, mas não quer fazer tal generosidade no escuro.

Seja o que for, é de bom alvitre que as lideranças políticas no campo popular tratem de imaginar outras alternativas ao continuísmo de Lula e do PT. Pior será se toda essa trapalhada de alto poder corrosivo se transformar em combustível da direita mais reacionária e confiante em que o povo já esqueceu suas trapaças nos idos sujos da privataria explícita.

Por que uma coisa é definitiva: o desmascaramento de um blefe dessa magnitude na área econômica afetará seus criadores políticos até a medula.

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Como se nada tivesse acontecido

Tragédia na Av. Brasil foi apenas mais uma de um sistema de transporte ditado por interesses vorazes
Nos últimos quatro anos, a média foi de quase dois acidentes com vítimas por semana envolvendo ônibus na cidade do Rio de Janeiro. Em 2011, houve o registro de 126 casos; e em 2012, 84. 
Está na cara: há um estreito grau de parentesco entre a tragédia da boate Kiss, em Santa Maria, e o dramático desastre com o ônibus que despencou do viaduto na tarde desta terça-feira, na mais importante artéria da cidade do Rio de Janeiro – a Avenida Brasil.

Ambos têm no DNA a cumplicidade dos poderes públicos ante os abusos e o primado dos interesses insaciáveis sobre instituições absolutamente coniventes, degeneradas, desfiguradas e desmoralizadas.

O que aconteceu às quatro da tarde desse dia 2 de abril é o que o lugar comum cataloga na surrada categoria de tragédia anunciada. A excessiva sujeição da Prefeitura carioca aos gostos inescrupulosos das empresas de transporte coletivo fatalmente produziria uma tragédia desse impacto, como exacerbação potencializada  dos acidentes rotineiros provocados por uma frota em operação única e exclusivamente para super-dimensionar os lucros já auferidos em um ramo da economia.
Qualquer que seja a causa oficial do acidente que ceifou na hora sete vidas e pôs na fila da morte outras tantas chegará à insólita conclusão de que é ABSOLUTAMENTE CRIMINOSO permitir que um único profissional trabalhe em ônibus que podem transportar até 80 passageiros, atribuindo-se ao motorista às funções de cobrador e do relacionamento com uma clientela heterogênea e ansiosa.

Sim, para os que não sabem, a quase totalidade da frota carioca de mais de 9 mil ônibus dispensou a presença do cobrador para aumentar a lucratividade de um cartel indiferente à natureza do seu serviço e sempre generoso nas relações com as autoridades em todos os seus níveis.

Na tragédia desta terça-feira, testemunhas viram um cidadão pular a roleta para ir à cabine do motorista discutir por que ela não havia parado onde havia sinalizado. E não havia parado, segundo também disseram, por que não queria pegar cerca de 15 alunos de escola pública com direito à gratuidade que a matemática dos nossos dias compensa com verbas públicas.

O cartel que dá as cartas

Esse cartel de meia dúzia de consórcios deita e rola, como se fosse uma temível máfia com alto poder de corrupção e intimidação, em manobras tão atrevidas que têm sob controle todos os personagens com que lidam, inclusive as próprias lideranças do sindicato dos rodoviários.

Seu poder de fogo é tal que só têm concorrentes entre as construtoras e empreiteiras no gozo da influência sobre esses podres poderes,  sendo as principais razões de ser das políticas de transportes no Estado do Rio de Janeiro, tão nocivas que carreiam para os ônibus quase 74% dos passageiros da Região Metropolitana, onde o sistema de trens serve à metade do que transportava há 60 anos, quando a população da cidade era a metade do que é hoje, e onde o metrô não passa de um brinquedo de pouca serventia em seus 44 Km de linhas, que alcançam apenas 3% dos passageiros nesse mesmo espaço.

O atual prefeito do Rio de Janeiro,como seus antecessores afins, só tem olhos para o sistema de ônibus e investe pesado o que tem e o que não tem para abrir corredores que se transformam em tapetes vermelhos desse segmento empresarial.

São para estes os grandes investimentos viários do sr. Eduardo Paes, que se serve de um escudo mágico para justificar os corredores em implantação – os 15 dias dos jogos olímpicos de 2016.

Obras em decomposição precoce

Pista do BRT das Américas abriu crateras em vários pontos
E de tal forma ele cruza interesses que sua obra mais onerosa, o corredor do BRT que liga a Barra da Tijuca à Santa Cruz não seria a prioridade de uma administração  que procurasse minorar o caos urbano nas áreas de maiores demandas, que estarão fatalmente estranguladas nesse período tão pretextado, quando o número de automóveis passar dos atuais 1 milhão e 800 mil para 3 milhões, coisa que acontecerá  nos próximos seis anos, segundo previsões da COPPE da UFRJ.

Com o poder de fogo e a grana fácil que pode distribuir o cartel dos transportes rodoviários faz da sua fiscalização um bando de servidores igualmente condicionados por seu império, por bem ou por mal:
O ônibus que voou do viaduto, com 46 multas somadas, não passou pelo DETRAN em 2012, como é de lei, embora constasse com vistoriado pela prefeitura em julho desse mesmo ano.

Como tantos outros que de vez em quando sobem às calçadas – um chegou a matar 10 pessoas num ponto da mesma Avenida Brasil, em frente ao Caju – são submetidos a manutenções precárias e entregues a profissionais recrutados a laço numa categoria  que só vai procurar trabalho nas garagens em último caso, tal o salário miserável que recebem e o nível de responsabilidade que acumulam.

A esse ambiente de cumplicidade, com uma tropa de choque na Câmara de Vereadores e um poder econômico expandido a outros ramos, as empresas de ônibus  não reclamam das condições de infra-estrutura de uma cidade que alaga a qualquer chuva e que é notável por suas obras mal acabadas.  

Nesse acidente desta terça-feira, ficou evidente que as muretas de proteção eram uma balela, erguidas certamente em desrespeito aos próprios projetos, conforme o facilitário de uma fiscalização de obras igualmente leniente e acostumada a vistas grossas.

A mais recente obra do prefeito Eduardo Paes, que foi usada como trunfo na sua reeleição, está dando sinais de decomposição precoce, com erupções de crateras em vários trechos da Avenida das Américas e uma constatação afrontosa: a reserva de uma pista de rolamento exclusivamente para os 80 ônibus do BRT não compensou o transtorno causado ao escoamento dos demais veículos.

Se nesse espaço fechado corressem trens de superfície, com capacidade de transportar 8 vezes mais passageiros, teríamos justificado o gasto feito ali, enquanto o viaduto do Joá, que liga a Barra à Zona Sul, expõe suas vísceras danificadas pela corrosão e é condenado em estudos encomendados à COPPE pela própria prefeitura.

Como em todas as outras tragédias, nos dias próximos ainda sob a pressão emocional de uma população lograda, esse desastre rodoviário será objeto de todo tipo de especulação de causas e de todo tipo de providências prometidas.

Mas logo, logo tudo voltará à normalidade inercial, ao regime da cumplicidade e da impunidade que são marcas explícitas desses dias de administrações incompetentes e  por demais tolerantes com todo um ambiente esclerosado e ameaçador.

Em Santa Maria, pelo menos, oito pessoas foram denunciadas pelo Ministério Público, incluindo, além dos protagonistas diretos, dois oficiais do corpo de bombeiros acusados de fraude nos alvarás.

Aqui, infelizmente, pela que se viu em outras tragédias que expuseram o despreparo e a incúria das autoridades, tudo continuará acontecendo como antes. Como se nada tivesse acontecido.

Quem sou eu

Minha foto
Jornalista desde 1961, quando foi ser repórter da ÚLTIMA HORA, PEDRO PORFÍRIO acumulou experiências em todos os segmentos da comunicação. Trabalhou também nos jornais O DIA e CORREIO DA MANHÃ, TRIBUNA DA IMPRENSA, da qual foi seu chefe de Redação, nas revistas MANCHETE, FATOS & FOTOS, dirigiu a Central Bloch de Fotonovelas. Chefiou a Reportagem da Tv Tupi, foi redator da Radio Tupi teve programa diário na RÁDIO CARIOCA. Em propaganda, trabalhou nas agências Alton, Focus e foi gerente da Canto e Mello. Foi assessor de relações públicas da ACESITA e assessor de imprensa de várias companhias teatrais. Teatrólogo, escreveu e encenou 8 peças, no período de 1973 a 1982, tendo ganho o maior prêmio da crítica com sua comédia O BOM BURGUÊS. Escreveu e publicou 7 livros, entre os quais O PODER DA RUA, O ASSASSINO DAS SEXTAS-FEIRAS e CONFISSÕES DE UM INCONFORMISTA. Foi coordenador das regiões administrativas da Zona Norte, presidente do Conselho de Contribuintes e, por duas vezes, Secretário Municipal de Desenvolvimento Social. Exerceu também mandatos em 4 legislaturas na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, sendo autor de leis de grande repercussão social.