sábado, 30 de março de 2013

Tudo por Eike, o bom burguês da era petista


De braços com Cabral, Lula usou seu capital político para garantir o lucro de Eike Batista no porto do Açu


Eike levou Lula ao porto do Açu e ganhou  seu apoio para tudo que queria
Um sol de 34 graus banhava o Porto do Açu, na quinta-feira, 24 de janeiro,  em São João da Barra, norte fluminense, quando o ex-presidente Luiz Inácio chegou a bordo do Gulfstream G550, o jatinho norte-americano de $ 60 milhões do empresário Eike Batista.

Fora ali em companhia de Eike, o  poderoso bom burguês da era petista, e  do seu lobista Pires Neto. Embora viesse sendo convidado desde 2007, essa era a primeira visita que o ex-líder operário fazia  a esse polêmico empreendimento, implantado com o apoio da máquina do Estado comandada por Sérgio Cabral Filho, que enfrenta sucessivos processos abertos pelo Ministério Público:o último, sobre a salinização da água doce, protocolado na mesma semana da visita. 

O que queria Eike Batista com a visita do seu velho parceiro? Apavorado com seus prejuízos recentes, que já estão lhe custando dificuldades de crédito e quedas brutais nas ações de suas empresas, ele pediu ajuda a Lula para sair do sufoco.

Uma lista de favores nem sempre éticos

Primeiro, queria que o governo brasileiro obrigasse o estaleiro Jurong Shipyard,  de Singapura, a mudar o seu endereço no Brasil. Ao invés do município Aracruz, no Espírito Santo, onde já foram gastos 15% do valor total do investimento de R$ 500 milhões, o estaleiro teria de se transferir de malas e bagagens para o porto de Eike, que na melhor das hipóteses começa a operar no fim deste ano.

Segundo, intermediar uma aproximação com a Petrobrás, diante das resistências da sua presidenta, Graça Foster, a alguns pleitos do seu interesse, inclusive o de se associar ao porto do Açu, instalando-se lá.

Terceiro, interferir junto ao BNDES para a liberação de mais recursos, além dos R$ 10 bilhões já amealhados desde 2005, em especial a aprovação de financiamento de R$ 3 bilhões pleiteado pela MMX para a expansão da mina de Serra Azul (MG), e outro para a OSX construir uma plataforma de petróleo.

Um tipo de pressão que deixou o governo mal na fita

A bordo do jatinho, equipado com telefonia via satélite, Lula ligou direto para o governador Sérgio Cabral Filho, da tropa de  choque de Eike, e combinaram discutir a três  o  que fazer pelo dileto amigo e generoso financiador de campanhas.

Conforme o combinado pelos três, o próprio Lula contatou o ministro de Desenvolvimento, Fernando Pimentel e o da Fazenda, Guido Mantega   pedindo que acionassem o embaixador Luís Fernando Serra, e informasse do interesse do governo brasileiro em favorecer Eike e das compensações que poderiam ser estudadas no caso dos prejuízos com a transferência.

A mudança só não aconteceu porque a direção do Jurong Shipyard, estimando atraso de um ano na conclusão da obra em novo local, e já com algumas encomendas, passou a informação para o governador Renato Casagrande, que reagiu imediatamente junto com a bancada federal do Espírito Santo. Se começar a funcionar ainda em 2013, o estaleiro asiático já tem previsão de construir em Aracruz sete sondas e duas plataformas para a Petrobrás, orçadas em R$ 12 bilhões. Isso representa 5 mil empregos diretos.

Isso é o que se pode chamar intimidade com o poder

Em relação à Petrobrás, Lula marcou uma audiência rapidinho para  Eike  com a presidenta Dilma Rousseff,  que já visitou seu porto em abril de 2012 e garantiu naquela visita  financiamento para que a Vale do Rio Doce,  administradora da Ferrovia Centro Atlântica, implantasse uma via férrea de 40 Km até Campos, que garantirá ligação do seu porto a Minas e Espírito Santo.


A crise com a inviabilidade das siderúrgicas

Em novembro de 2012,  a siderúrgica estatal chinesa Wuhan Iron and Steel Corporation - Wisco - , que já havia comprado por U$ 400 mnihões 21,5% das ações da mineradora MMX,  desistiu do complexo siderúrgico de porto do Açu, alegando que o Eike não construiu a infraestrutura necessária para o projeto.

"Ferrovias, terminais portuários - eles não construíram nada. O mercado também não está lá, portanto, nós paramos as conversas neste momento e não estamos pensando nisso", desabafou então o presidente da Wisco, Deng Qilin, à agência de notícias Reuters.

Em maio de 2012, o juiz da 1ª Comarca de São João da Barra já havia determinado a suspensão da obra da argentina Terminum,  a outra siderúrgica prevista como âncora do porto do Açu, comprada em setembro de 2010 da própria LLX Açu de Eike, cuja obra estava no começo com de todas as licenças concedidas pelos órgãos ambientais do governador Sérgio Cabral. 

O magistrado acatou ação do Ministério Público, que demonstrou os danos daquele empreendimento para o meio ambiente. De acordo com a procuradoria, o licenciamento subavaliou os impactos ambientais do projeto. Os promotores alegaram que um dos resultados da operação siderúrgica é o lançamento na atmosfera de benzeno, produto químico com propriedades cancerígenas.

"A análise feita por técnicos do MPRJ demonstrou que o EIA (Estudo de Impacto Ambiental), requerido para projetos com grande potencial causador de degradação, possui falhas que descumprem normas legais e apresenta incorreções e omissões que subavaliam os impactos esperados do empreendimento", afirma nota do Ministério Público.

Diante de um quadro desfavorável, que contrariava seus planos originais, Eike s viu forçado a mudar o perfil do porto do Açu, mas para isso terá que envolver a Petrobrás.

"Dane-se a siderúrgica. Meu shopping mudou. Não existe um complexo nessa escala para servir a indústria do petróleo. Então, caramba, foi desenhado como um porto para minério de ferro e olha o que virou. Tenho agora uma clientela que me paga três vezes mais pelo metro quadrado. Só esse pessoal já paga R$ 100 milhões de aluguel, antes do porto funcionar. Ficou um negócio mais nobre e isso ninguém fala", afirmou o empresário à FOLHA DE SÃO PAULO em 11 de novembro do ano passado.
Advocacia de interesses que não pega bem

O que se questiona é por que um ex-presidente da República, que tem ascendência sobre a sucessora, a quem elegeu, e um governador de Estado se empenham nesse nível na advocacia de interesses do mega-empresário, titular de uma das maiores fortunas do mundo,   como se gaba insistentemente. 

Em relação à tentativa de retirar o estaleiro do Espírito Santo, envolvendo dois ministros e um embaixador, sua interferência abusiva beira à torpeza e à deslealdade. Não há nenhum pretexto plausível para esse tipo de lobby, que só não deu certo por causa do cronograma do estaleiro. Mas o fato de que seu principal cliente aqui é a Petrobrás já teria funcionado como uma pressão irresistível.

O ex-presidente tem prestado serviço às empreiteiras e outras empresas brasileiras no exterior. Diz-se que as 30 viagens que fez desde 2011 tiveram esse escopo e foram pagas pelos interessados. Nesse caso, pode-se até inferir que, por osmose, está cuidando de interesses nacionais. Mas será difícil alguém acreditar que toda essa mão de obra é por puro patriotismo.

Nas concorrências em que interferiu, ele teve a seu favor a influência que exerce sobre o governo brasileiro e, em especial, sobre o BNDES, que sempre financia os empreendimentos das empresas brasileiras no exterior.

Essa é apenas uma das faces dos desvios de conduta de um grupo que entende o poder pela ótica mais nociva do patrimonialismo sem recato, frustrando uma expectativa bem diferente de quem ainda tem juízo crítico, acreditou no seu palanque, mas não está atrelado à máquina de cooptação que imobiliza lideranças e formadores de opinião.
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sexta-feira, 22 de março de 2013

O fim do mundo e dos nossos sonhos


Enquanto o povo morre em replay na serra e na baixada, Dilma vai a Roma com séquito nababesco

É o fim da picada. O fim do mundo. É muito sofrimento. E muita indiferença. Isso por que estamos no gozo da democracia. Democracia? Sim, é de que se ufanam os próceres e os escribas.

Tragédia anunciada: só em Petrópolis, o número de mortos chega a 31 
O panorama visto da serra e da baixada é a insólita repetição de tragédias recentes. De avalanches mortais ao primeiro aguaceiro. As mesmas, com as mesmas dores e os mesmos prenúncios. Filme que se repete como uma afronta, numa sequencia macabra horripilante.  CRIMINOSA.

Antes das águas, milhões de reais rolaram por lá. Grana preta.  Dos nossos impostos. Do nosso sacrifício. Para onde foram? Para a reconstrução? Não. São raras e insignificantes as notícias de algo  sério e consistente.  Foram, como sempre, provavelmente,  para uma rede de quadrilhas famigeradas, de canalhas bem sucedidos na política e na vida empresarial.  Canalhas que deitam e rolam. Alguns até pilhados e afastados.  Mas quem está por cima da carne seca parece ter o único propósito: o enriquecimento fácil pela apropriação indébita do alheio, sem ligar para as consequências, por mais trágicas que sejam.

Tragédias em sequência

O antigo Hospital de Bonsucesso, que já foi excelência, deixou de fazer transplantes de rins em crianças por falta de médicos. Não há outro preparado para esse tipo de atendimento. Só depois do leite derramado o Ministério da Saúde resolveu correr atrás.  

Casas e apartamentos para vítimas de desabamentos em Niterói e Duque de Caxias ameaçam desabar. Obras que saíram de programas rocambolescos - dinheiro jogado fora. E não são as únicas nesse desmazelo.

Duas grandes redes privadas de ensino deram cano nos funcionários e nem iniciaram as aulas, afetando milhares de estudantes.  E a divulgação de redações com notas máximas no ENEM exibe erros grosseiros de ortografia, desprezados pelos examinadores.

No poder pelo poder para si

Essas são apenas algumas erupções de um organismo social e político em adiantado estado de putrefação.

Esses podres poderes se tornaram um fim pessoal para cada um dos seus pretendentes.  E nada mais. Sejam de direita, do centro, da esquerda ou das variáveis idas e vindas multicores. Só isso. Ganhar uma nesga qualquer do poder para dele se servir, servir os amigos, pagar "dívidas de campanha", locupletar-se descaradamente.

Já passei por esse chiqueiro. Resisti e hoje estou "queimado".  Nunca aceitei propinas, nem negociei por fora. Fui mal pra essa súcia de corruptos. Mas ao lado se fazia tudo do que se condenava quando fora do poder . No caso das obras públicas, as práticas desonestas se repetem. O empreiteiro pode fazer uma obra de borra, pode até não fazer obra nenhuma, nas se receber morre em 30%: 10 pra ganhar a "concorrência", 10 na fiscalização e 10% pra receber. É da práxis desde priscas eras, devidamente compensada no chamado BDI - boletim de despesas indiretas de 30% incluído no orçamento.  

Uma comitiva nababesca no beija-mão do papa

Enquanto o temporal castigava, madame Dilma se deslumbrava que nem rainha tropical com um séquito de fazer inveja aos sultões de Dubai no beija-mão do papa Francisco, numa extravagância perdulária que ninguém pode aceitar calado. Nem seus companheiros de sonhos perdidos.


O que fazia o ministro da Educação na viagem a Roma?
O que o Aloísio Mercante fazia lá no Vaticano? Aliás, como o ministro da Educação faz companhia à presidenta em suas viagens internacionais. Certamente ele não é a Rosemary da Dilma, mas certamente também não acrescenta bulhufas ao brasão tupiniquim no além-mar.

Se fosse só ele: essa viagem de três dias a Roma para ver o papa foi tão vexaminosa que para realizar o transporte de bagagens e equipamentos do  séquito foram necessários um caminhão-baú e dois furgões.

O que é isso, companheira? Os relatos não desmentidos mostram que a Dilma de hoje  não tem nada com a jovem rebelde que comia pão com linguiça nos "aparelhos" da luta armada. Mudou mais da conta, e mudou numa hora em que mais precisava ser modesta.

Veja lá, companheiro de pretéritos embates utópicos: a viagem que a presidente Dilma Rousseff fez junto à sua comitiva para acompanhar a missa inaugural do papa Francisco no Vaticano precisou do aluguel de 52 suítes de hotel e 17 veículos.

Dilma levou a tiracolo quatro ministros, assessores próximos e seguranças, que ficaram hospedados em 30 suítes do hotel Westin Excelsior, na Via Veneto, um dos mais luxuosos da Itália, comendo do bom e do melhor às nossas custas. Ma era tanta aspônio que alugaram ainda outros 22 apartamentos em hotéis próximos. Só faltou o Cabralzinho, que só não deve ter ido porque o Vaticano não é em Paris.

A diária de uma suíte presidencial no Westin Excelsior custa R$ 7.700: já o apartamento mais em conta sai por R$ 910. A frota que foi alugada incluía sete veículos sedans com motoristas, um carro de luxo e blindado, quatro vans executivas com capacidade para 15 pessoas cada uma, um micro-ônibus e um veículo destinado para os seguranças. 

Pra que essa caravana toda? Pra medir força com os argentinos? Pra dizer que Deus é brasileiro?

Tomasse uma lição de modéstia e austeridade com o companheiro Pepe Mujica, presidente do Uruguai, a nossa ex-"guerrilheira", como ele, não teria se prestado a esse fausto desnecessário, tão fora de esquadro,m tão direitista e tão afrontoso.

Pobre povo brasileiro. Governista por uma migalha qualquer, acha muito natural esse contraste alegórico entre o que passa o povo trabalhador com suas lideranças subornadas e o lumpesinato do bolsa-família nos barrancos de risco enquanto rola lépida e fagueira a esbórnia dos áulicos de Brasília.

 Pobre massa crítica que se evaporou no tempo e no espaço graças à mágica das milhares de ongs penduradas nas tetas de uma vaca sagrada, que sobrevive heroicamente a todos os farsantes e a todos os impostores de todos os matizes.

Pobre da história pobre dos nossos dias, onde se correr o bicho pega, se ficar o bicho  come.
Pobre de quem, como eu,  sonhou acordado e sacrificou a juventude e o futuro por um mundo melhor para todos. E não apenas para a panelinha da corte e para os senhores dos podres poderes locais que vão aproveitar as últimas tragédias para engordar seus haveres, em conluio com a elite insaciável que assedia os cofres públicos.

terça-feira, 19 de março de 2013

Algo de podre no reino do Vaticano


Interesses espúrios por trás da eleição do papa argentino, para desestabilizar governos populares

"Ora, pra mim, papa progressista é igual à cabeça de bacalhau: eu nunca vi! Ou o sujeito é Papa ou é progressista".
Agamenon

Em sua coluna de irreverências Agamenon Mendes Pedreira reduziu a uma singela conclusão as sandices sobre correntes na Igreja Católica em meio a esse esforço semântico para dourar os conflitos de interesses escusos que escondem a face oculta (e podre) do Vaticano: um paraíso fiscal à prova de fiscalização e controle do mundo dos mortais.


Tanto que não se pode levar a sério as folclóricas correspondências enviadas desse quarteirão que o Tratado de Latrão patrocinado por Benito Mussolini transformou num Estado soberano, com o compromisso de apoiar incondicionalmente o fascismo na Itália. A partir de 1929, o ditador derramou dinheiro nas contas eclesiásticas e teve em troca até a dissolução do Partido Popular católico, para forçar o fortalecimento do Partido Fascista.

Com ajuda de Mussolini, Vaticano acumulou fortuna

Se o Estado do Vaticano foi chancelado por Mussolini em 1929, o tenebroso banco do Vaticano surgiu em 1942, pelas mãos de Pio XXII, em plena guerra, tendo como suporte fundos do regime fascista e uma grande rede internacional que tem propriedades no mundo inteiro, inclusive nos Estados Unidos, um país de maioria protestante, onde, segundo Avro Manhattan, autor do livro The Vatican Billions, é sócio de grandes empresas, desde o Bank Of America, onde teria 51% de suas ações, até grandes multinacionais, riquíssimas instituições educacionais (só nos Estados Unidos, 28 universidades) e numerosos hospitais privados.

Segundo esse escritor, o Vaticano opera "como forte acionista em todos os maiores bancos mundiais, como o dos Rothschilds, Hambros (Inglaterra), Credit Suisse (Suíça), Chase Manhattan, City Bank, Morgan, Bankers Trust (E. Unidos). De gigantes industriais do petróleo (Gulf, Shell), de Aço, Motores, Eletricidade (General Motors, General Electric, Bethlem SteeL) da aviação (Boeing, Lockheed, Douglas, Curtis Wright), e de outros grupos gigantes internacionais".


CIA derramou dinheiro no Vaticano

Mais do que o pastoreio de um rebanho de 1 bilhão de fiéis, na sua maioria católicos  indiferentes às suas igrejas, o que se disputou nos conchavos da Capela Cistina foi o controle de uma fortuna incalculável, que tem no Instituto para Obras da Religião, nome de fachada do Banco do Vaticano, uma engrenagem inexpugnável, tão cobiçada que Bento XVI, já demissionário, fez questão de nomear um amigo alemão para presidi-lo, embora seu cargo tivesse vago desde maio de 2011, quando o todo poderoso cardeal Tarcísio Bertone demitiu Ettore Gotti Tedeschi,  homem da Opus Dei e do Banco Santander, no bojo da crise aberta com as revelações dos documentos contrabandeados pelo mordomo Paolo Gabrieli.

É uma grande bobagem falar de  correntes teológicas, ideológicas ou políticas. Desde João Paulo II, todos os príncipes católicos foram pinçados com a assessoria do Opus Dei e da CIA, que operam de comum acordo e costuram alianças  com ordens tradicionais, como os Jesuítas, que tem o maior número de membros (18 mil) e os Legionários de Cristo, uma seita sem escrúpulos que se tornou poderosa economicamente e começou a declinar com os escândalos sexuais que envolveram  seus maiorais.

Não estou exagerando. A CIA ocupou o espaço deixado com o fim do fascismo, como documentou o jornalista Jason Berry, derramando milhões de dólares aos pés de São Pedro. Primeiro, para impedir a vitória do Partido Comunista, que era o mais forte da Itália no pós-guerra. Depois, para minar os países socialistas da Europa e Cuba.

Depois de 25 anos investigando as finanças secretas da igreja católica, Berry, um jornalista investigativo de Nova Orleans, foi categórico:

"Creio que na realidade é preciso retroagir à Segunda Guerra Mundial quando a CIA começou a transferir grandes somas para o Banco do Vaticano. Em 1948, foi a primeira eleição na qual o Partido Comunista italiano, convertido no mais importante da Europa, buscava o poder. Neste momento houve uma grande campanha nos Estados Unidos, patrocinada pelo governo, da qual participou Frank Sinatra, para financiar seus adversários da democracia cristã. Este foi o começo da história do dinheiro de círculos dos serviços de inteligência estadunidenses para o Vaticano. Uma geração depois, com Roberto Calvi e Marcinkus, o banco havia se convertido em uma via muito lucrativa para a passagem de dinheiro. No final dos anos 80, o banco já funcionava como uma “off shore” para seus clientes privilegiados".

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Indústria bélica e CIA na cabeça

A escolha do cardeal Bergoglio agora foi por acordo e dentro de uma expectativa de pontificado curto. Em 2005, ele chegou junto com o alemão Ratzinger numa eleição em que só precisava de maioria simples. Já então era visto pela CIA como aquele que poderia exercer na América Latina o mesmo que João Paulo II fez nos países socialistas.

Mas o alemão já estava muito velho e tinha acumulado dossiês sobre cardeais influentes, por sua passagem na Congregação da Doutrina da Fé, o moderno tribunal da Inquisição, que ganhou apoio tecnológico da CIA.

Bergoglio era o candidato da indústria bélica,  na qual rola muito dinheiro da Igreja. É inacreditável, mas é verdade:  talvez poucas pessoas saibam que a fábrica de armas Pietro Beretta Ltda. (a maior indústria de armas no mundo) é controlada pela Holding SpA Beretta e que seu acionista majoritário, depois de Gussalli Ugo Beretta, é o Instituto para Obras de Religião (IOR), o Banco do Vaticano.

Essa aproximação começou com a intermediação da igreja católica argentina no fornecimento dos caríssimos mísseis Exocet  para a ditadura militar durante a guerra das Malvinas. Segundo o jornalista e pesquisador peruano Eric Frattini, as armas foram vendidas pela companhia armamentista Bellatrix, com sede no Panamá, da qual o Vaticano tinha 58% das ações. O dinheiro obtido com a venda desses mísseis teria sido usado para financiar o sindicato Solidariedade de Lech Walesa, na Polônia.

Autor do livro "A Santa Aliança, Cinco Séculos de Espionagem do Vaticano", Frattini fez revelações chocantes: "Depois que Ronald Reagan assumiu o poder nos EUA, a organização (Santa Aliança) passou a contar efetivamente com o apoio da CIA, o que a tornou ainda mais atuante. Entre 1979 e 1982, cinco cardeais envolvidos em um inquérito que apontava irregularidades no Banco do Vaticano morreram em decorrência de motivos diversos - essas mortes teriam sido encomendadas para prevenir que esses religiosos acabassem por revelar segredos da Santa Aliança".

Esses são apenas algumas informações de cocheira para que você se prepare para a grande missão do papa argentino, conforme manchete de O GLOBO deste domingo, dia 17: desestabilizar os governos nacionalistas, como aconteceu na Europa socialista com o carisma do papa polonês.

Não seria delírio acreditar que a inesperada renúncia de Bento XVI, que não aguentou uma viagem a Cuba e ao México devido à sua idade avançada, tenha sido negociada para abrir caminho a um sucessor dez anos mais novo, nascido e criado na região que, graças aos campos venezuelanos do Orinoco, já tem as maiores reservas de petróleo do mundo.
Mas isso será objeto de outra matéria complementando a que denunciei a norte de Hugo Chávez como produzida pela espionagem norte-americana de alta tecnologia. 

quinta-feira, 14 de março de 2013

Do nada um Papa da pesada


Simpático à ditadura argentina, cardeal denunciou padres que teriam ligações com a resistência

“A Igreja Católica escolheu uma pessoa que para nós, familiares de vítimas da repressão exercida pelos militares, foi cúmplice de um governo genocida”.
Estela de la Cuadra, argentina que até hoje procura sua sobrinha, Ana, nascida na mesa de uma delegacia em junho de 1977.


Cardeal Bergólio, passado polêmico que condena

24 horas depois da Justiça argentina condenar à prisão perpétua Reynaldo Bignone, o último dos generais ditadores, o Vaticano surpreende o mundo ungindo ao trono papal o cardeal Jorge Mário Bergóglio, tido e havido como colaborador da  mais sangrenta ditadura latino-americana.

A decisão dos cardeais levou à indignação os familiares das vítimas da ditadura argentina , entre os quais Graciela Yorio, irmã do padre Orlando Yorio, que foi sequestrado e torturado juntamente com seu colega Francisco Jalics, depois de ter sido denunciado pelo então chefe da congregação dos jesuítas na Argentina.

Parece uma fatalidade: o cardeal Joseph Ratzinger, o Bento XVI, agora papa "emérito" foi membro da Juventude Hitlerista. Karol Józef Wojtyła, o João Paulo II, foi peça decisiva nas articulações para minar os países socialistas.  Eugenio Maria Giuseppe Giovanni Pacelli, o Pio XII foi aliado incondicional do ditador Mussolini e fez vistas grossas para as atrocidades dos nazistas alemães.

Agora, do nada, sem que tivesse sido citado uma só vez como papável, surge como novo pontífice o cardeal argentino Bergóglio, mais do que expoente de correntes conservadoras e da intolerância empedernida, um prelado que chegou a ser inquirido pela Justiça argentina nas audiências sobre o regime responsável por 30 mil mortes.

Igreja de costas para os fiéis

É isso o que me leva à conclusão de que o alto clero não está nem aí para o distanciamento cada vez maior entre seus paradigmas e os povos do mundo. Até parece que aqueles 115 cardeais só estavam preocupados com o banco do Vaticano e a gestão de seu patrimônio.

Não se considerou a necessidade de uma sintonização inadiável entre a igreja e os milhões fiéis desapontados com escândalos sucessivos, num fosso que se reflete na drástica redução do rebanho: na Argentina mesmo, segundo pesquisas conhecidas, há hoje mais "sem religião" declarados do que católicos praticantes, embora inercialmente o número de batizados ainda gire em torno de 78%.

Conventos tradicionais foram transformados em posadas e hotéis em todo o mundo, principalmente na Europa. Milhares de igrejas estão fechadas por falta de padres.  Os bispos europeus estão importando sacerdotes da Ásia, África e América Latina para preencher algumas prelazias. Dados do Vaticano admitem que de 1995 a 2005 o  número de padres na Europa caiu em 11%.

Na Itália da igreja romana, o contingente de prelados caiu de 41 mil há 25 anos para 33 mil hoje. Na Espanha, há 18 mil padres para 22 mil e 600 paróquias. Apenas 10% da população que se diz católica na França vão, de fato, à missa. Nesse país de 60 milhões de pessoas, 40% se declaram sem religião.

São inegáveis os números sobre o a crise no catolicismo. E os cardeais nomeados pelos dois últimos papas parecem dispostos a desafiar essa realidade. A escolha desse polêmico argentino para Papa que o diga.

Um Papa com digitais de uma ditadura

Paradoxalmente, ao contrário do que planejam os anacrônicos marqueteiros do Vaticano, a escolha feita agora só foi boa para os que cravaram seu nome azarão nas casas de apostas. Até mesmo na Argentina sua indicação pegou muito mal, apesar do meio milhar de católicos que foi festejar na catedral. A imagem que ele tem é de um colaborador da ditadura, que não teve cerimônia em entregar sacerdotes subordinados a ele sob a acusação de colaborarem com a resistência armada.

Bergólio foi acusado formalmente pelas Mães da Praça de Maio de ter facilitado o sequestro dos sacerdotes jesuítas Francisco Jalics e Orlando Yorio. A versão é corroborada pelo jornalista Horacio Verbitsky, que publicou diversos livros com temáticas relacionadas à ditadura argentina e a Igreja Católica, lamentando que, inquirido ante os tribunais, o agora Papa Francisco tenha negado informações concedidas a ele em uma entrevista para seu livro.


CLIQUE NA FOTO E VEJA  REPORTAGEM SOBRE
ENVOLVIMENTO DE BERGÓLIO COM A DITADURA



“Ele os denunciou por estarem vinculados com a subversão e de terem desobedecido seus superiores hierárquicos”, frisou o jornalista, afirmando que a informação está documentada na chancelaria argentina.

Em audiência sobre crimes cometidos na Escola de Mecânica da Marinha, centro de detenção clandestino da ditadura, a ex-presa política Maria Elena Funes relatou que o arcebispo de Buenos Aires tinha proibido um dos jesuítas de atuar como padre na região de Bajo Flores, no sul da capital argentina, por razões ideológicas.

Mas a acusação de Verbitsky não era inédita. Rumores sobre a colaboração de Bergóglio com a ditadura já haviam circulado na Argentina. Ele chegou a ser denunciado na Justiça por ligações com o sequestro dos missionários, segundo uma fonte judicial do Palácio de Tribunais.

A indignação de familiares de vítimas reflete o clima que se viveu nesta quarta-feira em associações de defesa dos direitos humanos da Argentina. Nas sedes das Mães e Avós da Praça de Maio, entre outras entidades locais, seus representantes receberam com surpresa e estupor o nome do novo Papa. Para este setor da sociedade argentina, a escolha de Bergólio foi difícil de digerir.

- Até hoje, a Igreja continua sem colaborar com as investigações da Justiça. Bergóglio nunca quis abrir os arquivos da Conferência Episcopal - queixam-se.

Em 2011, Verbistky descobriu um documento do Ministério das Relações Exteriores e Culto da Argentina que confirma a suspeita. Na época, Jalics, húngaro, havia feito um pedido de renovação de passaporte. O informe mostra que Bergólio informou à Chancelaria que havia “suspeitas de contato com guerrilheiros” e “conflitos de obediência”. A solicitação do jesuíta foi negada.

Bergóglio foi denunciado pela primeira vez por cumplicidade com crimes da ditadura em 1986, no livro Igreja e Ditadura, escrito por Emilio Mignone, autor defensor dos direitos humanos que teve sua filha desaparecida.

Esse cardeal com seu passado polêmico é o novo pastor de um rebanho de 1 bilhão de católicos. Que cada vez diminui mais.

domingo, 10 de março de 2013

Segurança de fachada (III)

PMs de fora davam cobertura ao tráfico no morro da Providência e UPP local "não sabia de nada"
Policiais do CORE arrombaram lojas e casas no morro para achar drogas
Uma operação comandada pelo Ministério Público pôs a nu nesta sexta-feira a inutilidade da chamada "pacificação" de áreas dominadas pelo poder paralelo: 21 policiais militares foram presos por colaborarem com o tráfico do Morro da Providência, na área central, com suspeitas de que ganhavam de R$ 100,00 a R$200,00 por dia.
O detalhe é que essa comunidade sedia uma UPP e os PMs presos eram do 5º Batalhão que, teoricamente, não tinham mais nada com esse morro, a primeira favela da cidade do Rio de Janeiro. Lá também o tráfico continuava sem problemas, a julgar pelo número de ordens de prisão nessa operação: 56 acusados de tráfico.
O próprio secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, fez questão de dar uma coletiva para falar do envolvimento dos policiais do 5º BPM, mas não explicou o que faziam no morro os 209 PMs encarregados da sua "pacificação", desde que a Unidade de Polícia Pacificadora foi instalada formalmente em 26 de abril de 2010. Pelos relatos do subsecretário de Inteligência, Fábio Galvão, a droga era vendida em várias ruas, mas a central e os 56 suspeitos com prisão preventiva decretada eram do morro.
As investigações da Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente e da subsecretaria de Inteligência da Polícia Civil começaram em maio de 2012. A titular da DPCA, Bárbara Lomba, investigava o envolvimento de menores no tráfico quando se deparou com o esquema:
Nós percebíamos que os bandidos tentavam driblar a presença dos policiais de UPP. Eles se comunicavam pelo rádio, criando trajetos alternativos para não evidenciar o transporte de drogas. Não há bocas de fumo no Morro da Providência. Não era algo ostensivo. Era uma nova forma de atuação deles.
Tolerância na Rocinha custa R$ 80 mil mensais
As bolhas vão estourando aqui e ali. Nos morros do  Chapéu Mangueira  e Babilônia, no Leme, os conflitos de quadrilhas recomeçaram com o retorno do traficante Jony Paulo Gomes de Oliveira, que saiu da cadeia para cumprir o resto da pena em regime semi-aberto e, como já é rotina, sumiu na poeira. Ali, próximo ao início da Avenida Atlântica, bandidos de duas quadrilhas voltaram a trocar tiros nas barbas dos policiais da UPP, instalada em junho de 2009 com um efetivo de 107 PMs, que se limitaram a "monitorar" os seus movimentos, como admitiu o seu comandante, major Felipe Magalhães.
O aumento da temperatura não surpreendeu os moradores do bairro. Sebastian Archer, conselheiro do Leme Tênis Clube, disse que suas instalações vinham sendo usadas pelos traficantes todas as madrugadas. E não era para praticar esporte.
Enquanto isso, a polícia está devendo a conclusão de uma investigação sobre o esquema de corrupção na Rocinha, a maior de todas as favelas do Brasil, a partir de informes do serviço de inteligência da Polícia Civil, divulgadas em abril de 2012.   Sua UPP foi instalada em 20 de setembro de 2012, com 310 policiais.
Veja apontou mensalinho na Rocinha
Num dossiê circunstanciado, o serviço de inteligência aponta inclusive as cifras da corrupção da Polícia Militar. De acordo com o documento o pagamento consiste numa "entrada" de R$ 200.000,00, seguida por uma mesada de R$ 80.000,00. Os valores comprariam a tranquilidade para manter o comércio de drogas sem interferência da polícia nas ruas internas e becos, enquanto o patrulhamento ficaria restrito às vias principais da favela.
Não seria o primeiro "furo". Em setembro de 2011, o comando da UPP dos morros da Coroa, Fallet e Fogueteiro foi afastado após a descoberta acidental de um esquema de propinoduto na área: um sargento e dois soldados da UPP conduziam R$ 13.400,00  quando foram flagrados com a mão na massa.
Numa sacola de supermercado, havia 30 envelopes com os nomes dos seus cúmplices.  Durante o plantão do grupo, a venda de drogas corria solta. Segundo se apurou, o comandante e seu adjunto recebiam sua grana em casa, pelo sistema de delivery.
Essa UPP tinha 216 homens e quem não topasse entrar no esquema podia pagar caro. Foi o que aconteceu com três policiais, atingidos por uma granada por bandidos no Morro do Fallet: O soldado Alexander de Oliveira perdeu parte da perna direita e teve fratura do braço esquerdo. Outros dois PMs foram atingidos por estilhaços.
Um custo por baixo de R$ 720 milhões por ano
Convertidas na menina dos olhos do governador Sérgio Cabral Filho, as UPPs passaram a atrair milhares de candidatos a policiais militares, porque ganham gratificações especiais de R$ 500,00 do Estado, e mais R$ 500,00 da Prefeitura do Rio de Janeiro, enquanto o governo federal manda R$ 400,00 a título de bolsa-formação para cada um. Como a partir de agora, cada PM receberá no mínimo R$ 2.500,00, os especiais das UPPs vão embolsar mais de R$ 3.500,00 - um soldo de fazer inveja a professores e médicos do Estado.
Isso se refletiu nos concursos que já direcionam a lotação dos novos PMs para as  UPPs. Desde a primeira ocupação no Morro Dona Marta, todos os quase 8 mil recrutas foram direto para essas unidades.  Resultado: o último concurso estabeleceu recorde histórico, de 68.655 inscritos para 3.600 vagas em disputa. No anterior, em 2007, foram cerca de 25.000 candidatos para 2.000 lugares disponíveis.
Segundo cálculos do portal R7, em 2014, quando o efetivo das UPPs chegará a 12  mil, o seu custo total será de R$ 720 milhões, R$ 180 milhões a menos do que o orçamento de toda a Polícia Militar em 2011, que foi de R$ 900 milhões. Esses cálculos, publicados em dezembro daquele ano, não consideram o aumento de 39% para todos os policiais, divididos em duas partes: a segunda entra em vigor agora e com ele só o orçamento da PM subirá para R$ 2 bilhões.  
A concentração dos recursos na ocupação policial das favelas se reflete na abertura de espaços favoráveis a assaltos e roubos nas áreas urbanas. Enquanto o efetivo da UPP do Jacarezinho/Manguinhos soma 1.131 homens, dispondo de 32 motos e cavalaria. Já o 31º BPM, que cobre toda a Barra da Tijuca e Recreio, com uma população de 310 mil habitantes, conta com 450 homens. Segundo seu comandante tenente-coronel Marcus Vinicius Amaral, Isto representa pouco mais de 70 homens por turno na rua.

quinta-feira, 7 de março de 2013

SEGURANÇA DE FACHADA (II)

Na Mangueira,  o tráfico não reina, mas governa, enquanto os moradores não levam a UPP a sério

Cenário da mais popular escola de samba do Rio, a Mangueira não mudou
"A UPP não vingou na Mangueira. Lá ainda governa o tráfico."
Ancelmo Gois, colunista sério, em O GLOBO de 20 de fevereiro de 2013
Nos últimos dias, a "rapaziada do movimento"  do celebrado morro da Mangueira deu as caras para mostrar a quem interessar possa que continua mandando mesmo onde policiais batem cabeças e tiram a sesta desarranchados. Logo depois do carnaval, com a execução de um dos seus chefes, abatido no Recreio, a léguas de lá, os meliantes determinaram o fechamento de todo o comércio local e do entorno por dois dias, em sinal de luto até o seu sepultamento. Não teve juras de comandantes e adjuntos da UPP que fizessem os comerciantes abrirem as portas.
Foi uma demonstração de poder paralelo que deixou o secretário Beltrame sem saber o que dizer em casa. Por que não tem outra coisa a fazer se não engolir a seco: no mesmo lapso de horas três pessoas ligadas à escola de samba foram mortas, um PM da UPP teve a arma roubada, o comércio foi obrigado a fechar as portas e moradores, incluindo integrantes da diretora da escola de samba, abandonaram suas casas às pressas, por causa de ameaças.  Tudo isso na Estação Primeira, mais internacional das favelas brasileiras, de cara para o Estádio do Maracanã, no berço de Cartola e Jamelão, onde o samba tem o seu palco mais iluminado.
"Uma olhada no noticiário dos últimos dias nos leva à triste conclusão, de que a 18ª Unidade de Polícia Pacificadora, instalada em junho de 2011 na Mangueira, enfrenta um momento crítico" - escreveu o repórter José Antônio Barros - "A disputa pelo controle da escola de samba entre a situação e a oposição mistura carnaval e crime. Isso sempre ocorreu na Mangueira. Não é novidade. O tráfico cobrava royalties da escola de samba, sem ter direito algum. E a boca de fumo ainda faturava nos dias de ensaio. Mas em apenas quatro horas esta semana três mortes -- uma delas, no Recreio -- trouxeram à tona a guerra entre traficantes e sambistas, na Mangueira. O clima no morro é de terror e até um policial da UPP teve a pistola levada por um traficante".
E mais:
"Agora a situação é grave. A Unidade de Polícia Pacificadora não conta com o respeito da comunidade, que anteontem preferiu acreditar no tráfico, e o comércio local fechou as portas em luto pela morte do traficante Acir Ronaldo Monteiro da Silva, o 2k. Há rumores de que ele tenha sido morto por maus policiais que extorquiam dinheiro dele, numa emboscada. Só que a fatura acabou sendo apresentada às pessoas próximas à direção da escola de samba".
Em resposta à execução do 2K, bandidos mataram duas pessoas ligadas à agremiação. Alan Carlos da Silva Silvio, de 24 anos, segurança da quadra da Mangueira, foi executado a tiros no alto da comunidade no mesmo dia. O corpo dele foi encontrado na manhã de segunda-feira, carbonizado, num carro, em São Cristóvão. Jefferson Fernandes de Oliveira, de 21 anos, da bateria da escola, foi morto na segunda-feira, após ser baleado em frente a um contêiner da UPP no Morro do Tuiuti, vizinho à Mangueira.
Os crimes deste fevereiro dão curso a uma sequência de desafios à lógica da segurança pública baseada na ocupação das áreas redutos do tráfico.  Quando o presidente da escola de samba, Ivo Meireles, informou a um jornal sobre a invasão da quadra por seis traficantes fortemente armado em março de 2012,  sob a liderança do mesmo Acir Ronaldo Monteiro da Silva, o 2k, e do advogado  Marcos Oliveira,
o capitão Leonardo Nogueira, comandante da UPP,  teve uma reação patética, confessando que só soube do fato pela imprensa:
"Se houve uma ameaça, por que ninguém ligou para mim? Ele (Ivo) tem o meu telefone. Ou então era só ir até a cabine, até o comando da UPP. Aí ele liga para um jornal?  Foi algo complicado que a gente não está acostumado a ver".
E bateu na mesma tecla de agora:
 "Aqui é diferente porque o tráfico é enraizado na família. Por mais que algumas pessoas de bem, trabalhadoras, não sejam criminosas, elas têm um irmão, um primo envolvido. Isso causa uma dificuldade. Ele não simpatiza com o crime, mas simpatiza com o criminoso, e tem uma relação afetiva com ele. Aí a polícia chega, e ele pensa: não vou fechar com polícia porque sou primo de fulano e amigo de cicrano. Acaba ficando preocupado com o que as pessoas vão falar"
Veja que ele se repete neste episódio de agora, do comércio fechado por ordem do tráfico, reafirmando que o crime na Mangueira resiste à "pacificação" por ter uma estrutura familiar:
— O tráfico aqui era passado de pai para filho há 40 anos. Está muito enraizado, e a pacificação deverá ser progressiva e de longo prazo.
É só na Mangueira?
Não é por acaso que os bandidos recebem as UPPs de braços abertos. Antes assim, dizem ele. Pior era no tempo das incursões de surpresa, que eles ficavam sabendo em cima da hora e tinham de partir para o confronto por que não sabiam até onde a polícia queria chegar.  Pior seria se os policiais trabalhassem a partir de informações dos serviços de inteligência. Houve até um momento em que isso aconteceu: foi quando realmente pegaram alguns peixes graúdos.
Com previsão de que as UPPs vão custar por baixo R$ 720 milhões só no ano de 2014 (o Orçamento de toda a PM em 2011 foi de R$ 900 milhões), essa política de segurança experimental ainda vai nos custar muito caro. Para você ter uma idéia, embora a primeira unidade tenha sido instalada em 19 de dezembro de 2008, somente em 6 de janeiro de 2011 o governador Sérgio Cabral Filho se dignou a baixar o Decreto 42.787, dando sustentação legal e normatizando a implantação, estrutura, atuação e funcionamento das unidades de polícia pacificadora (UPP) no Estado do Rio de Janeiro.
A reação do poder público diante da demonstração de força do poder paralelo na Mangueira agora só serviu para mostrar que nossas autoridades viram o galo cantar, mas não sabem aonde. A UPP, que contava até o dia 20 de fevereiro com um efetivo de 120 homens, ganhou um reforço de mais de 200 policiais militares, segundo o GLOBO. Esses números só servem para confirmar que tudo não passa de um jogo de cena.
Porque no dia 21 de outubro de 2011, ao anunciar a instalação da UPP da Mangueira depois do estágio de ocupação pelo BOPE,  o secretário José Mariano Beltrame disse que a unidade contaria com 403 homens, englobando as suas três comunidades - Buraco Quente, Telégrafo e Candelária - e mais o morro do Tuiuti, todos muito próximos do estádio do Maracanã.
Como chegou a 120 agora, não dá para entender. Mas seja qual for o número, eu diria sem medo de errar: considerando que o custo por homem numa UPP é de RR$ 5 mil mensais, é mais dinheiro do contribuinte jogado fora. Por que o combate ao crime com espetaculosidade nunca deu em nada. E não vai ser essa forma primária de lidar com a segurança pública que produzirá efeitos compensatórios psicológicos sobre a população por muito tempo.
Quem viver verá.

Próxima matéria: bandidos se movimentam nas áreas das UPPs e ainda pagam à PMs "mensalinhos"  de R$ 80 mil na Rocinha, segundo Serviço de Inteligência da Polícia Civil.

quarta-feira, 6 de março de 2013

Morte produzida em laboratório

Hugo Chávez foi eliminado, como Arafat, Jango, Torrijos, Roldós e outros líderes inconvenientes para os EUA


Não tenho a menor dúvida: tanto como Yasser Arafat, em 2004,  Hugo Rafael Chávez Frias foi eliminado com o uso do que há de mais moderno e sofisticado da tecnologia criminosa desenvolvida na CIA e nas dezenas de agências satélites privadas que prestam serviço ao governo norte-americano.
 Digo isso com a responsabilidade de quem tem 52 anos como repórter e estou convencido de que não será difícil a mesma conclusão para a comissão de cientistas que o governo da Venezuela deverá criar, conforme anúncio do vice-presidente Nicolás Maduro.
O corajoso (e descuidado) presidente bolivariano, de 58 anos, não foi o único líder latino-americano eliminado pela máquina mortífera norte-americana nos últimos anos:  em dezembro de 1976, o ex-presidente brasileiro João Goulart foi assassinado na Argentina com a troca dos remédios que tomava para o coração.
Omar Torrijos, presidente do Panamá e militar como Chávez, foi assassinado  num acidente aéreo forjado em 1981, conforme relato detalhado do ex-agente da CIA John Perkins,  no seu livro "Confissões de um Assassino Econômico".
Como Torrijos, a CIA usou o "acidente aéreo" para matar também o ex-presidente do Equador, Jaime Roldós Aguilera, no mesmo ano de 1981, por ter entrado em confronto com as petrolíferas norte-americanas. Essa constatação é confirmada por John Perkins no mesmo livro.
Como Arafat, vítima de uma substância radioativa
O assassinato de Arafat foi abafado e contou com a ajuda da tradição muçulmana, que não procede a autópsia dos seus mortos.  Mas a disposição de sua viúva Suha e uma criteriosa investigação da Tv Al-Jazeera levaram à descoberta do assassinato e a um pedido formal da Autoridade Nacional Palestina para que um comitê patrocinado pela ONU  proceda o desdobramento da investigação feita por médicos suíços, que já levou à exumação do corpo do líder palestino.
Após nove meses, um trabalho meticuloso dos especialistas suíços  e exame de roupas e objetos que Arafat usou nos dias que antecederam sua morte - roupa, escova de dente e até seu icônico kefiyeh que não tirava da cabeça - revelaram uma quantidade anormal de polonium, um elemento radioativo raro ao qual poucos países têm acesso, ou seja, apenas os do restrito clube atômico. 
As suspeitas na morte de Chávez
Horas antes de anunciar oficialmente a morte do presidente Hugo Chávez, o vice Nicolás Maduro falou pela primeira vez, em caráter oficial, das suspeitas de que o câncer que levou o líder à morte tenha sido inoculado. Há estudos bem adiantados sobre a possibilidade de que isso possa acontecer.
"Já temos bastantes pistas sobre este tema, mas é um tema muito sério do ponto de vista histórico, que terá que ser investigado por uma comissão especial de cientistas", acrescentou.
Chávez perguntou em dezembro de 2011 se é possível "que o câncer possa ser uma doença induzida, produzida", e recomendou então aos presidentes Evo Morales, da Bolívia; Daniel Ortega, da Nicarágua; e Rafael Correa, do Equador, que se cuidassem.

Ninguém pode duvidar do poder mortífero dos laboratórios da CIA, próprios ou terceirizados. Durante anos, seus agentes tentaram matar Fidel Castro por todos os meios - isso em pelo menos 400 situações.
Genocídio bacteriológico
Não conformada, a CIA praticou um dos maiores genocídios bacteriológicos contra o povo cubano em 1881, quando importou da Ásia o vírus da dengue hemorrágica e disseminou sobre a ilha, conforme denúncias comprovadas por vários cientistas e jornalistas, todas reunidas no livro Bioterror -  Manufacturing Wars the American Way,  escrito por Ellen Ray e Willam H. Schaap, e publicado em 2003.
Na primavera e no verão de 1981, Cuba sofreu uma grave epidemia de dengue hemorrágica. Entre maio e outubro de 1981, a ilha sofreu 158 mortes relacionadas à dengue, com 75.000 casos de infecção relatados. No auge da epidemia, mais de 10.000 pessoas foram infectados por dia e 116.150 foram hospitalizadas. Ao mesmo tempo, durante os surtos, em 1981, suspeitou-se que a CIA ou seus contratantes realizaram ataques na ilha caribenha de forma encoberta, como parte de uma guerra biológica contra os seus moradores. Estes ataques ocorreram durante sobrevôos de aviões militares.
Particularmente prejudicial para a nação foi uma grave epidemia de gripe suína pela que Fidel Castro culpou à CIA. O pesquisador americano William H. Schaap pesquisou e  confirmou em livro que o surto de dengue em Cuba foi o resultado das atividades da CIA.
Para EUA, outro Chávez nunca mais
Os EUA nunca aceitaram Chávez como presidente de um país com a maior reserva de petróleo do mundo. Ao contrário de Cuba, onde desde a fracassada invasão de 1961a população participa de um sistema de vigilância multiplicado, a Venezuela jamais adotou medidas preventivas efetivas contra ataques sofisticados à base de ferramentas tecnológicas.
Chávez mesmo sempre foi muito "populista" nessa área. Assim como podia cantar num show improvisado, tinha uma tendência a bebericar qualquer coisa ou até mesmo beliscar um salgado em suas visitas a bairros da periferia.
Não seria difícil valer-se desse estilo censurado por mais de uma vez por Fidel Castro para introduzir-lhe o vírus de uma doença fatal.  No final de dezembro de 2011, o próprio Chávez comentou: "Fidel sempre me disse: Chávez, tome cuidado, esta gente desenvolveu tecnologias, cuidado com o que come, cuidado com uma pequena agulha e te injetam não sei o quê", relatou ao lembrar uma conversa com o cubano".  
Ainda na semana passada, o líder da oposição venezuelana Henrique Capriles, governador do Estado de Miranda, fez uma inesperada visita aos Estados Unidos, enquanto dois adidos militares norte-americanos em Caracas,   Deblin Costal e David Delmonico, eram expulsos por tentarem realizar reuniões com seus colegas venezuelanos para discutir o país pós-Chávez.

Em função da postagem sobre a morte de Chávez, a segunda matéria da série sobre a SEGURANÇA DE FACHADA  fica para depois.

terça-feira, 5 de março de 2013

Segurança de fachada (I)

Com show cinematográfico, polícia ocupa o Caju sem prender traficantes, nem apreender seu armamento sofisticado

“Em todas as áreas que entramos tivemos problemas. Nenhuma foi fácil”.
José Mariano Beltrame, secretário de Segurança e provável candidato a vice-governador de Pezão.

Numa operação cinematográfica, com direito a 17 blindados da Marinha, "caveirões" da PM, helicópteros e até lanchas do Grupamento Aeromarítimo, envolvendo 1.400 policiais do Batalhão de Operações Especiais (Bope), e do batalhão de Choque (BPChoq), cerca de 200 policiais civis, agentes da Federal, além de 150 guardas rodoviários federais, as forças de segurança ocuparam as 15 favelas do Caju, onde vivem 20.212 pessoas, e a Barreira do Vasco, do outro lado da Avenida Brasil, de 7.300 habitantes.
Os bandidos, que foram oficialmente informados da operação com 72 horas de antecedência através da mídia escrita, falada, televisada e internetizada, malocaram-se em áreas seguras e deram boas vindas aos seus novos parceiros: a partir de agora, não precisarão exibir meninotes armados até os dentes com fuzis de última geração, que agregam custos elevados ao preço da droga, para proteger suas bocas de fumo de "invasões alemãs".
Desde a primeira UPP no Dona Marta, em dezembro de 2008, as quadrilhas passaram a trabalhar o "plano B", caso chegasse a vez da sua área. Algumas têm "esticas" - filiais -  na própria cidade, na Baixada, na região dos Lagos, em Niterói e São Gonçalo, além de aliados de facção. Mas nem por isso se mudam de armas e bagagens, mantendo-se nas áreas em que dominam na clandestinidade.
Como em outras situações, a ocupação no Caju se deu sem o disparo de um único tiro. Nem os tradicionais fogueteiros estavam em seus postos. Por quê? Até mesmo a "gatonet" controlada pelos traficantes foi desativada 48 horas antes, com a retirada dos equipamentos retransmissores. 
Como se tivesse havido um acordo, os bandidos tiveram todo o tempo necessário para desmontar sua estrutura que incluía armamentos sofisticados, inclusive fuzis antiaéreos de procedência israelense. Muitas dessas armas foram compradas dos próprios policiais, que as apreendiam e não as incluíam nos relatórios.

A facção do Caju era originalmente do chamado 3º Comando, ligada aos traficantes da Rocinha, Vila Vintém, em Padre Miguel, e Morro de  São Carlos. Seus membros têm estreitas ligações com as quadrilhas de Macaé, onde o tráfico registra um dos maiores movimentos do Estado desde o "boom" do petróleo.
Mas estava inserida até mesmo na administração do Cemitério do Caju.  Foi através deles que o Nem da Rocinha tentou obter um falso atestado de óbito, valendo-se dos irmãos Vinícius Rodrigues dos Santos, e Paulo Palmieiri Rodrigues dos Santos, que mandaram matar o administrador do cemitério e avô Paulo Rodrigues, de 82 anos, em 2010, depois que foram demitidos por ele com a descoberta da falsificação.
A Secretaria de Segurança chegou a falar no domingo em 16 prisões no Caju e 4 na Barreira do Vasco, dez feitas pela Polícia Rodoviária. No entanto, os presos não foram apresentados, como de praxe.  As informações sugeriam que essas pessoas foram detidas já à distância das favelas ocupadas: na Avenida Brasil, próximo a Parada de Lucas, na Ponte Rio - Niterói, na BR-040 e na Dutra. Com certeza, se houve prisões, era da raia miúda, que costuma servir de "bucha".
O balanço do material bélico apreendido é ridículo. A Polícia Militar apreendeu no Complexo do Caju duas réplicas de fuzil; uma réplica de espingarda; uma espada artesanal; uma faca; uma coronha de fuzil; duas munições para calibre ponto 50; 31 munições para calibre 45 milímetros; três carregadores de pistola. Também foram encontrados 119 frascos de cheirinho da loló; 300 gramas de maconha; 39 pedras de crack; sete radiotransmissores; cinco coldres; uma cartucheira calibre 38 e anotações da contabilidade do tráfico de drogas.
Já a Polícia Civil apreendeu na Barreira do Vasco cocaína e maconha ainda não contabilizadas, uma pistola, dois radiotransmissores e carregadores. As apreensões da Polícia Federal foram próximas à Parada de Lucas, 20 Km distante: 93 quilos de pasta-base de cocaína; mil projéteis para fuzil calibre 7.62; 2.400 projéteis para calibre 9 milímetros e 28 carregadores para fuzil.  É curioso que com um efetivo bem menor a PF tenha dado um prejuízo maior ao tráfico.
Com as dez pessoas que diz ter prendido, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) apreendeu 14 trouxinhas de maconha, 236 pinos de cocaína, uma pistola, e três revólveres.
Valorização imobiliária
O grande complexo empresarial do entorno está feliz: como costuma destacar o governador Sérgio Cabral Filho nas instalações de UPPs, suas áreas, próximas ao "Porto Maravilha" e com  muitos depósitos de containeres,  experimentarão uma rápida valorização e não será preciso mais contribuir para o serviço social da malandragem como forma de matar dois coelhos de uma só cajadada: pegavam uma graninha das empresas vizinhas e ainda faziam média com o lumpesinato  dependente de biscates e sem comida em casa.
Já a grande maioria da mídia e as fanfarras de aluguel, que não entendem da missa um terço, soltaram foguetes para festejar o embrião da 31ª  "Unidade de Polícia Pacificadora", a alquimia para a segurança concebida pelo gaucho de Santa Maria  José Mariano Beltrame, o secretário de segurança caipira que repete sempre a mesma ladainha em cada operação do gênero: "não sou mercenário da ilusão".
Alquimia tão condimentada que expõe uma situação inexplicável. A UPP chega à área do Caju com tudo que tem direito. Na no vizinho Complexo da Maré o 22º Batalhão parece dormir de costas para um aglomerado de mais de 100 mil pessoas.  Se já tem lá um batalhão inteiro, por que não encarregá-lo do mesmo serviço de uma UPP? Estaríamos assim diante de uma PM partida ao meio? A antiga, com seus maus hábitos e suas cicatrizes, e a das UPPs, com sua tropa "ainda não contaminada"?

Próxima matéria: bandidos se movimentam nas áreas das UPPs e ainda pagam à PMs "mensalinhos"  de R$ 80 mil na Rocinha, segundo Serviço de Inteligência da Polícia Civil.

Quem sou eu

Minha foto
Jornalista desde 1961, quando foi ser repórter da ÚLTIMA HORA, PEDRO PORFÍRIO acumulou experiências em todos os segmentos da comunicação. Trabalhou também nos jornais O DIA e CORREIO DA MANHÃ, TRIBUNA DA IMPRENSA, da qual foi seu chefe de Redação, nas revistas MANCHETE, FATOS & FOTOS, dirigiu a Central Bloch de Fotonovelas. Chefiou a Reportagem da Tv Tupi, foi redator da Radio Tupi teve programa diário na RÁDIO CARIOCA. Em propaganda, trabalhou nas agências Alton, Focus e foi gerente da Canto e Mello. Foi assessor de relações públicas da ACESITA e assessor de imprensa de várias companhias teatrais. Teatrólogo, escreveu e encenou 8 peças, no período de 1973 a 1982, tendo ganho o maior prêmio da crítica com sua comédia O BOM BURGUÊS. Escreveu e publicou 7 livros, entre os quais O PODER DA RUA, O ASSASSINO DAS SEXTAS-FEIRAS e CONFISSÕES DE UM INCONFORMISTA. Foi coordenador das regiões administrativas da Zona Norte, presidente do Conselho de Contribuintes e, por duas vezes, Secretário Municipal de Desenvolvimento Social. Exerceu também mandatos em 4 legislaturas na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, sendo autor de leis de grande repercussão social.